Paraíso: Uma instituição dedicada ao amparo

Nota

É com um tom nostálgico que a aposentada Neyde Mazzucco Zanatta, de 81 anos, recorda da década de 50 e das lembranças da primeira turma de internas da Casa da Criança, local onde é a antiga residência de Monsenhor Agenor Neves Marques. “À noite, com saudades de casa, eu ficava na janela olhando a cidade. Às vezes saíamos da escola à tarde e tínhamos que ir à missa com as freiras. Chegávamos com muita fome e elas faziam uma sopa muito gostosa”, lembra.

Neyde conta que irmã Faustina Oldani, do grupo das Beneditinas da Divina Providência, era superiora da Casa da Criança. “Ela quase não falava português. Nasceu na Argentina. Era descendente de italianos. Em momentos delicados dizia que ia rezar para o “babo” José, que também era o santo que tinha na capela, para ver se alguém trazia algum alimento. E logo chegava um colono com doações”, salienta.

Neyde ia aos finais de semana visitar a família em Rio América. Durante a semana se dedicava aos estudos na escola Barão do Rio Branco. “Não me arrependo de ter ficado no internato. Os pais pagavam os custos. Lembro que estudávamos num amplo pasto que pertencia à Francisco De Cesaro, hoje onde é o bairro Das Damas. Não precisava mandar. Nós sabíamos que estávamos ali para estudar”, pontua.

Com regras estipuladas pelas freiras, Neyde lembra que as orações sempre eram antes das refeições e no dormitório duas aspirantes ficavam no começo e no final do espaço. “Tinha hora para tudo. Para fazer a refeição, ler, dormir. Eram camas com bidês no dormitório e também recordo de uma escada caracol”, ressalta.

A turma das internas também aprendia a como ser uma dona de casa. “No internato era ensinado a bordar e pintar. Eu gostava. Uma jovem de Treviso, por exemplo, veio para Urussanga a fim de aprender a ser dona de casa”, pontua.

COMO NASCE O PARAÍSO

A instituição Paraíso da Criança surge por iniciativa de seus fundadores: Monsenhor Agenor Neves Marques, Ida Bez Batti e Olinda Bettiol. O propósito deles era criar um jardim de infância denominado “Casa da Criança” com a finalidade de oferecer educação aprimorada às crianças.

Fundada em 15 de agosto de 1948, com caráter filantrópico, assistencial e caritativa, o intuito da instituição era prestar assistência a menores órfãs e carentes que se encontravam em situação de risco e excluídas socialmente. As atividades começaram em uma sede provisória numa pequena sala alugada, mantida por doações de colonos, comerciantes e indústrias da região carbonífera.

A partir de 1954, com o auxílio do governo através de recursos do departamento de obras públicas, com o apoio da diretoria da Instituição e benevolência da sociedade das Damas de Caridade, contou-se também com a Congregação das Irmãs Beneditinas e instituições como Serviço Social da Indústria (SESI), Legião Brasileira de Assistência (LBA), Plano Nacional do Carvão (PNC), Secretaria de Amparo ao Menor (SAM), Conselho Nacional de Serviço Social (CNSS), além da comunidade em geral.

Neste período começou a construção de uma nova estrutura, a qual foi inaugurada oficialmente em 1959 e denominada “Paraíso da Criança”. A área coberta da instituição era de mais de três mil metros quadrados, ficando assim subdividido: cozinha, refeitório, parque infantil, biblioteca, capela, laboratórios de informática, salas de TV, aula, palestra e atendimento, banheiros masculinos e femininos, galpão e pátio com espaço físico para atividades ao ar livre.

O atendimento era oferecido gratuitamente para toda a região carbonífera, sul catarinense, contemplando moradia, alimentação, vestimenta, remédio, educação e amparo. De acordo com a diretoria atual do Paraíso da Criança, no início dos trabalhos eram atendidas, aproximadamente, 250 crianças, e incorporava também serviços de creche, berçário e jardim de infância. Nos anos subsequentes foram implantadas escola para ensino primário e escola.

UMA HISTÓRIA DE COMPAIXÃO E DEDICAÇÃO

O silêncio paira no ar. Agora o pátio está vazio… Neste espaço, milhares de crianças choraram, cresceram e brincaram. Terezinha Camola Costa, 68 anos, foi uma delas e depois foi para e por elas. Ela chegou ao Paraíso da Criança em março de 1958, vinda de Meleiro, após o falecimento da mãe.

“Meu pai me deu para os meus avós. E minha avó me trouxe para cá porque eles já eram idosos. E para eu não ficar rolando por aí. Eles sempre vinham me buscar para passear”, recorda.

Camola, como é conhecida, presenciou a inauguração da nova estrutura em 1959. Aqui, estudou o primário e conviveu com freiras, professoras, crianças órfãs, internas, semi-internas, crianças no jardim de infância e também da escola normal, pessoas oriundas da área central de Urussanga, dos bairros, de outras cidades.

“Muitas famílias por pobreza ou outros problemas sociais pediam a intervenção do padre Agenor. Ele recolhia as crianças e, em algumas situações, quando tudo se normalizava elas retornavam para casa. Os órfãos tinham afazeres aqui dentro. Existia uma rotina, horários. Eu levantava cedo e ia para a aula de manhã. A tarde brincava um pouco. As calçadas eram um brilho e existia um quadro com a divisão das tarefas do mês”, lembra.

DE ALUNA À CUIDADORA

Camola casou com 21 anos e constituiu família com a chegada de três filhos. Mas nunca deixou de trabalhar como voluntária em prol do Paraíso da Criança. “Cuidei de muitas crianças, até bebês. De segunda a segunda-feira, dia e noite. Dona Ida Bez Batti era secretária, ia ver as crianças, sempre estava envolvida. Quantas crianças passam por aqui e contam lembranças. Eu era uma tia que protegia, cuidava, zelava. Ela sabiam que tinham mãe e que ela tinha ficado em algum lugar”, relata.

Viúva há 19 anos, hoje Camola mora na ampla construção em companhia de outra que foi acolhida na casa, Terezinha dos Santos, mais conhecida como Neguinha. Elas ainda ajudam a manter a limpeza e organização da estrutura. “O Paraíso foi uma casa acolhedora. Hoje minha história foi essa graças a este lugar. Não sei como seria minha vida se não fosse aqui. Ou melhor, ou pior… Foi a minha acolhida”, finaliza.

Festa do Vinho: Desfile enaltece a tradição e prepara Urussanga para acolher visitantes

A chegada dos imigrantes italianos, a tradição da produção de vinhos e a consagração do grandioso evento filantrópico foram os elementos do enredo apresentados ao público na manhã do último sábado, dia 4, durante o desfile do pré-evento da XVIII Festa do Vinho, na Praça Anita Garibaldi, em Urussanga. Famílias, comunidades, entidades, associações culturais, clubes de serviço, vinícolas, rainhas e princesas, participaram da ação com o tema “Brindamos a tradição”.

O início do desfile contou a história de algumas famílias do município como De Lorenzi Cancellier e Associação dos Descendentes e Imigrantes Friulanos, Benincá, Biz, De Bona Sartor, Maccari, Serafin e a comunidade do bairro De Villa. O segundo momento foi dedicado a produção do vinho, da colonização ao reconhecimento, uma história premiada que volta a ser valorizada com o singular Goethe. Esta ala teve a participação de integrantes das associações culturais Bellunesi e Trevisani com a doação de mudas de uva da variedade Goethe, bem como da Associação de Produtores de Vinho e Uva Goethe (ProGoethe) com a distribuição de vinho branco feito pela vinícola Trevisol.

O desfile encerrou enaltecendo a Festa do Vinho, criada em 1984, com a atuação de algumas entidades que participam do evento como Apae de Urussanga, Paraíso da Criança e Rotary Clube de Urussanga, além da presença de rainhas e princesas de edições anteriores, as embaixatrizes e a rainha e as princesas da XVIII edição.

“Foi uma ótima iniciativa retomar o desfile da Festa do Vinho. Este resgate à memória aumenta o sentimento de pertencimento em relação à cidade e desperta na comunidade a valorização da cultura e da tradição. Assistir a este momento é fomentar a nossa cultura”, disse a arquiteta Karulini de Jesus ao acompanhar o desfile.

Festa do Vinho: Goethe, um produto com reconhecimento

Singular e rara. Assim é a uva Goethe, produto encontrado somente na região Sul de Santa Catarina. O território reconhecido como Vales da Uva Goethe é detentor da primeira e única Indicação Geográfica (IG), na modalidade Indicação de Procedência (IP), do setor vitivinicultor de Santa Catarina. Recentemente, em 2017, a Associação ProGoethe recebeu uma certificação do movimento internacional Slow Food no Brasil. Isto porque a uva Goethe foi inserida no catálogo mundial “Arca do Gosto”, registro que identifica, localiza, descreve e divulga os sabores especiais, sendo 750 produtos reconhecidos.

Os vinhos brancos, frisantes e espumantes feito com a uva Goethe poderão ser apreciados pelo público que prestigiar a XVIII Festa do Vinho, que ocorrerá de 8 a 12 de agosto, no Parque Municipal, em Urussanga. Logo na entrada do evento, o público receberá uma taça personalizada, contendo vinho Goethe, idealizada pela Comissão Central Organizadora (CCO) em parceria com a empresa Strawplast. A intenção é propagar a cultura do vinho aos visitantes. Em seguida, um local destinado à Associação ProGoethe fará a primeira degustação e venda de vinhos.

No ponto mais alto do Parque Municipal, na denominada Praça D’Italia, as vinícolas associadas à ProGoethe recebem os visitantes em seus espaços oferecendo acomodações diferenciadas, degustação gratuita e comercialização de vinhos numa área coberta e fechada. Nos dias 11 de agosto, sábado, das 10 à 16 horas, e no dia 12, domingo, das 10 às 14 horas, a entrada na Festa do Vinho será gratuita. Nos demais dias e horários haverá cobrança de ingressos devidos aos shows nacionais.

A XVIII Festa do Vinho é uma realização da Prefeitura de Urussanga, por meio da Comissão Central Organizadora, em parceria com as entidades e associações culturais do município, e a empresa X9 Promoções Artísticas. Além dos vinhos, da gastronomia e de exposições, o evento terá atrações nacionais como Axé 90 Graus, Zé Neto e Cristiano, Chitãozinho e Xororó, Roupa Nova e Jorge & Mateus. A programação completa e os pontos de venda de ingressos podem ser conferidos nas redes sociais ou no site: www.festadovinhourussanga.com

Festa do Vinho: Gastronomia é aliada à filantropia

O voluntariado é uma das peças fundamentais para a realização da XVIII Festa do Vinho, que acontecerá de 8 a 12 de agosto, em Urussanga, no Parque Municipal. Centenas de pessoas atuam desta forma, desde a Comissão Central Organizadora (CCO) até as entidades, clubes de serviço e associações culturais.

Os pratos gastronômicos que serão comercializados possuem um sabor ainda mais especial: a filantropia. O público que aprecia a gastronomia do evento colabora com diferentes causas sociais. “Para a Apae de Urussanga, a Festa do Vinho contribui para angariar fundos e melhorar o atendimento aos nossos alunos, bem como os serviços. Todo valor arrecadado é em prol das nossas atividades”, explica o presidente da instituição, João Paulo Mendes.

Voluntárias estão elaborando centenas de quilos de nhoque para vender no espaço destinado ao Hospital Nossa Senhora da Conceição de Urussanga. Para o presidente do hospital, Arnaldo Bez Batti o evento traz um ganho significativo. “No ano passado, os alimentos oriundos dos ingressos e passaportes solidários resultaram em 14 mil quilos. Além disso conseguimos arrecadar um valor expressivo que foi aplicado em melhorias”, afirma.

Ao todo, o evento contará com mais de 10 pontos gastronômicos. Os pratos servidos serão pizzas, risottos, nhoques, macarrão, pastin (x-polenta), petiscos, comida típica italiana, derivados de carne suína, hambúrgueres, espetinho de carne, sopa de capeletti, café colonial, entre outros. Nos dias 11 de agosto, sábado, das 10 à 16 horas, e no dia 12, domingo, das 10 às 14 horas, a entrada no Parque Municipal será gratuita. Nos demais dias e horários haverá cobrança de ingressos devidos aos shows nacionais.

A XVIII Festa do Vinho é uma realização da Prefeitura de Urussanga, por meio da Comissão Central Organizadora, em parceria com as entidades e associações culturais do município, e a empresa X9 Promoções Artísticas. Além dos vinhos, da gastronomia e de exposições, o evento terá atrações nacionais como Axé 90 Graus, Zé Neto e Cristiano, Chitãozinho e Xororó, Roupa Nova e Jorge & Mateus. A programação completa e os pontos de venda de ingressos podem ser conferidos nas redes sociais ou no site: www.festadovinhourussanga.com

Confira as entidades e os pratos:

Associação Bellunesi Nel Mondo di Urussanga em parceria com Stone Pub – Hambúrguer italiano

Associação Coral Santa Cecília – Pizza no forno a lenha (4 opções de sabores) e petiscos

Associação das Mulheres Agricultoras – Café colonial

Associação de Moradores do Bairro das Damas (Amodamas) – Petiscos, batata frita e salgados

Associação dos Descendentes e Imigrantes Friulanos de Urussanga – Sopa de capeletti, macarrão com porpetas e nhoque ao molho sugo

Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) – Risotos feito com vinho Goethe (2 opções: quatro queijos e bacon com molho rose)

Centro de Assistência Social e Beneficência Cristã (Casbec) – Cachorro-quente, petiscos e batata frita

Clube dos Treze – Comida típica italiana (a quilo)

Escoteiros de Urussanga – Espetinho de carne

Hospital Nossa Senhora da Conceição de Urussanga – Nhoques: à bolonhesa e quatro queijos

Lions Club – Pastin (Sanduíche feito de polenta com carne) / Macarrão à bolonhesa ou presunto com ervas finas

Paraíso da Criança – Pizza e petiscos

Restaurante Granitão/San Gennaro – Comida típica italiana (buffet)

Rotary Clube – Becaria: Derivados de carne suína

Desfile coloca Urussanga em clima da Festa do Vinho

O sábado será de alegria e para Urussanga entrar definitivamente no clima da XVIII Festa do Vinho. A partir das 10h do dia 4 de agosto, será realizado o desfile comemorativo ao evento que terá como tema “Brindamos a Tradição”. As entidades, clubes de serviço e famílias da cidade colocarão em evidência os 140 anos da colonização italiana em Urussanga, a história da Festa do Vinho, além dos 120 anos de cultivo da uva Goethe no município.

“O retorno do desfile sempre foi uma solicitação antiga da comunidade e que ocorrerá neste ano. Teremos a alegria de receber a todos na Praça Anita Garibaldi para um momento de alegria, de recordar a nossa histórias e as tradições” enaltece o presidente da Comissão Central Organizadora da XVIII Festa do Vinho, Sergio Luiz Maccari Junior. “Nosso principal objetivo é o de incentivar a manifestação da comunidade para que todos se sintam parte integrante da festa do Vinho e promovam a manifestação da nossa cultura. Com certeza o desfile colocará toda a comunidade já no clima de Festa do Vinho”, complementa.

Após o desfile, no dia 4 de agosto, acontecerá o tradicional tombo da polenta realizado pelo grupo Amici Della Polenta com distribuição gratuita, outras opções gastronômicas e atrações musicais locais.

