Caminhada Rota do Imigrante percorreu Urussanga até Azambuja, refazendo passos dos colonizadores

Apesar dos 6 graus que fizeram na manhã de domingo, dia 17 de junho, mais de 30 participantes percorreram quase 15 quilômetros entre trilhas e estradas na 1ª caminhada do Imigrante – Rota da Imigração, revivendo o caminho dos colonizadores italianos.

A rota, que buscou refazer parte do trajeto feito pelos imigrantes italianos, passou por lugares de natureza estonteante e em construções antigas formando uma bela paisagem para os participantes.

Segundo William Marques, um dos organizadores do evento durante todo o trajeto os participantes puderam conhecer a historia das comunidades, puderam também conhecer a área rural e a hospitalidade dos descendentes italianos. “A caminhada apresentou um bom desafio aos participantes, com trechos íngremes, trilhas e belas paisagens. A Rota acredita que as expectativas foram alcançadas, e que conseguimos oferecer uma experiência única aos participantes, a estrutura robusta do evento, atendendo a todas as normas de segurança garantiu que não houvesse nenhum incidente”, explica William.

Julieta Delayti Savaris foi uma das participantes da caminhada e conta que foi um momento de comunhão com os amigos e com a natureza e elogia a organização. “Podemos conhecer um pouco mais da nossa história e entrar em contato com a natureza, além de aprender a respeitá-la. Hoje é tão difícil a gente ter, esse tipo de entretenimento, esse tipo de atividade, é importante dar suporte a esse tipo de ação. O pessoal que planejou também foi extremamente organizados e atenciosos, existiu todo um cuidado, em relação a todo o trajeto e o suporte que teve pra toda as pessoas.”, conta.

A caminhada contou com a participação de carro de apoio, batedores e socorristas. Os participantes tiveram a oportunidade de conhecer um pouco mais da história, acompanhados por um guia historiador. No final do trajeto os participantes foram recepcionados com música, vinho e um almoço típico no restaurante da Imigração em Azambuja. O evento foi realizado pela Rota Ecoturismo e Aventura.

140 ANOS DE URUSSANGA: JORNAL VANGUARDA APRESENTA ORDEM CRONOLÓGICA DOS PRINCIPAIS FATOS

Uma viagem no tempo através de fatos e fotos. É este passeio pelo imaginário que o Jornal Vanguarda de Urussanga proporciona aos leitores nesta edição especial alusiva aos 140 anos de fundação da cidade. Uma proposta diferente que vem de encontro com o papel de informar e registrar a história.

Entre 2012 e 2014, o JV elaborou quatro edições do caderno especial “Nostri Nonni”. A primeira edição enfatizou e relatou fatos e fotos de algumas famílias que fundaram o município: Pietro Bez Batti, Ferdinando Búrigo, Giovanni Damian, Matteu e Ventura De Bona, Domenico, Francesco e Giacinto De Brida, Gaetano De Lorenzi Cancellier, Antonio De Lorenzi Canever, Eugenio, Giuseppe e Vincenzo Mazzucco, Pietro Meneghel, Giovanni Savi Mondo, Giovanni e Pietro Tezza.

As edições seguintes abordaram algumas famílias colonizadoras: Ferdinando Bettiol, Giacomo Bez Fontana, Antonio Copetti, Vincenzo De Villa, Cesare Cechinel, Giovanni De Pellegrin, Osvaldo Maccari, Pietro Mariot, Luigi Vendramini, Sperandio Zanatta, Antonio Baldin, Antonio Benedet, Luigi Cittadin, Valentino De Cesaro, Antonio Pilotto, Eugenio Simon, Pietro Zanellato, Pietro Baldessar, David Bendo, Francesco Cesca, Angelo Crema, Giuseppe Dal Bó, Giovanni De Costa, Angelo e Bernardo Nichele e Luigi Zavarise. Memórias do município foram relatadas nas edições especiais de aniversário da cidade em 2016 e 2017. Este ano, retomamos às histórias e apresentamos uma ordem cronológica dos principais fatos entre 1878 e 2018.

1878 – O início de tudo

Chegam ao Brasil 1.500.000 imigrantes italianos, segundo relata Angelo Trento no livro “Do outro lado do atlântico: um século de imigração italiana no Brasil”. Novas levas foram levadas do vale do Tubarão para o Rio Urussanga. Repletos de esperança e incertezas, depois da exaustiva viagem de navio e uma extensa e árdua caminhada, 76 famílias de imigrantes italianos chegam a Urussanga em 26 de maio de 1878 e participam da fundação da cidade, conforme dados apresentados pelo Monsenhor Quinto Davide Baldessar em livros de 1991. Imigrantes vindos logo após a unificação italiana eram muito ligados à produção agrícola.

Descendentes repassam a história de que no centro eles foram alojados em um barracão coberto com palha e fechado com achas de ripas (troncos de palmito cortados ao meio). Posteriormente, compraram lotes do governo e partiram em busca do melhor local para estabelecer moradia. Os imigrantes não falavam o mesmo dialeto, pois eram oriundos de regiões distintas como Vêneto (províncias de Belluno e Treviso), Friuli-Venezia Giulia (províncias de Pordenone, Udine e Trieste), Lombardia (província de Bérgamo), Trentino-Alto Ádige (província de Trento) e Emilia Romagna.

1879 – O Sustento

Além de plantarem seu próprio sustento, como o milho, o arroz, o feijão e a abóbora, os imigrantes necessitavam de alguns instrumentos de trabalho e instalações, como a atafona para moer o milho. A primeira delas foi inaugurada em abril de 1879, na localidade de Rancho dos Bugres, pelos colonos Ferdinando, Giovanni e Celeste Savi, conforme relata o historiador Oswaldo Rodrigues Cabral no livro “História de Santa Catarina”.

Chegam a Urussanga, na mesma leva, os descendentes das famílias Maestrelli e Concer, únicos imigrantes italianos oriundos da região de Trentino Alto Adige. Eles se estabeleceram próximos ao Rio dos Americanos.

1881 – A Peste

Em livro, Monsenhor Quinto Davide Baldessar afirma que uma epidemia arrasou um dos núcleos de Urussanga, em 1880, matando dezenas de pessoas, tanto crianças quanto adultos. Registros de uma peste na comunidade de Rio Carvão levaram fiéis a pedir pela intercessão da “Madonna della Salute”. Após promessas e peregrinação, o pedido foi alcançado. Além disso, padre Luigi Marzano descreveu também em livro que muitos dos imigrantes italianos sofriam com doenças e infecções, como feridas nas pernas e nos pés devido a mudança brusca do clima e do árduo trabalho.

O urussanguense Arnaldo Escaravacco registrou em livros, na década de 80, fatos e fotos da cidade. Em uma de suas obras, ele apresentou que Giovanni Salvador e Andréa Tramontin construíram, em 1880, o segundo moinho e o primeiro engenho de cana movidos a água. O autor também registrou que Cristófolo Pescador, Antonio Bon, Eugênio Malboni e Ferdinando Bettiol ergueram o primeiro moinho na sede da colônia, acrescentando uma ferraria com malho. Em Rio Maior, Inasio, Antonio, Eugênio e Vicente Mazzucco (Tonin) e Beniamino Mazzucco (Mênego) também fazem um moinho.

Em 1881, registra-se uma população estimada em 1.820 habitantes e tem início as comunidades de Rio Caeté, São Valentin, Rancho dos Bugres, Morro da Lagoa, Rio América Baixo. Chegam os primeiros animais, a ideia da construção da capela de pedras e criam um armazém social. Devido ao crescimento demográfico, a colônia Urussanga é emancipada por Decreto em dezembro de 1881.

Em Rio América Baixo, a família Bez Fontana, do casal italiano Giacomo e Catarina, juntamente com o filho Sebastião, inicia a construção de edificações, concluídas em 1901, que abrigariam cômodos da casa, atafona, marcenaria, serraria e descascador de arroz que funcionavam com a força d’água.

1882 – Confrontos indígenas

O livro “Coloni e missionari italiani nelle floreste del Brasile”, de autoria de padre Luigi Marzano e lançado em 1904, relata a morte de dezenas de italianos, entre jovens, crianças e idosos, decorrente de confrontos com indígenas nas décadas de 1880 e 1890. Ele conta histórias de morte de alguns integrantes das famílias Pilon, Zanelato, Spricigo e De Brida.

O livro “Um Vapor para a Benedetta”, feito pelo Jornal Vanguarda, fala de um padre que civilizava índios na Amazônia e que veio a Urussanga. Ele conseguiu fazer com que as famílias adotassem crianças indígenas a fim de amenizar a tensão, formar um pacto de amizade e diminuir a hostilidade. Ele deixa o núcleo em 1885.

1885 – Porta aberta para o empreendedorismo

Ferdinando Bettiol adquire, em 1883, autorização para construir um canal de dois metros de largura para transportar, da represa por ele construída no Rio Urussanga, água para o prédio que construíra e onde funcionou, durante 85 anos, atafona e ferraria. Família De Villa começa a formar a comunidade que hoje leva seu sobrenome.

Com espírito empreendedor abrem uma casa comercial Alberto Rotti foi o primeiro Cônsul italiano a registrar visita ao Sul de Santa Catarina. Seu relatório, datado em 1885, foi descrito no livro do padre João Leonir Dall’Alba. No documento, a autoridade italiana faz referência a existência de escolas étnicas italianas na região.

Ele destaca que Urussanga tinha melhores condições educacionais e em 1884 sediava no centro da cidade duas escolas elementares, uma para meninos e outra para meninas. Já o interior da colônia contava com escolas particulares mistas pagas pelos pais dos alunos em Rancho dos Bugres, Urussanga Baixa, Rio Carvão, Rio América, sendo que as escolas de Rio Maior e Rio Caeté haviam sido fechadas por falta de professores.

O livro “História de Santa Catarina”, de Oswaldo Rodrigues Cabral, mostra que sete anos após a colonização, a produção de alimentos já superava o consumo interno, criando a oportunidade de exportar gêneros alimentícios coloniais. A produção de vinho para consumo próprio mostrava, em 1887, 13 mil litros feitos pelos colonos, segundo dados do livro “Vales da uva Goethe”.

1892 – Primeira escola pública e movimentaço financeira

Em livro, Arnaldo Escaravaco afirma que o Governo do Estado criava, pelo Decreto nº085, a primeira escola pública no núcleo apenas para meninas em 1891. Enquanto Sebastião Bez Fontana é nomeado Subcomissionário de Polícia para o Distrito, por ato do Governador de Santa Catarina.

Guardado pela família, um livro mostra a movimentação financeira entre 1885 e 1893 na casa comercial de Giovanni Damian, localizada na Praça Anita Garibaldi. Primeiros imigrantes italianos se estabelecem na comunidade de Rio Molha. Os primeiros registros ocorrem no Cartório do Distrito: óbito de Rossina Fusini, nascimento de Assunta Zandonadi e casamento de Francisco Fenilli e Cecília Grazioli. (Dados extraídos do livro de Arnaldo Escaravaco)

Nesta época, Urussanga era distrito de Tubarão. A chegada dos Bergamascos em Santa Catarina ocorreu em 1891. Ligados à Colônia de Nova Veneza, algumas famílias permaneceram no núcleo Belvedere, inicialmente formado por acampamentos com capacidade para abrigar mais de 300 pessoas, conforme relato do imigrante Giovani Ferraro em livro, local onde todos os sacrifícios eram compensados pela fartura.

1895 – Escola Italiana

O urussanguense Arnaldo Escaravaco relata em seu livro que Cristóforo Pescador escreveu para o jornal Il Tomitano, em Longarone, na Itália, lamentando o pouco apoio recebido do governo para comprar pólvora e chumbo com o intuito de adentrar na mata e espantar os índios.

Em Rio Carvão inicia o ensinamento com a construção de uma escola. O primeiro professor foi Gregório Bosa. Livro da Paróquia aponta o primeiro batismo. Regente do consulado italiano, Giuseppe Caruso Mac Donald registra em seu relatório que no sul catarinense, antes de 1901, a única escola que podia se vangloriar de diversos anos de existência era a escola de Rio Carvão, com a frequência muita escassa de 23 alunos no máximo.

Em livro, o fundador de Urussanga, Joaquim Vieira Ferreira ressalta que a expansão deste núcleo ocorria de forma mais rápida que a colônia Azambuja, pois com terras excelentes a agricultura era ampliada. Já no primeiro Livro Tombo, um padre alemão registra as capelas em 1897: St. Valentino dos Tyroleses, St. Antonio em Rio Caeté, St. Pedro em Urussanga Baixa, St. Lorenço em Rancho dos Bugres, Nossa Senhora da Saúde em Rio Carvão e St. Gervasio e Protasio em Rio Maior.

1900 – Municipalização de Urussanga

Com a emancipação política de Tubarão, Urussanga alcança autonomia e é elevada a município em 6 de outubro de 1900 pela Lei Estadual nº 474, promovida pelo governador Filipe Schmidt. Os territórios dos Núcleos de Belluno e de Treviso passam a integrar o novo município. Registros apontam para 7.145 habitantes.

Em 10 de dezembro, Jacintho De Brida é nomeado Superintendente, o cargo atual de prefeito, sendo o primeiro governante do novo município. Também foram nomeados conselheiros (comparados a vereadores e/ou secretários municipais, para a sede e estendendo as funções às localidades de origem) os cidadãos Lucca Bez Batti, Antonio Cechinel, Giovanni Pescatore, de Nova Belluno, e Antonio Baricchelo, de Nova Treviso). A instalação do município ocorreu em 22 de janeiro de 1901.

As primeiras famílias de colonizadores italianos chegam a comunidade de São Donato. Inicia a saga da comunidade de Palmeira do Meio.

