NARIZ, TÉDIO E CORAGEM

Com o nariz operado, tive de ficar quase uma semana sem botar a cara na rua. Parecendo um urso panda, respirando pela boca e recluso num apartamento, logo me aborreci. Já dizia Voltaire que “o repouso é uma boa coisa, mas o tédio é seu irmão”. Entediado, fui ler sobre Cyrano De Bergerac, poeta e espadachim do século XVII. O homem travou quase dois mil duelos durante a vida, muitos deles por causa das chacotas que faziam sobre seu enorme nariz. Num dos duelos, o narigão de Bergerac foi atingido e ficou com uma cicatriz igualmente avantajada.

Quando recuperei as feições humanas saí de casa e fui comprar passaportes para a festa do vinho. Em frente aos guichês do parque municipal fica a Toca do Graxaim, local onde quatro servidores públicos municipais foram colocados de castigo. Resolvi fazer uma visita aos exilados da administração e percebi que meu tédio era nada perto do deles. Sentados, melancólicos, olhando um pra cara do outro sem fazer absolutamente nada além de lamentar a situação. Achei a cena surreal como a biografia de Cyrano De Bergerac e saí de lá aliviado por ser um profissional autônomo.

Assim como o poeta narigudo, já lutei muitos duelos. Alguns contra mim mesmo, outros contra adversários supostamente poderosos. Nenhum deles foi por causa do nariz. Quase todos em razão da língua. Não há procedimento cirúrgico que a corrija. Carrego cicatrizes, mas venci quase sempre. Enfrento o tédio e o autoritarismo com coragem irresponsável e ousadia inconsequente. Até aqui tem dado certo. Cyrano De Bergerac padeceu e morreu após ser atingido por uma viga que caiu de uma construção sob a qual passava. Morte estúpida. Ainda assim, muito mais digna do que morrer de tédio, obediência e passividade, aceitando chacotas e desaforos. Meu nariz está quase bom. Força aos exilados!

TROÇA E SIMPLESMENTE TROÇA

Já passou o tempo de eu me levar a sério. Foi-se aquela época em que eu tratava com seriedade as coisas da política. Reli alguns textos antigos e fiquei enjoado com o tom professoral, com o estilo acadêmico, pretensioso. Eu era muito chato. Talvez ainda seja, mas hoje tento tirar onda, sobretudo de mim mesmo. Fecho com Lima Barreto, que recomendava fazer “troça e simplesmente troça, para que tudo caia pelo ridículo”.

Lendo o Baffone da semana passada, logo na primeira notinha deparei com um texto pedindo otimismo aos urussanguenses. “Pra frente, Urussanga!” Com todo respeito ao colunista, que eu nem sei quem é, preciso indagar: de onde vem este otimismo, colega? Em que local você quer que o urussanguense busque tantas esperanças? No paço municipal, na Praça Anita Garibaldi, no Retiro Pamir, na área industrial ou no lendário concurso público?

Da minha parte, seguirei pessimista e fazendo troça. Sou urussanguense, não tenho vergonha nem orgulho. Uma prima que mora em Florianópolis, mas também é urussanguense, quando perguntada sobre sua naturalidade diz ser de Criciúma. Tadinha! Não é o caso de ter vergonha, prima estimada. Ser criciumense não te faria melhor do que nós, até porque Criciúma também é atrasada e não vai pra frente, nem mesmo quando emplaca um Governador.

Se nem eu me levo mais a sério, o que dizer dos leitores? É certo que usam meus artigos apenas para dar risadas, e assim já me dou por satisfeito. Dar risadas, afinal, é o que nos resta.  Claro, nem todos acham graça, e esta é a parte mais engraçada. Façamos troça, caiamos pelo ridículo e enxerguemos nossa real condição. Não sou o Baffone nem a prima que mora na capital. Tenho poucas expectativas, mas nenhuma vergonha de ser quem eu sou.

CALOR SENEGALÊS ou MINHA CARREIRA POLÍTICA

O calor senegalês está sufocando a Benedetta faz uma semana. Só gosto do calor nas férias ou de folga. Trabalhando, desprezo. Como raramente estou de férias ou de folga, aprecio bem pouco o tempo quente. Menos ainda quando ele tem o mau gosto de aparecer no outono. Mas paremos com este papo de elevador, expressão inequívoca da minha preguiça diante dos assuntos sérios. Ando cínico demais.

Tempos atrás cogitei entrar na política, candidatar-me a vereador. Quase caí na provocação dos que diziam que é “muito fácil ficar escrevendo e criticando sem participar”. Bela tentativa, seus bocós! Mas participem vocês, porque eu vou continuar escrevendo e reclamando do tempo. Minha licença de escritor depende apenas de querer e saber escrever, e de existir alguém inconsequente o bastante para publicar.

Pra ser sincero, além do cinismo, tive outro bom conselheiro. Pessoa próxima e experta na política local foi direto ao ponto: “Tu não és talhado para o negócio, Luciano. Cai fora”. Realmente, não sou. Não tenho tolerância com a ética partidária e perderia rapidamente a paciência com os eleitores. Eles querem dinheiro, cerveja, favores de toda sorte, mas eu, para oferecer, só tenho conversa – e olhe lá!