Sobre a XVIII Festa do Vinho:

A XVIII Festa do Vinho ocorre de 8 a 12 de agosto e é uma realização da Prefeitura de Urussanga, por meio da Comissão Central Organizadora, em parceria com as entidades e associações culturais do município, e a empresa X9 Promoções Artísticas. Além dos vinhos, da gastronomia e de exposições, o evento terá atrações nacionais como Axé 90 Graus, Zé Neto e Cristiano, Chitãozinho e Xororó, Roupa Nova e Jorge & Mateus.

Pré-evento da Festa do Vinho ocorre neste sábado, em Urussanga

Urussanga segue em clima da XVIII Festa do Vinho e para comemorar a proximidade do evento que ocorre de 8 a 12 de agosto de 2018, neste sábado, dia 21, será realizado mais um pré-evento na Praça Anita Garibaldi. As atividades serão realizadas das 10h às 15h e contarão com música, gastronomia, o vinho urussanguense e a presença da atual corte da Festa do Vinho.

“Estes eventos são muito importantes para dar à cidade o clima de festa, entre os moradores e visitantes. Além disso, esta é mais uma oportunidade da população ter contato com a nova corte da festa que estará divulgando o evento”, enaltece o presidente da Comissão Central Organizadora da XVIII Festa do Vinho, Sergio Luiz Maccari Junior.

Durante o evento deste sábado haverá a apresentação do programa Festa Sertaneja, da Rádio Marconi, ao vivo, na Praça Anita Garibaldi. “Contaremos também com atrações de música caipira e sertaneja locais e regionais, bebidas com a Associação ProGoethe e Birra del Nonno, alimentação com a Barraca do Taliano, Roma Gelato e Café, Restaurante Del Fuego e Papo’s e Trago’s”, enaltece Maccari Junior.

Além do evento deste sábado, dia 4 de agosto, semana que antecede o evento, será realizado o tradicional desfile e o tombo da polenta realizado pelo grupo Amici Della Polenta.

A XVIII Festa do Vinho ocorre de 8 a 12 de agosto e é uma realização da Prefeitura de Urussanga, por meio da Comissão Central Organizadora, em parceria com as entidades e associações culturais do município, e a empresa X9 Promoções Artísticas. Além dos vinhos, da gastronomia e de exposições, o evento terá atrações nacionais como Axé 90 Graus, Zé Neto e Cristiano, Chitãozinho e Xororó, Roupa Nova e Jorge & Mateus.

40 anos de atendimento especial à população – Apae de Urussanga celebra quatro décadas de atuação na próxima semana com extensa programação

O caminho desta instituição é de aprendizagem, evolução, superação e amor à vida. Assim é a Escola Santa Rita de Cássia, a APAE de Urussanga. A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais do município foi fundada em 10 de julho de 1978 e criada para atender crianças com atrasos de desenvolvimento neuropsicomotor e pessoas com deficiência intelectual.

Na época, em uma reunião dos Lions Clube da cidade, o membro Luiz Carlos Pasini chamou a atenção dos cidadãos para a situação e sugeriu a fundação da APAE. O Lions formou uma comissão com membros da entidade para realizar um levantamento e comprovar a necessidade de implantação da entidade. Omero De Bona presidiu os trabalhos à frente deste grupo.

A comissão visitou escolas e bairros e aos poucos foi descobrindo casos de crianças especiais. Em dois meses, o grupo finalizou o relatório com a justificativa para a criação da Apae em Urussanga. Posteriormente, o Lions Clube da cidade promoveu uma assembleia com entidades para comunicar sobre a decisão.

A primeira diretoria da Apae de Urussanga foi formada em julho de 1978, tendo como presidente José Luiz Nascimento. As atividades da APAE iniciaram em uma sala no Centro Social Urbanos atendendo dez alunos. Logo, o Lions fez a doação de um terreno com a condição de que as duas entidades dividiriam o mesmo prédio e se engajou em uma ampla campanha a fim de arrecadar recursos para a construção de uma sede.

Fidelis De Brida, que já atuou em diversas funções nas diretorias da Apae e atualmente é o Diretor de Patrimônio, recorda que foi uma verdadeira luta. “Até venda de rifas foi feita na época para ajudar a arrecadar o dinheiro. A Prefeitura ajudou na mão de obra, enquanto o Lions foi pedindo auxílio com a parte material. Foi feita a construção aos poucos”, conta.

Omero De Bona, eleito o segundo presidente da entidade entre 1980 e 1982, acompanhou de perto este importante feito para a Apae. As obras iniciam efetivamente em janeiro de 1981 e a inauguração da sede ocorreu em 1982, localizada no mesmo ponto atual, na Rua Vidal Ramos. “A gente que se envolve na Apae cria uma verdadeira paixão. Sou apaixonado por essas crianças e me emociono só de lembrar do abraço deles”, frisa Fidelis.

AMOR: O SEGREDO DAS PROFISSIONAIS DEDICADAS

O cheirinho de café que invade a entrada principal da Apae de Urussanga é de responsabilidade da cozinheira Ana Ruprest Da Silva, de 64 anos. A bebida carrega um gosto peculiar: o amor e a dedicação a um trabalho desenvolvido há 36 anos nesta instituição. Desde a implantação da sede, em 1982, Ana faz parte da equipe da Apae de Urussanga.

De servente a merendeira e cozinheira, Ana traz em seu olhar o afeto de quem se dedica de corpo e alma nas manhãs e tardes aos alunos. Ela chega às 6 horas na instituição para dar os primeiros encaminhamentos às três refeições que precisa elaborar ao longo do dia. “É corrido… Faço pão, bolo e até doce de frutas mais maduras. Geralmente são refeições para mais de 20 pessoas, inclusive o almoço. Então tem que pensar para mudar o cardápio”, conta.

As mais de três décadas trabalhando em prol da Apae de Urussanga são motivo de orgulho e carinho para Ana. “Eu amo o meu trabalho. Eu visto a camisa da Apae pelos nossos alunos. É muito amor e o deles é verdadeiro. Todo dia abrançando. O carinho deles é especial. Eu cheguei para trabalhar aqui moça com 20 poucos anos. Já se passaram 36 anos. O trabalho da Apae é muito importante. Não sei como vai ser depois que eu sair. Acho que viro uma voluntária”, comenta.

Na secretaria da instituição, Marlene Mazzuco também já contabiliza 33 anos de trabalho na Apae de Urussanga. Ela ingressou em novembro de 1985 e ao longo dos anos as atividades desenvolvidas dentro da instituição só aumentaram. “Faço os planos de aplicações, a prestação de contas, os pagamentos, a atualização de documentos e organização do arquivo, o lançamento de atendimentos pelo convênio SUS, bem como atendo a solicitação dos órgãos competentes no que se refere ao fornecimento de dados. E cumpro as solicitações do presidente e da diretora da escola”, explica.

Marlene é outra apaixonada pela Apae de Urussanga. “Exerço minha profissão com muita responsabilidade, ética, organização e o principal: muito amor. E mais um respeito muito grande aos nossos alunos. Sou realizada profissionalmente”, frisa.

ATENDIMENTO ESPECIALIZADO VISA O DESENVOLVIMENTO

Prevenir e tratar a deficiência e promover o bem estar e desenvolvimento da pessoa com deficiência são prioridades da Apae de Urussanga. A associação sem fins lucrativos atua nas áreas de assistência social, educação, saúde, esportes e lazer, pesquisa, defesa e garantia de direitos da pessoa com deficiência intelectual múltipla.

Nesta instituição dedicada à educação especial quase 300 pessoas com deficiência intelectual, múltipla ou síndromes associadas já se beneficiaram e 80 alunos continuam usufruindo de possibilidades de aprendizagem, orientações e prestação de serviços desenvolvidos por meio de oficinas e atendimento especializado.

Os alunos são atendidos por idade e grau de comprometimento nas turmas de Estimulação Precoce, Serviço Pedagógico Específico (SPE), Atendimento Educacional Especializado (AEE), Serviço de Atendimento Especializado (SAE), Transtorno Espectro Autista (TEA) e em Oficinas, que contemplam aulas de artes, educação física, informática e também acompanhamento e atendimento de psicologia, fonoaudiologia, fisioterapia, terapia ocupacional e assistente social. A instituição também desenvolve outras ações como palestras, atendimentos especializados, assessorias nas escolas e orientações as famílias.

“Nessas décadas de atuação a Apae de Urussanga vem se aprimorando e superando os obstáculos que vai encontrando pelo caminho. Hoje já temos uma sede própria que atualmente está em reforma e restauração do ambiente interno. Agora contamos com um espaço para os atendimentos terapêuticos e pedagógicos, transporte próprio que gentilmente disponibilizamos para a maioria dos alunos que não possuem condições de utilizar o transporte público escolar.Todas as nossas ações são em defesa dos direitos de nossos alunos. Acreditamos nas pessoas com deficiências e para elas que dedicamos o nosso trabalho. Trabalhar na Apae me refaz todos os dias. Poder conviver com pessoas tão especiais e lutar por elas me faz ver a vida de outra maneira. Aqui temos um mundo só nosso, descomplicado, simples e cheio de amor. Fazer parte desta entidade digna e respeitada por todos é um grande orgulho”, pontua a diretora da Apae de Urussanga, Maristela Vietes de Jesus.

Entre os projetos futuros estão a ampliação da sede com mais salas de aula, construção de uma área de esporte e lazer, aquisição de equipamentos mais modernos para melhorar a qualidade do atendimento diário, troca de veículos e reforma do prédio escolar.

ACOMPANHAMENTO RESULTA EM EVOLUÇÃO

Foi na Apae de Urussanga que a família da pequena Valentina Savi Mondo, de 3 anos, encontrou a acolhida, o amparo e atendimento especializado que tanto precisava para o desenvolvimento da criança. Diagnosticada com autismo no ano passado, Valentina ingressou na instituição há 10 meses.

Ela frequenta a Apae no período da manhã e recebe a atenção de profissionais como fonoaudióloga, psicóloga, terapeuta ocupacional e pedagoga. “No primeiro mês eu e o meu marido já percebemos a evolução dela. Está mais tranquila e tenta se concentrar. Ela está avançando. A parte de comportamento acredito que será a mais difícil. Nossa preocupação é com a fala. Vivemos um dia de cada vez. Nós pais recebemos também muita orientação. O atendimento é excelente e gratuito. Por isso é fundamental valorizar o trabalho dessa instituição”, comenta a mãe Francieli Martignago Savi Mondo.

Estímulo é o que não falta na vida da pequena Valentina. Se na Apae ela é incentivada, em casa a dedicação dos pais é notória. Quadros com diferentes fechaduras, tampas para encaixe, régua com parafusos… Estes brinquedos inusitados dispostos na sala e varanda mostram o empenho em busca da evolução da filha. “Nós criamos brinquedos para estimular a coordenação motora dela. Faremos sempre de tudo por ela”, pontua.

EM BUSCA DA INDEPENDÊNCIA – novo título – 1 foto

Nos últimos meses, a rotina de Gustavo Ramos, de 20 anos, já não é mais a mesma. Ao invés de seguir o caminho rumo a Apae de Urussanga, todas as manhãs ele inicia uma jornada repleta de novas experiências na empresa Ceusa. É no setor de controle de qualidade que Gustavo desenvolve seu trabalho por meio do projeto Jovem Aprendiz.

“Eu olho os produtos, vejo se tem defeito e separo. Meus amigos que trabalham comigo me ajudam. É meu primeiro emprego. Dá vontade de ficar mais tempo”, ressalta o jovem.

No período da tarde, ele retorna à Apae para acompanhar as atividades na instituição. Uma vez por mês, Gustavo participa de treinamentos dentro do programa Jovem Aprendiz. As vivências atuais trouxeram benefícios ao jovem. “Ele mudou em tudo. Está mais maduro e tranquilo. Fala sobre outros assuntos com os colegas na Apae”, explica a diretora da Apae de Urussanga, Maristela Vietes de Jesus.

INSTITUIÇÃO COMEMORA 40 ANOS COM PROGRAMAÇÃO

Na próxima semana, a Escola Santa Rita de Cássia – Apae de Urussanga realiza ações alusivas aos 40 anos da instituição. Na segunda-feira, dia 9, acontecerá a abertura de uma exposição que faz um resgate histórico destas décadas de atuação. A ação na sede da Apae será aberta a comunidade no período integral.

Já na terça-feira, dia 10, uma Sessão Solene na Câmara de Vereadores de Urussanga, às 19 horas, presta homenagem ao fundador Lions Clube, ex-presidentes e ex-diretores da Apae.

Exposição e venda de trabalhos artesanais feitos pelos alunos acontecerá no dia 11, quarta-feira, na Praça Anita Garibaldi. Na quinta-feira, às 18h30min, uma missa será celebrada na Igreja Matriz em homenagem aos 40 anos da instituição.

A sexta-feira será de muita alegria com um piquenique envolvendo professores, alunos, funcionários, voluntários e famílias na Associação da Ceusa, no bairro São Pedro.

Realeza da XVIII Festa do Vinho é eleita

Expectativa e emoção marcaram a escolha da Rainha e Princesas da XVIII Festa do Vinho, realizada na noite desta sexta-feira, dia 22, com o Ginásio Centenário de Urussanga lotado e efervescente com a animação das torcidas. O título de rainha foi conquistado por Suelen Cittadin Jacintho, de 18 anos, representante da Associação de Moradores do Bairro Rio América (AMBRA) e CEUSA.

Compõem a realeza as princesas Kamila Fretta Fabro, de 18 anos, representante da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Urussanga e Associação Comercial e Industrial (ACIU) de Urussanga, e Sara Servodio, de 16 anos, representante da Urussanga Minérios. A partir de agora também representam o evento como embaixatrizes as jovens Gisliani Carniato Feltrin, Kimberlin De Oliveira Dos Santos, Rafaela Cancellier Ghisi e Sabrina Inácio Velho.

Kamila Fretta Fabro conta que foram dois meses de muito aprendizado. “Foi e está sendo um verdadeiro sonho e que irá deixar marcas e lembranças por toda a minha vida, é gratificante todo o carinho que estou recebendo e principalmente dos meus pais, familiares e amigos que estão vivendo este sonho comigo e a partir de agora farei o meu melhor para poder representar muito bem a minha cidade e honrar o título que recebi”.

Para a princesa Sara Servodio ser eleita foi um sonho realizado. “Eu não esperava o título, quando ele chamou o meu nome eu não acreditei, e não sabia nem o que fazer, foi uma emoção enorme quando vi a Danieli vindo em minha direção pra passar o título”, conta.

Segundo a rainha escolhida, Suelen Cittadin Jacintho, participar da escolha da corte foi a melhor decisão que já tomou na vida. “Além de adquirir muito conhecimento sobre minha cidade, fiz novas amizades, e tive novas experiências. Ser eleita rainha foi uma sensação de dever cumprido, pois foram praticamente dois meses estudando, treinando e se esforçando muito para que esse sonho se tornasse realidade. O que posso dizer é que a partir de agora vou honrar com a coroa e com a faixa que recebi, e levar o nome de Urussanga e da festa do vinho com muito amor e carinho para outras regiões”, ressalta.

Antes da cerimônia no Ginásio Centenário, as sete candidatas participaram de um coquetel junto com os cinco jurados. Desde este momento, elas foram avaliadas dentro de critérios como desenvoltura, simpatia, comunicação, passarela, figurino e beleza.

Ao final do desfile, todas as candidatas ganharam joias em ouro repassadas de forma cortês pela advogada Magaly Bonetti Mazzucco, bem como presentes das lojas Cazamix e O Boticário.

