Produtos alternativos para o manejo das principais pragas e doenças na horta orgânica

     A Semana Nacional do Meio Ambiente começa em 1 de junho e vai até 5 de junho, quando se celebra o Dia Mundial do Meio Ambiente. Uma das propostas desta data é chamar a atenção de todos os governos mundiais sobre a necessidade de implantar medidas emergenciais para prevenir a degradação do meio ambiente. O não uso de agrotóxicos, é a principal medida para proteger o meio ambiente e  a saúde das pessoas. Para celebrarmos bem esta semana,  a partir de hoje, estaremos colocando à disposição dos interessados em produzir alimentos saudáveis, sem contaminação, várias dicas para o manejo de pragas e doenças em hortaliças.

Preparados de plantas (Parte I)

.Preparado com cebolamanejo de pulgões, lagartas e vaquinhas: Cortar 1kg de cebola e misturar em 10L de água, deixando o preparado curtindo durante 10 dias. Utilizar 1L da mistura em 3L de água para pulverizar as plantas, atuando como repelente.

.Preparado com sálviamanejo de lagartas da couve: Derramar 1L de água fervente sobre duas colheres de sopa de folhas secas de sálvia. Tampar o recipiente e deixar em infusão durante 10 minutos. Agitar bem, filtrar e pulverizar imediatamente sobre as plantas visando à borboleta branca, que coloca os ovos nas folhas de couve, originando as lagartas que comem as folhas.

.Preparado com pimenta vermelhamanejo de vaquinhas, pulgões, grilos e paquinhas: Bater 500g de pimenta vermelha em um liquidificador com 2L de água até a maceração total. Coar o preparado e misturar com 5 colheres de sopa de sabão de coco em pó, acrescentando então mais 2L de água. Pulverizar sobre as plantas atacadas.

.Preparado com samambaiamanejo de ácaros, cochonilhas e pulgões: Colocar 500g de folhas frescas ou 100g de folhas secas em 1L de água. Ferver por meia hora. Para a aplicação, diluir 1L desse macerado em 10L de água.

.Preparado com alhomanejo de trips, pulgões, lagarta-do-cartucho-do-milho e doenças [podridão negra, ferrugem e alternária]):O alho é um antibiótico natural e pode ser usado como inibidor ou repelente de parasitas de plantas ou animais. Dissolver 50g de sabão em 4 litros de água, juntar 2 cabeças picadas de alho e 4 colheres de pimenta vermelha picada. Coar e pulverizar.

.Preparado com chuchumanejo de lesmas e caracóis: Colocar dentro de latas rasas pedaços de chuchu cortados ao meio, adicionando-se sal. A mistura é bastante atrativa para essas pragas, possibilitando, depois, a eliminação mecânica.

 

Os 10 mandamentos para produzir hortaliças saudáveis, mais nutritivas e, em paz com a natureza

Nas edições anteriores comentamos sobre as cinco primeiras recomendaçôes para implantar e conduzir uma horta orgânica: 1. Escolha do local, análise, correção do solo e preparo dos canteiros; 2.Escolha das espécies, variedades,  sementes e mudas de acordo com a época de cultivo;  3.Adubação orgânica do solo; 4. Sistemas de semeadura e plantio; 5.Manutenção e ampliação da biodiversidade. 6.Cobertura do solo e manejo de plantas espontâneas (“mato”); 7. Rotação, sucessão e consorciação de culturas; 8. Irrigação.

9.Principais tratos culturais

Adubação de cobertura: Em solos com menos de 2% de matéria orgânica é muito importante esta prática, especialmente nas hortaliças-folhosas. No entanto, deve-se evitar o uso exagerado de adubos nitrogenados, especialmente esterco de aves, pois podem salinizar, desagregar e compactar o solo, reduzir a resistência das plantas e até queimá-las. Recomenda-se, preferencialmente, o composto orgânico que pode ser feito na propriedade; deve ser utilizado na adubação de cobertura em pequenas quantidades por aplicação e bem incorporado ao solo (no máximo 0,5 kg/m2). Desbaste ou raleamento: consiste na eliminação do excesso de plantas semeadas diretamente no canteiro, nas covas e nos recipientes, deixando as mais vigorosas. Capinas e escarificações: as plantas espontâneas competem com os cultivos por luz, água e nutrientes, especialmente nos primeiros 30 dias. Após o período crítico, as plantas espontâneas nas entrelinhas são consideradas “amigas”, pois ajudam a manter a umidade no solo e evitam a erosão do solo..  Mesmo que não haja “mato”, recomenda-se o uso de enxada ou sacho nas linhas de cultivo para escarificar o solo (revolvimento superficial), no início do desenvolvimento vegetativo. Tutoramento ou estaqueamento é feito com bambu para algumas hortaliças como ervilha torta, tomate,  feijão-de-vagem, pepino, pimentão, berinjela e chuchu, para evitar o  crescimento das plantas e frutos em contato com a terra, facilitar a aeração e a insolação e evitar a quebra de ramos. No tomateiro, recomenda-se o  tutoramento vertical onde as plantas são conduzidas perpendicularmente ao solo, melhorando a distribuição solar e a aeração. Amarrio e Desbrota:  o amarrio consiste em amarrar as plantas nas estacas e arames, sem estrangular, pois estão em crescimento, com o objetivo de melhorar o apoio e evitar danos causados por ventos, especialmente nos cultivos de tomate e pimentão. A desbrota consiste na eliminação dos brotos que saem das axilas das folhas ou da haste de algumas espécies como o tomate. Amontoa: consiste em chegar terra junto às plantas, para melhorar sua fixação ao solo e, no caso da batata, serve ainda para evitar que os tubérculos se desenvolvam fora da terra, favorecendo o seu esverdeamento. Uma boa amontoa (cerca de 20cm de altura) com o solo sem torrões, reduz também os danos de insetos (larva-alfinete, a forma jovem da vaquinha) que perfuram e depreciam os tubérculos de batata e raízes de batata-doce. A amontoa bem feita impede que os ovos que a vaquinha (patriota) põe nas plantas caiam diretamente próximos aos tubérculos, dando origem às larvas-alfinete que perfuram os mesmos.