Segundo a previsão, o calor senegalês segue até terça-feira. Pombas! O ar condicionado deixa a fatura da energia ainda mais pornográfica e possivelmente não terei folga até lá, porque preciso colocar em dia compromissos atrasados. Tudo certo, minha vida não é uma festa. Mas também não é nenhuma desgraça, como deve ser a daqueles que entraram na vida pública mesmo não sendo “talhados para o negócio”. E agora que minha carreira política acabou, vou ali tomar um sorvete. Tchau!

Energia de ativação

Tenho pensado em “energia de ativação”. Consiste na “barreira energética que deve ser vencida para que uma reação ocorra”, ensinou o amigo. A química é ótima ferramenta para interpretar a vida. Melhor que economia e sociologia. Nunca me interessei muito pela química, mas a “energia de ativação” é deveras fascinante. Imagino-me a romper a barreira energética riscando um palito de fósforo e desencadeando explosiva reação. Benedetta pelos ares!

O niilismo às vezes me pega. Geralmente no café da manhã. Enquanto roo um pedaço de bolacha integral, penso que tanto faz ser ou não ser. Sorvendo um gole de café fraco, reflito sobre o absurdo das coisas. Luto contra estes pensamentos como quem luta contra a lei da gravidade, contudo sempre venço. Para os católicos o niilismo é um grande pecado. Eles estão certos e eu sou um pecador. Tende piedade, Senhor!

Mas, apesar das crises incendiárias e destas linhas irresponsáveis, ainda me resta alguma responsabilidade. É necessário respeitar convenções e autoridades, fazer vistas grossas para relações falsas e pouco caso dos discursos mentirosos. Respeitar aparências é um ponto de maturidade que minha imaturidade consegue alcançar, ainda que não sem grande esforço. A tentação de romper a barreira energética é companheira de desjejum. No almoço já se foi.

Tenho família e instinto de sobrevivência. Sufoco o desalento num gole de café e recupero a vergonha na cara. Se a questão é ser ou não ser, melhor mesmo é citar Shakespeare, manual de instruções da alma humana: “Será mais nobre sofrer na alma pedradas e flechadas do destino feroz ou pegar em armas contra o mar de angústias e, combatendo-o, dar-lhe fim?”. Cada um que pense e faça sua escolha. Meu espaço acabou. Bom fim de semana pra vocês.

Na cidade grande

Semana passada, vocês sabem, estive em São Paulo, passeando mais a esposa. Sou caipira, porém enfrento cidades grandes com certa desenvoltura. Conheço algumas delas, graças a Deus, de modo que tenho noção de como é a vida fora da Benedetta. Não muda nada, ao menos na essência. O drama humano é universal. Sofre-se e goza-se com o mesmo desespero na roça e na metrópole. Teme-se a morte na Avenida Paulista ou em Rancho dos Bugres com semelhante perplexidade.

Algumas coisas, contudo, fazem diferença. Fomos assistir a uma peça do Ballet Estatal de São Petersburgo. Coisa mais linda. Trata-se da alta cultura, capaz de elevar-nos a alguns metros do chão. Nós aqui não temos disso. Em nossos eventos culturais, ouvimos o sertanejo universitário, com todo o respeito ao sertanejo universitário, por favor. Mas, enfim, alta cultura à disposição é um alento do qual não dispomos aqui neste interior. Uma pena!

Além de ir ao balé, queria participar do “Carnalula”, programado pelo MBL em comemoração à prisão do sujeito. Mas a festa foi cancelada a pedido da polícia, para alívio da minha mulher. A polícia e a minha mulher têm muito mais juízo do que eu e o MBL. Certamente uma baita confusão foi evitada, e pude aproveitar melhor meu tempo em Sampa comendo contraditoriamente um sanduíche de mortadela. Mortadela Ceratti, é claro.

De volta ao meu chão, vida que segue. Lula preso e a bruxa solta. Energia de ativação baixa. Uma névoa de tensão e incerteza ofuscando a visão – tanto lá quanto cá. A diferença, basicamente, é que eles (mas nem todos, evidentemente) podem de vez em quando assistir a espetáculos como Ballet Estatal de São Petersburgo, única coisa estatal bonita e eficiente que eu conheci em toda minha vida. Agora, com licença, vou trabalhar. Semana que vem tem mais.

Dentro do avião

Escrevo estas linhas a bordo de um voo da Gol, com destino a Guarulhos. O serviço da companhia é sofrível, mas as tarifas são convidativas. A Gol, aliás, é ré numa ação judicial em que eu e minha família exigimos gorda indenização por danos morais. Já saiu sentença. Ganhamos e houve recurso. Pouco importa o litígio. Inimigos, inimigos, negócios à parte. Estou avistando, lá no início do corredor, o carrinho de guloseimas.

No texto da semana passada, subi um pouco o tom da crítica. Um amigo chamou minha atenção: “Cuidado, na Benedetta a energia de ativação é muito baixa”. Não sei bem o que é “energia de ativação”, mas creio que ele esteja certo. Qualquer fagulha é capaz de provocar uma explosão ou uma reação em cadeia. Na maioria das vezes, é preciso dizer as coisas nas entrelinhas, com eufemismos. A opinião crua e direta choca e ofende. O carrinho de guloseimas já está quase chegando em mim.