As três eleitas receberam as respectivas coroas e faixas repassadas pela corte que representou Urussanga nas edições da Festa do Vinho em 2016 e 2017. A realeza da XVIII Festa do Vinho foi contemplada com um curso intensivo de língua italiana ofertado pelo Instituto Sul de Línguas (Isul). A rainha Suelen ganhou uma viagem oferecida pela agência DS Travel.

“Durante dois meses, as candidatas participaram de diversos cursos de capacitação, inclusive de como bem receber os visitantes que irão prestigiar a Festa do Vinho. Nós temos convicção de que elas irão representar a simpatia e beleza da mulher urussanguense”, salienta a vice-presidente da Comissão Central Organizadora da Festa do Vinho, Margareth Maria Serafin De Villa.

A XVIII Festa do Vinho ocorre de 8 a 12 de agosto e é uma realização da Prefeitura de Urussanga, por meio da Comissão Central Organizadora, em parceria com as entidades e associações culturais do município, e a empresa X9 Promoções Artísticas. Além dos vinhos, da gastronomia e de exposições, o evento terá atrações nacionais como Axé 90 Graus, Zé Neto e Cristiano, Chitãozinho e Xororó, Roupa Nova e Jorge & Mateus.

Festa do Vinho: patrimônio imaterial de Urussanga

É de conhecimento popular que Urussanga é uma cidade histórica e devido a isso possui edificações tombadas pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), como por exemplo a Casa de IvanirCancelier e a Propriedade Bez Fontana, ambas tombadas em setembro de 2015. Esses bens são considerados patrimônios materiais, mas além deles, existem também os patrimônios imateriais, que são aqueles que se manifestam através de saberes, ofícios e modos de fazer; celebrações; formas de expressão cênicas, plásticas, musicais ou lúdicas; e nos lugares que abrigam práticas culturais coletivas.

A Festa do Vinho, que hoje acontece anualmente em Urussanga, pode ser considerada como patrimônio imaterial da cidade, pois é de extrema importância para a história local e memória dos imigrantes que a fundaram. Mesmo sem ser protegida por legislação de patrimônio, a festa é considerada patrimônio de Urussanga, sendo que já acontece há mais de 30 anos e é responsável por manter acesa a tradição daqueles que a colonizaram, além de movimentar a economia. Dentro das categorias do patrimônio imaterial, a festa apresenta as vertentes de celebração e de saberes, pois durante a festa são repassados alguns ensinamentos que vieram junto com os imigrantes, como o modo de preparo da comida típica.

Os primeiros imigrantes italianos chegaram em Urussanga em 26 de maio de 1878, data em que se comemora a fundação da cidade, e vieram da Província de Belluno, Região de Veneza. Esses imigrantes trouxeram para o Brasil os costumes agrícolas de seu país de origem: desenvolveram a atividade vitivinícola e atribuíram à Urussanga a identificação de “cidade do bom vinho”. A partir dessa tradição, criou-se a Festa do Vinho, responsável por ressaltar a cultura italiana.

Alguns dos valores que a festa repassa para a população são:

Cognitivo – que é o repasse do conhecimento acerca das tradições;

Afetivo – a festa é responsável por aflorar o sentimento de pertencimento à essa cultura e toda a história de fundação de Urussanga. Para os urussanguenses, o sentimento de pertencimento à festa é evidente no envolvimento e engajamento para fazer o evento acontecer – há a participação da comunidade na organização;

Pragmático – o evento tornou-se uma atração da cidade não apenas pelo lado cultural tradicional, mas também pelos eventos paralelos realizados que não envolvem a cultura italiana (shows nacionais, gastronomia diversificada), o que faz movimentar o setor de turismo na cidade, gerando renda e empregos temporários durante os dias de festa. A realização da festa é um motivo de confraternização, reunir familiares e amigos para desfrutarem do evento.

Portanto, nosso objetivo, enquanto acadêmicas de Arquitetura e Urbanismo da UDESC Laguna, é mostrar que além do patrimônio material, que é aquele que a gente vê, existe o patrimônio imaterial, que é aquele que não precisa de algo físico para demonstrar importância, e é o que acontece com a Festa do Vinho. A sua celebração é um patrimônio para a cidade de Urussanga, pois é uma forma de manter acesa a memória dos imigrantes que deram início à construção da cidade.

Flavia Coan de Bona Sartor
Luísa Gallon
Estudantes de Arquitetura e Urbanismo, UDESC/CERES – Laguna/SC

140 ANOS DE URUSSANGA: JORNAL VANGUARDA APRESENTA ORDEM CRONOLÓGICA DOS PRINCIPAIS FATOS

Uma viagem no tempo através de fatos e fotos. É este passeio pelo imaginário que o Jornal Vanguarda de Urussanga proporciona aos leitores nesta edição especial alusiva aos 140 anos de fundação da cidade. Uma proposta diferente que vem de encontro com o papel de informar e registrar a história.

Entre 2012 e 2014, o JV elaborou quatro edições do caderno especial “Nostri Nonni”. A primeira edição enfatizou e relatou fatos e fotos de algumas famílias que fundaram o município: Pietro Bez Batti, Ferdinando Búrigo, Giovanni Damian, Matteu e Ventura De Bona, Domenico, Francesco e Giacinto De Brida, Gaetano De Lorenzi Cancellier, Antonio De Lorenzi Canever, Eugenio, Giuseppe e Vincenzo Mazzucco, Pietro Meneghel, Giovanni Savi Mondo, Giovanni e Pietro Tezza.

As edições seguintes abordaram algumas famílias colonizadoras: Ferdinando Bettiol, Giacomo Bez Fontana, Antonio Copetti, Vincenzo De Villa, Cesare Cechinel, Giovanni De Pellegrin, Osvaldo Maccari, Pietro Mariot, Luigi Vendramini, Sperandio Zanatta, Antonio Baldin, Antonio Benedet, Luigi Cittadin, Valentino De Cesaro, Antonio Pilotto, Eugenio Simon, Pietro Zanellato, Pietro Baldessar, David Bendo, Francesco Cesca, Angelo Crema, Giuseppe Dal Bó, Giovanni De Costa, Angelo e Bernardo Nichele e Luigi Zavarise. Memórias do município foram relatadas nas edições especiais de aniversário da cidade em 2016 e 2017. Este ano, retomamos às histórias e apresentamos uma ordem cronológica dos principais fatos entre 1878 e 2018.

1878 – O início de tudo

Chegam ao Brasil 1.500.000 imigrantes italianos, segundo relata Angelo Trento no livro “Do outro lado do atlântico: um século de imigração italiana no Brasil”. Novas levas foram levadas do vale do Tubarão para o Rio Urussanga. Repletos de esperança e incertezas, depois da exaustiva viagem de navio e uma extensa e árdua caminhada, 76 famílias de imigrantes italianos chegam a Urussanga em 26 de maio de 1878 e participam da fundação da cidade, conforme dados apresentados pelo Monsenhor Quinto Davide Baldessar em livros de 1991. Imigrantes vindos logo após a unificação italiana eram muito ligados à produção agrícola.

Descendentes repassam a história de que no centro eles foram alojados em um barracão coberto com palha e fechado com achas de ripas (troncos de palmito cortados ao meio). Posteriormente, compraram lotes do governo e partiram em busca do melhor local para estabelecer moradia. Os imigrantes não falavam o mesmo dialeto, pois eram oriundos de regiões distintas como Vêneto (províncias de Belluno e Treviso), Friuli-Venezia Giulia (províncias de Pordenone, Udine e Trieste), Lombardia (província de Bérgamo), Trentino-Alto Ádige (província de Trento) e Emilia Romagna.

1879 – O Sustento

Além de plantarem seu próprio sustento, como o milho, o arroz, o feijão e a abóbora, os imigrantes necessitavam de alguns instrumentos de trabalho e instalações, como a atafona para moer o milho. A primeira delas foi inaugurada em abril de 1879, na localidade de Rancho dos Bugres, pelos colonos Ferdinando, Giovanni e Celeste Savi, conforme relata o historiador Oswaldo Rodrigues Cabral no livro “História de Santa Catarina”.

Chegam a Urussanga, na mesma leva, os descendentes das famílias Maestrelli e Concer, únicos imigrantes italianos oriundos da região de Trentino Alto Adige. Eles se estabeleceram próximos ao Rio dos Americanos.

1881 – A Peste

Em livro, Monsenhor Quinto Davide Baldessar afirma que uma epidemia arrasou um dos núcleos de Urussanga, em 1880, matando dezenas de pessoas, tanto crianças quanto adultos. Registros de uma peste na comunidade de Rio Carvão levaram fiéis a pedir pela intercessão da “Madonna della Salute”. Após promessas e peregrinação, o pedido foi alcançado. Além disso, padre Luigi Marzano descreveu também em livro que muitos dos imigrantes italianos sofriam com doenças e infecções, como feridas nas pernas e nos pés devido a mudança brusca do clima e do árduo trabalho.

O urussanguense Arnaldo Escaravacco registrou em livros, na década de 80, fatos e fotos da cidade. Em uma de suas obras, ele apresentou que Giovanni Salvador e Andréa Tramontin construíram, em 1880, o segundo moinho e o primeiro engenho de cana movidos a água. O autor também registrou que Cristófolo Pescador, Antonio Bon, Eugênio Malboni e Ferdinando Bettiol ergueram o primeiro moinho na sede da colônia, acrescentando uma ferraria com malho. Em Rio Maior, Inasio, Antonio, Eugênio e Vicente Mazzucco (Tonin) e Beniamino Mazzucco (Mênego) também fazem um moinho.

Em 1881, registra-se uma população estimada em 1.820 habitantes e tem início as comunidades de Rio Caeté, São Valentin, Rancho dos Bugres, Morro da Lagoa, Rio América Baixo. Chegam os primeiros animais, a ideia da construção da capela de pedras e criam um armazém social. Devido ao crescimento demográfico, a colônia Urussanga é emancipada por Decreto em dezembro de 1881.

Em Rio América Baixo, a família Bez Fontana, do casal italiano Giacomo e Catarina, juntamente com o filho Sebastião, inicia a construção de edificações, concluídas em 1901, que abrigariam cômodos da casa, atafona, marcenaria, serraria e descascador de arroz que funcionavam com a força d’água.

1882 – Confrontos indígenas

O livro “Coloni e missionari italiani nelle floreste del Brasile”, de autoria de padre Luigi Marzano e lançado em 1904, relata a morte de dezenas de italianos, entre jovens, crianças e idosos, decorrente de confrontos com indígenas nas décadas de 1880 e 1890. Ele conta histórias de morte de alguns integrantes das famílias Pilon, Zanelato, Spricigo e De Brida.

O livro “Um Vapor para a Benedetta”, feito pelo Jornal Vanguarda, fala de um padre que civilizava índios na Amazônia e que veio a Urussanga. Ele conseguiu fazer com que as famílias adotassem crianças indígenas a fim de amenizar a tensão, formar um pacto de amizade e diminuir a hostilidade. Ele deixa o núcleo em 1885.

1885 – Porta aberta para o empreendedorismo

Ferdinando Bettiol adquire, em 1883, autorização para construir um canal de dois metros de largura para transportar, da represa por ele construída no Rio Urussanga, água para o prédio que construíra e onde funcionou, durante 85 anos, atafona e ferraria. Família De Villa começa a formar a comunidade que hoje leva seu sobrenome.

Com espírito empreendedor abrem uma casa comercial Alberto Rotti foi o primeiro Cônsul italiano a registrar visita ao Sul de Santa Catarina. Seu relatório, datado em 1885, foi descrito no livro do padre João Leonir Dall’Alba. No documento, a autoridade italiana faz referência a existência de escolas étnicas italianas na região.

Ele destaca que Urussanga tinha melhores condições educacionais e em 1884 sediava no centro da cidade duas escolas elementares, uma para meninos e outra para meninas. Já o interior da colônia contava com escolas particulares mistas pagas pelos pais dos alunos em Rancho dos Bugres, Urussanga Baixa, Rio Carvão, Rio América, sendo que as escolas de Rio Maior e Rio Caeté haviam sido fechadas por falta de professores.

O livro “História de Santa Catarina”, de Oswaldo Rodrigues Cabral, mostra que sete anos após a colonização, a produção de alimentos já superava o consumo interno, criando a oportunidade de exportar gêneros alimentícios coloniais. A produção de vinho para consumo próprio mostrava, em 1887, 13 mil litros feitos pelos colonos, segundo dados do livro “Vales da uva Goethe”.

1892 – Primeira escola pública e movimentaço financeira

Em livro, Arnaldo Escaravaco afirma que o Governo do Estado criava, pelo Decreto nº085, a primeira escola pública no núcleo apenas para meninas em 1891. Enquanto Sebastião Bez Fontana é nomeado Subcomissionário de Polícia para o Distrito, por ato do Governador de Santa Catarina.

Guardado pela família, um livro mostra a movimentação financeira entre 1885 e 1893 na casa comercial de Giovanni Damian, localizada na Praça Anita Garibaldi. Primeiros imigrantes italianos se estabelecem na comunidade de Rio Molha. Os primeiros registros ocorrem no Cartório do Distrito: óbito de Rossina Fusini, nascimento de Assunta Zandonadi e casamento de Francisco Fenilli e Cecília Grazioli. (Dados extraídos do livro de Arnaldo Escaravaco)

Nesta época, Urussanga era distrito de Tubarão. A chegada dos Bergamascos em Santa Catarina ocorreu em 1891. Ligados à Colônia de Nova Veneza, algumas famílias permaneceram no núcleo Belvedere, inicialmente formado por acampamentos com capacidade para abrigar mais de 300 pessoas, conforme relato do imigrante Giovani Ferraro em livro, local onde todos os sacrifícios eram compensados pela fartura.

1895 – Escola Italiana

O urussanguense Arnaldo Escaravaco relata em seu livro que Cristóforo Pescador escreveu para o jornal Il Tomitano, em Longarone, na Itália, lamentando o pouco apoio recebido do governo para comprar pólvora e chumbo com o intuito de adentrar na mata e espantar os índios.

Em Rio Carvão inicia o ensinamento com a construção de uma escola. O primeiro professor foi Gregório Bosa. Livro da Paróquia aponta o primeiro batismo. Regente do consulado italiano, Giuseppe Caruso Mac Donald registra em seu relatório que no sul catarinense, antes de 1901, a única escola que podia se vangloriar de diversos anos de existência era a escola de Rio Carvão, com a frequência muita escassa de 23 alunos no máximo.

Em livro, o fundador de Urussanga, Joaquim Vieira Ferreira ressalta que a expansão deste núcleo ocorria de forma mais rápida que a colônia Azambuja, pois com terras excelentes a agricultura era ampliada. Já no primeiro Livro Tombo, um padre alemão registra as capelas em 1897: St. Valentino dos Tyroleses, St. Antonio em Rio Caeté, St. Pedro em Urussanga Baixa, St. Lorenço em Rancho dos Bugres, Nossa Senhora da Saúde em Rio Carvão e St. Gervasio e Protasio em Rio Maior.

1900 – Municipalização de Urussanga

Com a emancipação política de Tubarão, Urussanga alcança autonomia e é elevada a município em 6 de outubro de 1900 pela Lei Estadual nº 474, promovida pelo governador Filipe Schmidt. Os territórios dos Núcleos de Belluno e de Treviso passam a integrar o novo município. Registros apontam para 7.145 habitantes.

Em 10 de dezembro, Jacintho De Brida é nomeado Superintendente, o cargo atual de prefeito, sendo o primeiro governante do novo município. Também foram nomeados conselheiros (comparados a vereadores e/ou secretários municipais, para a sede e estendendo as funções às localidades de origem) os cidadãos Lucca Bez Batti, Antonio Cechinel, Giovanni Pescatore, de Nova Belluno, e Antonio Baricchelo, de Nova Treviso). A instalação do município ocorreu em 22 de janeiro de 1901.