1902 – As estatísticas em Santa catarina

O autor João Leonir Dall’Alba (1983) mostra, no livro “Imigração italiana em Santa Catarina”, estatísticas que mencionam a colonização italiana no Estado. Ele transcreve um relatório do regente do consulado italiano, Giuseppe Caruso Mac Donald que apresenta um quadro impresso no ‘Boletim da imigração n.º 6’, publicado pelo Ministério das Relações Exteriores da Itália em 1902.

O quadro, de autoria do Cônsul italiano Gherardo Pio de Savóia, aponta em aproximadamente 26.868 o total populacional de italianos e descendentes no Estado, sendo que Urussanga possuía a maior concentração com 7.000 ítalos e ítalobrasileiros.

Santa Catarina, de 1908 a 1930, fica na posição de terceiro lugar em número de escolas italianas no Brasil. Neste ano também ocorreu a nomeação do padre Luiggi Marzano como primeiro pároco de Urussanga, apesar de morar no município desde 1899.

Em julho de 1902, o bispo de Curitiba, Dom José de Camargo Barros cria a Paróquia Nossa Senhora da Conceição e, durante sua visita, faz 1,2 mil comunhões e 1,1 mil crismas.

Urussanga conta com 14 escolas subvencionadas, com 598 alunos.

E chega ao município o primeiro médico, Dr. Cesari Sartori.

1903 – A chegada das irmãs Freitas e o crescente número de escolas

Padre Luigi Marzano escreve para um bispo na Itália pedindo auxílio a uma congregação de freiras italianas para as colônias do Sul de Santa Catarina, que também poderiam ajudar na área de saúde. Em Urussanga, os imigrantes italianos se dedicaram a construção do local para moradia das freiras e funcionamento da escola e casa de saúde. No Livro Tombo da Paróquia consta a chegada das freiras da Congregação das Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus, oriundas da região de Piemonte, em 1904.

Um livro editado pelo Jornal Fanfulla, em 1909, traz um quadro que faz referência às escolas existentes no Estado de Santa Catarina de 1893 a 1905 e apresenta 22 escolas italianas. Destas, 15 estavam localizadas em Urussanga e concentrando o maior número de alunos, sendo mais de 800.

Constam duas em Belvedere com o professor Giuseppe Maffioletti e Giovanni Ferraro, em Rio América leciona Giovanni Spriccigo, Rio Caeté com Giovanni Zanatta, Rio Carvão com Gregório Bosa, Rio Galo com Lorenzo Sacchet, Rio Maior com Ignazio Barzan, São Martinho com Giovanni Damian, na vila Urussanga sob a responsabilidade das Irmãs Apóstolas e em Urussanga Baixa com Pasquale Zaccaron.

1910 – A chegada dos moradores de Santana

De acordo com o livro “Uma história de fé”, Editorial Vanguarda, chegam em 1910 os primeiros moradores na comunidade de Santana, porém a data oficial de fundação com registro em cartório é em fevereiro de 1931.

Nesta época, na área central, Urussanga já possuía uma farmácia implantada pelo imigrante Torquato Tasso, em uma edificação construída em 1892, próxima a Igreja Matriz, a qual permanece até os dias atuais e é um patrimônio tombado e protegido pela Fundação Catarinense de Cultura (FCC).

1912 – A cerveja Lybia e construção da igreja e pedra

Em 1900, Lucia De Bona Damian fica viúva do primeiro juiz de paz de Urussanga, Giovanni Damian, com a responsabilidade da criação de 12 filhos. Anos depois, ela resolve empreender e inicia a fabricação da cerveja Lybia numa residência na Praça Anita Garibaldi. A produção da bebida também foi feita pelos filhos de Lucia, Artemio, Damião e Viatore até 1938.

Cerca de 40 homens e mulheres de todas as famílias da comunidade de Rio Maior, oriundos de Erto e Casso, na Itália, participam da construção da igreja de pedra em 1911 em devoção aos santos Gervásio e Protásio. Antes de seu centenário, a edificação religiosa foi reconhecida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) pelo seu valor cultural para Santa Catarina. A torre atual da igreja foi construída em 1940.

1913 – A fundação da primeira vínicola

É fundada a primeira vinícola do município: Indústrias J. Caruso Mac Donald. O negócio possuía capacidade para estocar, no auge da produção, dois milhões de litros por safra. O empreendimento era gerenciado pelo patriarca José (Giuseppe), italiano advogado e jornalista, responsável pela introdução da uva Goethe na região e que chegou a cidade como regente do Consulado Italiano.

1917 – Começa a exploração de carvão

Em 1915, enquanto a cidade de Araranguá possui três escolas e 53 alunos, dados mostram que Urussanga tinha 18 escolas e 646 alunos.

Ângelo Cataneo, imigrante italiano que chegou a localidade de Armazém em 1880 junto com seus pais, casou-se com Anna Bonetti. Juntos construíram uma olaria tocada a boi na qual faziam os tijolos manualmente. Com esses tijolos, eles edificaram um pequeno oratório em 1915.

Em 1917, a exploração de carvão mineral inicia nos municípios de Criciúma e Urussanga, neste último nas regiões de Rio América, Rio Deserto, Rio Salto e Rio Carvão com a Companhia Carbonífera de Urussanga.

1919 – Vinhos Brancos

As atividades começam na Vinícola Cadorin em 1918, na área central, sendo que o conjunto de edificações do negócio foi construído em etapas de 1927 até a década de 40 e também abrigava uma ferraria.

Os produtos, uns dos famosos vinhos brancos de Urussanga, eram embalados em barris de cem litros e remetidos de trem para as principais cidades do Brasil. Posteriormente passou a comercializar em garrafões e em garrafas.

Já a ferraria elaborava ferramentas em geral que eram utilizadas pelas mineradoras na extração do carvão mineral das diversas minas da região de Urussanga e Criciúma.

Em 1919 iniciam os trabalhos no Hospital de Caridade de Urussanga, sob coordenação do Padre Luigi Marzano, em edificação próxima à Praça da Bandeira, que posteriormente abrigou a Prefeitura.

1920 – Comunidade de Rio América é formada

Tem início a comunidade de Rio América com o advento das minas de carvão na região, mas já habitada por imigrantes italianos. A primeira igreja de madeira foi inaugurada em 1940.

Em 1923, João Baptista Fontanella inicia a construção da torre da Igreja Matriz. De acordo com o livro “Uma história de fé”, Editorial Vanguarda, na época, pároco Cônego Luiz Gilli instruiu executar a obra do campanário (torre) primeiro. Três anos depois, Gilli traz da Itália dois sinos fundidos em Novara. As peças foram colocados por Ernesto Bettiol durante um trabalho de nove horas. A Igreja Matriz conta com 4 sinos: Solene, de Nossa Senhora, Tempestades e dos Anjos. Já o relógio foi comprado em Turim, na Itália, pelo Cônego Luiz Gilli, Pedro Copetti e Caetano Bez Batti para instalação em 1927.

1926 – Ramal ferroviário é inaugurado

Moradores festejam, na praça central, a inauguração do ramal ferroviário em Urussanga em 1924. No ano seguinte ocorre a instalação da comarca em 20 de dezembro com o prestígio de autoridades.

Quarta edição do Almanaque Laemmert, publicado em 1926, editado no Rio de Janeiro entre 1844 e 1889, mostra diversos ofícios desempenhados em Urussanga. Luiza Nichele aparece nos setores de açougue, fábrica de banha, capitalista, armarinho, fazendas, secos e molhados.

De acordo com o livro “Uma história de fé”, Editorial Vanguarda, a comunidade de Palmeira do Meio constrói a segunda igreja em 1928, mais imponente e dilatada. A reforma neste templo, em 1956, resultou na construção da atual igreja.

1928 – Mais uma escola

Criação do Grupo Escolar Tibúrcio de Freitas em Urussanga. Na mesma época, o município possuía 23 escolas isoladas. O pequeno povoado de Igne, em Longarone, na Itália, próximo a região dos alpes, foi a inspiração para o negócio do imigrante italiano Vincenzo De Bona. Entre a década de 20 e metade de 30, Vincenzo iniciou a produção de cerveja artesanal. Denominada Cerveja Alpini, de Vicente De Bona, a bebida era destinada a poucos e bons amigos.

1937 – O surgimento das indústrias vínicolas

Ao longo das décadas, indústrias vinícolas na cidade produziam vinhos de várias cepas, entre elas a Goethe. Destaque para vinícola Caruso MacDonald (vinho Uru e Urussanga), Vinícola Cadorin (de Lorenzo Cadorin), Vinhos De Bona (da família Vincenzo de Bona), Vinícola Bez Batti (vinho Samos chamado depois de Santé, pela família de Vincenzo de Bona e, posteriormente, pela família de Victorio Bez Batti), Lacrima Christi (da família Pietro Damian), Vinícola Barzan (da família Ignazio Barzan), Vinícola Ferraro & Batista (da família Sílvio Ferraro, vinhos Branco Salute), Vinhos Cometa (da família Bettiol), Domenico Fontanella com os vinhos Rosa em homenagem à sua esposa, Pietro Trevisol com o Trevisol, vinhos Primaz e Lótus produzidos na vinícola Cadorin, mas engarrafados e comercializados por Rosalino e Esperândio Damian, além da produção das famílias Ceron, Quarezemim, Búrigo, Trento, Mazzucco, Felippe, De Pellegrin, Mazon, Zanatta, Baldin, De Noni, Maccari, entre outras.

Em 1935, comunidade de Rio Caeté inicia a construção da nova igreja em estilo bizantino projetada por um arquiteto russo de passagem pela cidade. A inauguração foi em 1936.

1943 – Subestação de Enologia e novo hospital

De acordo com dados extraídos do site Vales da Uva Goethe, o vinho de uva Goethe da região de Urussanga era exportado para o litoral de Santa Catarina, Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia e outros estados no norte e nordeste do país. Moradores lembram que estes vinhos foram servidos durante o governo nacionalista de Getúlio Vargas, nas recepções no Palácio do Catete.

Devido à forte produção de vinho na região e aos títulos conquistados, o governo de Getúlio Vargas, através do Ministério da Agricultura, decidiu apoiar a vitivinicultura nesta região. Em 1942, foi fundado o Instituto de Fermentação para realizar pesquisas com diferentes espécies de uvas viníferas. No auge das pesquisas havia experimentos com cerca de 450 variedades de videiras. Em 1950, o instituto passou a se chamar Subestação de Enologia de Urussanga, atual Epagri.

Na colina que fecha a Avenida Presidente Vargas foi lançada, em junho de 1940, a pedra fundamental da nova sede do hospital. Desta vez, outro novo prédio foi construído com a ajuda da população e inaugurado em 2 de maio de 1943. O primeiro registro de nascimento na maternidade do Hospital Nossa Senhora da Conceição de Urussanga é de 25 de setembro de 1954, sendo um menino da localidade Rio Salto e o parto feito sob a assistência do Dr. Aldo Caruso.

1944 – A nova Igreja Matriz

A nova igreja Matriz de Urussanga é sagrada em novembro de 1944 por Dom Joaquim Domingues de Oliveira. Assim, finalmente, o conjunto da obra é finalizado. A exploração do carvão foi intensificada na década de 1940 por muitas empresas na região. Trabalhadores começaram a abandonar as atividades agrícolas para atuar na extração do carvão mineral devido a questões financeiras.

Nesta época, na Praça Anita Garibaldi, um dos negócios consolidados era o Hotel Gazzolla, de Alfredo Gazzolla, casado com Itália Damiani.

1948 – Instalação da Câmara de Vereadores

Decorrente das eleições municipais de 1947, no dia 5 de dezembro de 1947, foi instalada a Câmara de Vereadores de Urussanga, sob o comando do Juiz da 34ª Zona Eleitoral, Doutor Lourenço Rolando Malucelli. A presidência da casa ficou com Rosalino Damiani, através de eleição secreta e, ato contínuo, a posse do prefeito eleito de Urussanga, Torquato Tasso.

William Gericke faz um breve documentário e aborda como tema o município de Urussanga no final da década de 1940. Entre os assuntos, destaca produtos agrícolas, o centro com prédios modernos e bem construídos, o hospital, Grupo Escolar Barão do Rio Branco, a Prefeitura Municipal, a mineração e a produção de vinhos por J. Caruso MacDonald & Cia.

1949 – A despedida do pároco Luigi Gilli

Em frente à gruta, ano de 1948, Coral Santa Cecília na despedida do pároco Cônego Luigi Gilli, que retornou a Itália depois de 40 anos em Urussanga. O coral permanece em atividade nos dias atuais, com nova formação, elevando o nome da cidade com suas belas vozes.

Em abril de 1948, padre Agenor Neves Marques é nomeado pároco de Urussanga, posto no qual permaneceu até 1987 com o título de Monsenhor pelos relevantes serviços prestados à comunidade. Ele faleceu em 2006.

O primeiro título regional do time Urussanga Futebol Clube, fundado em 1931, foi conquistado em 1947. Para a posteridade, a equipe posou para um registro com a taça em 1948.

1951 – Criação da Rádio Marconi e da empresa de transportes coletivo São José

Em agosto de 1949, em sociedade, cria-se a empresa de transporte coletivo Auto Viação São José Ltda com três ônibus e operando com quatro linhas.

Em 1951, em 10 de fevereiro, pároco Agenor, com o apoio dos sócios Moacyr Búrigo, José Trento, Américo Cadorin e Rosalino Damiani, realizam a fundação da Rádio Difusora de Urussanga ZYT-22, atual Rádio Marconi AM 780 futura FM 99.9. As instalações e inauguração da emissora ocorreu em 1952. Participaram da formação da primeira equipe Agilmar Machado, Evaldo e Zenaide Luciano, Maria Damiani Batista, Ida Bez Batti, Olinda Bettiol e Marcolino Trombim. Sua referência era a transmissão de programas religiosos e missas.