Se eu fosse um colunista político com algum compromisso e previsibilidade, estaria aqui dissertando sobre a decisão do STF que negou habeas corpus a Lula. Porém não sou nada disso e pretendo dizer apenas, como a maioria dos brasileiros, que fiquei bem contente com o veredito. Primeiro pelo caso concreto: Lula merece cadeia. Segundo pela tese vencedora: onde já se viu condenados em segunda instância continuarem a ter presunção de inocência?

Os comissários chegaram com as guloseimas. Comi um pacote de salgadinhos e bebi suco de laranja. Sofrível. Daqui a pouco, estaremos em São Paulo curtindo a vida, eu e minha esposa, vendo como vivem os ricos na Oscar Freire e os pobres na Vinte e Cinco de Março. Anônimos, ocultos, distantes de olhos atentos e fiscalizadores. Preciso encerrar agora. O avião vai aterrissar e a aeromoça mandou eu desligar o celular. Tchau!

Sem estudo – Coluna Luciano Schimidtz

Lula passou a vida jactando-se da baixa escolaridade, orgulhoso da própria ignorância. Para ele, o conhecimento técnico nada vale, tanto que apesar de ter chegado à presidência da república jamais procurou concluir os estudos, fazer um curso de inglês, adquirir cultura, aperfeiçoar-se em alguma área. A postura de Lula, desdenhosa da formação escolar, prestou grande desserviço ao país.

A atual administração municipal parece concordar com o ex-presidente, e pretende aprovar lei para reduzir a escolaridade necessária ao preenchimento de diversos cargos de direção. São funções cuja ocupação pede engenheiros e técnicos, mas o executivo acredita que nem mesmo o ensino médio completo é necessário possuir para desempenhá-las bem. Talvez o problema seja que, nos partidos integrantes da gestão, ou entre aqueles que fizeram a campanha eleitoral, não haja técnicos, apenas “práticos”.

Gostaria de ver um engenheiro civil na diretoria de obras, um agrônomo na de agricultura e assim por diante. Mas até hoje, aos 38 anos, o que tenho testemunhado é a aprovação de leis oportunistas, destinadas a reduzir a qualificação exigida dos burocratas a fim de dar vez a credores políticos. Quem tem boa memória deve lembrar: não é a primeira vez que isto acontece na Benedetta.

Segundo Lula não é preciso ter estudos para governar. A administração local parece comungar da ideia. Nossas chances de andar pra frente são bem remotas. Bons estudos a todos!

PROSA ÁRIDA

Uma vez, quando criança, fui à casa de um primo em Florianópolis. Peguei na estante da sala um livro do Manuel Bandeira e comecei a folhear. Ele – o primo – tinha lampejos poéticos e arriscava versos às margens das páginas. Nunca me esqueci de um, mais ou menos assim: “Não acho que uma pessoa de 26 anos tenha de ser feliz, o que me aflige é não transformar sentimentos em poesia”. Há muito tempo não vejo o primo.
Talvez tenha desistido de tentar ser poeta. Sofro como o parente. Consigo, no máximo,
transformar sentimentos em prosa árida, que não chega a elevar o espírito para muito além de coisas chãs como o dia a dia político e administrativo da Benedetta, a guerra odienta das redes sociais e minha própria criação de canários belgas. Meus momentos mais sublimes aconteceram quando escrevi obituários ou falei da experiência de ter filhos. Lampejos.
Também não penso que uma pessoa de 38 anos tenha de ser feliz. Incomoda-me é não transformar angústias nalguma forma de poesia. Não tocar um instrumento, não redigir bons versos, não fazer desenhos ou pintar telas, não escrever contos nem romances. Sou um colunista político, e política é antipoesia. Política é o chão, poesia o céu. Política é cinza e poesia, colorida. Política é o feio e poesia o belo.
Ser feliz – conforme os conceitos atuais – é bobagem. Forma inerme de contornar o aspecto trágico da vida e transformá-la numa balada sem fim. Importante e necessário é sublimar os impulsos, os instintos e a política, é fazer algum tipo de poesia e passar instantes acima da superfície. Sigo tentando. Polindo arestas, lixando asperezas, respirando fundo. Dá trabalho, mas é mais gratificante do que “ser feliz”.

PRIVATIZAR É PRECISO

Viva, viva! Vão privatizar a Eletrobrás. É a melhor notícia política desde o impeachment. Tanto é uma boa que os petistas já começaram a chiar. Sem estatais mastodônticas não terão de onde roubar tanto dinheiro caso um dia voltem ao poder. Estatais são antros de malversação e ingerência, financiadoras ocultas de campanhas eleitoras, prato cheio para as más intenções.
E por falar em campanhas eleitorais, as de 2018 serão estatizadas. Seu financiamento será público e sugará R$ 3,5 bilhões do Erário. Satisfeito deve estar quem berrou contra o financiamento privado, achando imorais doações de empresas a partidos. Contentes decerto estão os ministros do STF, que consideraram inconstitucionais estas doações, as quais continuarão a ocorrer, clandestinamente, ou alguém duvida?
Ando mais animado com meus canários do que com as eleições, mas votaria satisfeito em quem prometesse privatizar o mais possível. Privatizar é a melhor maneira de prestar serviços com qualidade e a única de reduzir consideravelmente a corrupção. Mas não há ninguém, que eu saiba, levantando esta bandeira até o momento.
Parágrafo final para divagar, adivinhem, sobre canários belgas, animais privados, que por isso mesmo não correm qualquer risco de extinção. Seus proprietários os tratam bem, cuidam para não morrerem e facilitam a reprodução. Se a ararinha-azul e o mico–leão-dourado fossem também privatizados, quem sabe não tivessem sorte semelhante? Bem… Parece que começo viajar. Melhor encerrar aqui. Semana que vem eu volto.