As primeiras famílias de colonizadores italianos chegam a comunidade de São Donato. Inicia a saga da comunidade de Palmeira do Meio.

1902 – As estatísticas em Santa catarina

O autor João Leonir Dall’Alba (1983) mostra, no livro “Imigração italiana em Santa Catarina”, estatísticas que mencionam a colonização italiana no Estado. Ele transcreve um relatório do regente do consulado italiano, Giuseppe Caruso Mac Donald que apresenta um quadro impresso no ‘Boletim da imigração n.º 6’, publicado pelo Ministério das Relações Exteriores da Itália em 1902.

O quadro, de autoria do Cônsul italiano Gherardo Pio de Savóia, aponta em aproximadamente 26.868 o total populacional de italianos e descendentes no Estado, sendo que Urussanga possuía a maior concentração com 7.000 ítalos e ítalobrasileiros.

Santa Catarina, de 1908 a 1930, fica na posição de terceiro lugar em número de escolas italianas no Brasil. Neste ano também ocorreu a nomeação do padre Luiggi Marzano como primeiro pároco de Urussanga, apesar de morar no município desde 1899.

Em julho de 1902, o bispo de Curitiba, Dom José de Camargo Barros cria a Paróquia Nossa Senhora da Conceição e, durante sua visita, faz 1,2 mil comunhões e 1,1 mil crismas.

Urussanga conta com 14 escolas subvencionadas, com 598 alunos.

E chega ao município o primeiro médico, Dr. Cesari Sartori.

1903 – A chegada das irmãs Freitas e o crescente número de escolas

Padre Luigi Marzano escreve para um bispo na Itália pedindo auxílio a uma congregação de freiras italianas para as colônias do Sul de Santa Catarina, que também poderiam ajudar na área de saúde. Em Urussanga, os imigrantes italianos se dedicaram a construção do local para moradia das freiras e funcionamento da escola e casa de saúde. No Livro Tombo da Paróquia consta a chegada das freiras da Congregação das Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus, oriundas da região de Piemonte, em 1904.

Um livro editado pelo Jornal Fanfulla, em 1909, traz um quadro que faz referência às escolas existentes no Estado de Santa Catarina de 1893 a 1905 e apresenta 22 escolas italianas. Destas, 15 estavam localizadas em Urussanga e concentrando o maior número de alunos, sendo mais de 800.

Constam duas em Belvedere com o professor Giuseppe Maffioletti e Giovanni Ferraro, em Rio América leciona Giovanni Spriccigo, Rio Caeté com Giovanni Zanatta, Rio Carvão com Gregório Bosa, Rio Galo com Lorenzo Sacchet, Rio Maior com Ignazio Barzan, São Martinho com Giovanni Damian, na vila Urussanga sob a responsabilidade das Irmãs Apóstolas e em Urussanga Baixa com Pasquale Zaccaron.

1910 – A chegada dos moradores de Santana

De acordo com o livro “Uma história de fé”, Editorial Vanguarda, chegam em 1910 os primeiros moradores na comunidade de Santana, porém a data oficial de fundação com registro em cartório é em fevereiro de 1931.

Nesta época, na área central, Urussanga já possuía uma farmácia implantada pelo imigrante Torquato Tasso, em uma edificação construída em 1892, próxima a Igreja Matriz, a qual permanece até os dias atuais e é um patrimônio tombado e protegido pela Fundação Catarinense de Cultura (FCC).

1912 – A cerveja Lybia e construção da igreja e pedra

Em 1900, Lucia De Bona Damian fica viúva do primeiro juiz de paz de Urussanga, Giovanni Damian, com a responsabilidade da criação de 12 filhos. Anos depois, ela resolve empreender e inicia a fabricação da cerveja Lybia numa residência na Praça Anita Garibaldi. A produção da bebida também foi feita pelos filhos de Lucia, Artemio, Damião e Viatore até 1938.

Cerca de 40 homens e mulheres de todas as famílias da comunidade de Rio Maior, oriundos de Erto e Casso, na Itália, participam da construção da igreja de pedra em 1911 em devoção aos santos Gervásio e Protásio. Antes de seu centenário, a edificação religiosa foi reconhecida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) pelo seu valor cultural para Santa Catarina. A torre atual da igreja foi construída em 1940.

1913 – A fundação da primeira vínicola

É fundada a primeira vinícola do município: Indústrias J. Caruso Mac Donald. O negócio possuía capacidade para estocar, no auge da produção, dois milhões de litros por safra. O empreendimento era gerenciado pelo patriarca José (Giuseppe), italiano advogado e jornalista, responsável pela introdução da uva Goethe na região e que chegou a cidade como regente do Consulado Italiano.

1917 – Começa a exploração de carvão

Em 1915, enquanto a cidade de Araranguá possui três escolas e 53 alunos, dados mostram que Urussanga tinha 18 escolas e 646 alunos.

Ângelo Cataneo, imigrante italiano que chegou a localidade de Armazém em 1880 junto com seus pais, casou-se com Anna Bonetti. Juntos construíram uma olaria tocada a boi na qual faziam os tijolos manualmente. Com esses tijolos, eles edificaram um pequeno oratório em 1915.

Em 1917, a exploração de carvão mineral inicia nos municípios de Criciúma e Urussanga, neste último nas regiões de Rio América, Rio Deserto, Rio Salto e Rio Carvão com a Companhia Carbonífera de Urussanga.

1919 – Vinhos Brancos

As atividades começam na Vinícola Cadorin em 1918, na área central, sendo que o conjunto de edificações do negócio foi construído em etapas de 1927 até a década de 40 e também abrigava uma ferraria.

Os produtos, uns dos famosos vinhos brancos de Urussanga, eram embalados em barris de cem litros e remetidos de trem para as principais cidades do Brasil. Posteriormente passou a comercializar em garrafões e em garrafas.

Já a ferraria elaborava ferramentas em geral que eram utilizadas pelas mineradoras na extração do carvão mineral das diversas minas da região de Urussanga e Criciúma.

Em 1919 iniciam os trabalhos no Hospital de Caridade de Urussanga, sob coordenação do Padre Luigi Marzano, em edificação próxima à Praça da Bandeira, que posteriormente abrigou a Prefeitura.

1920 – Comunidade de Rio América é formada

Tem início a comunidade de Rio América com o advento das minas de carvão na região, mas já habitada por imigrantes italianos. A primeira igreja de madeira foi inaugurada em 1940.

Em 1923, João Baptista Fontanella inicia a construção da torre da Igreja Matriz. De acordo com o livro “Uma história de fé”, Editorial Vanguarda, na época, pároco Cônego Luiz Gilli instruiu executar a obra do campanário (torre) primeiro. Três anos depois, Gilli traz da Itália dois sinos fundidos em Novara. As peças foram colocados por Ernesto Bettiol durante um trabalho de nove horas. A Igreja Matriz conta com 4 sinos: Solene, de Nossa Senhora, Tempestades e dos Anjos. Já o relógio foi comprado em Turim, na Itália, pelo Cônego Luiz Gilli, Pedro Copetti e Caetano Bez Batti para instalação em 1927.

1926 – Ramal ferroviário é inaugurado

Moradores festejam, na praça central, a inauguração do ramal ferroviário em Urussanga em 1924. No ano seguinte ocorre a instalação da comarca em 20 de dezembro com o prestígio de autoridades.

Quarta edição do Almanaque Laemmert, publicado em 1926, editado no Rio de Janeiro entre 1844 e 1889, mostra diversos ofícios desempenhados em Urussanga. Luiza Nichele aparece nos setores de açougue, fábrica de banha, capitalista, armarinho, fazendas, secos e molhados.

De acordo com o livro “Uma história de fé”, Editorial Vanguarda, a comunidade de Palmeira do Meio constrói a segunda igreja em 1928, mais imponente e dilatada. A reforma neste templo, em 1956, resultou na construção da atual igreja.

1928 – Mais uma escola

Criação do Grupo Escolar Tibúrcio de Freitas em Urussanga. Na mesma época, o município possuía 23 escolas isoladas. O pequeno povoado de Igne, em Longarone, na Itália, próximo a região dos alpes, foi a inspiração para o negócio do imigrante italiano Vincenzo De Bona. Entre a década de 20 e metade de 30, Vincenzo iniciou a produção de cerveja artesanal. Denominada Cerveja Alpini, de Vicente De Bona, a bebida era destinada a poucos e bons amigos.

1937 – O surgimento das indústrias vínicolas

Ao longo das décadas, indústrias vinícolas na cidade produziam vinhos de várias cepas, entre elas a Goethe. Destaque para vinícola Caruso MacDonald (vinho Uru e Urussanga), Vinícola Cadorin (de Lorenzo Cadorin), Vinhos De Bona (da família Vincenzo de Bona), Vinícola Bez Batti (vinho Samos chamado depois de Santé, pela família de Vincenzo de Bona e, posteriormente, pela família de Victorio Bez Batti), Lacrima Christi (da família Pietro Damian), Vinícola Barzan (da família Ignazio Barzan), Vinícola Ferraro & Batista (da família Sílvio Ferraro, vinhos Branco Salute), Vinhos Cometa (da família Bettiol), Domenico Fontanella com os vinhos Rosa em homenagem à sua esposa, Pietro Trevisol com o Trevisol, vinhos Primaz e Lótus produzidos na vinícola Cadorin, mas engarrafados e comercializados por Rosalino e Esperândio Damian, além da produção das famílias Ceron, Quarezemim, Búrigo, Trento, Mazzucco, Felippe, De Pellegrin, Mazon, Zanatta, Baldin, De Noni, Maccari, entre outras.

Em 1935, comunidade de Rio Caeté inicia a construção da nova igreja em estilo bizantino projetada por um arquiteto russo de passagem pela cidade. A inauguração foi em 1936.

1943 – Subestação de Enologia e novo hospital

De acordo com dados extraídos do site Vales da Uva Goethe, o vinho de uva Goethe da região de Urussanga era exportado para o litoral de Santa Catarina, Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia e outros estados no norte e nordeste do país. Moradores lembram que estes vinhos foram servidos durante o governo nacionalista de Getúlio Vargas, nas recepções no Palácio do Catete.

Devido à forte produção de vinho na região e aos títulos conquistados, o governo de Getúlio Vargas, através do Ministério da Agricultura, decidiu apoiar a vitivinicultura nesta região. Em 1942, foi fundado o Instituto de Fermentação para realizar pesquisas com diferentes espécies de uvas viníferas. No auge das pesquisas havia experimentos com cerca de 450 variedades de videiras. Em 1950, o instituto passou a se chamar Subestação de Enologia de Urussanga, atual Epagri.

Na colina que fecha a Avenida Presidente Vargas foi lançada, em junho de 1940, a pedra fundamental da nova sede do hospital. Desta vez, outro novo prédio foi construído com a ajuda da população e inaugurado em 2 de maio de 1943. O primeiro registro de nascimento na maternidade do Hospital Nossa Senhora da Conceição de Urussanga é de 25 de setembro de 1954, sendo um menino da localidade Rio Salto e o parto feito sob a assistência do Dr. Aldo Caruso.

1944 – A nova Igreja Matriz

A nova igreja Matriz de Urussanga é sagrada em novembro de 1944 por Dom Joaquim Domingues de Oliveira. Assim, finalmente, o conjunto da obra é finalizado. A exploração do carvão foi intensificada na década de 1940 por muitas empresas na região. Trabalhadores começaram a abandonar as atividades agrícolas para atuar na extração do carvão mineral devido a questões financeiras.

Nesta época, na Praça Anita Garibaldi, um dos negócios consolidados era o Hotel Gazzolla, de Alfredo Gazzolla, casado com Itália Damiani.

1948 – Instalação da Câmara de Vereadores

Decorrente das eleições municipais de 1947, no dia 5 de dezembro de 1947, foi instalada a Câmara de Vereadores de Urussanga, sob o comando do Juiz da 34ª Zona Eleitoral, Doutor Lourenço Rolando Malucelli. A presidência da casa ficou com Rosalino Damiani, através de eleição secreta e, ato contínuo, a posse do prefeito eleito de Urussanga, Torquato Tasso.

William Gericke faz um breve documentário e aborda como tema o município de Urussanga no final da década de 1940. Entre os assuntos, destaca produtos agrícolas, o centro com prédios modernos e bem construídos, o hospital, Grupo Escolar Barão do Rio Branco, a Prefeitura Municipal, a mineração e a produção de vinhos por J. Caruso MacDonald & Cia.

1949 – A despedida do pároco Luigi Gilli

Em frente à gruta, ano de 1948, Coral Santa Cecília na despedida do pároco Cônego Luigi Gilli, que retornou a Itália depois de 40 anos em Urussanga. O coral permanece em atividade nos dias atuais, com nova formação, elevando o nome da cidade com suas belas vozes.

Em abril de 1948, padre Agenor Neves Marques é nomeado pároco de Urussanga, posto no qual permaneceu até 1987 com o título de Monsenhor pelos relevantes serviços prestados à comunidade. Ele faleceu em 2006.

O primeiro título regional do time Urussanga Futebol Clube, fundado em 1931, foi conquistado em 1947. Para a posteridade, a equipe posou para um registro com a taça em 1948.

1951 – Criação da Rádio Marconi e da empresa de transportes coletivo São José

Em agosto de 1949, em sociedade, cria-se a empresa de transporte coletivo Auto Viação São José Ltda com três ônibus e operando com quatro linhas.

Em 1951, em 10 de fevereiro, pároco Agenor, com o apoio dos sócios Moacyr Búrigo, José Trento, Américo Cadorin e Rosalino Damiani, realizam a fundação da Rádio Difusora de Urussanga ZYT-22, atual Rádio Marconi AM 780 futura FM 99.9. As instalações e inauguração da emissora ocorreu em 1952. Participaram da formação da primeira equipe Agilmar Machado, Evaldo e Zenaide Luciano, Maria Damiani Batista, Ida Bez Batti, Olinda Bettiol e Marcolino Trombim. Sua referência era a transmissão de programas religiosos e missas.

Uma pensão famosa em Santana foi a de Venceslau Wascieleski e sua esposa Amália, que atendia principalmente trabalhadores envolvidos com a extração de carvão. Fábrica de aguardente Carvalhinha, de propriedade da família Serafin, na localidade de São Pedro/Rio Carvalho, na década de 50.

1952 – Investimento no setor hoteleiro

Em meio aos encantos da natureza, na divisa entre os municípios de Urussanga e Pedras Grandes, um imenso volume de água na temperatura de 32,2ºC surgia do solo e jorrava na direção do céu. No início da década de 50, Pedro Maragno, Francisco Cesca, Vitório Búrigo e Jorge Carneiro abriram uma estrada e iniciaram aos poucos a construção de uma edificação com banheiros, quartos e salas.

Após a conclusão das obras, os proprietários investiram no setor hoteleiro em nível regional, apostando no diferencial das águas mornas e inaugurando o Hotel Balneário São Pedro, com mais de 40 dormitórios. A fama do hotel alcançou jogadores de futebol dos times Internacional, Grêmio, Metropol e clubes do oeste, bem como o grupo Band Show PM, banda da Polícia Militar de Santa Catarina, que se apresentava pelo país e esteve no hotel acompanhado do General Militar Ernesto Geisel, que cinco anos depois tornou-se Presidente da República. Um hóspede ilustre atraiu dezenas de fãs até o hotel em 1972: cantor Roberto Carlos. A estância termal foi desativada na década de 80.