Uma pensão famosa em Santana foi a de Venceslau Wascieleski e sua esposa Amália, que atendia principalmente trabalhadores envolvidos com a extração de carvão. Fábrica de aguardente Carvalhinha, de propriedade da família Serafin, na localidade de São Pedro/Rio Carvalho, na década de 50.

1952 – Investimento no setor hoteleiro

Em meio aos encantos da natureza, na divisa entre os municípios de Urussanga e Pedras Grandes, um imenso volume de água na temperatura de 32,2ºC surgia do solo e jorrava na direção do céu. No início da década de 50, Pedro Maragno, Francisco Cesca, Vitório Búrigo e Jorge Carneiro abriram uma estrada e iniciaram aos poucos a construção de uma edificação com banheiros, quartos e salas.

Após a conclusão das obras, os proprietários investiram no setor hoteleiro em nível regional, apostando no diferencial das águas mornas e inaugurando o Hotel Balneário São Pedro, com mais de 40 dormitórios. A fama do hotel alcançou jogadores de futebol dos times Internacional, Grêmio, Metropol e clubes do oeste, bem como o grupo Band Show PM, banda da Polícia Militar de Santa Catarina, que se apresentava pelo país e esteve no hotel acompanhado do General Militar Ernesto Geisel, que cinco anos depois tornou-se Presidente da República. Um hóspede ilustre atraiu dezenas de fãs até o hotel em 1972: cantor Roberto Carlos. A estância termal foi desativada na década de 80.

1952 – Carvão e cerâmica

Em campo, a equipe do Urussanga Futebol Clube recebe, em 1952, a visita do governador de Santa Catarina, Irineu Bornhausem, dois anos após a inauguração do estádio do UFC.

A extração de carvão tomava força entre os anos de 50 e 60 enquanto a agricultura começou a entrar em declínio. Em 1953 uma associação de integrantes da comunidade promove a fundação da Ceusa, que passa a contar com 140 colaboradores. Na área de gêneros alimentícios também entrava no comércio o Armazém Ghisi, em 1950, de Lucio Olivier Ghisi, hoje com 93 anos.

1962 – Início da empresa cerâmica Ceusa

Primeiro galpão da Ceusa, construído na década de 50.

A Sociedade Comercial Santo Antonio é um dos negócios na área central de Urussanga mais conhecidos e frequentados na década de 60. Sob o comando de Lauro De Bona e Dionísio Pilotto, o estabelecimento vendia tecidos, ferramentas, louças de porcelana, artigos para presentes, cristais, etc. Em 1962 é fundada a Sociedade Recreativa Urussanga. Três anos depois, o clube De Villa e o time de futebol com o mesmo nome.

1975 – A Construção do Paço Municipal

No final do seu mandato como prefeito, Lydio De Brida entrega, em 1972, a obra que marcou o seu governo: o novo Paço Municipal, na Praça da Bandeira. O projeto foi feito pelo arquiteto Fernando Carneiro. Os serviços foram executados pela equipe do setor de obras da Prefeitura com o apoio de pedreiros contratados.

Urussanga é atingida por uma enchente em 1974 que traz prejuízos aos munícipes, comerciantes e empresários.

Na década de 70, o perfil da indústria em Urussanga consistia na atuação de empresas voltadas para a extração de carvão, cerâmica, vitivinicultura, madeireiras, serrarias, atafonas, entre outras, como, por exemplo, Ceusa, Eliane, Minerasil, CCU, indústrias de madeiras das famílias Giordani, Peraro, Bettiol, Búrigo, Fontana, Zanatta, diversas atafonas, e surgem a Vitivinícola Urussanga e Vinícola Mazon, e no final da década as empresas Minaplast, Esaf/Ibrap, Folmaq, entre outros empreendimentos.

1978 – Centenário e fortalecimento da indústria e comércio

Nos anos de 76 e 77, a sociedade urussanguense se mobilizou para a criação da Associação Comercial e Industrial de Urussanga (ACIU) e Clube de Diretores Lojistas de Urussanga, atual Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL).

O centenário de Urussanga, em 1978, foi comemorado com festividades e inaugurações na gestão do prefeito Ruberval Francisco Pilotto. A estrutura montada no bairro Estação contou com restaurante, Centro de Exposição Industrial e shows nacionais, como Roberto Leal. Desfile na Praça Anita Garibaldi envolvendo a comunidade coroou a passagem da data relevante.

1980 – Urussanga recebe a réplica da La Pietà

A réplica da escultura “La Pietà” chegou em Urussanga na manhã do dia 8 de dezembro de 1979, solenemente abençoada e colocada no interior da Igreja Matriz. A obra foi um presente doado pelo Papa Paulo VI devido ao centenário da cidade a pedido do pároco Monsenhor Agenor Neves Marques. A réplica, que pesa cerca de 700 quilos, demorou mais de um ano para chegar ao destino final.

Segunda-feira, 10 de setembro de 1984. Urussanga amanhece enlutada… Uma explosão no subsolo na mina em Santana, da extinta empresa Companhia Carbonífera Urussanga, tira a vida de 31 mineiros e torna-se o maior acidente de trabalho com vítimas da mineração nacional.

1984 – Festa do Vinho é instituída

Prefeito Ado Cassetari Vieira institui a primeira Festa do Vinho em Urussanga, de 17 a 19 de agosto, no Ginásio Centenário, em 1984, com exposições dos vitivinicultores, atrações culturais e gastronomia.

Secretária de Educação e Cultura da época, Ana Maria Mariot Vieira promove ações de resgate como a tradução para o português do livro “Coloni e missionari italiani nelle foreste del Brasile”, de padre Luigi Marzano, a fundação da escola de língua italiana, atenção para a biblioteca municipal, patrimônio histórico, criação da banda municipal, coral e grupo de dança folclórica infantil, resgate do artesanato e do passeio de trem, apoio ao Coral Santa Cecília, promoção de uma apresentação do tenor Aldo Baldin na Sociedade Recreativa Urussanga e incentivo à construção do Parque Municipal.

1988 – Ascensão das ações culturais e início da construção do parque Municipal

Início da construção do Parque Municipal de Urussanga em 1987. O projeto foi elaborado pelo arquiteto Manoel Coelho com a ideia principal de espaços para dar vida à cidade e fazer com que a população aproveitasse o local. Em 1988, o arquiteto entregou à Prefeitura as partes construídas: portal de entrada, concha acústica (anfiteatro), centro cultural e restaurante.

A ligação com a cultura italiana e o amor pela cidade de Urussanga fez com que 18 jovens se unissem em 1988 para difundir o folclore por meio do Grupo Vino, Amore e Tradizione. A entidade cultural foi idealizada por alunos da escola de língua italiana Padre Luigi Marzano sob o comando de Neide De Pelegrin. A confecção dos trajes típicos e a coreografia das danças eram feitas com o auxílio de grupos folclóricos da Itália, ajudando a compor danças e trajes representando as províncias de Belluno, Treviso, Trento e Bérgamo.

Em 1988, inaugura o Museu Histórico Municipal de Urussanga, onde estão imagens de santos, objetos religiosos e itens que explicam a vida dos primeiros imigrantes, sendo este trabalho de resgate tendo iniciado em 1950.

Encontro entre o italiano Marcello Mazzucco e os urussanguenses Hedi Damian e Névton Bortolotto dá início as tratativas do pacto de amizade (Gemellaggio) entre as cidades de Urussanga e Longarone. No mesmo ano é fundada a Associazione Bellunesi Nel Mondo Famiglia di Urussanga.

1991 – Ritorno alle Origini e Gemellaggio

Primeira edição da festa Ritorno Alle Origini ocorre em maio de 1991, na Praça Anita Garibaldi, com o objetivo de valorizar os costumes e a cultura italiana.

Em Longarone, na Itália, no dia 6 de outubro de 1991, acontece o ato de assinatura do pacto de amizade (Gemellaggio) entre as cidades de Urussanga e Longarone.

1992 – Pacto de Amizade

Sete meses e vinte dias depois do acordo firmado na Itália, em 26 de maio de 1992, Urussanga recebe uma comitiva italiana para o ato de assinatura do pacto de amizade (Gemellaggio) com a cidade de Longarone, na província de Belluno.

1998 – Cultura e patrmônio histórico

Depois do Gemellaggio, em 1993, é fundada a Associazione Veneta dello Stato di Santa Catarina, com sede em Urussanga.

Edições da festa Ritorno Alle Origini seguem com suas atividades na Praça Anita Garibaldi. Em 1995, o evento é marcado pela participação de um grupo da Fepol – Festa Estadual da Polenta, realizada na cidade de Rio do Oeste (SC). Na ocasião, os homens prepararam uma polenta gigante para degustação da população.

Mais de 20 edificações do centro histórico de Urussanga, na Praça Anita Garibaldi, e em localidades como Rio América e Rio Maior, são tombadas pela Fundação Catarinense de Cultura entre 1998 e 2001 como reconhecimento a importância histórica e arquitetônica.

2000 – Atrativos turísticos

Festa do Vinho continua atraindo multidões para o Parque Municipal Ado Cassetari Vieira. A 10ª edição, realizada em 2004 tendo como presidente Johnny Felippe, atraiu milhares de pessoas para o show do cantor Daniel.

Em dezembro de 2008, na comunidade de São Pedro, é realizada a primeira edição da Vindima Goethe, celebração relacionada a colheita da uva, com missa e confraternização. Em janeiro de 2009 é aprovada a Lei que cria a Vindima como um evento oficial do município de Urussanga, no dia de São Vicente, 22 de janeiro, padroeiro dos vinicultores.

Urussanga ganha um Portal Turístico no trevo de acesso à cidade pelo bairro Estação. O monumento idealizado pelo arquiteto Newton Bortolotto e inaugurado em 2009, na gestão do primeiro prefeito reeleito Luiz Carlos Zen, representa através dos elementos utilizados na obra a história da cidade passando pela imigração, vinicultura e mineração.

2012 – Uva Goethe é reconhecida

Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) publica o registro da IGP dos Vales da Uva Goethe devido à qualidade, tipicidade e identidade. Indicação Geográfica de Procedência é fruto de uma conquista por intermédio da Associação ProGoethe. Oito municípios fazem parte do território certificado: Urussanga, Pedras Grandes, Cocal do Sul, Morro da Fumaça, Treze de Maio, Orleans, Nova Veneza e Içara. Vinhos passam a receber selo de qualidade.

É formado o grupo Amici della Polenta com mais de 30 integrantes, tornando-se uma forte representatividade cultural de Urussanga e passa a elevar o nome da cidade em toda Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O famoso tombo da polenta gigante é composto por aroma, textura, sabor e alegria peculiares.

Urussanga recebe, em maio de 2012, uma comitiva italiana para comemorar os 20 anos do Gemellaggio e reafirmar o acordo de amizade com a cidade de Longarone.

2017 – Pacto de amizade é renovado

Urussanga acolhe comitiva italiana para celebrar os 25 anos do Gemellaggio e reafirmar o pacto de amizade com a cidade de Longarone. Entre eles, quatro estudantes italianos.

Abertura da exposição fotográfica sobre os 25 anos do Gemellaggio elaborada pelo Foto Clube de Urussanga, durante a XV Ritorno Alle Origini, é marcada por um encontro entre Marcello Mazzucco, Névton Bortolotto e Hedi Damian, reproduzindo o gesto feito no início das tratativas do pacto de amizade em 1988.

2018 – Goethe em alta

Vitivinicultores, Poder Público e iniciativa privada comemoram os resultados da 10ª edição do evento Vindima Goethe, em janeiro de 2018. Agência oficial de receptivo e vinícolas apontam crescimento de 30 a 70% em comparação a edição de 2017. Celebrar a colheita da uva é o objetivo do evento anual que atrai centenas de turistas para viver experiências ligadas ao mundo do vinho.

Na Alemanha, espumante Goethe é comparado ao champagne francês. Durante reunião da sociedade literária Goethe (Goethe Gesellschaft), os membros degustam espumante da vinícola Casa Del Nonno. Segundo o alemão Sylk Schneider, os membros ficaram impressionados com a história e cultura em prol da uva e do vinho Goethe no Sul do Brasil e, de acordo com o alemão, os sábios disseram que o espumante tem qualidade como o champagne francês.

Com alegria comemoramos os 140 anos de fundação de Urussanga e brindamos com as centenárias Olga Freccia Trento, que mora na Praça Anita Garibaldi, e Onélia Zanellato Baldin, que reside em Rio Carvão, na esperança de que nossa cultura e tradições sejam preservadas pelas atuais e futuras gerações!

Novellino: ensino da língua italiana às crianças no século XX

A mudança de continente, país e modo de vida causou grande impacto para os imigrantes italianos que chegaram ao Brasil no final do século XIX. Para assegurar a identidade e manutenção dos laços culturais, a língua materna foi uma das heranças preservadas por eles ao longo das décadas.

No livro “Imigração italiana em Santa Catarina”, do padre João Leonir Dall’Alba, um quadro publicado no boletim da emigração, em 1902, mostra Urussanga como único município do Estado com população eminentemente de italianos. Em 1900, o município possuía 7.145 habitantes, sendo que deste número apenas 145 não eram italianos.

Uma das formas de conservar o idioma proveniente da pátria-mãe, Itália, foi aplicá-lo através do ensino escolar. Para os imigrantes italianos, isto representava a continuidade das tradições e da cultura. Em artigo, Claricia Otto, doutora em História, classifica as redes escolares fundadas nos núcleos coloniais italianos em particulares, paroquiais e escolas Dante Alighieri.