MINHA CRÔNICA DA FESTA

É uma pena eu não conseguir mais beber como antigamente, quando passava as festas do vinho alternando o porre com a ressaca. Simplesmente não consigo. Chega um momento, bem antes da embriaguez, que a bebida para de descer. Talvez tenha sido reza da minha mãe. Desta vez consegui ficar semibêbado. Foi sexta-feira à noite, antes do show do Cabaré. Aliás, show deveras interessante. Não fossem as obscenidades de Eduardo Costa, seria perfeito. Banda excelente, produção impecável, repertório empolgante… E as dançarinas. Mas o dito-cujo é chulo e não sabe fazer da pornografia uma arte, se é que isto é possível. Penso que não é. Mas enfim, o parque estava completamente lotado e eu semibêbado. Foi bonito de se ver.
No sábado, sóbrio como um bispo, assisti ao show do Zé Ramalho de um camarote (agradeço penhorado pelo gentil convite). Zé Ramalho é um grande artista, além de raro brasileiro cumpridor dos compromissos: começou o espetáculo exatamente na hora marcada. É o anti-Tim Maia. Interagiu muito bem com o público, numeroso e animadíssimo, tocando todos os seus grandes sucessos. Arrisco dizer que foi um dos melhores shows de todas as festas. Desculpem se exagero.
Duas palavrinhas sobre camarotes e área VIP: são necessários. Mais ainda: são justos. Quando os espaços não eram diferenciados por preços, quem quisesse assistir aos shows de um bom lugar precisava esquentar a bunda nas arquibancadas desde cinco da tarde. Agora, basta pagar um pouco mais caro. É racional e conforme com as leis do mercado. Lembram os bêbados, no passado, apinhados em frente ao palco, transformando o melhor lugar da plateia numa atração à parte? Quem tinha coragem de descer ali? Às vezes eu tinha, mas porque era um deles. O horror!
Alguns, sobretudo opositores políticos, tocaram o terror nas redes sociais. Têm todo direito e é bom mesmo que toquem. Para isso existem. Cometeram exageros, é lógico, mas estão certos quando dizem que a empresa organizadora do evento foi arbitrária ao mudar o tamanho da área VIP de acordo com a atração. Apesar das rusgas, foram todos (ou quase) se divertir no parque, inclusive ocupando com entusiasmo o camarote de número quinze. Sempre houve e sempre há de haver polêmicas, mas ninguém resiste aos festejos de agosto.
Nota zero para o DJ residente. Torturou o público com funks indecentes. Ninguém o avisou que a festa é de família, com a participação de crianças, inclusive? Na próxima deveriam proibi-lo de se aproximar do parque, num raio de cinco quilômetros, pelo menos. Nota dez para o risoto da APAE (não deveriam voltar para o nhoque) e pra todas as comidas que experimentei. Nota dez também para a safra 2017 do vinho Goethe. De vinhos pouco entendo, só digo que gostei.
Resumindo: para mim a festa foi boa, como sempre. Levei a filha no parquinho de diversões, passei bons momentos com familiares e amigos. Comi muito e bem. Só lamento não conseguir mais beber como antigamente.

CANÁRIOS!

No artigo da semana passada, eu tinha um canário. Neste já tenho quatro. Ando mais obsessivo que de costume. No sábado comprei uma fêmea para cruzar com o canarinho laranja, o filósofo. Com a ideia fixa, três dias depois comprei outro casal, fora gaiolas, vitaminas, sementes e apetrechos. Li alguns compêndios de canaricultura na internet. Pus-me a praticar. É um passatempo suave e meditativo nestes tempos de encarniçada guerra cultural.
Enquanto trato canários, recebo vaias de bolsonaristas no Facebook. Muitos são desaforados e tomam facilmente as dores do Messias. Da minha parte, talvez pelo cacoete de advogado, só saio em defesa de marmanjo após assinado o contrato de honorários. Político serve para ser malhado, não pra virar mito. Nem de brincadeira. Alguns tentam me convencer de que é preciso ser bolsonarista para ser “de direita”. Bobagem!
Não tenho disposição nenhuma para engolir um sapo desta espécie pela causa. Aliás, qual é mesmo a causa? Fixado em passarinhos, fixado em filmes. O desta semana foi Planeta dos Macacos – A Guerra.
É o melhor Planeta dos Macacos desde o original, de 1968, o que não significa absolutamente nada. Mas, no conforto tecnológico das salas de cinema, consigo me divertir com qualquer porcaria. E o mais importante foi ter permanecido duas horas sem pensar em canários ou em bolsonaristas. O filme? Não vale maiores comentários, contudo insisto que vejam. A guerra dos macacos, mesmo sofrível, é mais divertida que a nossa guerrinha ideológica.
Voltemos aos canários. É época de acasalamento, e as avezinhas estão excitadas. Os dois casais, alheios às brigas políticas e à superficialidade dos divertimentos contemporâneas, cantam, cortejam-se e devoram a comida. Observo tudo, satisfeito. Criar canários, no fim das contas, tem sido mais gratificante que discutir com a militância da “verdadeira direita”; e mais instrutivo que assistir às novas versões de Planeta dos Macacos.
Santa obsessão!