1952 – Carvão e cerâmica

Em campo, a equipe do Urussanga Futebol Clube recebe, em 1952, a visita do governador de Santa Catarina, Irineu Bornhausem, dois anos após a inauguração do estádio do UFC.

A extração de carvão tomava força entre os anos de 50 e 60 enquanto a agricultura começou a entrar em declínio. Em 1953 uma associação de integrantes da comunidade promove a fundação da Ceusa, que passa a contar com 140 colaboradores. Na área de gêneros alimentícios também entrava no comércio o Armazém Ghisi, em 1950, de Lucio Olivier Ghisi, hoje com 93 anos.

1962 – Início da empresa cerâmica Ceusa

Primeiro galpão da Ceusa, construído na década de 50.

A Sociedade Comercial Santo Antonio é um dos negócios na área central de Urussanga mais conhecidos e frequentados na década de 60. Sob o comando de Lauro De Bona e Dionísio Pilotto, o estabelecimento vendia tecidos, ferramentas, louças de porcelana, artigos para presentes, cristais, etc. Em 1962 é fundada a Sociedade Recreativa Urussanga. Três anos depois, o clube De Villa e o time de futebol com o mesmo nome.

1975 – A Construção do Paço Municipal

No final do seu mandato como prefeito, Lydio De Brida entrega, em 1972, a obra que marcou o seu governo: o novo Paço Municipal, na Praça da Bandeira. O projeto foi feito pelo arquiteto Fernando Carneiro. Os serviços foram executados pela equipe do setor de obras da Prefeitura com o apoio de pedreiros contratados.

Urussanga é atingida por uma enchente em 1974 que traz prejuízos aos munícipes, comerciantes e empresários.

Na década de 70, o perfil da indústria em Urussanga consistia na atuação de empresas voltadas para a extração de carvão, cerâmica, vitivinicultura, madeireiras, serrarias, atafonas, entre outras, como, por exemplo, Ceusa, Eliane, Minerasil, CCU, indústrias de madeiras das famílias Giordani, Peraro, Bettiol, Búrigo, Fontana, Zanatta, diversas atafonas, e surgem a Vitivinícola Urussanga e Vinícola Mazon, e no final da década as empresas Minaplast, Esaf/Ibrap, Folmaq, entre outros empreendimentos.

1978 – Centenário e fortalecimento da indústria e comércio

Nos anos de 76 e 77, a sociedade urussanguense se mobilizou para a criação da Associação Comercial e Industrial de Urussanga (ACIU) e Clube de Diretores Lojistas de Urussanga, atual Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL).

O centenário de Urussanga, em 1978, foi comemorado com festividades e inaugurações na gestão do prefeito Ruberval Francisco Pilotto. A estrutura montada no bairro Estação contou com restaurante, Centro de Exposição Industrial e shows nacionais, como Roberto Leal. Desfile na Praça Anita Garibaldi envolvendo a comunidade coroou a passagem da data relevante.

1980 – Urussanga recebe a réplica da La Pietà

A réplica da escultura “La Pietà” chegou em Urussanga na manhã do dia 8 de dezembro de 1979, solenemente abençoada e colocada no interior da Igreja Matriz. A obra foi um presente doado pelo Papa Paulo VI devido ao centenário da cidade a pedido do pároco Monsenhor Agenor Neves Marques. A réplica, que pesa cerca de 700 quilos, demorou mais de um ano para chegar ao destino final.

Segunda-feira, 10 de setembro de 1984. Urussanga amanhece enlutada… Uma explosão no subsolo na mina em Santana, da extinta empresa Companhia Carbonífera Urussanga, tira a vida de 31 mineiros e torna-se o maior acidente de trabalho com vítimas da mineração nacional.

1984 – Festa do Vinho é instituída

Prefeito Ado Cassetari Vieira institui a primeira Festa do Vinho em Urussanga, de 17 a 19 de agosto, no Ginásio Centenário, em 1984, com exposições dos vitivinicultores, atrações culturais e gastronomia.

Secretária de Educação e Cultura da época, Ana Maria Mariot Vieira promove ações de resgate como a tradução para o português do livro “Coloni e missionari italiani nelle foreste del Brasile”, de padre Luigi Marzano, a fundação da escola de língua italiana, atenção para a biblioteca municipal, patrimônio histórico, criação da banda municipal, coral e grupo de dança folclórica infantil, resgate do artesanato e do passeio de trem, apoio ao Coral Santa Cecília, promoção de uma apresentação do tenor Aldo Baldin na Sociedade Recreativa Urussanga e incentivo à construção do Parque Municipal.

1988 – Ascensão das ações culturais e início da construção do parque Municipal

Início da construção do Parque Municipal de Urussanga em 1987. O projeto foi elaborado pelo arquiteto Manoel Coelho com a ideia principal de espaços para dar vida à cidade e fazer com que a população aproveitasse o local. Em 1988, o arquiteto entregou à Prefeitura as partes construídas: portal de entrada, concha acústica (anfiteatro), centro cultural e restaurante.

A ligação com a cultura italiana e o amor pela cidade de Urussanga fez com que 18 jovens se unissem em 1988 para difundir o folclore por meio do Grupo Vino, Amore e Tradizione. A entidade cultural foi idealizada por alunos da escola de língua italiana Padre Luigi Marzano sob o comando de Neide De Pelegrin. A confecção dos trajes típicos e a coreografia das danças eram feitas com o auxílio de grupos folclóricos da Itália, ajudando a compor danças e trajes representando as províncias de Belluno, Treviso, Trento e Bérgamo.

Em 1988, inaugura o Museu Histórico Municipal de Urussanga, onde estão imagens de santos, objetos religiosos e itens que explicam a vida dos primeiros imigrantes, sendo este trabalho de resgate tendo iniciado em 1950.

Encontro entre o italiano Marcello Mazzucco e os urussanguenses Hedi Damian e Névton Bortolotto dá início as tratativas do pacto de amizade (Gemellaggio) entre as cidades de Urussanga e Longarone. No mesmo ano é fundada a Associazione Bellunesi Nel Mondo Famiglia di Urussanga.

1991 – Ritorno alle Origini e Gemellaggio

Primeira edição da festa Ritorno Alle Origini ocorre em maio de 1991, na Praça Anita Garibaldi, com o objetivo de valorizar os costumes e a cultura italiana.

Em Longarone, na Itália, no dia 6 de outubro de 1991, acontece o ato de assinatura do pacto de amizade (Gemellaggio) entre as cidades de Urussanga e Longarone.

1992 – Pacto de Amizade

Sete meses e vinte dias depois do acordo firmado na Itália, em 26 de maio de 1992, Urussanga recebe uma comitiva italiana para o ato de assinatura do pacto de amizade (Gemellaggio) com a cidade de Longarone, na província de Belluno.

1998 – Cultura e patrmônio histórico

Depois do Gemellaggio, em 1993, é fundada a Associazione Veneta dello Stato di Santa Catarina, com sede em Urussanga.

Edições da festa Ritorno Alle Origini seguem com suas atividades na Praça Anita Garibaldi. Em 1995, o evento é marcado pela participação de um grupo da Fepol – Festa Estadual da Polenta, realizada na cidade de Rio do Oeste (SC). Na ocasião, os homens prepararam uma polenta gigante para degustação da população.

Mais de 20 edificações do centro histórico de Urussanga, na Praça Anita Garibaldi, e em localidades como Rio América e Rio Maior, são tombadas pela Fundação Catarinense de Cultura entre 1998 e 2001 como reconhecimento a importância histórica e arquitetônica.

2000 – Atrativos turísticos

Festa do Vinho continua atraindo multidões para o Parque Municipal Ado Cassetari Vieira. A 10ª edição, realizada em 2004 tendo como presidente Johnny Felippe, atraiu milhares de pessoas para o show do cantor Daniel.

Em dezembro de 2008, na comunidade de São Pedro, é realizada a primeira edição da Vindima Goethe, celebração relacionada a colheita da uva, com missa e confraternização. Em janeiro de 2009 é aprovada a Lei que cria a Vindima como um evento oficial do município de Urussanga, no dia de São Vicente, 22 de janeiro, padroeiro dos vinicultores.

Urussanga ganha um Portal Turístico no trevo de acesso à cidade pelo bairro Estação. O monumento idealizado pelo arquiteto Newton Bortolotto e inaugurado em 2009, na gestão do primeiro prefeito reeleito Luiz Carlos Zen, representa através dos elementos utilizados na obra a história da cidade passando pela imigração, vinicultura e mineração.

2012 – Uva Goethe é reconhecida

Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) publica o registro da IGP dos Vales da Uva Goethe devido à qualidade, tipicidade e identidade. Indicação Geográfica de Procedência é fruto de uma conquista por intermédio da Associação ProGoethe. Oito municípios fazem parte do território certificado: Urussanga, Pedras Grandes, Cocal do Sul, Morro da Fumaça, Treze de Maio, Orleans, Nova Veneza e Içara. Vinhos passam a receber selo de qualidade.

É formado o grupo Amici della Polenta com mais de 30 integrantes, tornando-se uma forte representatividade cultural de Urussanga e passa a elevar o nome da cidade em toda Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O famoso tombo da polenta gigante é composto por aroma, textura, sabor e alegria peculiares.

Urussanga recebe, em maio de 2012, uma comitiva italiana para comemorar os 20 anos do Gemellaggio e reafirmar o acordo de amizade com a cidade de Longarone.

2017 – Pacto de amizade é renovado

Urussanga acolhe comitiva italiana para celebrar os 25 anos do Gemellaggio e reafirmar o pacto de amizade com a cidade de Longarone. Entre eles, quatro estudantes italianos.

Abertura da exposição fotográfica sobre os 25 anos do Gemellaggio elaborada pelo Foto Clube de Urussanga, durante a XV Ritorno Alle Origini, é marcada por um encontro entre Marcello Mazzucco, Névton Bortolotto e Hedi Damian, reproduzindo o gesto feito no início das tratativas do pacto de amizade em 1988.

2018 – Goethe em alta

Vitivinicultores, Poder Público e iniciativa privada comemoram os resultados da 10ª edição do evento Vindima Goethe, em janeiro de 2018. Agência oficial de receptivo e vinícolas apontam crescimento de 30 a 70% em comparação a edição de 2017. Celebrar a colheita da uva é o objetivo do evento anual que atrai centenas de turistas para viver experiências ligadas ao mundo do vinho.

Na Alemanha, espumante Goethe é comparado ao champagne francês. Durante reunião da sociedade literária Goethe (Goethe Gesellschaft), os membros degustam espumante da vinícola Casa Del Nonno. Segundo o alemão Sylk Schneider, os membros ficaram impressionados com a história e cultura em prol da uva e do vinho Goethe no Sul do Brasil e, de acordo com o alemão, os sábios disseram que o espumante tem qualidade como o champagne francês.

Com alegria comemoramos os 140 anos de fundação de Urussanga e brindamos com as centenárias Olga Freccia Trento, que mora na Praça Anita Garibaldi, e Onélia Zanellato Baldin, que reside em Rio Carvão, na esperança de que nossa cultura e tradições sejam preservadas pelas atuais e futuras gerações!

Conheça o perfil completo das sete candidatas a corte da XVIII Festa do Vinho

Sete jovens estão concorrendo ao título de rainha e princesas da Festa do Vinho de Urussanga e enquanto a escolha da corte não acontece, as candidatas estão se preparando da melhor forma para representar a cidade e a festa, sendo instruídas sobre automaquiagem, etiqueta, cultura e gastronomia, vinhos, comunicação, atenção ao público e passarela.

A escolha da rainha e princesas da festa ocorrerá no dia 25 de maio, no ginásio de esportes de Urussanga. As torcidas e toda a comunidade estão convidadas para a grande festa. O evento da escolha está integrado as comemorações dos 140 anos do aniversário de Urussanga, celebrado no dia 26 de maio.

Confira o perfil de cada candidata:

Nome: Sabrina Inácio Velho

Patrocinadores: Amodamas, CasaMix, Farmácia Nossa Senhora da Conceição, Salão Beleza VIP, Supermercado Nova Itália e Luan Varnier.

Nome dos pais: Vanda Goulart e Evaldo Inácio Velho.

Idade: 21 anos.

Altura: 1,56m. Peso: 56kg

Com o que estuda ou trabalha: Já conclui o ensino médio e não estou trabalhando no momento.

Porque ser rainha da Festa do vinho: Por minha Humildade, pelo fato de eu vir de família pobre. Meus pais me ensinaram a nunca ser mais que as pessoas, pois não é um título de Rainha ou Princesa que me fará ser arrogante, muito pelo ao contrário, ser humilde, simpática e por amar a cidade de Urussanga e querer representar ela em todos os lugares.

Projeto de vida ou sonho: cursar biologia e jornalismo.

Lugar favorito da cidade: Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição, a Praça Anita Garibaldi e Pousada Vale dos Figos

O que gosta de fazer nas horas de lazer: gosto de ir na Epagri, na associação da proguethe, Vinícola Mazon e ficar com a família e os amigos, faço de tudo um pouco!

 

Nome: Gisliani Carniato Feltrin

Patrocinadores: Associação ProGoethe

Nome dos pais: Agenor Feltrin e Fabiana Cristina Carniato Feltrin

Idade: 19 anos

Altura: 1,68m Peso: 58kg

Com o que estuda ou trabalha: Estudo Farmácia, na UNESC. Estou na 4ª fase. Trabalho na Construtora Perego pela manhã e faço estagio no Instituto Geral de Pericias (IGP), no período da tarde.

Por que quer ser rainha da Festa do Vinho: Porque sempre foi um sonho, acompanhei varias escolhas e sempre me imaginei no lugar delas e esse ano com incentivo da minha madrinha, decidi ir atrás dessa vontade. Além de Urussanga ser uma cidade rica em cultura, gastronomia e ser conhecida mundialmente pela terra do vinho, levar o nome de Urussanga e representá-la seria um enorme prazer.

 Projeto de Vida ou sonho: Concluir a faculdade de farmácia, buscar especialização na área Forense e prestar concurso público para Pericial Criminal.

Lugar favorito da cidade: Praça Anita Garibaldi

O que gosta de fazer nas horas de lazer: Gosto muito de sair com meus amigos (festas), viajar, de estar com a família e também sou atleta no tempo livre, jogo Handebol e atualmente represento a equipe UNESC/Urussanga.

Nome: Suelen Cittadin Jacintho

Patrocinadores: AMBRA – Associação de moradores do bairro Rio América e Ceusa Revestimentos Cerâmicos.

Nome dos pais: José Roberto Jacintho e Morgana Cittadin Jacintho.

Idade: 18 anos

Altura: 1,65m Peso: 50 kg

Com o que estuda ou trabalha: Durante o período matutino trabalho na empresa Ceusa e no período vespertino estou cursando a terceira fase de Biomedicina – UNESC

Por que quer ser rainha da Festa do Vinho:  Desde muito nova gosto de estar representando meu município, aos 10 anos ingressei nas aulas de Italiano, Balé, dança folclórica, teatro entre outros, então sempre que tinham eventos na cidade eu participava através das danças, encenava a colheita da uva, entre outras apresentações. Quero continuar representando meu município, desta vez como rainha ou princesa.

 Projeto de Vida ou sonho: Me formar em Biomedicina, e através dessa profissão poder ajudar a sociedade. Também desejo construir uma família, ser reconhecida no mercado de trabalho, e poder estar ajudando entidades, associações e grupos do município.