Entre os mestres que lecionaram nas primeiras décadas após a fundação do município estava Benvenuta Cechinel, a primeira filha do casal Cesare Cechinel e Giovanna Baldin, nascida em 1889. A família residia em Rio Carvão. O primeiro registro de Benvenuta como professora aparece nas despesas do município, em setembro de 1906, aos 17 anos.

O quadro, publicado no livro de Arnaldo Escaravaco, mostra o pagamento de 160000 mil réis aos mestres Ignacio Barzan, David Raspini, João Zannata, José Perucchi, Serafin Mezzari, Miguel Remor, Paschoa Zaccaron e Benvenuta Cechinel. O nome de Benvenuta volta a ser citado na folha de pagamento de 1909. Na lista do “Almanak Laemmert: Administrativo, Mercantil e Industrial (RJ) – 1891 a 1940”, no ano de 1911, na área de instrução pública, como professores, constam os nomes de Benvenuta Cechinel e do irmão, Adolpho.

O modo como Benvenuta lecionava a língua italiana para as crianças foi singular e marcante. Isto porque em sala de aula, a professora utilizava um material chamado de Novellino, elaborado em Roma desde 1899. A descrição na capa identificava o material como “foglio di fiabe e novelle” com “illustrate a colori”, ou seja, folheto de fábulas ilustradas coloridas. Benvenuta possuía edições do Novellino entre 1899 e 1904.

Segundo consta nas edições, as fábulas eram premiadas em concurso e posteriormente publicadas todas as quintas-feiras, em oito páginas editadas pela Casa Editrice Calzone-Villa di Roma. O material era vendido na Itália por 5 centesimi, formando uma coleção que se perpetuou até a década de 1920. Recentemente, a biblioteca universitária de Alessandrina digitalizou 80 diferentes periódicos, cerca de 60 mil imagens, publicados na província de Roma no final do século XIX e início do século 20, entre eles edições do Novellino.

“Eu recordo que a minha avó Ida, filha de Benvenuta, contava que a mãe dela dava o Novellino para os alunos da escola de Rio América com o intuito de praticar a leitura em italiano e aprender o vocabulário. Lembro de histórias que relatavam que a família Cechinel recebia jornais da Itália. Enquanto os homens faziam a leitura, as mulheres bordavam em outro cômodo da casa. Elas só tinham o direito de ler aquele jornal no dia seguinte. Eu acredito que as edições do Novellino vinham junto com os jornais”, comenta o bisneto de Benvenuta, Sandro José Maccari.

Registros apontam que Benvenuta ainda era professora na década de 30, conforme lista de professores publicada no livro de Arnaldo Escaravaco. O nome completo aparece com o sobrenome Bendo, pois já havia casado. A professora faleceu na década de 40.

URUSSANGA COMO REFERÊNCIA NA EDUCAÇÃO 

Alberto Rotti, o primeiro cônsul italiano que registrou visita ao sul catarinense, fez um relatório em 1885 que mostra algumas referências a respeito da existência de escolas étnicas italianas na região. Urussanga apresentava as melhores condições educacionais. No interior, escolas particulares mistas eram pagas pelos pais dos alunos em Rancho dos Bugres, Urussanga Baixa, Rio Carvão e Rio América.

Destas, a escola de Rio Carvão foi enaltecida pelo regente do Consulado Italiano, Giuseppe Caruso Mac Donald, que registrou em relatório, antes de 1901, os anos de existência da instituição, mantida pelo professor Gregório Bosa e fundada em 1895. Outro fato marcante foi a visita do cônsul Adelchi Gazzurelli. O professor da escola de Rio Maior, Ignácio Barzan encaminhou um texto ao Conselho Municipal (atual Câmara de Vereadores) de Urussanga que foi lido na primeira sessão ordinária, em janeiro de 1901.

No texto, Barzan desaprovava a visita e a atitude do cônsul, que teria perguntado aos alunos se eram brasileiros ou italianos e, como os alunos responderam serem brasileiros, o cônsul havia protestado: “Vocês são italianos, mesmo que nascidos no Brasil”.

A preocupação com a instrução da população de imigrantes e seus descendentes surgiu em seguida com a visita do cônsul Gherardo Pio de Savóia, que resultou em investimentos para a criação e manutenção de escolas em dinheiro e material escolar.

Um quadro publicado em um livro editado pelo Jornal Fanfulla, em 1909, mostra 22 escolas existentes em Santa Catarina entre 1893 a 1905. Destas, 15 estavam localizadas em Urussanga e concentravam o maior número de alunos, atendendo 844. O destaque do município neste cenário fez com que ocorresse a instalação da ‘Inspetoria das escolas italianas do sul do Estado de Santa Catarina’, comprovando que o ensino era dado em língua italiana naquela época.

Segundo a ata do Conselho Municipal (atual Câmara de Vereadores) de Urussanga em janeiro de 1910, o município de Urussanga subsidiava, no ano anterior, 18 escolas. A pressão do governo estadual para o ensino da língua nacional iniciou em 1915, conforme também consta na ata do Conselho Municipal de Urussanga em julho daquele ano. O presidente do Conselho leu um ofício enviado pelo Secretário Geral do Estado. No documento, ele pedia que os professores públicos estaduais fossem auxiliados pela municipalidade e proibia o Conselho orientando a não auxiliar mais escolas estrangeiras.

Em trabalho, Claricia Otto, doutora em História, ressalta a preservação do patriotismo italiano a ser difundido nas escolas. A reflexão é exposta em sete relatórios produzidos por Cônsules entre 1895 e 1913, que também enfatizavam atividades econômicas e comerciais.

Em 1916, relatórios enviados aos governadores de Santa Catarina mostram dados de anos anteriores, entre eles o demonstrativo relacionado ao investimento dos municípios na educação. Neste critério, Urussanga é destaque ao aplicar 34,3% em despesas com instrução.

Estudos apontam um acordo efetuado durante o governo de Felippe Schimidt entre o Município de Urussanga e o Consulado da Itália, em Florianópolis, sacramentado pela Portaria n.° 24 de 31/05/1917164, o qual criava a Escola Preparatória de Urussanga com a finalidade e preparar os professores particulares para melhorar o desempenho das funções, visto que recebiam subvenção dos cofres públicos do município e também do governo italiano.

Museu Municipal: onde a história permanece viva

Com um valor cultural inestimável o Museu Municipal Agenor Neves Marques nos leva a um retorno às origens por meio de documentos e objetos, mostrando o município como um autêntico centro de colonização Italiana, sendo um santuário de preservação e cultura viva, que mantém a história do povo que ergueu Urussanga com fé e esperança.

O museu surgiu como acervo particular do Monsenhor Agenor Neves Marques, onde manteve-se de 1970 até 1972. Reconhecendo a importância histórica e as dificuldades de manter sozinho a conservação de tantas peças, o Monsenhor transferiu as relíquias para a Prefeitura Municipal de Urussanga através de um decreto.

“Todo acervo foi adquirido por doações. No começo o Monsenhor fazia campanhas de doação nas casas das famílias em Urussanga e pelos arredores, conseguindo muita coisa valiosa”, conta Cecília Lavina, responsável pela organização e cuidados com o museu há dois anos.

Por conta do número de peças repetidas, durante os anos aconteceram algumas trocas com o museu de Brusque, aumentando a riqueza e diversidade do acervo. “Essas peças representam a etnia açoriana, e são muito raras, datando o século 18”, ressalta Cecília.

Desde que o museu se tornou um bem público, vários locais da cidade já foram usadas como sua sede. Infelizmente suas constantes mudanças trouxeram consequências ruins, incluindo furtos de peças de alto valor monetário, como jóias e armas e má conservação de objetos delicados.

Instalado hoje no Parque Municipal Ado Cassetari Vieira, e idealizado pelo Governo Municipal em 1988, o museu retrata a vida do imigrante italiano, desde os primeiros anos da colonização do município até metade do século XX. Diversos documentos e objetos dos primeiros imigrantes podem ser encontrados no acervo que preserva e mantém viva a história, lembranças e as dificuldades enfrentadas pelos imigrantes e colonizadores.

Seu acervo é composto por utensílios indígenas, instrumentos musicais, maquinário agrícola, mobiliários e utensílios de uso doméstico. Possui também uma coleção de arte sacra, composta por pinturas e esculturas datadas do século XIX e início do século XX.

Cecília Lavina conta que a exposição permanente é disposta formando uma linha do tempo, contando toda a trajetória do imigrante italiano. Desde seu encontro com os indígenas, até sua ascensão social. A amostra conta com 600 peças fixas, e exposições temporárias, sem interferir na continuidade do museu.

“A maior parte do trabalho de restauração é feito na própria sede do museu. A fundação Catarinense de cultura oferece cursos de capacitação para restauração de peças e conservação de objetos delicados como os de origem indígena”, ressalta Cecília. Além da exposição aberta ao público, o museu conta também com um vasto acervo técnico com uma variedade grande de peças. Atualmente Cecília faz o trabalho de identificação de cada objeto e de seus doadores, além de um inventário de tudo que faz parte do museu, que inclui vestimentas antigas, armas indígenas, louças, documentos, maquinários, livros, jornais, revistas, celulares antigos, diversas máquinas de escrever, entre outros.

Além da conservação da história do município o museu é fonte de estudo, recebendo estudantes de história e museologia, e muitos escritores em busca de informações para livros.

A conservação da história da nossa região é valorizada também em outros municípios. Por ano são recebidos pelo menos 400 estudantes de Criciúma, de escolas públicas e particulares.

Alterações no ambiente para melhorar a acessibilidade já estão sendo discutidas, incluindo a elevação de pelo menos 1 metro das bases próximas ao chão onde alguns utensílios estão dispostos. “A mudança está sendo pensada para auxiliar idosos e pessoas com problema de visão a enxergar melhor o acervo e aproveitar a visita”, conta Cecília.

Recentemente um dossiê contendo importantes documentos de Giuseppe Caruso Mac Donald foi doado por seus familiares para o museu, enriquecendo ainda mais seu patrimônio. Caruso Mac Donald foi o regente do consulado italiano que apoiou os colonizadores e se estabeleceu em Urussanga. Ele também foi responsável por introduzir a produção da uva Goethe na região, sendo uma figura histórica e importante do desenvolvimento da cidade.

Mais que um depósito de peça antigas o museu é um pedaço palpável da história de cada morador que Urussanga já teve e ainda tem. Por meio de seus documentos raros, máquinas, jornais, pinturas, esculturas, desenhos, móveis, instrumentos, sua arquitetura, por seu acervo, o museu tem sido reflexo do desenvolvimento processado por nossa sociedade, tornando-se ponto de encontro entre nosso passado e nosso presente.

Curiosidade

Um dos objetos que mais impressiona e causa curiosidade é um bengala esculpida por Antônio Piva, com um canivete, em 1867, na Itália. A bengala pertenceu ao acervo original do Monsenhor, e ainda é mantida no museu a carta dos familiares atestando a doação do objeto.

“Conta a história na carta que o Senhor Antônio Piva era um pastor de ovelhas, e toda a manhã ele levava os animais para os alpes italianos, para comer capim fresco. Um dia ele se envolveu em um incidente onde morreu uma pessoa, e mesmo ele alegando-se inocente a polícia o acusou de assassinato”, narra Cecília.

A carta ainda conta que a bengala originou-se de uma árvore de cipreste de 50 anos, que ficava na frente da casa da família. “Por manter um bom comportamento na prisão a polícia permitiu que ele usasse seu tempo para esculpir essa bengala. Cada pedaço narra os 12 anos que esteve na cadeia. Desde de o dia que foi preso, até o dia que foi julgado e inocentado”, finaliza Cecília.

NEGÓCIO COM IDENTIDADE CULTURAL É TRADIÇÃO DE FAMÍLIA

Na rua Siqueira Campos, o barulho que desperta a audição apenas comprova um fato que o olfato já havia percebido: pelo cheiro a atafona está moendo milhos e produzindo a famosa farinha Salute di Trento. É nesta mesma via que este negócio com identidade cultural local é gerenciado pela família Maestrelli desde a década de 50.

Antonio, filho de Francesco Maestrelli, decidiu morar no centro naquela época e trouxe toda a família, incluindo seu pai. “O nonno Francesco não queria vir morar na praça. Na hora da mudança, ele optou por vir a pé com os tamancos nas mãos de desgosto. Ele não de adaptou, sentiu a saída, logo ficou doente e faleceu”, conta a Erna Maestrelli Maccari.

De acordo com o neto de Francesco, Hadilton Maestrelli as filhas solteiras de Francesco, Salute, Albina e Zilda montaram uma atafona em um galpão de madeira alugado onde hoje está a empresa Eflul. “Era atafona, descascador de arroz e café também só para prestar serviços aos agricultores. Tudo feito no mesmo maquinário. A pedra foi feita pela família dos irmãos Savi Mondo com mais de 1 metro de diâmetro por 30 centímetros de altura”, comenta.

A pedra ainda se mantém na atafona, que anos depois foi estruturada no mesmo local que está atualmente. “Eu frequentava a atafona todos os dias. Na década de 80 decidi tocar o negócio no lugar das minhas tias. Foi a primeira atafona a energia de Urussanga. Depois com a diminuição do serviço de moagem incrementei o negócio transformando uma parte em armazém”, explica.

Os escritos nos sacos identificam as encomendas dos agricultores. Eles são preenchidos conforme o trabalho da atafona vai sendo administrado em determinados momentos por Hadilton Maestrelli. Uma alavanca regula a caída do milho. “Quanto mais cai, mais grossa fica a farinha. Na alavanca consigo alterar a altura da pedra”, ressalta.

Um atendimento aqui, uma batidinha no suporte de madeira para desgrudar a farinha quente e muita atenção para não deixar faltar milho. “As pedras se encostando sozinhas pode soltar fogo”, conta entre risos.