Vereador anuncia conquista de aquisição de novo caminhão para o Corpo de Bombeiro

Preocupado com as condições de trabalho do Corpo de Bombeiros de Urussanga, o vereador do município, Jair Nandi (PSD) comemorou nesta semana a conquista de uma de suas ações. Durante a sessão no Legislativo, na terça-feira, dia 1º de agosto, ele anunciou uma verba de R$ 300 mil para aquisição do novo caminhão para a corporação.
De acordo com Nandi, os profissionais não dispõem de um equipamento moderno e com os requisitos necessários para salvar uma vida. “Dessa forma, o caminhão novo fará a diferença no momento em que a população mais necessita. Além disso, o trabalho realizado por estes profissionais requer reconhecimento. O mínimo que podemos fazer, como agentes públicos, é darmos as melhores condições de trabalho possíveis. Aproveito e agradeço a todas as empresas, entidades e os agentes públicos
envolvidos neste processo”, destacou. A iniciativa contou com o apoio do empresário Rodrigo Fontanella, Deputados Estaduais Ricardo Guidi e José Nei Ascari, Coopercocal, Fórum de Urussanga, 4º Vara do Trabalho de Criciúma, empresa Minapast e representantes do PSD municipal.
A compra do caminhão está em fase de licitação e deverá ser entregue à Corporação até novembro deste anos por meio do Governo do Estado.

O CANÁRIO

Um homem não é nada além de seus hábitos. Ganhei de presente um canário e estou me habituando a cuidar da avezinha. De manhã cedo, limpo a gaiola e reponho o alpiste. O canarinho laranja começa a cantar feito um Pavarotti. Seu peito quase explode. De repente, para o canto e fixa seus olhos filosóficos nos meus, desafiando-me. Aceito o desafio e penso na liberdade, na minha e na dele, mas neste momento acorda a filha, obrigando-me a deixar de lado canário e filosofia para cuidar de coisas mais urgentes.
Outro hábito que havia perdido, mas estou recuperando, é o de ir ao cinema. No mais das vezes, ir ao cinema não passa de entretenimento fácil, mera distração. É como simplesmente alimentar um passarinho e ouvir seu canto, desviando de obstáculos metafísicos. Mas desta vez fui ver “Dunkirk”, que não é um filme como a maioria. Aborda coisas sérias, sobretudo um assunto bastante inconveniente: as responsabilidades das quais fugimos.
“Dunkirk” dramatiza a “retirada de Dunquerque”, episódio da Segunda Guerra no qual Winston Churchill ordenou o resgate de mais de 300 mil soldados ingleses da praia de Dunquerque, na França ocupada por nazistas. Em apoio às forças oficiais, pequenos barcos particulares partiram da Inglaterra para resgatar compatriotas do outro lado do Canal da Mancha, e este é o ponto mais bonito do filme.
Em certo momento, um dos bravos voluntários ouve do soldado que ele próprio resgatara: “Você deveria estar em casa”. E a resposta que dá é impactante como o olhar de um canário engaiolado: “Se não lutarmos, não haverá casa”. Hora de voltar para casa (a minha), botar a gaiola na área de serviço, que é onde dorme o passarinho filósofo, e convencer minha filha a ir para cama. Antes de eu próprio adormecer, ainda há tempo para ler algumas páginas e ruminar pensamentos despretensiosos.
Comecei dizendo que um homem não é nada além seus hábitos. Termino completando: também não deveria ser nunca menos que as suas responsabilidades.