Lugar favorito da cidade: Todos os lugares da cidade são ótimos, gosto bastante da Praça Anita Garibaldi e do Restaurante Museu Baesso.

O que gosta de fazer nas horas de lazer: Estar com minha família e conhecer lugares novos.

Nome: Kimberlin de Oliveira dos santos

Patrocinadores: Ventuno Pub, Farmácia dá Dalila e Meneghel Motos

Nome dos pais: Antônio Bernardino dos santos e Jaqueline de Oliveira

Idade: 23 anos

Altura:1,65m  peso: 56 kg

Com o que estuda ou trabalha: cursando administração de empresas e trabalho no comércio de Urussanga.

Por que quer ser rainha da Festa do Vinho: Pois desde a infância foi um desejo muito forte e poder estar representando a cidade de Urussanga, a minha cidade seria um orgulho sem tamanho. Uma experiência única, pela qual vou dar o melhor de mim para poder ser digna dessa coroação.

Projeto de Vida ou sonho: Terminar a faculdade, fazer algumas especializações para ter uma carreira profissional muito bem estabilizada e com isso, claro um dia constituir uma família.

Lugar favorito da cidade: O centro dá cidade é um lugar que me trás muito conforto e de uma beleza indescritível.

O que gosta de fazer nas horas de lazer: Sair com os amigos, ir ao cinema, ficar em casa com a família e aproveitar ao máximo quando conseguimos reunir todos os primos na casa dá vó.

Nome: Kamila Fretta Fabro

Patrocinadores: ACIU e CDL

Nome dos pais: Schirlei Nunes Fretta Fabro e Marcos Antonio Fabro.

Idade: 18 anos

Altura:1,66m Peso: 60 kg

Com o que estuda ou trabalha: Sou acadêmica da terceira fase do curso de farmácia, e trabalho na loja 1,99 + Variedades que pertence aos meus pais.

Por que quer ser rainha da Festa do Vinho:  Quando eu era criança eu desfilava para uma agência de modelos, e quando tinha eventos era sempre a mesma pessoa que me arrumava, e desde então ela me falava que “um dia queria me produzir para ser candidata da festa do vinho”. Esse sonho foi crescendo dentro de mim e com certeza seria uma honra representar o município que nasci e cresci, e também levar o meu conhecimento sobre a cidade à todos.

Projeto de Vida ou sonho: Neste momento sonho em terminar a minha faculdade, e depois fazer uma especialização e logo em seguida um mestrado, porém a área ainda não defini,pois me identifico com vários ramos do meu curso.

Lugar favorito da cidade: Gosto bastante da Igreja Matriz,pois é um lugar que eu me sinto mais perto de Deus e me transmite paz.

O que gosta de fazer nas horas de lazer: Como minha rotina é um pouco corrida, quando possuo um tempo livre procuro estar com a minha família e meus amigos.

Nome: Rafaela Cancellier Ghisi

Patrocinadores: Confraria Quatro Estações

Nome dos pais: Rosimeri Cancellier e Antoninho Ghisi

Idade: 21 anos

Altura: 1,60m Peso: 53kg

Com o que estuda ou trabalha: Sou consultora de moda e estilo, em agosto darei continuidade a Graduação em design de moda. Atualmente trabalho como instagramer (blogueira).

Por que quer ser rainha da Festa do Vinho: Gosto dessa pergunta por que ela define um sonho a se realizar, por isso estou aqui. Eu tenho um sentimento muito forte pela nossa cidade e admiro muito a nossa história. Eu acredito que ser Rainha da Festa do Vinho é uma honra inigualável e com certeza vai ser um orgulho representar Urussanga e essa grandiosa festa.

Projeto de Vida ou sonho: Levar ao mundo a minha visão sobre a Moda.

Lugar favorito da cidade: Parque municipal Ado Cassetari Vieira. Natureza e tradição sempre vivas, um lugar incrível para estar com pessoas que amamos.

O que gosta de fazer nas horas de lazer: Sou apaixonada por moda e todo esse mundo então sempre estou atenta às novidades. Gosto de ser fotografada, dar dicas no Instagram, sair com amigos e também gosto de um programa mais familiar. Costumo dizer que amo tudo o que faço.

Nome: Sara Servodio

Patrocinadores: Urussanga Minérios

Nome dos pais: Serize Copetti Darela e Aniello Servodio (in memória)

Idade: 16 anos

Altura: 1,65m Peso: 50kg

Com o que estuda ou trabalha: estudo no Caetano Bez Batti no 2ºano do Ensino Médio Integral, e estou estudando inglês.

Por que quer ser rainha da Festa do Vinho:  Desde pequena percebo que a cultura, as tradições e os costumes Italianos são muito fortes em Urussanga, e como sou Italiana, pra mim seria uma honra representá-las.

Projeto de Vida ou sonho: terminar o ensino médio, o curso de inglês, fazer faculdade e penso em voltar para Itália.

Lugar favorito da cidade: Igreja Matriz

O que gosta de fazer nas horas de lazer: praticar exercícios, estar com a família, amigos.

A serviço de Deus há 25 anos

Uma grande missão recebida de Deus que centraliza a vida espiritual em Cristo Jesus. É desta forma que o padre Jiovani Manique Barreto descreve a sua escolha para formação na vida sacerdotal, que completa 25 anos no dia 15 de maio. Natural de Nova Veneza, Jiovani teve uma infância simples e laboriosa.

“Eu era muito vivaz. Gostava de estudar e jogar. Fazia travessuras e apanhava também, como todo mundo. A minha família sempre foi religiosa e participávamos da missa todo domingo. Nos últimos quatro anos íamos a missa às 6h30min da manhã, todos os domingos, no Hospital São João Batista. Até os dez anos eu dizia que queria ser padre, mas depois comecei a ficar envergonhado, pois isso era motivo de zombaria. Guardei no meu coração esse desejo e sempre cultivei um grande amor a Jesus. Ele era meu amigo e companheiro de caminhada, e muitas vezes entrei naquela que hoje é a catedral São José para rezar diante do Santíssimo”, recorda.

Aos 16 anos, quando estava terminando o segundo ano do ensino médio, Jiovani decidiu entrar em contato com o Seminário de Orleans para saber sobre as práticas a fim de ingressas neste caminho. “Fui informado da data do “cursinho” e no mês de dezembro meus pais me levaram até Orleans. Escolhi aquele seminário pois havia passado por ali algumas vezes e achava muito bonito o lugar, mas certamente era São José que me atraia para lá. Não foi fácil dar a notícia para a mãe, mas um dia de manhã criei coragem e ela falou para o pai. Ela temerosa. Meu pai entusiasta com a ideia. Aqueles três dias passados no seminário me pareciam o céu”, lembra.

Logo Jiovani foi enviado para o Seminário de Araranguá onde a Congregação de São José mantinha o segundo grau. No local concluiu o terceiro ano do ensino médio no Colégio Estadual de Araranguá conseguindo o título de Técnico em Contabilidade. Em fevereiro de 1983, ele ingressou na congregação. “Conheci o carisma e apostolado. O carisma consiste na experiência profunda do amor misericordioso de Deus, no abandono à Divina Providência, no estilo de São José a serviço da educação da infância e juventude carente. A congregação foi fundada por São Leonardo Murialdo em Turim, na Itália, aos 19 de março de 1873”, conta.

Em agosto, Jiovani foi acolhido como postulante e em fevereiro de 1984 foi para Caxias do Sul RS já admitido como noviço. Um ano depois, ele fez a profissão religiosa dos votos de pobreza, castidade e obediência, iniciando a faculdade de Filosofia na Universidade da cidade e permanecendo na mesma casa por mais dois anos.

Transferido para o colégio Paulo VI em janeiro de 1987, em Caxias do Sul, Jiovani desempenhou os cargos de professor, assistente, catequista e responsável por um projeto que empregava adolescentes nas empresas conveniadas, orientando os jovens para o trabalho. No final de 1988, ele propôs ingressar no curso de teologia no Instituto da Congregação na Itália.

EXPERIÊNCIAS NA ITÁLIA E ENCONTRO COM O PAPA

O pedido de Jiovani foi aceito e no início de janeiro de 1989 ele partiu para a Itália. Iniciou os estudos teológicos no Instituto San Pietro de Viterbo, a 80 quilômetros de Roma. “Lá vivi os melhores anos da minha vida formativa com bons professores e um acompanhamento personalizado. Os professores e formadores italianos eram muito bons e compreensivos conosco e nos ajudavam bastante”, frisa.

Em Viterbo, Jiovani foi ordenado diácono por Dom Fiorino Tagliaferri em 26 de abril de 1992, na paróquia São Leonardo Murialdo. Em outubro do mesmo ano foi enviado para a Faculdade Teresianum, dos padres carmelitas, em Roma. “Foram anos muito proveitosos onde alcancei a conclusão dos estudos teológicos com a especialização em Teologia Espiritual”, explica.

Em 15 de maio de 1993, no Santuário de Nossa Senhora da Saúde, em Turim, Jiovani foi ordenado sacerdote por Dom Piergiorgio Micchiardi, bispo auxiliar de Turim. “Foram anos maravilhosos em minha vida com a sua carga de desafios e obstáculos a serem vencidos”, ressalta.

Onze dias depois da ordenação, padre Jiovani participou com os pais da Santa Missa com o Papa João Paulo II, no Palácio Vaticano. E um encontro marcou esta data. “Depois da celebração, todos os convidados se dirigiram até uma sala onde o Pontífice nos cumprimentou, deu um rosário de lembrança e nos abençoou mais uma vez. Momento maravilhoso de graças e bênçãos”, conta.

DO RETORNO PARA O BRASIL À ACOLHIDA EM URUSSANGA

Depois de concluir os estudos teológicos em 1994, padre Jiovani voltou para o Brasil e foi enviado para Londrina, no Paraná, exercendo o cargo de professor de teologia e ajudando na formação dos estudantes no teologado brasileiro. Entre 1995 e 1999, ele retorna a Porto Alegre para ser mestre dos noviços e, posteriormente, mestre dos postulantes.

No ano 2000, a Suíça alemã foi seu destino para trabalhar como missionário entre os imigrantes italianos em Wohlen, no cantão Aargau. Em 2001, padre Jiovani foi designado missionário para o cantão Glarus, onde desempenhei a missão para os imigrantes de língua italiana, portuguesa e espanhola até o ano de 2004.

“Experiência muito interessante onde, estrangeiro com outros estrangeiros, vivíamos a nossa fé católica inseridos na igreja suíça e trazendo as nossas peculiaridades culturais, enriquecendo assim a igreja daquele país. Quando estava terminando minha missão na Suíça, pedi para ingressar na Diocese de Criciúma e fui designado para a Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Urussanga”, recorda.

Padre Jiovani chegou a Urussanga em 31 de agosto de 2004. Ele desempenhou o cargo de vigário paroquial até assumir a função de pároco em 8 de janeiro de 2006. Em 2017, depois de 11 anos como pároco, voltou à condição de vigário paroquial.

Nestes quase 14 anos em Urussanga, padre Jiovani também foi coordenador da área pastoral da Comarca de Urussanga, diretor presidente da Rádio Fundação Marconi, diretor presidente do Paraíso da Criança, hoje vice-presidente da instituição, membro do Conselho Municipal de Assistência Social e vice-presidente e diretor presidente do Hospital de Urussanga, hoje presidente de honra.

De mansinho, “parlando talian” e até celebrando missas na língua italiana, padre Jiovani foi sendo acolhido pela população, sobretudo os mais idosos. Entre os fatos marcantes vividos na Paróquia de Urussanga, ele destaca as Santas Missões Populares em 2006 e no mesmo ano a morte do Monsenhor Agenor Neves Marques e vinda do padre Carlos Weck, a assunção da diretoria do Paraíso da Criança, a participação na diretoria do Hospital, a visita pastoral de Dom Jacinto à paróquia em 2011, a celebração dos 110 anos da paróquia Nossa Senhora da Conceição em 2012 e o lançamento do livro comemorativo “Uma História de Fé”.

“A morte de Monsenhor consternou a cidade e nos fez reconhecer o valor deste homem de Deus. Assim como o adeus a Irmã Diva Borges dos Santos, grande Apóstola do SCJ que amou e deu a sua vida por Urussanga. Quando voltava para cá depois de um período de terapia, ela me dizia: “padre, quando eu volto pra cá as dores somem”, de tanto que era o seu amor por esta paróquia e pela nossa gente”, lembra.

O lema de sacerdócio de padre Jiovani é a confissão de fé que Tomé faz quando Jesus Ressuscitado aparece: “Meu Senhor e Meu Deus!”. Uma das sínteses mais fortes da fé cristã. “Reconhecer que Jesus é o meu Senhor, o meu Deus, o meu Redentor, o meu Salvador, o Caminho, a Verdade e a Vida. Essas são grandes motivações de vida recorrentes nas minhas homilias. Busquemos sempre o Senhor Jesus, pois Ele se deixa encontrar e se oferece como pão da Vida na Eucaristia. Da Eucaristia, depois, brote a nossa fé, esperança e caridade para que o mundo creia na mensagem de salvação do Evangelho”, explica.

Para padre Jiovani, devemos ser testemunhas do amor e da misericórdia de Deus, pois o mundo precisa de transformação e está esperando cristãos autênticos e fiéis que fazem a sua parte de bem. “O que eu mais desejo é continuar servindo ao Senhor, acolher os desafios que Ele me apresenta e realizar a sua obra em minha vida. Que Ele me faça permanecer fiel no sacerdócio até o fim da minha vida, sendo instrumento do seu amor e da sua misericórdia na vida do povo de Deus. Minha gratidão por tudo aquilo de bom que aconteceu nestes 25 anos de sacerdócio, mais da metade vividos aqui em Urussanga. Minha gratidão a Deus que me fez seu servo e instrumento de graça na vida de muitas pessoas. Minha gratidão a todos aqueles que me ajudaram a levar adiante tanto trabalho realizado para o bem da Igreja e do Reino. Meu pedido de perdão a Deus e ao povo de Urussanga pelas minhas misérias e fragilidades que ofuscaram a minha vida sacerdotal e o meu trabalho. Obrigado a todos pelo carinho, pela bondade, pela oração e pela amizade que me dedicaram. Que o Bom Deus recompense a todos com a sua graça e o seu amor”, finaliza.

A Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Urussanga está preparando uma celebração especial para festejar os 25 anos da ordenação de padre Jiovani Manique Barreto, que ocorre no dia 27 de maio, domingo, às 18h30min, na Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição de Urussanga, seguido de jantar por adesão no Centro Comunitário com mais algumas atrações e homenagens.

Do cuidado no campo à dedicação as filhas

É às 5 horas da manhã que o dia começa na localidade de Santaninha para a agricultora Maria Helena Gregório Ramos Maccari, de 44 anos. Os primeiros afazeres iniciam logo dentro do lar e são direcionados às filhas. Logo organiza com apreço o café da manhã e arruma uma das meninas para prepará-la para a escola.

Ela é um exemplo de mãe que busca equilíbrio numa rotina intensa de trabalho totalmente dedicada ao campo. Maria Helena logo segue para o estábulo. No local, mais de 20 vacas leiteiras já a aguardam para a ordenha. É com carinho e atenção que a agricultora conversa com cada animal e as chama por nomes diferentes.

Ela encaminha o processo de lactação e em seguida prepara a comida das vacas da próxima ordenha. Mas não é somente nesta área que Maria Helena coloca sua força de vontade e determinação. Ela ainda ajuda o marido nos trabalhos da agricultura enquanto as crianças estão estudando na escola.