A embalagem Salute di Trento é a marca registrada de uma tradição de 60 anos que identifica a garra da família Maestrelli. “Meu pai Antonio falava da situação do lugar de origem da família, na Itália. Muito montanhoso com inverno rigoroso. “Sei mesi, le bestie” presas no estábulo. Só elas e mais nada. Aqui dizia que tinha mais espaço para trabalhar. Ele contava que muitas vezes eles se perguntavam: quando vamos a Mezzolombardo? É uma cidade italiana grande na província de Trento. Acho que era a saudade”, finaliza.

Maestrelli: um dos poucos Trentinos

A maioria dos imigrantes italianos que chegaram a Urussanga no final do século XIX era proveniente das regiões de Vêneto, Friuli-Venezia Giulia e Lombardia. Em 1879, uma segunda leva chegou à colônia. Entre tantas famílias, duas eram da região de Trentino-Alto Ádige, norte da Itália, que fazia divisa com as três regiões citadas anteriormente.

Do porto de Marselha, no vapor La France, partiram do continente europeu em 4 de outubro daquele ano, integrantes das famílias Maestrelli e Concer. Na lista do transporte marítimo, consta o casal Vincenzo Maestrelli e Maria Stringari com o filho Francesco, bem como o casal Maria e Giuseppe Concer e filhos.

Na província de Trento, a cidade de Tuenno tem a marca de Maestrelli e Maistrelli em ruas e praças, visto que por muitos mandatos membros da família estiveram à frente do município. Segundo o bisneto do casal, Sérgio Roberto Maestrelli quando chegaram ao sul catarinense com a roupa do corpo e ferramentas emprestadas, eles abriram a picada para ter acesso ao lote 168 do Rio dos Americanos, atual Rio América. No local tinham como vizinhos Girardi, Maccari, Polla, Bonot, Benedet, Dal Bó, Silvestrini, Fontana, entre outras famílias.

Logo, o casal Maestrelli deu continuidade a vida de camponeses. Vincenzo, com 34 anos, dedicou-se, além de carpinteiro, ao cultivo de parreiras, mandioca, milho e criação de suínos. Já a esposa Maria, 31 anos, foi uma das primeiras parteiras entre os imigrantes. Relatos de pessoas que escutaram as histórias relacionadas à parteira a descrevem como uma mulher de estatura pequena, inteligente e ligeira nas ações. Silvio Bez Batti (in memoriam) uma vez contou a um descendente de Maria Stringari Maestrelli que, na frente de crianças, ela trazia “il pupo” numa cesta de vime “per dieci fiorini”.

De acordo com o bisneto Sérgio Maestrelli, pessoas de Treviso, Siderópolis, Nova Veneza, Belvedere, Rio Caeté, Rio Carvão, Treze de Maio e Azambuja vinham a cavalo, aflitos, atrás da parteira. Na carência de recursos naquela época, Maria tirava da bolsa de pano sempre a tiracolo ervas para chás e até fervia vinho com pregos enferrujados para combater a anemia de doentes.

Além do filho Francesco, nascido na Itália, Vincenzo Maestrelli e Maria Stringari tiveram os filhos Rosa e Antonio. Ambos faleceram muito jovens com 25 e 2 anos, respectivamente. Os patriarcas morreram na década de 1920. Ainda no final do século XIX, Francesco casou com Giovanna De Brida. Desta união vieram nove filhos: Vicente, Domenico, Salute, Helena, Rosina, Zilda, Albina, Angelina e Antonio. A neta de Francesco, Erna Maestrelli Maccari é atualmente a mais experiente da família, com quase 80 anos, e representa a segunda geração da família a nascer no Brasil.

Ela recorda com afeto dos momentos vivenciado juntos aos avós, que viviam da agricultura com a ajuda dos filhos. “Recordo da celebração de Bodas de Ouro deles, na residência em Rio América. Pediram ao meu pai Vicente para levar os caçulas: eu e meu irmão Armando. Fomos a pé de Rio Carvão até lá. Quando chegamos na propriedade, o nonno Francesco estava na varanda casa, lendo a bíblia, e parou por um momento para abraçar os netos. Eles davam muita atenção às pessoas e quando ficavam doentes se ajudavam. A nonna Joana era uma querida. Casei em 1958 e ela ainda era viva. Preocupava-se com o fato da família não passar fome. Lembro que uma vez ela foi pegar a xícara de café no fogão a lenha e quando botou na mesa já estava sem café porque as mãos dela já estavam trêmulas. Ela fazia pão caseiro e sempre tinha uma unidade a mais para o vizinho, pois quando o marido e um dos filhos entravam em discussão, ela chamava um dos Concer para apaziguar e entregava o quitute”, lembra.

COM ESTUDO ALCANÇOU A PROFISSÃO 

As décadas seguintes continuaram sendo de muito trabalho. Vicente Maestrelli, filho de Francesco, casou com Rosa Scarabelot na década de 1920 e fixaram residência em Rio Carvão.  Erna conta que eles atuavam no campo com o cultivo de arroz, milho, feijão, aipim e criação de animais. Os filhos quando eram instruídos na escola sobre o alfabeto, leitura e matemática, logo aprendiam o conteúdo para abandonarem os estudos a fim de trabalhar na lavoura com os pais. “Minha mãe Rosa saía a pé para vender leite nas comunidades e levava tudo nos braços. Um dia voltou triste porque a sobra no meio do caminho virou manteiga de tanto sacudir. Uma vez ao ano, meu pai Vicente saía de casa numa sexta-feira à noite levando uma mala. A pé e sozinho, ele subia lá no doze para comprar queijo serrano para a gente comer o ano todo. Dormia na casa de um conhecido e voltava domingo. Às vezes os pais eram bravos, mas era por causa da vida difícil”, recorda.

Erna foi instruída pelo pai Vicente a continuar os estudos para exercer a profissão de professora. E ela atendeu ao pedido. Depois de concluir a 4ª série em Rio Carvão, Erna veio morar no centro de Urussanga para ingressar na escola Barão do Rio Branco. Com apenas 12 anos, para poder prosseguir com os estudos, ela permanecia nas casas de famílias tradicionais prestando serviços de limpeza a fim de obter as refeições e uma cama para descansar. Aos sábados, seguia a pé no caminho rumo à casa dos pais, em Rio Carvão, para auxiliar a família na lavoura.

“Eu queria desistir. Mas pensava depois: como iria viver? Era muito cansativo. E voltava no pensamento a pergunta: e o meu futuro? Consegui me formar com 17 anos e logo comecei a dar aulas em Santana. De manhã bem cedo ia a pé rezando a oração de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, que a tia Rosina tinha ensinado. A tarde, na volta, quando descia a boiada da serra, eu morria de medo. Com 19 anos casei e fui lecionar em Rio América. Na localidade fui professora, secretária da escola e depois diretora. Trabalhei muito por amor”, comenta.

 

Criciúma recebe peça “Baixa Terapia”com Antônio Fagundes

Sucesso por onde passa, chegou à vez de Criciúma prestigiar “Baixa Terapia”. Estrelado por Antônio Fagundes, a peça já teve mais de 100 mil espectadores e recebeu diversos elogios da critica especializada. O espetáculo acontecerá no dia 26 de abril, quinta-feira, no teatro Elias Angeloni, em Criciúma, às 19h30.

O inusitado da peça é que além de atuar com o filho, Bruno Fagundes, o ator divide a cena também com a ex-mulher Mara Carvalho e a atual, Alexandra Martins. Para completar o elenco Ilana Kaplan e Fábio Espósito também sobem ao palco.

Escrita pelo argentino Matias Del Federico, com a direção de Marco Antônio Pâmio, a peça conta a história de 3 casais, com diversos conflitos e buscam na terapia a solução. Chegando no consultório descobrem que a psicóloga não foi, mas deixou uma série de instruções de como eles devem conduzir a sessão em grupo. A partir daí vem a tona queixas, confissões, suspeitas, revelações, verdade e mentiras, da maneira mais divertida para o público.

Para o produtor de eventos, Paulinho Vargas esta é uma oportunidade única. “Poder ter e assistir em nossa região um espetáculo que por hábito só costuma se apresentar em grandes capitais é um privilégio, ainda mais com um ator que é a referência nacional nas artes de palco como o Antonio Fagundes. Para se ter uma ideia, em uma semana que antecede o espetáculo, estamos com a sessão fechada e abrindo a segunda. O que mostra a sede de cultura que o Sul do estado possui”, ressalta.

A classificação etária é de 14 anos e os ingressos estão disponíveis no site www.blueticket.com.br, e também nas Livrarias Fátima e loja Corrêa Back.

Cocal do Sul abre 5ª Feira do Livro na próxima terça-feira

O município de Cocal do Sul irá realizar de 17 a 21 de Abril, a 5ª Feira do Livro. O evento acontecerá no salão de festas da igreja matriz, das 8h às 20h30. Paralelo à feira, Contação de histórias e apresentações culturais serão as atrações.

Segundo a secretária de educação, esporte e cultura, Ana Paula Cechinel a expectativa é receber mais de 6 mil pessoas durante os cinco dias do evento, dois dias a mais em relação aos anos anteriores. “Nosso objetivo neste ano é ampliar o número de participantes. Queremos que as pessoas aproveitem ao máximo essa oportunidade e que a Feira possa despertar e incentivar cada vez mais nossos leitores e visitantes na busca pelo conhecimento e pelo hábito da leitura”, declara.

A Feira irá receber crianças, estudantes, universitários, comunidade e visitantes da região. Durante o evento todos terão oportunidade de adquirir títulos que normalmente comprariam pela Internet, com preços acessíveis.

Programação
Data: 17 a 21 de Abril
Local: Salão de festas da igreja matriz
Horário: das 8h às 20h30, de 17 a 20 de abril
Sábado, 21, das 8h às 12h, com a participação dos Jogos de Mesa
Contação de histórias
De terça-feira a sexta-feira
Período da manhã: às 8h30
Período da tarde: às 14h
Apresentações culturais
De terça-feira a sexta-feira, às 19h

Data e atrações da Festa do Vinho serão apresentadas na próxima semana

Representantes da CCO, prefeito municipal Gustavo Cancellier, associações e entidades que trabalham durante a Festa do Vinho se reuniram na última semana, no Paço Municipal, a fim de discutir o formato do evento que será realizado em agosto deste ano.

Segundo Maccari, em acordo com as entidades, ficou definido que os shows serão realizados no anfiteatro do Parque Municipal, assim como as festas anteriores, para que não ocorra a disputa do público durante o evento.

“Se fizéssemos uma arena de shows, estaríamos dividindo o público da festa e esta não é a intenção. Chegamos ao consenso de mantermos os shows no anfiteatro, porém com os valores das entradas no Parque Municipal mais acessíveis na quarta, quinta e sábado quando comprados de forma antecipada, por um período pré-determinado e por residentes em Urussanga. Assim conseguimos contemplar a população que poderá visitar a festa, consumir os nossos produtos e ver também os shows que serão realizados”, enalteceu o presidente da Comissão Central Organizadora da 18ª Festa do Vinho, Sergio Luiz Maccari Junior.

A intenção, segundo Maccari, é de valorizar ainda mais a cultura do município. “Queremos atender a todas as solicitações. Estamos planejando retomar o desfile que era tradicional durante o evento, além de outras ações que irão trazer a cultura cada vez mais presente”, garante.

Conforme Maccari, nas próximas semanas serão definidos e divulgados a empresa responsável pelos shows, os valores dos ingressos e a data do evento.

Escolha da rainha será em maio

A Comissão Central Organizadora (CCO) da XVIII Festa do Vinho de Urussanga informa que, a partir da próxima semana, estarão abertas as inscrições para as candidatas a Rainha e Princesas da Festa do Vinho. De 9 a 25 de abril, as interessadas ao título poderão se inscrever diretamente no Departamento de Cultura e Turismo localizado no Parque Municipal Ado Cassetari Vieira.

“A escolha da rainha e princesas da festa ocorrerá no dia 25 de maio, no anfiteatro do Parque Municipal. Será uma grande festa para as torcidas e toda a comunidade. Além disso, estará integrada as comemorações dos 140 anos do aniversário de Urussanga, celebrado no dia 26 de maio”, esclarece a vice-presidente da CCO, Margareth Serafin De Villa.

O regulamento também estará à disposição das candidatas a partir do dia 9 de abril, no Departamento de Cultura das 8 às 11h30min e das 13 às 17 horas. Mais informações podem ser obtidas no telefone (48) 3465-1313.

Luto: Urussanga se despede do visionário Hedi Damian

Um manto preto com o sentimento de luto e desolamento cobriu Urussanga na noite de terça-feira, dia 27, com a notícia do falecimento de Hedi Damian, aos 89 anos. Ele era referência em diversas áreas nas quais atuou como, por exemplo, cultura, social, empreendedorismo, política e vitivinicultura.

A Prefeitura de Urussanga decretou luto oficial de três dias em homenagem ao cidadão urussanguense. A despedida à Hedi ocorreu na Câmara de Vereadores, que na última sessão prestou um minuto de silêncio e prestou homenagem póstuma ao final do velório. Em seguida, uma missa na Igreja Matriz foi marcada pela emoção, oração, reflexão e reconhecimento.

“Hedi foi o homem que honrou o título de político, empresário, pautado pelos valores como respeito, ética, e o grande compromisso com a cultura. Tinha o vinho em seu sangue. Provocou o renascimento da uva Goethe em Urussanga. E desta forma elevou a identidade cultural de nosso município. Foi incentivador do projeto ProGoethe. E como disse o enólogo Stevan Arcari, agora as vinhas do céu produzirão melhores frutos. Ele é operário da vinha do Senhor. Hedi fez um grande resgate da nossa história preservando documentos, fatos e fotos. E ajudou a alargar as fronteiras de Urussanga através do Gemellaggio. Permanecerá agora o legado de Hedi e um brinde de vinho Goethe em nossas taças.