JÂNIO, COLLOR E BOLSONARO OU A DIREITA BRASILEIRA

Meu objetivo é analisar a história brasileira a partir das eleições presidenciais de 1955 sob a perspectiva do embate “direita versus esquerda”, demonstrando, ao final, a absoluta inaptidão da primeira para a guerra política e a incompetência de ambas para governar e desenvolver o país. Em 1955, os representantes da direita eram Juarez Távora, Adhemar de Barros e Plínio Salgado. O candidato da esquerda de então, Juscelino Kubitscheck, derrotou a todos. Fez um governo modernizador, mas deixou como maiores legados a inflação, a dívida externa e um modelo de relacionamento nada republicano entre Estado e empreiteiras.
Nas eleições seguintes, as de 1960, a famigerada UDN, clássico da direita nacional, conseguiu finalmente chegar ao poder com Jânio Quadros, uma caricatura ambulante. Apesar da inteligência prodigiosa, Jânio era desequilibrado, autoritário e fanfarrão. Numa manobra desastrada e irresponsável, renunciou esperando que o povo exigisse sua permanência no cargo, mas o povo, perplexo, nada fez. E foi assim que o então representante do conservadorismo nacional devolveu o poder à esquerda, nas mãos do vice João Goulart.
O governo João Goulart foi catastrófico. Além disso, Jango e seu cunhado Brizola preparavam um golpe. Foi quando a sociedade civil conservadora pediu ao exército o contragolpe. Veio 64, a direita retomou o poder pela força e pela força o sustentou durante duas décadas. Mas, após 20 anos, os militares não deixaram nada de bom ao país. Ocupados que estavam em torturar e matar oposicionistas, não desenvolveram a educação, não modernizaram a economia e permitiram, conscientemente, que a esquerda ocupasse cada centímetro da mídia, das escolas e das universidades.
Os militares fortaleceram a esquerda e envergonharam a direita. Encerrada a Ditadura, o nome da direita nas eleições indiretas foi Paulo Maluf, figura que dispensa comentários. Desta vez, mesmo perdendo, a direita ganhou, pois havia infiltrado José Sarney na chapa do esquerdista Tancredo Neves, falecido antes da posse. Assim como os militares, Sarney foi uma tragédia. Natural, portanto, que no pleito seguinte os candidatos mais badalados fossem de esquerda: Brizola e Lula. A direita tinha como alternativa viável Fernando Collor, que venceu, mas, assim como Jânio, renunciou, fugindo do impeachment e recolocando a esquerda no poder. Primeiro a esquerda moderada, com FHC, depois a extremada, com Lula e Dilma.
O impeachment de Dilma Rousse encerrou o primeiro e nefasto ciclo da extrema esquerda no poder, o qual, por ora, está nas mãos do puro fisiologismo, da corrupção mais comezinha, indiferente a qualquer ideologia, preocupada apenas com o dinheiro que consegue roubar. Para as eleições de 2018, a única opção oferecida pela direita é Jair Bolsonaro. Mais uma caricatura. Mais um casca-grossa sem qualquer cacoete para estadista, inculto e truculento.
Não à toa, reverencia o Regime Militar que tanto atraso impôs ao Brasil. Assim como Jânio em 1960 e Collor em 1989, Bolsonaro parece ser, neste momento, o que a direita tem de melhor para apresentar aos cidadãos brasileiros.
Quem me acompanha sabe que meu pensamento está à direta. Está à direita porque valorizo mais a liberdade que a igualdade, pois acredito mais nos indivíduos que nos coletivos, desprezo o Estado inchado e paternalista, duvido de soluções elaboradas em gabinetes por intelectuais e burocratas. Mas é preciso reconhecer que a direita brasileira não conseguiu até hoje educar-se da tradição política civilizada, não formou lideranças preparadas nem estudou as nuances narrativas da luta política. De Jânio a Bolsonaro, oscilamos entre a insânia e a pura mediocridade. Na guerra política tupiniquim, a esquerda ainda terá muitos anos de vida fácil, para desgraça de todos
e infelicidade (quase) geral da nação.

RELATO DE VIAGEM

Segunda-feira, onze horas da manhã. Chance de neve na Serra. Como já havia passado o domingo trabalhando e não tinha prazos a cumprir, decidi aventurar-me. Família inteira no carro, sogra inclusive, subimos. Fui despreocupado, porque apesar do alarde delirante de alguns meteorologistas, os sites de previsão apontavam a possibilidade de apenas duas ou três horas nevando. Tinha confiança de que não ficaria preso lá em cima e suspeitava que a neve talvez nem aparecesse.
Queria mesmo era comer churrasco e tirar folga na segunda-feira. Na subida, tudo tranquilo. O único inconveniente foi um caminhão à nossa frente que, a cada curva mais acentuada, passava minutos manobrando. Chegando lá, a primeira parada foi numa churrascaria à margem da estrada. Eu salivava. Mas, porque não havia energia elétrica, não havia também churrasco. Tivemos de nos contentar com um buffet às escuras, com feijão tropeiro e carne de forno. Tudo muito saboroso, mas churrasco que é bom não comemos.
Decidimos seguir até São Joaquim. Ainda em Bom Jardim, tentei abastecer o carro, mas não havia energia e a bomba do posto estava parada. Seguimos caminho. Em São Joaquim abastecemos, estacionamos próximo à Igreja e fomos dar uma volta pela praça central, que estava lotada de pessoas aguardando pela neve. A praça estava também imunda, suja mesmo. Sabendo que os turistas viriam, a prefeitura não deu sequer um pequeno trato no vergonhoso local.
Começamos a voltar. A esperança era de, ao menos, tomar um bom café. Àquela altura já fazia zero grau. Paramos num estabelecimento famoso no meio do caminho, mas estava caótico. As pessoas esbarravam-se. Saímos sem atendimento. Quem sabe em Bom Jardim? Vamos! Mas, às dezessete horas, a energia ainda não voltara. Tudo estava fechado e escuro na cidade. Descemos. Tomamos café em Rio Maior e fomos para casa. Não comi churrasco, neve não vimos. Pelo menos tirei folga na segunda-feira.