As filhas Beatriz, de 17 anos, e Ana Paula, de 7 anos, acompanham o cotidiano da mãe no campo. Com apenas 8 anos de idade, Maria Helena já ajudava sua família na agricultura. E suas filhas seguem o exemplo da mãe. Elas auxiliam Maria Helena a distribuir o alimento das vacas, a organizar os terneiros em seus espaços e até a filha mais velha ajuda no processo de lactação.

“Elas gostam de fazer essas atividades. Sentem-se livres e a vontade. Todo o conforto que a cidade proporciona elas também encontram aqui e com uma qualidade de vida melhor”, frisa a mãe.

Valorizar a vida no campo é um dos ensinamentos repassados pela mãe e agricultora Maria Helena. “Para educá-las busco fazer com que elas aprendam a dar valor às pessoas ao redor com muita educação e muito respeito. A vida no campo é diferente. E elas sofrem por serem chamadas de colonas e até bicho do mato. Mas sempre digo para elas não se importarem com isso, pois elas têm de tudo aqui”, comenta. Inclusive, Beatriz e Ana Paula possuem algo de valor muito superior: o amor de mãe.

Mamãe 3.0

A cobrança externa sempre existiu. E a interna, também. Mas parece que a interna tem assumido outras configurações. As mães de hoje, assim como a sociedade, trazem um perfil distinto das do passado.

“Sinto nos consultórios uma frequência grande de mulheres que confundem o papel de ser mãe com sua identidade. Após o nascimento do primeiro filho, muitas passam a exercer apenas um papel: ser mãe. Esse papel fica em alguns casos tão exacerbado que mesmo os companheiros começam a chamar a esposa de “mãe”. Além de ser mãe, ela também é a esposa, a filha, a irmã, a profissional, a amiga e tantas outras identidades” comenta o psicólogo Alex Cambruzzi (CRP-12/10108).

Em um momento social diferente, um número considerável de mulheres passou a viver a realidade do mercado de trabalho. “Velhas visões de que determinadas atitudes na educação de um filho pertencem somente a mulher ainda permeiam nossa sociedade. Assim, algumas mães acumularam funções. Tem jornadas de trabalho externas e quando chegam em casa encontram uma jornada interna: cuidar do lar e prover os cuidados com os filhos. Consequentemente, há sobrecarga. E isso se refletirá na saúde mental. Se tentam negociar com os parceiros reatribuições, em alguns casos, há a presença de culpa, pautada na ideia de que deveriam estar dando conta”, explica.

O psicólogo chama a atenção para o fenômeno do “resto”. Alguns pais trazem definidos e circunscritos seu papel: “sustentar” a casa, ou seja, a função de trabalhar para gerar provisões. E o “resto” fica para a mãe. “Porém, esse resto nada tem de mínimo. Vem o dar banho, ajudar nas tarefas, organizar as roupas, conversar com a professora, ser conselheira, etc… A mulher passa a ser multitarefa: precisa executar diversas ações e papeis ao mesmo tempo”, salienta.

Embora com enormes reconfigurações sociais, cuidar do lar ainda bate na porta emocional de muitas mulheres. “É aqui aquela outra visão enraizada socialmente de que a mãe é a pessoa que cuida da harmonia do lar. Se os irmãos brigam, veladamente a maioria dos pais esperam que elas resolvam. E quantas não pegam esse papel por conta própria. É repetir algo meramente por cópia. Há a necessidade de um diálogo constante onde os papeis sejam sempre identificados, desmistificados e recombinados. Antes de ser mãe há um ser, que tem inúmeras necessidades e sim, precisa atende-las. As vezes é a necessidade de ter uma pausa no papel de mãe. E isso não significa que você ama menos o seu filho. Não estou falando sobre se ausentar, mas sim revezar”, frisa o profissional.

Quanto as características, o psicólogo comenta que existem alguns diferenciais. “Essa versão 3.0, acompanhando a evolução social, vem tendo a flexibilidade e o equilíbrio sendo constantemente solicitados. Um turbilhão de compromissos e um lar que ainda impõe socialmente a visão de que ela precisa sempre fazer tudo com disposição, amor e a vontade de cuidar. Não. Mãe também cansa, enjoa, fica irritada e quer espaço. E isso não macula seu papel. É aceitar suas limitações. Óbvio que sabemos que as mulheres desempenham esse papel com maestria e sublimam muitos sofrimentos. Mas isso adoece quando demasiado. Não, você não irá descontar no filho. A inteligência emocional está em aprender a gerir essas emoções que às vezes parecem não encontrar espaço para serem aceitas”, ressalta.

A conciliação do tempo entre ser uma profissional bem-sucedida, mãe presente e ainda encontrar espaço na agenda apertada para cuidar de si são pressões que podem criar um emaranhado confuso e de difícil solução.

“Quando a mãe organiza seus horários e também os do filho, ambos podem passar a compreender em quais momentos haverá maior disponibilidade. Um detalhe importante é que a criança durma antes da mãe. O restante do horário é para a esposa, para a mulher, enfim, para a identidade que ela quiser exercer. Semanalmente essa mulher/mãe precisa ter um tempo somente para si. É a hora de acessar com o relaxamento ou atividades prazerosas a sua regulação emocional, de recarregar a disposição e desconectar das exigências internas/externas”, comenta.

Para uma reflexão maior, Cambruzzi apresenta um pensamento. “A mãe muitas vezes é incompreendida. Mas todos querem que ela seja o tempo todo compreensiva. Que tenhamos cuidado com nossas exigências, pois essa é uma receita perigosa para a saúde mental”, finaliza.

Urussanga terá sete candidatas a Rainha da XVIII Festa do Vinho

A XVIII Festa do Vinho que será realizada de 8 a 12 de agosto de 2018, contará com sete candidatas a rainha e princesas da festa. As inscrições foram encerradas na última quarta-feira e, a partir de agora, as candidatas passarão por cinco capacitações até o dia da escolha que será realizada no dia 25 de maio, na Praça D’Itália.

“Até o final de maio, todas as candidatas passarão por cursos como de auto-maquiagem, etiqueta, cultura e gastronomia, atenção ao público, passarela, entre outras atividades”, enaltece a vice-presidente da Comissão Central Organizadora da Festa do Vinho, Margareth Maria Serafin De Villa.

A primeira aula será a de auto-maquiagem que ocorrerá no dia 2 de maio. A Escolha da rainha e princesas da XVIII Festa do Vinho também está integrada as comemorações dos 140 anos do aniversário de Urussanga, celebrado no dia 26 de maio.

CONFIRA AS CANDIDATAS:

Gislani Carniato Feltrin, 19 anos – Representante da Associação ProGoethe

Kamila Fretta Fabro, 18 anos – Representante da Câmara de Dirigentes Lojistas de Urussanga e Associação Comercial e Industrial de Urussanga

Kimberlin De Oliveira Dos Santos, 23 anos – Representante do Ventuno Pub e Farmácia da Dalila

Rafaela Cancellier Ghisi, 21 anos – Representante da Confraria Quatro Estações

Sabrina Inácio Velho, 21 anos – Representante da Casa Mix e Supermercado Nova Itália

Sara Servodio, 16 anos – Representante da Urussanga Minérios

Suelen Cittadin Jacintho, 18 anos – Representante da Associação de Moradores do Bairro Rio América e CEUSA

Inscrições para a escolha da rainha estão abertas

Desde o dia 9 de abril estão abertas as inscrições para as candidatas a Rainha e Princesas da XVIII Festa do Vinho. Segundo a Comissão Central Organizadora (CCO) do evento, as interessadas ao título poderão se inscrever diretamente no Departamento de Cultura e Turismo, localizado no Parque Municipal Ado Cassetari Vieira, das 8 às 11h30min e das 13 às 17 horas. O regulamento também está à disposição das candidatas.

As inscrições seguem até o dia 25 de abril. A escolha da Rainha e Princesas da Festa do Vinho ocorrerá no dia 25 de maio, no anfiteatro do Parque Municipal, com espaço para a participação de torcidas e da comunidade. A ação estará integrada as comemorações dos 140 anos do aniversário de Urussanga, celebrado no dia 26 de maio.

Outras informações podem ser obtidas no telefone (48) 3465-1313.

Data e atrações da XVIII Festa do Vinho são definidas

A abertura dos envelopes do chamamento público definiu na manhã de terça-feira, dia 10, a empresa parceira para realização da XVIII Festa do Vinho, que ocorrerá de 8 a 12 de agosto de 2018, no Parque Municipal Ado Cassetari Vieira.

A X9 Promoções Artísticas LTDA ME foi a única empresa que apresentou proposta para a realização do evento. “A parceria para a realização da festa é de extrema importância para viabilizar o evento, com atrações de porte e com a estrutura necessária para atender às expectativas que o público sempre tem, com este evento tão tradicional, no Estado de Santa Catarina”, pontua o presidente da Comissão Central Organizadora da XVIII Festa do Vinho, Sérgio Luiz Maccari Junior. De acordo Desde o dia 9 de abril estão abertas as inscrições para as candidatas a Rainha e Princesas da XVIII Festa do Vinho. Segundo a Comissão Central Organizadora (CCO) do evento, as interessadas ao título poderão se inscrever diretamente no Departamento de com a empresa X9 Promoções, a comercialização dos ingressos iniciará no dia 14 de maio. Valores e outras informações estão sendo definidos. A XVIII Festa do Vinho é uma realização da Prefeitura de Urussanga, por meio da Comissão Central Organizadora (CCO), em parceria com as entidades do município, e a empresa X9 Promoções Artísticas LTDA ME.

ATRAÇÕES

8 de agosto (quarta-feira): Axé Anos 90
(ex-vocalistas do Araketu, Terra Samba e Timbalada)
9 de agosto (quinta-feira): Zé Neto e Cristiano;
10 de agosto (sexta-feira): Chitãozinho e Xororó;
11 de agosto (sábado): Roupa Nova;
12 de agosto (domingo): Jorge e Mateus;

Data e atrações da Festa do Vinho serão apresentadas na próxima semana

Representantes da CCO, prefeito municipal Gustavo Cancellier, associações e entidades que trabalham durante a Festa do Vinho se reuniram na última semana, no Paço Municipal, a fim de discutir o formato do evento que será realizado em agosto deste ano.

Segundo Maccari, em acordo com as entidades, ficou definido que os shows serão realizados no anfiteatro do Parque Municipal, assim como as festas anteriores, para que não ocorra a disputa do público durante o evento.

“Se fizéssemos uma arena de shows, estaríamos dividindo o público da festa e esta não é a intenção. Chegamos ao consenso de mantermos os shows no anfiteatro, porém com os valores das entradas no Parque Municipal mais acessíveis na quarta, quinta e sábado quando comprados de forma antecipada, por um período pré-determinado e por residentes em Urussanga. Assim conseguimos contemplar a população que poderá visitar a festa, consumir os nossos produtos e ver também os shows que serão realizados”, enalteceu o presidente da Comissão Central Organizadora da 18ª Festa do Vinho, Sergio Luiz Maccari Junior.

A intenção, segundo Maccari, é de valorizar ainda mais a cultura do município. “Queremos atender a todas as solicitações. Estamos planejando retomar o desfile que era tradicional durante o evento, além de outras ações que irão trazer a cultura cada vez mais presente”, garante.

Conforme Maccari, nas próximas semanas serão definidos e divulgados a empresa responsável pelos shows, os valores dos ingressos e a data do evento.

Escolha da rainha será em maio

A Comissão Central Organizadora (CCO) da XVIII Festa do Vinho de Urussanga informa que, a partir da próxima semana, estarão abertas as inscrições para as candidatas a Rainha e Princesas da Festa do Vinho. De 9 a 25 de abril, as interessadas ao título poderão se inscrever diretamente no Departamento de Cultura e Turismo localizado no Parque Municipal Ado Cassetari Vieira.

“A escolha da rainha e princesas da festa ocorrerá no dia 25 de maio, no anfiteatro do Parque Municipal. Será uma grande festa para as torcidas e toda a comunidade. Além disso, estará integrada as comemorações dos 140 anos do aniversário de Urussanga, celebrado no dia 26 de maio”, esclarece a vice-presidente da CCO, Margareth Serafin De Villa.

O regulamento também estará à disposição das candidatas a partir do dia 9 de abril, no Departamento de Cultura das 8 às 11h30min e das 13 às 17 horas. Mais informações podem ser obtidas no telefone (48) 3465-1313.

100 anni: Lavoro e coraggio nella vita

A serenidade de Onélia Zanelatto Baldin impressiona, assim como a sua delicada pele e feições aos 100 anos, idade recém completada no dia 16 de março. A vida tranquila que leva hoje próxima dos filhos, em Rio Carvão Baixo, é totalmente oposta aos momentos vivenciados nas décadas passadas.

Onélia, filha de Ferdinando Zanelatto e Amália Moretto, dividia o amor dos pais com mais 11 irmãs e um irmão, sendo ela a caçula. A família se estabeleceu em Santaninha e se dedicava aos trabalhos no campo. Muitos hectares de terra com diversidade em plantação eram de propriedade da família Zanelatto, que tirava o sustento basicamente dos frutos da agricultura.

Dos momentos vivenciados na infância, a centenária Onélia recorda com saudade e alegria. “Passei uma vida boa. Plantávamos milho, feijão, frutas. Eu ia para roça e só parava para almoçar. Até fiz comida para minhas irmãs. Minestra, polenta, radicci com i fegoli, fortai, salame, salada, ainda gosto muito”, lembra.

Em especial, a urussanguense tem boas lembranças de um amigo ilustre. “Na nossa plantação tinha uma casinha. E era neste lugar que um macaquinho vinha buscar comida. Ele não me mordia. Comia a banana pendurada”, recorda entre risos.

A família também trabalhava com corte de madeira e ajudava a elaborar as peças para construir as casas dos moradores que chegavam na localidade e arredores para atuar na mineração. E acredite… Onélia manuseava o serrote.

“Bum… Bam…”, sussurra a centenária ao mesmo tempo em que gesticula com as mãos para expressar como usava o instrumento naquela época. “Primeiro era a casa da gente, depois as pessoas vinham pedir para fazer as suas casinhas”, acrescenta.

Nos caminhos da vida, encontrou-se com Mario Baldin e com ele constituiu família com a chegada de seis filhos (dois in memoriam). Mesmo após o casamento e as crianças, ela seguiu se dedicando aos trabalhos na lavoura. A sogra, Anita De Brida Baldin, casada com Floriano Baldin, cuidava dos filhos para que Onélia pudesse atuar no campo. Enquanto isso, Onélia seguia para ajudar o sogro e saía tão cedo de casa em direção a roça que as crianças ainda estavam dormindo.

Em Rio Carvão, a família Baldin tinha engenho de açúcar e também de mandioca, além de um vasto e imponente parreiral. A residência cercada de uva recebia até a visita das crianças do Paraíso, que se esbaldavam com a fartura e doçura do fruto. O vinho era produzido para consumo próprio. Ao ser questionada sobre a degustação da bebida, ela logo respondeu. “Tinha que colher uva… E bebia vinho? E se bebia…”, contou rindo. Era de carro de boi que a família Baldin transportava também quilos de uvas para Américo Cadorin fabricar o famoso vinho de Urussanga. “Ele pagava bem”, comenta Onélia.

Com o falecimento da sogra, Onélia passou a realizar serviços próximos da residência da família para cuidar dos filhos. Ainda assim, para conquistar a sua independência financeira, ela zelava pelas verduras para vendê-las na praça de Urussanga. Ela seguia a pé, de Rio Carvão até Urussanga, para comercializar os produtos e com o dinheiro arrecadado comprar roupas e sapatos para bem vestir os filhos. “Todos pediam pelas verduras dela. Era caprichosa”, afirma a filha Zedir. “Capucci (repolho)”, cochicha Onélia ao dizer a verdura que mais adorava cultivar.