Ele foi daqueles homens que lutam a vida toda, unindo presente, passado e futuro”, disse em nome da Epagri e ProGoethe, Sérgio Maestrelli. Hedi deixa os filhos Renato, Beatriz e Luciana e sete netos: Mariana, Matheus, Stefano, Júlia, Matteo, Francesco e Maria Laura. A família se completa com os genros Stefano e Augusto e a nora Thais.

“Perdemos um importante nome da nossa cidade. Hedi Damian sempre foi muito ativo na sociedade, demonstrou amor em tudo o que realizou. Lutou pelas causas do município e merece todo reconhecimento pelo o que desenvolveu em Urussanga. Tenho a certeza que deixará não só um legado cultural, mas também de comprometimento com as causas que lutou. Será para sempre lembrado e merece todas as homenagens”. Gustavo Cancelien, Prefeito de Urussanga

 

Um grande urusanguense, pensador, idealizador, projetista. Um grande pai, filho, amigo. Um sonhador, historiador, político, líder nato. Um trabalhador que deixou marcas, inspirou, alertou, registrou e lutou, muito. Um exemplo de homem integral que eu sempre admirei e aprendi muito”. Décio Silva, Vice-Prefeito de Urussanga.

Conheça a história de Hedi Damian

Hedi Damian nasceu em 6 agosto de 1928, na localidade de Rio Carvão, em Urussanga. A origem da família era integralmente italiana. Os avós paternos, Giovanni Damian e Lucia De Bona Marchet vieram casados da Itália com uma  – filha de dois anos. Já os avós maternos, Matteo De Brida e Catarina Feltrin se encontraram apenas no Sul do Brasil.

Hedi era filho de Privato Damian e Catarina De Brida, os quais constituíram família com a chegada dos filhos Elio, Olga, José Hilo e Hedi, o caçula. Órfão de pai e mãe com apenas 5 anos de idade, a família possuía uma pensão na área central. Depois de morar em Santana com o tio Damião, Hedi retornou para o Centro para ficar com os irmãos na pensão onde hoje está localizado o estacionamento da Panificadora Urussanga. Entre 8 e 9 anos, elaborava puxa puxa para comercialização e engraxava sapatos.

Ele estudou no Tibúrcio de Freitas, onde atualmente é o Paraíso da Criança, até os nove anos. Posteriormente ingressou na escola isolada de Rio Carvão. Depois Hedi retornou à escola Tibúrcio. Na inauguração da escola Barão do Rio Branco, fez parte das homenagens literárias recitando o patriotismo com a presença do governador Nereu Ramos. Em 1944, conclui os estudos sendo a segunda turma a se formar na escola nova. Neste período, ajudava o tio Viatore Damian na fábrica de torrefação de café com apenas 15 anos.

O talento exposto por meio de um desenho na escola abriu as portas para uma bolsa de estudos ofertada pelo prefeito Zeferino Búrigo na escola técnica industrial em Florianópolis. Com 16 anos, Hedi se aventurou na Capital, prestou exame e passou. Na escola estudou entre 1945 e 1947 e nas férias vinha para Urussanga trabalhar de balconista na loja de secos e molhados BNichele & Cia. Aos 18 anos foi convocado para servir o exército no Rio de Janeiro. Ele ingressou no Batalhão de Guardas do Presidente da República, que naquele tempo tinha a responsabilidade de proteger o Palácio do Catete, Ministério da Guerra, Arcenal de Guerra e Conselho de Segurança Nacional. Ele serviu de janeiro a outubro de 1948 com o título de Cabo e 3º Sargento da Reserva.

Com 20 anos, Hedi optou por não seguir carreira e retornou à Urussanga. Garantiu emprego fixo na loja BNichele & Cia. Entre 1950 e 1964, atuou na Subestação de Enologia de Urussanga, atual Epagri.

Hedi constituiu família com Amabile Mariot em julho de 1953, sendo os frutos dessa união os filhos Renato, Beatriz e Luciana. Dois anos depois, ele e o sogro Olívio Mariot fundarama Construtora Urussanguensse LTDA, que após algumas mudanças tornou-se a atual Mariot Damian Materiais de Construção.

Ao longo das décadas, Hedi participou da criação da Associação Comercial e Industrial de Urussanga (ACIU), implantou a Vitivinícola Urussanga – Casa Del Nonno, fundou as associações Bellunesi di Urussanga e Veneta SC, Rotary Club de Urussanga e foi protagonista no pacto de amizade (Gemellaggio) entre Longarone (IT) e Urussanga.

Respeito e amor por Urussanga

Com o desejo e a missão de integrar a classe empresarial de Urussanga, o empresário e comerciante Hedi Damian foi um líder entusiasta no apoio ao desenvolvimento sócio-econômico da região através de parcerias e do associativismo.

Em 8 de outubro de 1973, com a intenção de unir e organizar as ações dos setores comerciais, industriais e profissionais liberais de Urussanga, surgiu o conselho deliberativo para formação da Associação Empresarial de Urussanga com dez efetivos e dez suplentes atuando sob a presidência de Hedi Damiani e o vice, Bruno Renato Mariot. Uma história de 45 anos que apresenta muitos nomes e grandes conquistas para a população urussanguense.

Hedi organizou e atuou para buscar aperfeiçoamento e qualificação da mão-de-obra disponível. “Um pessoa entusiasta do associativismo. Desde 1973, nunca se furtou das participações em nossa instituição, inclusive de todas as gestões. Cidadão e empresário atuante, ele estava conosco nesta atual gestão de 2016 a 2018. Nos deixa um legado gigante. Obrigado pelos ensinamentos e toda a dedicação”, salienta o presidente da ACIU, Adroaldo De Brida.

Com uma visão empreendedora além de seu tempo, em 1950, Hedi foi convidado para trabalhar na Subestação de Enologia de Urussanga, hoje Epagri. Até 1964 atuou no serviço de acompanhamento dos primeiros anos de desenvolvimento de videiras, percorrendo os parreirais diariamente.

Hedi, o rotariano que fez diferença

“Dar de si sem pensar em si”. Essa é a expressão que pautou a vidado rotariano Hedi Damian que dedicou quase 60 anos de sua vida aos serviços do Rotary Clube em Urussanga. Não é à toa que essa mesma expressão foi criada por Hedi para ser o lema do Clube, uma de suas paixões e amor pelo trabalho social. Seu comportamento, perfil e compromisso perante aos companheiros, o define como um grande incentivador, conselheiro e homem realizador e empenhado às causas sociais. Quase sócio-fundador do Clube, ele ingressou dois meses depois da fundação da entidade, em fevereiro de 1959.

Através do Rotary Club, Hedi conheceu dezenas de municípioscatarinenses levando as cores da participação comunitária, os projetos do clube e também o vinho urussanguense. As constantes indagações de rotarianos de todo o estado pelo vinho branco de Urussanga, motivou-o a fundar a Vitivinícola Urussanga. Também teve participação ativa e constante na luta por inúmeras bandeiras do Rotary, dentre elas a fundação do Colégio Rainha do Mundo, as campanhas visando o asfaltamento das rodovias SC 108 e Genésio Mazon e a doação do terreno para a construção da sede da polícia militar.

“Seu Hedi era a pessoa mais velha no Rotary. Sempre foi muito atuante. Uma pessoa empenhada em elevar o nome do Clube. Sempre levou muito a sério nosso regimento, um exemplo de disciplina. Todas as reuniões em que ele participava, sempre acrescentava ao nosso conhecimento quando pedia. Nunca era a crítica pela crítica. Era sempre algo positivo e engrandecedor. Um observador, sempre atento ao cenário regional e nacional. Uma pessoa culta e rica em sabedoria e no compartilhamento da mesma”, Stela Maris Talamini, presidente do Rotary Clube de Urussanga.

Ainda entre as iniciativas desenvolvidas e motivadas por Hedi, o Rotary montou uma padaria visando facilitar a alimentação de centenas de crianças órfãs no auge do funcionamento do Paraíso da Criança, bem como o apoio à montagem de uma malharia. Além disso, ergueu o Monumento aos Pioneiros defronte ao Paço Municipal, realizou as campanhas em prol ao Hospital Nossa Senhora da Conceição em benefício das pessoas menos favorecidas na vida e ainda, a entrega de enxovais às crianças recém-nascidas de famílias carentes, ação desenvolvida até hoje pelo Clube através da Casa da Amizade.

Segundo o rotariano, Sérgio Maestrelli a partir de 2005, o Rotary através do incentivo de Hedi assumiu como bandeira o resgate do Vinho Goethe para fortalecer a nossa identidade cultural. “Hedi foi um exemplo de atuação e referência pelas causas sociais. Diante de seu perfill comunitário, ele recebeu o título “Paul Harris” concedido aos rotarianos de todo o mundo que com seu trabalho fazem a diferença em prol do ser humano, que fazem aflorar a diferença numa comunidade. Para Hedi Damian, o Rotary era um eficiente instrumento para consolidar amizades e fortalecer os laços entre todos os homens de boa vontade”, finaliza Maestrelli

Lideranças municipais lamentam a morte de Hedi

Político firme em suas posições e com votação à causa pública, Hedi Damian atuou com zelo e dedicação enquanto representante dos munícipes no Poder Legislativo. Ingressou na vida pública quando eleito vereador de 1970 a 1973, pela sétima legislatura e não recebia salário para legislar. Exerceu neste período a presidência da Câmara entre os anos de 1972 e 1973.

Na vida pública também atuou no cargo de secretário municipal de planejamento em 1989 e foi candidato a prefeito, em 1992.

Amor e paixão pelo vinho

O trabalho na Estação Experimental da Epagri, como funcionário público estadual, ascendeu ainda mais o amor e a paixão pelo vinho. Uma forte ligação com o passado que o fez empreender e fundar a Vitivinícola Urussanga – Casa Del Nonno. As famílias Damian e Mariot foram pioneiras no fim do século XIX, trazendo consigo a paixão pela videira e pela vinificação dos seus frutos.

No ano de 1975 nasce, ao lado do descendente Flávio Antonio Mariot, o empreendimento que apresenta ao mercado uma variação de vinhos e espumantes de elevado padrão de qualidade, dando desta forma, continuidade àquele trabalho com muito amor e paixão, buscados na força exuberante dos seus próprios vinhedos, ratifi cando o que dizia o grande poeta alemão Johann Volfgang Von Goethe: “A vida é muito curta para consumir vinhos ruins”. A tradição familiar ainda está presente na vinícola, hoje administrada por Renato Mariot Damian, filho de Hedi, contando com a assessoria de Matheus Damian, filho de Renato, formando assim, três gerações de amor pelo vinho.

Cultura: o maior legado

É imensurável a herança que Hedi Damian deixou para a cultura de Urussanga restabelecendo também o elo com a Itália. A atuação nesta área tomou força com a fundação da Associazione Bellunesi Nel Mondo Famiglia di Urussanga, em novembro de 1988, na qual foi o primeiro presidente e sócio-fundador.

Em maio de 1978, Urussanga recebeu uma delegação enviada pelo prefeito Gioachino Bratti e também pelo prefeito Giovani Canever, dos municípios de Longarone e Erto e Casso, de onde vieram a grande maioria dos fundadores de Urussanga. Na década 90 ocorreram as primeiras viagens de cidadãos urussanguenses à Itália para conhecer a terra dos seus antepassados.

Mas em 1987, a ida de Hedi Damian foi marcante. Chorando dizia que queria ver todos os seus parentes e gostaria de trazer para Urussanga o espírito que ele sempre conservou dentro de si. Foi a partir deste momento que ele começou a buscar um pacto de amizade entre as cidades de Urussanga e Longarone.

Em 23 de novembro de 1988, na praça de Urussanga, ocorreu o primeiro encontro entre o italiano Marcello Mazzucco e Hedi Damian. “Fomos apresentados e ele me convidou para ir até a vinícola. Conversamos e trocamos muitas ideias. E ele também me disse que tínhamos que fazer algo pelas pessoas, pela nossa gente, nosso povo daqui e de lá. Eu continuei conhecendo a cidade e visitei o cemitério. Ao passar pelo cemitério e sair dele, eu comecei a ter uns sentimentos. Conversando com Hedi fizemos esse acordo de irmandade e foi o que se seguiu pelos quatro anos seguintes até chegar o dia do Gemellaggio, primeiro em Longarone no ano de 1991 e depois em Urussanga no ano de 1992″ recorda.

O pacto de amizade firmado abriu as portas para os urussanguenses trabalhem no exterior, resultando também na conquista de duplas cidadanias e, posteriormente, numa troca de experiências entre estudantes e cidadãos das duas cidades. Após o Gemellagio, em 1993, Hedi também fundou a Associazione Veneta dello Stato di Santa Catarina, com sede em Urussanga, e juntamente com a Dona Ana Maria Mariot Vieira, na época secretária de educação, implantaram a escola de língua italiana Padre Luigi Marzzano.

Hedi Damian também atuou como consultor do Vêneto para o Sul do Brasil, abrangendo Santa Catarina e Rio Grande do Sul, entre 1991 e 1995.