PÓS-GRADUADOS NO RIDÍCULO

Dentre todas as reações histéricas à condenação de Lula, e não foram poucas, a mais cômica e caricata foi a do deputado Jean Wyllys, do PSOL. Em vídeo postado na internet, Wyllys acusou o juiz Sérgio Moro de usar ternos pretos cafonas, disse que sua voz não combina com seu rosto e afirmou que a condenação a nove anos de prisão foi uma clara referência o aos nove dedos, apenas, que o réu tem nas mãos. Daí a conclusão inescapável da parcialidade do julgador.
Jean Wyllys será um dos professores da pós-graduação em esquerdismo organizada pelo ex-deputado Pedro Uczai, do PT. Em entrevista à Rádio Marconi esta semana, Uczai disse que a condenação de Lula é uma afronta e uma ameaça à democracia. Segundo ele, o ex-presidente, acusado de ocultação de patrimônio, não pode ser considerado o dono do triplex porque o triplex não estava em seu nome. Quase emparelhou com Wyllys na falta de noção do ridículo.
Um dia antes da condenação de Lula, cinco senadoras de esquerda abancaram-se à mesa da presidência do Senado com a intenção de impedir a votação da reforma trabalhista. Gleisi Ho mann (PT), Lídice da Mata (PSB), Vanessa Grazziotin (PCdoB), Fátima Bezerra (PT) e Regina Sousa (PT), igual a crianças birrentas, recusaram-se a aceitar as regras do jogo e comeram marmitas no plenário às escuras. Uma cena de acabar com os apetites mais frágeis.
O curso criado por Pedro Uczai chama-se “A Esquerda do Século XXI”. A esquerda do século XXI, contudo, pouco difere da esquerda do século XIX. Ela ainda tenta impor sua ideologia na base da força e das narrativas falsas. Ser pós-graduado em esquerdismo, aliás, é mais ou menos isso: defender ideias reprovadas pela experiência e não ter receio do patético, nem pudor de mentiras. Desta arte, convenhamos, Wyllys e Uczai são realmente professores.

UMA DROGA PERVERSA

O comunismo é uma droga perversa. Quando não mata, deixa sequelas. Assim como o crack e a heroína, transforma jovens saudáveis e bonitos em pálidos zumbis, incapazes de dizer coisa com coisa. Conheci rapazes e moças com futuro promissor, mas que, graças ao veneno comunista, hoje reproduzem feito robôs narrativas delirantes, insensíveis aos fatos e aos argumentos. Poderoso alucinógeno, ópio dos intelectuais.
Nas universidades, a oferta de comunismo dá-se de forma ostensiva, às claras. Conta com a conivência quando não com o apoio das autoridades. Os calouros tímidos, reprimidos ou com baixa autoestima são as vítimas preferenciais deste tóxico degradante. São presas fáceis, desprotegidas, vulneráveis às utopias mais absurdas. Mal se dão conta e já foram envolvidos pela extensa teia de disseminação comunista.
Nas épocas e lugares onde o comunismo foi consumido com avidez, houve fome, violência e mortes. Muitas mortes. Estima-se que o entorpecente vermelho tenha matado cerca de 200 milhões ao longo da História. Apesar disso, ainda há pouquíssima consciência sobre seus males. Ao contrário do tabagismo, por exemplo, o comunismo permanece sendo retratado pela mídia como algo bacana. Usar comunismo é cool.
Muitos conseguem abandonar o vício, outros convivem até o fim com a patologia. A estes, as experiências reais não convencem, e o que seus os olhos veem é descartado. Tudo passa a ser pensado esquematicamente segundo a teoria marxista. É uma prisão sem grades, uma contaminação que não aparece em exames. O comunismo deve ser tratado como uma droga contra a qual se deve fazer incansável campanha. Ele é perverso e mata. Quando não mata, deixa sequelas.

VERMELHOS CONTRA VERDE-AMARELOS

O que diferencia os protestos pelo impeachment dos de agora, que gritam “fora Temer”? Basicamente as cores. Aqueles eram verde-amarelos, estes são vermelhos. Quem foi às ruas pela saída de Dilma usava as cores da bandeira por causa de um sentimento que os vermelhos desprezam: o patriotismo. Já os vermelhos usam esta cor por ser a “cor da revolução”, e a “a revolução é uma pátria e uma família”, já dizia o poeta.
A pátria dos que hoje saem às ruas é a revolução. Eles mesmos admitem. Mas o brasileiro médio, como eu e provavelmente você, leitor, prioriza a própria família e tem certo orgulho da Pátria, coisas que a esquerda acha cafona demais. Acima da corrupção pornográfica e da incompetência cômica da presidente cassada, há questões ideológicas dividindo os dois grupos: os  verde-amarelos defendem o país e sua liberdade, os vermelhos defendem a revolução e a igualdade na grande nação socialista. Na minha visão de homem médio, esta é a grande diferença. As manifestações patrióticas foram pacíficas. As famílias levavam o cachorro, a avó cadeirante e a babá dos  lhos, fato que os oponentes classificaram, escandalizados, de fascismo. As manifestações revolucionárias, ao contrário, contêm bastante violência.
Há coquetéis molotov, terroristas mascarados e muita provocação à polícia. A reação desta é diferente nos dois casos porque a postura dos manifestantes também é. A violência revolucionária remonta à Revolução Francesa e é exaltada até hoje pelos vermelhos, ainda que em público eles tentem negar.
A guerra que divide o país vai além da luta contra a corrupção. A corrupção é uma grande praga, usada largamente para se atingir objetivos revolucionários, mas estes objetivos constituem o problema maior, pois vão sempre contra os valores do povo.
Os vermelhos dizem que os valores verde-amarelos são ultrapassados e injustos. Pretendem impor outros que consideram mais adequados. Para eles, explodir um molotov é legítimo, mas levar a babá ao protesto é inadmissível.