Ao ser questionada sobre a dificuldade de cuidar dos filhos e ao mesmo tempo trabalhar no campo, ela imediatamente respondeu. “Ah se foi difícil… Não era fácil, mas todos se ajudavam. Não posso nem um dedo me queixar do meu marido”, frisou.

Onélia é a prova viva de que o trabalho realmente dignifica o ser humano e que a fé fortalece o lado espiritual. Em seu quarto, um quarto especial e a visita da imagem de Nossa Senhora de Fátima alimentam a católica que reza diariamente, em italiano, pela família composta por 14 netos, 12 bisnetos e um tataraneto.

“Ela é uma santa milagrosa. O quadro foi o bispo que me deu. E como não posso louvar essa santa? Todo dia rezo terço para todos. Estou feliz, pois sou bem cuidada. Não posso me esquecer deles”, finaliza emocionada.

Luto: Urussanga se despede do visionário Hedi Damian

Um manto preto com o sentimento de luto e desolamento cobriu Urussanga na noite de terça-feira, dia 27, com a notícia do falecimento de Hedi Damian, aos 89 anos. Ele era referência em diversas áreas nas quais atuou como, por exemplo, cultura, social, empreendedorismo, política e vitivinicultura.

A Prefeitura de Urussanga decretou luto oficial de três dias em homenagem ao cidadão urussanguense. A despedida à Hedi ocorreu na Câmara de Vereadores, que na última sessão prestou um minuto de silêncio e prestou homenagem póstuma ao final do velório. Em seguida, uma missa na Igreja Matriz foi marcada pela emoção, oração, reflexão e reconhecimento.

“Hedi foi o homem que honrou o título de político, empresário, pautado pelos valores como respeito, ética, e o grande compromisso com a cultura. Tinha o vinho em seu sangue. Provocou o renascimento da uva Goethe em Urussanga. E desta forma elevou a identidade cultural de nosso município. Foi incentivador do projeto ProGoethe. E como disse o enólogo Stevan Arcari, agora as vinhas do céu produzirão melhores frutos. Ele é operário da vinha do Senhor. Hedi fez um grande resgate da nossa história preservando documentos, fatos e fotos. E ajudou a alargar as fronteiras de Urussanga através do Gemellaggio. Permanecerá agora o legado de Hedi e um brinde de vinho Goethe em nossas taças.

Ele foi daqueles homens que lutam a vida toda, unindo presente, passado e futuro”, disse em nome da Epagri e ProGoethe, Sérgio Maestrelli. Hedi deixa os filhos Renato, Beatriz e Luciana e sete netos: Mariana, Matheus, Stefano, Júlia, Matteo, Francesco e Maria Laura. A família se completa com os genros Stefano e Augusto e a nora Thais.

“Perdemos um importante nome da nossa cidade. Hedi Damian sempre foi muito ativo na sociedade, demonstrou amor em tudo o que realizou. Lutou pelas causas do município e merece todo reconhecimento pelo o que desenvolveu em Urussanga. Tenho a certeza que deixará não só um legado cultural, mas também de comprometimento com as causas que lutou. Será para sempre lembrado e merece todas as homenagens”. Gustavo Cancelien, Prefeito de Urussanga

 

Um grande urusanguense, pensador, idealizador, projetista. Um grande pai, filho, amigo. Um sonhador, historiador, político, líder nato. Um trabalhador que deixou marcas, inspirou, alertou, registrou e lutou, muito. Um exemplo de homem integral que eu sempre admirei e aprendi muito”. Décio Silva, Vice-Prefeito de Urussanga.

Conheça a história de Hedi Damian

Hedi Damian nasceu em 6 agosto de 1928, na localidade de Rio Carvão, em Urussanga. A origem da família era integralmente italiana. Os avós paternos, Giovanni Damian e Lucia De Bona Marchet vieram casados da Itália com uma  – filha de dois anos. Já os avós maternos, Matteo De Brida e Catarina Feltrin se encontraram apenas no Sul do Brasil.

Hedi era filho de Privato Damian e Catarina De Brida, os quais constituíram família com a chegada dos filhos Elio, Olga, José Hilo e Hedi, o caçula. Órfão de pai e mãe com apenas 5 anos de idade, a família possuía uma pensão na área central. Depois de morar em Santana com o tio Damião, Hedi retornou para o Centro para ficar com os irmãos na pensão onde hoje está localizado o estacionamento da Panificadora Urussanga. Entre 8 e 9 anos, elaborava puxa puxa para comercialização e engraxava sapatos.

Ele estudou no Tibúrcio de Freitas, onde atualmente é o Paraíso da Criança, até os nove anos. Posteriormente ingressou na escola isolada de Rio Carvão. Depois Hedi retornou à escola Tibúrcio. Na inauguração da escola Barão do Rio Branco, fez parte das homenagens literárias recitando o patriotismo com a presença do governador Nereu Ramos. Em 1944, conclui os estudos sendo a segunda turma a se formar na escola nova. Neste período, ajudava o tio Viatore Damian na fábrica de torrefação de café com apenas 15 anos.

O talento exposto por meio de um desenho na escola abriu as portas para uma bolsa de estudos ofertada pelo prefeito Zeferino Búrigo na escola técnica industrial em Florianópolis. Com 16 anos, Hedi se aventurou na Capital, prestou exame e passou. Na escola estudou entre 1945 e 1947 e nas férias vinha para Urussanga trabalhar de balconista na loja de secos e molhados BNichele & Cia. Aos 18 anos foi convocado para servir o exército no Rio de Janeiro. Ele ingressou no Batalhão de Guardas do Presidente da República, que naquele tempo tinha a responsabilidade de proteger o Palácio do Catete, Ministério da Guerra, Arcenal de Guerra e Conselho de Segurança Nacional. Ele serviu de janeiro a outubro de 1948 com o título de Cabo e 3º Sargento da Reserva.

Com 20 anos, Hedi optou por não seguir carreira e retornou à Urussanga. Garantiu emprego fixo na loja BNichele & Cia. Entre 1950 e 1964, atuou na Subestação de Enologia de Urussanga, atual Epagri.

Hedi constituiu família com Amabile Mariot em julho de 1953, sendo os frutos dessa união os filhos Renato, Beatriz e Luciana. Dois anos depois, ele e o sogro Olívio Mariot fundarama Construtora Urussanguensse LTDA, que após algumas mudanças tornou-se a atual Mariot Damian Materiais de Construção.

Ao longo das décadas, Hedi participou da criação da Associação Comercial e Industrial de Urussanga (ACIU), implantou a Vitivinícola Urussanga – Casa Del Nonno, fundou as associações Bellunesi di Urussanga e Veneta SC, Rotary Club de Urussanga e foi protagonista no pacto de amizade (Gemellaggio) entre Longarone (IT) e Urussanga.

Respeito e amor por Urussanga

Com o desejo e a missão de integrar a classe empresarial de Urussanga, o empresário e comerciante Hedi Damian foi um líder entusiasta no apoio ao desenvolvimento sócio-econômico da região através de parcerias e do associativismo.

Em 8 de outubro de 1973, com a intenção de unir e organizar as ações dos setores comerciais, industriais e profissionais liberais de Urussanga, surgiu o conselho deliberativo para formação da Associação Empresarial de Urussanga com dez efetivos e dez suplentes atuando sob a presidência de Hedi Damiani e o vice, Bruno Renato Mariot. Uma história de 45 anos que apresenta muitos nomes e grandes conquistas para a população urussanguense.

Hedi organizou e atuou para buscar aperfeiçoamento e qualificação da mão-de-obra disponível. “Um pessoa entusiasta do associativismo. Desde 1973, nunca se furtou das participações em nossa instituição, inclusive de todas as gestões. Cidadão e empresário atuante, ele estava conosco nesta atual gestão de 2016 a 2018. Nos deixa um legado gigante. Obrigado pelos ensinamentos e toda a dedicação”, salienta o presidente da ACIU, Adroaldo De Brida.

Com uma visão empreendedora além de seu tempo, em 1950, Hedi foi convidado para trabalhar na Subestação de Enologia de Urussanga, hoje Epagri. Até 1964 atuou no serviço de acompanhamento dos primeiros anos de desenvolvimento de videiras, percorrendo os parreirais diariamente.

Hedi, o rotariano que fez diferença

“Dar de si sem pensar em si”. Essa é a expressão que pautou a vidado rotariano Hedi Damian que dedicou quase 60 anos de sua vida aos serviços do Rotary Clube em Urussanga. Não é à toa que essa mesma expressão foi criada por Hedi para ser o lema do Clube, uma de suas paixões e amor pelo trabalho social. Seu comportamento, perfil e compromisso perante aos companheiros, o define como um grande incentivador, conselheiro e homem realizador e empenhado às causas sociais. Quase sócio-fundador do Clube, ele ingressou dois meses depois da fundação da entidade, em fevereiro de 1959.

Através do Rotary Club, Hedi conheceu dezenas de municípioscatarinenses levando as cores da participação comunitária, os projetos do clube e também o vinho urussanguense. As constantes indagações de rotarianos de todo o estado pelo vinho branco de Urussanga, motivou-o a fundar a Vitivinícola Urussanga. Também teve participação ativa e constante na luta por inúmeras bandeiras do Rotary, dentre elas a fundação do Colégio Rainha do Mundo, as campanhas visando o asfaltamento das rodovias SC 108 e Genésio Mazon e a doação do terreno para a construção da sede da polícia militar.

“Seu Hedi era a pessoa mais velha no Rotary. Sempre foi muito atuante. Uma pessoa empenhada em elevar o nome do Clube. Sempre levou muito a sério nosso regimento, um exemplo de disciplina. Todas as reuniões em que ele participava, sempre acrescentava ao nosso conhecimento quando pedia. Nunca era a crítica pela crítica. Era sempre algo positivo e engrandecedor. Um observador, sempre atento ao cenário regional e nacional. Uma pessoa culta e rica em sabedoria e no compartilhamento da mesma”, Stela Maris Talamini, presidente do Rotary Clube de Urussanga.

Ainda entre as iniciativas desenvolvidas e motivadas por Hedi, o Rotary montou uma padaria visando facilitar a alimentação de centenas de crianças órfãs no auge do funcionamento do Paraíso da Criança, bem como o apoio à montagem de uma malharia. Além disso, ergueu o Monumento aos Pioneiros defronte ao Paço Municipal, realizou as campanhas em prol ao Hospital Nossa Senhora da Conceição em benefício das pessoas menos favorecidas na vida e ainda, a entrega de enxovais às crianças recém-nascidas de famílias carentes, ação desenvolvida até hoje pelo Clube através da Casa da Amizade.

Segundo o rotariano, Sérgio Maestrelli a partir de 2005, o Rotary através do incentivo de Hedi assumiu como bandeira o resgate do Vinho Goethe para fortalecer a nossa identidade cultural. “Hedi foi um exemplo de atuação e referência pelas causas sociais. Diante de seu perfill comunitário, ele recebeu o título “Paul Harris” concedido aos rotarianos de todo o mundo que com seu trabalho fazem a diferença em prol do ser humano, que fazem aflorar a diferença numa comunidade. Para Hedi Damian, o Rotary era um eficiente instrumento para consolidar amizades e fortalecer os laços entre todos os homens de boa vontade”, finaliza Maestrelli

Lideranças municipais lamentam a morte de Hedi

Político firme em suas posições e com votação à causa pública, Hedi Damian atuou com zelo e dedicação enquanto representante dos munícipes no Poder Legislativo. Ingressou na vida pública quando eleito vereador de 1970 a 1973, pela sétima legislatura e não recebia salário para legislar. Exerceu neste período a presidência da Câmara entre os anos de 1972 e 1973.

Na vida pública também atuou no cargo de secretário municipal de planejamento em 1989 e foi candidato a prefeito, em 1992.

Amor e paixão pelo vinho

O trabalho na Estação Experimental da Epagri, como funcionário público estadual, ascendeu ainda mais o amor e a paixão pelo vinho. Uma forte ligação com o passado que o fez empreender e fundar a Vitivinícola Urussanga – Casa Del Nonno. As famílias Damian e Mariot foram pioneiras no fim do século XIX, trazendo consigo a paixão pela videira e pela vinificação dos seus frutos.

No ano de 1975 nasce, ao lado do descendente Flávio Antonio Mariot, o empreendimento que apresenta ao mercado uma variação de vinhos e espumantes de elevado padrão de qualidade, dando desta forma, continuidade àquele trabalho com muito amor e paixão, buscados na força exuberante dos seus próprios vinhedos, ratifi cando o que dizia o grande poeta alemão Johann Volfgang Von Goethe: “A vida é muito curta para consumir vinhos ruins”. A tradição familiar ainda está presente na vinícola, hoje administrada por Renato Mariot Damian, filho de Hedi, contando com a assessoria de Matheus Damian, filho de Renato, formando assim, três gerações de amor pelo vinho.

Cultura: o maior legado

É imensurável a herança que Hedi Damian deixou para a cultura de Urussanga restabelecendo também o elo com a Itália. A atuação nesta área tomou força com a fundação da Associazione Bellunesi Nel Mondo Famiglia di Urussanga, em novembro de 1988, na qual foi o primeiro presidente e sócio-fundador.

Em maio de 1978, Urussanga recebeu uma delegação enviada pelo prefeito Gioachino Bratti e também pelo prefeito Giovani Canever, dos municípios de Longarone e Erto e Casso, de onde vieram a grande maioria dos fundadores de Urussanga. Na década 90 ocorreram as primeiras viagens de cidadãos urussanguenses à Itália para conhecer a terra dos seus antepassados.

Mas em 1987, a ida de Hedi Damian foi marcante. Chorando dizia que queria ver todos os seus parentes e gostaria de trazer para Urussanga o espírito que ele sempre conservou dentro de si. Foi a partir deste momento que ele começou a buscar um pacto de amizade entre as cidades de Urussanga e Longarone.

Em 23 de novembro de 1988, na praça de Urussanga, ocorreu o primeiro encontro entre o italiano Marcello Mazzucco e Hedi Damian. “Fomos apresentados e ele me convidou para ir até a vinícola. Conversamos e trocamos muitas ideias. E ele também me disse que tínhamos que fazer algo pelas pessoas, pela nossa gente, nosso povo daqui e de lá. Eu continuei conhecendo a cidade e visitei o cemitério. Ao passar pelo cemitério e sair dele, eu comecei a ter uns sentimentos. Conversando com Hedi fizemos esse acordo de irmandade e foi o que se seguiu pelos quatro anos seguintes até chegar o dia do Gemellaggio, primeiro em Longarone no ano de 1991 e depois em Urussanga no ano de 1992″ recorda.

O pacto de amizade firmado abriu as portas para os urussanguenses trabalhem no exterior, resultando também na conquista de duplas cidadanias e, posteriormente, numa troca de experiências entre estudantes e cidadãos das duas cidades. Após o Gemellagio, em 1993, Hedi também fundou a Associazione Veneta dello Stato di Santa Catarina, com sede em Urussanga, e juntamente com a Dona Ana Maria Mariot Vieira, na época secretária de educação, implantaram a escola de língua italiana Padre Luigi Marzzano.

Hedi Damian também atuou como consultor do Vêneto para o Sul do Brasil, abrangendo Santa Catarina e Rio Grande do Sul, entre 1991 e 1995.