Na Alemanha, espumante de Urussanga é comparado ao champagne francês

Um encontro no palácio da cidade alemã Weimar, patrimônio da humanidade, transformou-se em matéria nos jornais regionais do leste da Alemanha e evidenciou uma garrafa de espumante produzida na região Vales da Uva Goethe, no Sul de Santa
Catarina, detentora da única Indicação Geográfica de Procedência do setor vitivinicultor no Estado.
No dia 25 de janeiro, durante reunião da sociedade literária Goethe (Goethe Gesellschaft), associação que se dedica a obra e ao autor alemão Johann Wolfgang von Goethe, os membros degustaram o espumante produzido pela vinícola Casa Del Nonno, de Urussanga, com a emblemática variedade de uva que leva o sobrenome do
escritor.
Segundo o alemão Sylk Schneider, os membros da sociedade literária ficaram impressionados com a história e cultura em prol da uva e do vinho Goethe no Sul do Brasil. “Mostrei imagens da região Vales da Uva Goethe e todos ficaram admirados. Na Alemanha, o vinho Goethe é novidade.
Nenhum membro da sociedade conhecia este produto até ontem. O espumante foi um sucesso. Os sábios disseram que ele tem qualidade que nem o champagne francês”, conta Schneider, que é autor do livro “A viagem de Goethe ao Brasil”.
As garrafas de espumantes Goethe foram entregues por Felipe Alves, na época acadêmico da Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc) que estudou sobre a internacionalização dos vinhos da região Vales da Uva Goethe.
Em comentário no jornal Thüringische Landeszeitung (TLZ), a jornalista alemã Christiane Weber escreveu: “Goethe está nos lábios de todos”.
Site da sociedade literária Goethe: http://www.goethe-gesellschaft.de/

Trevisanos e Consultor Veneto avaliam viagem à Itália

Uma bagagem repleta de mais conhecimento, desafios, reencontros, novas amizades e tratativas para o desenvolvimento de Urussanga e região. Foi assim que retornaram no dia 9 de agosto, após 15 dias na Itália, os membros da Associazione Trevisani Nel Mondo di Urussanga, Sérgio Luiz Maccari Junior e Fernando Copetti, e o consultor Veneto, Antônio Carrer Fachin Filho. O roteiro da viagem incluiu encontro com o Poder Público da cidade de Valdobbiadene, sede da zona de produção da Denominação de Origem Controlada e Garantida (DOCG) Prosecco, e visita à Escola Enológica da cidade de Conegliano. A ideia é oficializar um acordo envolvendo Prosecco e Goethe. Segundo Maccari, as tratativas iniciaram ainda em 2014.
“As conversas começaram com o Comitato Veneto di Santa Catarina (Comvesc), na figura da presidente Fabíola Cechinel, e seguiram nestes últimos anos. Nesta viagem fomos recebidos pelo vice-prefeito de Valdobbiadene, Pierantonio Geronazzo, e entregamos a carta de intenção encaminhada pela Prefeitura Municipal de Urussanga. O documento foi bem recebido e protocolado, sendo que nele consta um convite para participação dos italianos na nossa Vindima, em janeiro de 2018. O ato foi acompanhado por membros da Associazione Trevisani Nel Mondo (ATM) da cidade e integrantes de outras ATM’s italianas e do mundo. A partir de agora iniciam as tratativas do Poder Público, da Associação ProGoethe e da Trevisani Nel Mondo para recebê-los”, explica. De acordo com Maccari se o pacto de amizade entre Urussanga e Valdobbiadene se concretizar, ele poderá trazer muitos benefícios para a região. “Esse acordo abrirá portas e trará oportunidades. Será um intercâmbio técnico e também cultural com troca de informações, visita de profissionais do setor, aspectos sobre a produção de vinho, entre outras ações. Tudo isso poderá acarretar no desenvolvimento do segmento, incentivando estudantes, novos empreendedores e aplicando novas tecnologias nas vinícolas já existentes. Ciência e tecnologia poderão elevar ainda mais o nosso Goethe”, salienta.
A visita à Escola Enológica, fundada em 1876 na cidade de Conegliano, resultou em uma aproximação visando capacitação técnica e profissional. “Fomos muito bem recebidos neste local que contempla a parte teórica, técnica e prática da produção do Prosecco. Eles oferecem cursos para adolescentes, bem como técnicos e também de ensino superior. A diretora nos recebeu e já havia captado informações sobre a uva Goethe. Ela se colocou à disposição para futuras conversas buscando intercâmbio e estágios. Neste dia também nos encontramos com o prefeito de Conegliano que manifestou interesse no acordo”, frisa Maccari.
Dados informam que somente a cidade de Valdobbiadene, repleta de morros e parreirais, possui mais de 200 vinícolas, sendo a sua extensão territorial de 60 quilômetros quadrados e população de 10 mil habitantes. “Essa viagem teve uma receptividade maravilhosa em todos os lugares que passamos, inclusive pelos tantos amigos em Longarone com um jantar feito pelo Amici di Urussanga. Queremos fazer um agradecimento especial a todos que nos acolheram nesses dias: Don Canuto Toso, fundador da Associazione Trevisani nel Mondo (ATM), Guido Campagnolo, presidente internacional da ATM, Sara Barro, presidente da ATM da província de Treviso, Marco Chiarelli, redator da revista ATM, Wally Zorzi, ATM Mogliano-Veneto, Mario Algeo, presidente ATM de Conegliano, Luciano Murer, presidente da ATM de Valdobbiadene, Fabio Cries, prefeito de Conegliano, Pierantonio Geronazzo, vice-prefeito de Valdobbiadene, e a todos os amigos de Longarone”, destaca.

PROPOSTAS PARA A REGIÃO SÃO REGISTRADAS EM DOCUMENTO
O roteiro da viagem na Itália teve início com dois importantes eventos em Vicenza: Meeting dei Giovani Veneti All’Estero e Consulta Veneta. Os representantes desses encontros Sérgio Luiz Maccari Junior e Antônio Carrer Fachin Filho, respectivamente, discutiram relevantes questões envolvendo Urussanga e região.
O movimento Ostrega, implantado em Urussanga com o intuito de resgatar o dialeto, foi apresentado na Consulta Veneta visando conquista de recursos para desenvolvimento de um projeto por dois anos. “O projeto foi bem aceito e temos esperança que o Ostrega seja contemplado. Já conseguimos importantes projetos para a nossa região anteriormente envolvendo universidades como intercâmbio com a Satc e aplicação do curso de gastronomia da Unesc em Nova Veneza”, cometa Fachin.
O Ostrega e a aproximação técnica entre cidades italianas e brasileiras também foram tema levantados dentro do encontro com jovens denominado Meeting dei Giovani Veneti All’Estero. Conforme Maccari, o movimento do dialeto foi uma ideia bem aceita e incorporada nas atividades do grupo com a finalidade de resgatar o vocabulário em diversas partes do mundo.
“Tanto o Ostrega quanto o modelo de aproximação técnica entre as cidades foram registradas no documento, que possui apenas oito propostas e será entregue ao presidente da região Veneto. No grupo jovem, a ideia do Ostrega é resgatar as palavras e deixá-las a disposição para saber o significado e incentivar o uso tanto no Veneto quanto no exterior”, explica Maccari.

URUSSANGUENSES PARTICIPAM DE ENCONTRO INTERNACIONAL 
No dia 30 de julho, os membros da Associazione Trevisani Nel Mondo di Urussanga, Sérgio Luiz Maccari Junior e Fernando Copetti, e o consultor Veneto, Antônio Carrer Fachin Filho participaram a “Giornata dei Veneti nel Mondo”, que contou com a presença do secretário do Papa Francisco, do governador da região do Veneto e representantes de diversas Associazione Trevisani nel Mondo. O encontro reuniu mais de 5 mil pessoas.
Durante o desfile, Maccari, Copetti e Fachin carregaram a bandeira do Brasil, de Santa
Catarina e de Urussanga. Eles também acompanharam a entrega do reconhecimento “Eccellenze Venete” à filha de Hedi Damian. Uma reunião com o governador do Veneto tratou da votação da independência da região, que poderá não ser mais submissa a Roma. Ele solicitou apoio dos venetos no exterior.
“Ficamos muito comovidos neste encontro de associações Trevisani Nel Mondo desde a missa campal até o almoço de confraternização. Uma celebração feita para imigrantes com leituras em várias línguas. O presidente da ATM mundial citou Urussanga e como ficou sensibilizado com o nosso relato de jovens ao participarem desse evento. Me senti como um deles”, finaliza Copetti.

Caminhada reúne amantes da fotografia

Os trilhos e as estradas do distrito de Estação Cocal, em Morro da Fumaça, foram os cenários escolhidos pelo Foto Clube de Urussanga para promover a terceira edição da “Camminata Fotografica” no último sábado, dia 19. A ação foi organizada em parceria com o Movimento pela Paz e reuniu mais de 40 fotógrafos amadores e profissionais.
O grupo percorreu cinco quilômetros e registrou momentos, pessoas e paisagens nas comunidades de Vila Rica e Linha Pagnan. Um piquenique foi realizado em frente a um capitel de Santo Antônio e contou com a participação do morador Otávio Soratto, de 99
anos, que relatou histórias e lembranças.
Para o argentino e fotógrafo profissional, Juan Russo clubes de fotografias são um espaço de troca de conhecimentos entre os amantes desta arte. “Urussanga tem a única associação do sul catarinense. A fotografia se popularizou com o acesso às tecnologias. No entanto, temos muito que aprender uns com os outros e este movimento nos ajuda a treinar o exercício do olhar e a aprimorar técnicas e o entendimento da mecânica da fotografia”, afirmou.

6ª Sagra della Polenta acontece na próxima semana

O grupo Amici della Polenta promove no próximo sábado, dia 2 de setembro, a sexta edição da Sagra della Polenta, em Urussanga. O evento ocorre no Centro Comunitário da Igreja Matriz a partir das 20h30min. No cardápio, comida típica italiana com polenta, galinha, fortaia e saladas. Além do famoso tombo da polenta, outra atração será a apresentação do grupo Roba da Ciodi, de Nova Veneza. Ingressos para o evento podem ser adquiridos de forma antecipada pelo telefone: (48) 99683-8488.

Urussanga recebe Feira do Livro

Até o dia 19 de agosto, Urussanga recebe no Salão de Eventos do CRAS, no Bairro da Estação, a Feira do Livro. O evento faz parte da 2ª Quinzena Pluralidade Cultural que será realizada de 15 a 30 de agosto no município e que conta com uma vasta programação que inclui a realização da Feira do Livro, exposição de obras de arte e fotografia, esporte, música, rodas de conversa, piquenique no parque, encontro de Cosplay, entre outras atividades.
O evento conta com a parceria da Prefeitura Municipal de Urussanga, diretorias de Cultura e Turismo, Assistência Social e Educação. “Nossa intenção é de tornar visível, o invisível. Muitas pessoas têm inúmeras formas de expressar a Cultura, sejam de qual área for, mas precisam de incentivo, de um começo. A Quinzena reconhece e expõe dando acesso a todos, em suas mais diversas performances para chegar ao público”, enaltece a idealizadora e coordenadora do projeto, Alice Batista.
A Feira do Livro está aberta até sexta-feira das 8 às 21 horas e no sábado, das 9 às 18 horas. “Além disso, vários eventos simultâneos são realizamos, na sexta-feira, a partir das 14 horas, por exemplo, teremos uma oficina com jornalistas, escritores e compositores”, explica Alice. As informações sobre a programação e objetivos da Quinzena Pluralidade Cultural podem ser obtidas por meio da página do Facebook: www.facebook.com/quinzena.urussanga

Iniciativa eleva e propaga a cultura

Atividades e exposições irão enaltecer as diferentes formas de expressão cultural em Urussanga a partir do dia 15 de agosto. Nesta data, inicia a realização da segunda edição da “Quinzena da Pluralidade Cultural”. A ação, coordenada pelo grupo Amigos do Livro em parceria com a Biblioteca Pública Municipal, segue até o dia 30 de agosto.
Neste período serão promovidos eventos e ações em diversos locais da cidade. As primeiras atividades serão mostras de obras de arte e fotografias expostas em lojas e instituições públicas. Já o dia 19, sábado, a sede do time Minerasil Futebol Clube, na localidade de Santana, estará aberta a visitação durante o jogo contra a equipe Continental a partir das 16 horas.
No domingo, dia 20, a ação ocorre no Parque Municipal a partir das 14 horas com piqueniques para as famílias e a realização do projeto Sonore, que trará música alternativa através de DJ’s catarinenses. A segunda-feira, dia 21, será destinada ao tema patrimônio cultural. Às 19 horas, na Câmara de Vereadores de Urussanga, acontecerá uma roda de conversa com a urussanguense e chefe do escritório técnico do IPHAN, Gabriela Cancillier.
A segunda edição da “Quinzena da Pluralidade Cultural” terá seu ápice no dia 26 de agosto com o movimento “Vem Pra Praça”. Das 9 às 12 horas, a ação contemplará passeio de ônibus antigo da empresa São José com o grupo Foto Clube Urussanga, troca de livros com Leo Clube, intervenções poéticas e urbanas, customização de jeans com Thaiz Mondardo, maquiagem com a equipe O Boticário, brincadeiras culturais com as crianças feitas pela escola de idiomas ISUL, paladar cultural com produtos da cidade. A tarde ocorrerá campeonato de xadrez no Pub do Hotel Urussanga com inscrições antecipadas e jogo das equipes Urussanga Futebol Clube e Atlético Peraro com visitação a sede do clube.
As atividades encerram no final do mês com encontro de cosplay no dia 27, no Ginásio
Centenário no bairro Estação, com oficinas de gibis e exposições, e no dia 29 com a palestra “Inteligência Emocional”, na Sociedade Recreativa Urussanga.
“Nossa felicidade é imensa, pois conseguiremos atingir metas com a Quinzena da Pluralidade Cultural como, por exemplo, realizar essa ação e desenvolve-la envolvendo pessoas que trabalham com a cultura de alguma forma, apresentar novos artistas, técnicos culturais e escritores urussanguenses, sendo que as atividades são totalmente
acessíveis e facilitam a participação da população e de visitantes. Nosso lema é tornar visível o invisível”, frisa a idealizadora e coordenadora de projetos do grupo Amigos do Livro e coordenadora da Biblioteca Pública Municipal, Maria Alice Julio Batista.