NARRATIVA SEM INSPIRAÇÃO

Tenho de escrever a coluna da semana, mas não estou conseguindo. Vidrado, bebo café quente num copinho plástico e passo freneticamente os olhos pelo Facebook. Só dá impeachment.
Ninguém tem outro assunto neste momento. Nem eu. Porém, apesar de já ter o assunto, faltam-me as palavras, estas traiçoeiras. São as palavras que compõem as narrativas. São as narrativas que contam a História e determinam os caminhos que vamos seguir. Tudo na política contemporânea é questão de narrativa. Narrativa, eu quero uma pra viver.
Enquanto as minhas próprias palavras não surgem, sigo no Facebook e leio as de um político que está convencido: “foi golpe!” Segundo ele, foi golpe porque o processo de impeachment teve início devido a interesses pessoais de Eduardo Cunha. Este mesmo político fez várias denúncias no passado, as quais viraram processos. Posso dizer que foram golpes, alegando que o denunciante queria, sobretudo, promover-se? Não. Mesmo que intenção do jovem fosse alavancar suas pretensões políticas, as denúncias foram legítimas.
Da mesma forma, ainda que Cunha tenha agido por vingança, ele praticou um ato que era de sua competência.
Sigo em frente no Facebook, esta arena hostil de ressentimentos e existências mal resolvidas.
Deparo-me com o sectário que vive a me aporrinhar.
A narrativa dele é mais ou menos esta: “o PT nacional é um lixo, mas o PT local é bom; o PT deve ser apeado do poder em Brasília, mas deve permanecer nele aqui em nossa cidade”. Ele se orgulha de ter ido às ruas pedir o impeachment ao mesmo tempo em que defende ferozmente os políticos locais que chamam o impeachment de golpe. A guerra de narrativas nunca é tão simples quanto parece.
Estou aborrecido porque, já no último parágrafo, ainda não consegui escrever nada do meu agrado. Aborreço-me ainda mais, pois desconfio que o texto também não esteja agradando aos leitores. Só de raiva, decido bloquear o sectário. Não por suas narrativas tortuosas, mas por sua chatice. Ultimamente, ando bloqueando pessoas do Facebook, principalmente as muito chatas. Isto também não deve interessar a ninguém, e para encerrar logo esta coluna sem inspiração, digo o seguinte: golpeemos sempre as narrativas toscas daqueles se fazem de vítimas, porque nós sabemos muito bem que em política as vítimas não existem.

JESUS PROIBIDO

Após a partida final do torneio olímpico de futebol, o atacante brasileiro Neymar foi provocado por torcedores. Partiu pra cima deles e teve de ser contido. Depois, ao dar entrevista para a TV, disse cheio de empáfia: “Vocês vão ter que me engolir!” Até aí, o Comitê Olímpico Internacional (COI) não viu nada de ruim no comportamento do boleiro. Foi quando Neymar subiu ao pódio exibindo na cabeça uma faixa com os dizeres “100% Jesus” que cometeu atitude considerada antidesportiva pelo COI.
O Comitê diz ser contra manifestações religiosas durante as Olimpíadas. Mentira! O COI é apenas contra manifestações cristãs. Na abertura dos jogos, houve homenagens ao candomblé, e no decorrer deles todas as atletas muçulmanas puderam usar os trajes impostos por sua religião.
Aliás, a imposição de tais vestimentas é vista pelo COI não como opressão, mas como diversidade cultural. Toda diversidade é bem vista pelo COI. Menos Jesus. Jesus está proibido de participar dos Jogos Olímpicos.
A imprensa, por sua vez, resolveu implicar com os atletas brasileiros, militares e medalhistas, que prestaram continência no pódio. A grande maioria das medalhas conquistadas pelo Brasil veio de atletas militares, mas a imprensa não gosta deles.
A mídia brasileira só gosta do militarismo quando ele tem viés comunista. Nunca implicou, por exemplo, com as continências prestadas pelos bajuladores de Fidel Castro. A grande imprensa brasileira é asquerosa. Tão asquerosa quanto o COI. Os atletas brasileiros, esquecidos tanto pela iniciativa privada quanto pelo poder público, apegam-se à disciplina militar ou a Jesus para seguir em frente. Mas os inteligentinhos e os globalistas do COI não aprovam tais condutas. Eles querem um mundo novo, sem exércitos nacionais e sem cristianismo. Isto ficou claro na cerimônia de abertura, quando um grande punho esquerdo
cerrado foi erguido sobre o palco. O punho cerrado é o símbolo do comunismo internacional. O COI não tem nada contra. O que ele não aceita é Jesus. Os demais credos, religiosos ou políticos, estão liberados.