FEIRA DO LIVRO INICIA NA TERÇA-FEIRA
A Feira do Livro terá sua segunda edição em Urussanga. O evento, com acesso livre, começa na terça-feira, dia 15, no Salão de Eventos do CRAS, no bairro Estação, das 8 às 21 horas, e segue até o dia 19 de agosto. No espaço ocorrerá a exposição e venda de 10 mil livros e gibis de todos os gêneros e variação de preços. Paralelo a isso acontecem exposições de obras de arte e literárias, rodas de bate papo com temas como escrita, acessibilidade, oficinas artísticas com desenhistas, ilustradores e chargistas, debates, palestras, encontros com escritores, apresentações de danças infantis, entre outras atividades.

Jovem participa de evento na Itália e busca aproximação com cidade sede do Prosecco

O presidente da Associazione Trevisani di Urussanga, Sérgio Luiz Maccari Junior, de 28 anos, participa, entre os dias 27 e 29 de julho, do “Meeting dei Giovani Veneti All’Estero”, em Vicenza, na Itália. Esta é a segunda vez que o jovem integra o evento, sendo que a primeira foi no ano de 2014, com indicação do Comitato Veneto di Santa Catarina (Comvesc).
Maccari será um dos quatro representantes do Brasil. O evento terá também participantes da Argentina, Austrália, África do Sul, Venezuela, do Uruguai, Canadá e países da Europa. Paralelo a esta ação ocorre a Consulta Veneta, que terá como representante Antônio Carrer Fachin Filho.
“Quem participa são pessoas indicadas pelos Comitatos Venetos registrados na Regione. Os eventos ocorrem juntos, mas as discussões são separadas. Os focos são diferentes. Vamos levar algumas proposições daqui. O consultor Fachin irá propor que a Regione financie projetos de manutenção do dialeto Veneto como, por exemplo, o Ostrega, de Urussanga. Na parte jovem a proposição é sempre voltada para oportunidades de instrução, curso técnico, universitários, e empregos também. Cada representante leva as suas demandas e tudo isso gera um documento que é encaminhado ao Governo da Região do Veneto apresentando os anseios dos Venetos no mundo. Desde 2014 o Governo do Veneto alega dificuldades financeiras para subsidiar programas. E na verdade não foram percebidos avanços realmente neste sentido”, salienta Maccari.
A expectativa do jovem é que o Governo da Região do Veneto possibilite oportunidades aos descendentes. “Esperamos a melhora na situação econômica da Itália, para que a Regione passe a ver nos Venetos no exterior, principalmente os jovens, e disponibilize preparação para essas pessoas em algumas atividades onde o Veneto é referência como, por exemplo, turismo, gastronomia e enologia”, frisa.
No dia 30 de julho, Maccari e Fachin irão acompanhar a “Giornata dei Veneti nel Mondo”, que contará com a presença do presidente da Região do Veneto e representantes de diversas Associazione Trevisani nel Mondo. “Nesta Giornata eles irão aproveitar o dia do conselho com trevisanos de todo o mundo para se encontrar e abranger as demais associações provinciais do Veneto”, explica Maccari.

ACORDO PODE UNIR PROGOETHE E PROSECCO
Após este evento, Maccari e Fachin irão cumprir agenda em locais das províncias de Treviso e Belluno. Nesta programação estão inseridos encontros com os prefeitos de algumas cidades para tratar de assuntos de interesse dos Venetos de Santa Catarina e alguns específicos de projetos para Urussanga. Entre ações está a entrega de uma carta de intenção da Prefeitura de Urussanga ao prefeito de Valdobbiadene, cidade sede do Prosecco, região da Itália especializada em espumantes, e também a visita a Escola Enológica na cidade de Conegliano.
“Em 2014 foram iniciaram tratativas visando um pacto com Urussanga. Desta forma a cidade sede do Prosecco pode firmar um acordo com o município sede dos Vales da Uva Goethe. A Indicação de Procedência do Prosecco é Conegliano-Valdobbiadene. E vamos apresentar à ideia a Scuola Enologica para ver se ela também tem interesse em parcerias. Existem boas expectativas que podem ser confirmadas no retorno da viagem e beneficiar Urussanga e toda a região”, finaliza Maccari.

Urussanga realiza 2ª Quinzena da Pluralidade

Urussanga se prepara para receber de 15 a 30 de agosto, a 2ª Quinzena da Pluralidade Cultural. O evento é realizado e desenvolvido por pessoas que trabalham com a cultura sejam eles novos artistas, técnicos culturais, escritores urussanguenses que estarão envolvidos durante os dias de realização do evento. A programação inclui a realização da Feira do Livro, exposição de obras de arte e fotografia, esporte, música, rodas de conversa, piquenique no parque, encontro de Cosplay, entre outras atividades.
“Nossa intenção é de tornar visível, o invisível. Muitas pessoas têm inúmeras formas de expressar a Cultura, sejam de qual área for, mas precisam de incentivo, de um começo. A Quinzena reconhece e expõe dando acesso a todos, em suas mais diversas
performances para chegar ao público”, enaltece a idealizadora e coordenadora do projeto, Alice Batista.
Os eventos e exposições que serão promovidos serão totalmente acessíveis, para facilitar a participação da população e dos visitantes. “Acreditamos que a formação de bons cidadãos está totalmente ligada ao acesso correto das informações e à Cultura in loco, por isso participarão, voluntariamente nessa quinzena, profissionais já conhecidos e reconhecidos, de Santa Catarina e outros estados”, garante Alice.
As informações sobre a programação e objetivos da Quinzena da Pluralidade podem ser obtidas por meio da página do Facebook: www.facebook.com/quinzena.urussanga ou pelo email: quinzenacultural.urussanga@gmail.com

CONFIRA A PROGRAMAÇÃO:
• 15 a 30 de agosto – Exposições de obras de arte e fotografias;
• 16 a 19 de agosto – Feira do Livro no Salão de Eventos do CRAS, no Bairro da Estação, das 8h às 21h;
• Dia 19 de agosto – Jogo entre Minerasil Futebol Clube x Continental;
• Dia 20 de agosto – Sonore no Parque;
• Dia 21 de agosto – Roda de conversa sobre “Patrimônio Cultural, uma nova abordagem, um exercício do olhar”;
• Dia 26 de agosto – Evento “Vem pra praça”;
• Dia 27 de agosto – Encontro De Cosplay;
• Dia 29 de agosto – Palestra Inteligência Emocional – Um Mergulho No Cérebro e nos Corações.

“Algo dentro de mim dizia para ajudar este povo”

Jornalista: Eliana Maccari

Foi com o sorriso no rosto e de coração aberto que o italiano Marcello Mazzucco visitou a sede do Jornal Vanguarda durante sua passagem pelo Brasil entre os meses de maio e junho deste ano. Ele permaneceu em Urussanga durante alguns dias para acompanhar e participar das celebrações dos 25 anos do Gemellaggio entre Longarone (IT) e Urussanga. Em diversos atos seu nome e sua atuação foram enaltecidos por autoridades, pois Marcello Mazzucco foi um dos precursores deste pacto de amizade entre as cidades.
Marcello recorda com afeto de lembranças da década de 80, quando ocorreram os primeiros contatos entre longaroneses e urussanguenses em busca de suas origens e de informações sobre os seus antepassados. “Em 1988 fomos recebidos em Urussanga, na localidade de Rio Maior. Quando desci do microônibus, ninguém conhecia ninguém. Fui o primeiro a descer e logo perguntei onde poderíamos dormir. Aí os moradores me perguntaram: você fala como a gente? Eu disse: sim, sou Mazzucco. Então eles começaram a me convidar para dormir em suas casas. Foram dias de muitas conversas em noites e madrugadas adentro. Conheci também o jovem Gilson Fontanella. Os dias que seguiram foram para conhecer a cidade toda de Urussanga e fomos, inclusive, até na mina em Santana”, conta.
Mas duas passagens marcaram e tocaram Marcello Mazzucco de uma forma diferente. “Foi feita uma grande e bonita missa. E no sermão, quando o padre Agenor pregava, eu tive arrepios. Eu não me esqueço o que ele disse: vocês italianos, que tem muitas possibilidades, não se esqueçam desses jovens, pois vocês têm que fazer algo por eles. No dia anterior, em 23 de novembro de 1988, encontrei Hedi Damian na praça de
Urussanga. Fomos apresentados e ele me convidou para ir até a vinícola. Conversamos e trocamos muitas ideias. E ele também me disse que tínhamos que fazer algo pelas pessoas, pela nossa gente, nosso povo daqui e de lá. Eu continuei conhecendo a cidade e visitei o cemitério, mais particularmente os túmulos daqueles com os sobrenomes de Longarone. Ao passar pelo cemitério e sair dele, eu comecei a ter uns sentimentos. Era como se fosse uma entidade superior que me fazia sentir arrepios realmente. Lembro que essa entidade, algo dentro de mim dizia para ajudar este povo a encontrar suas origens e ficar junto dessa gente. Conversando com Hedi fizemos esse acordo de irmandade e foi o que se seguiu pelos quatro anos seguintes até chegar o dia do Gemellaggio, primeiro em Longarone no ano de 1991 e depois em Urussanga no ano de 1992”, destaca.
Marcello afirma que se sente orgulhoso de tudo o que foi feito. Para ele, valorizar o homem do campo é importante para a manutenção do dialeto. “Sinto-me orgulhoso de ter participado dessa iniciativa que aproximou as pessoas. Pude fotografar Urussanga diversas vezes e ver o progresso do município. As pessoas são sempre cordiais e contentes. Seria importante valorizar o homem do campo, pois eles são os verdadeiros portadores do dialeto, da nossa língua que não é o italiano. Porque o italiano é a língua Fiorentina, de Florença. Somos Venetos, Belluneses e carregamos uma língua diferente. Para nós, cidadãos de Longarone, esse pacto de amizade é algo diferente. Mas percebemos que são poucos os que participam realmente da manifestação. Com o passar do tempo, depois desses 25 anos, observamos que as comitivas quando voltam para casa ficam extremamente entusiasmados uns com os outros. E todos querem realmente ver e sentir o Gemellaggio para entender”, salienta.

O FUTURO DESTA AMIZADE
Para o italiano Marcello Mazzucco, um dos precursores do pacto de amizade entre Longarone (IT) e Urussanga, o futuro do Gemellaggio depende de todos. “Depende dos jovens, de nós, de vocês. Devemos incentivar e financiar aqueles que querem manter o Gemellaggio. É importante o envolvimento das associações de todos os tipos, da esportiva a cultural, e de todos os tipos de escolas para poder conhecer e entender. Iremos chegar em um ponto em que realmente ocorrerá um choque e cruzamento de gerações. Para o sucesso deste pacto de amizade precisamos de paciência e constância”, frisa.
Mazzucco acredita que o intercâmbio entre estudantes é o caminho correto. “Eles precisam saber como foi a história deles. E também precisam vir os pais para cá para que eles possam entender ainda mais. Isso enriquece o Gemellaggio. Nestes 25 anos fizemos muitas iniciativas. Levamos pessoas para aprender o italiano, enviamos professores para ensinar a língua aqui e também a nossa história. Recebemos estudantes lá por anos. Eu gostaria realmente que desse certo. E fazer com que associações, pessoas de Urussanga e arredores entendam a importância disso, desse sentimento de irmandade. Eu sempre fico muito contente e meu sentimento reconhece e sempre serei grato por esse carinho”, finaliza.

Pedras Grandes promove X Festa do Vinho Goethe

Um produto de cor e aroma inigualável, com terroir próprio, cultivado somente na região Vales da Uva Goethe por influência dos imigrantes italianos que desbravaram a Colônia Azambuja em 1877, berço da colonização italiana do sul de Santa Catariana. É enaltecendo este produto e a cultura italiana que o município de Pedras Grandes se prepara para comemorar a X Festa do Vinho Goethe, entre os dias 7 e 9 de julho de 2017, ano que celebra os 140 anos da imigração italiana na região.
O evento com entrada gratuita, que ocorre a cada dois anos, é uma promoção da Associação Cultural Goethe em parceria com a Prefeitura de Pedras Grandes e visa a promoção da cultural local, preservação do cultivo da uva Goethe e da produção do vinho, bem como a economia com geração de renda, emprego e desenvolvimento sustentável aos 4 mil moradores do município.
Os visitantes que irão participar do evento desfrutarão dos vinhos, da gastronomia, da história, manifestações culturais e de atrações musicais. A expectativa da organização da X Festa do Vinho Goethe é receber 40 mil visitantes nos três dias de evento. Na noite de sexta-feira, dia 7, apresentam-se a Banda Remember e em seguida a Bandalheia.
Já no sábado, dia 8, a partir das 19h30min, o grupo “Amici della Polenta” realiza o tombo da polenta. O cantor urussanguense João Cechinel trará os melhores clássicos italianos.
“Ao firmar a uva Goethe como marca municipal, uma vez que ela não é encontrada em nenhum outro lugar do mundo, a não ser em Azambuja e região, a festa tem a função social de preservar os valores da cultura e história locais, expressos principalmente no trabalho, nos costumes e hábitos, nas construções centenárias e artes, na culinária típica e tradicional, na religiosidade e música, nos jogos e na animação. Por meio da Festa do Vinho Goethe pretende-se criar na região do Sul de Santa Catarina um pólo de valorização das potencialidades locais, reunindo produtores e empresários, que poderão divulgar e vender seus produtos”, explica o presidente da CCO da X Festa do Vinho Goethe e vice-prefeito de Pedras Grandes, Josimar Bergman.