Os 10 mandamentos para produzir hortaliças saudáveis, mais nutritivas e, em paz com a natureza

Nas edições anteriores comentamos sobre as sete primeiras recomendaçôes para implantar e conduzir uma horta orgânica: 1. Escolha do local, análise, correção do solo e preparo dos canteiros; 2.Escolha das espécies, variedades,  sementes e mudas de acordo com a época de cultivo;  3.Adubação orgânica do solo; 4. Sistemas de semeadura e plantio;  5.Manutenção e ampliação da biodiversidade; 6. Cobertura do solo e manejo de plantas espontâneas (“mato”); 7. Rotação, sucessão e consorciação de culturas. 

8.Irrigação ou rega

As hortaliças, por terem ciclo curto, sofrem mais que outras espécies com pequenos períodos de estiagem. Embora ocorram precipitações consideradas suficientes para desenvolvimento das hortaliças, essas são irregulares. Além disso, a maioria das hortaliças são exigentes, pois apresentam em sua composição mais de 85% de água. A qualidade da água é muito importante, pois grande parte das hortaliças são consumidas cruas. Caso não seja água potável, recomenda-se fazer a análise da mesma, mesmo sendo oriunda de uma fonte natural, pois pode estar contaminada com alto teor de coliformes fecais. O sistema de irrigação mais usado numa horta doméstica, comunitária ou escolar é através da aspersão. Havendo reservatório de água, pode-se utilizar mangueiras com jatos finos ou adaptadas a microaspersores. O ideal é utilizar sistema de irrigação que produz gotas pequenas, formando uma espécie de neblina, evitando-se assim que, as plantinhas recém emergidas ou transplantadas sofram danos, além de evitar a formação de uma crosta endurecida no solo. Outra forma muito prática e barata de irrigar é através do sistema “santeno” que consiste numa mangueira de plástico, perfurada com raios laser e resistente à exposição ao sol, produzindo uma neblina fina. Com essa mangueira, encontrada em lojas especializadas, deve-se evitar a irrigação quando houver ventos. A terra deve ser molhada até à profundidade em que se encontra a maioria das raízes. A maior parte das raízes das hortaliças em pleno desenvolvimento alcança a profundidade de 15-20 cm. Para hortaliças-folhosas é aconselhável irrigar diariamente, caso não chova, durante todo o ciclo das plantas para se obter folhas tenras. Para hortaliças-frutos, à medida que as plantas forem crescendo, a irrigação pode ser espaçada de três em três dias até o final da colheita, caso não chova o suficiente; o mesmo intervalo de irrigação pode ser utilizado para as hortaliças-raízes, dispensando-a quando já estiverem em condições de serem colhidas. Sempre que possível, para as espécies pertencentes à família das solanáceas (tomate, batata, pimentão, pimenta e berinjela) que têm maiores problemas de doenças, deve-se evitar que a folhagem das plantas passem a noite molhada, preferindo-se a irrigação pela manhã, quando o sistema for por aspersão. A irrigação por sulcos e por gotejamento são ideais para essas espécies. Uma indicação prática, aproximada, da necessidade de irrigação pode ser obtida quando um punhado de terra apertado na palma da mão formar um conjunto coeso e úmido (“bolo”), o que significa que ela apresenta boas condições de umidade. É importante após a irrigação, esperar um pouco para que a água se infiltre, observando-se, depois, a profundidade atingida pela mesma.

Os 10 mandamentos para produzir hortaliças saudáveis, mais nutritivas e, em paz com a natureza

Nas edições anteriores comentamos sobre as seis primeiras recomendações para implantar e conduzir uma horta orgânica: 1. Escolha do local, análise, correção do solo e preparo dos canteiros; 2.Escolha das espécies, variedades, sementes e mudas de acordo com a época de cultivo; 3.Adubação orgânica do solo; 4. Sistemas de semeadura e plantio; 5.Manutenção e ampliação da biodiversidade; 6. Cobertura do solo e manejo de plantas espontâneas (“mato”).

7.Rotação, sucessão e consorciação de cultivos

A monocultura, ou seja, o cultivo de apenas uma espécie numa área, é um dos maiores problemas da agricultura “moderna”, pois não existindo diversificação de espécies, as pragas e doenças ocorrem de forma mais intensa, por ser a única espécie presente no local, tornando o sistema de produção mais instável e mais sujeito às adversidades. Daí a importância dos consórcios de culturas e até a manutenção  de faixas ou refúgios com “mato” e até consórcios dos cultivos com plantas espontâneas que podem servir para atrair insetos predadores e até como alimento preferencial das pragas das culturas e também como abrigo e alimento de inimigos naturais dos insetos-pragas. Portanto, no sistema de produção orgânico é fundamental buscar-se em primeiro lugar uma maior diversificação da paisagem geral com espécies de interesse comercial ou não, de forma a restabelecer a cadeia alimentar entre todos os seres vivos, desde microrganismos até animais maiores e pássaros, pois somente assim se obterá sistemas de produção mais estáveis, garantindo o lucro dos produtores, mesmo em condições climáticas adversas. A rotação de culturas é uma prática que reduz e até pode eliminar alguns dos problemas citados. Na prática, sabe-se que a rotação ou sucessão de cultivos já é realizada por alguns olericultores localizados próximos aos grandes centros consumidores sem, no entanto, levar em consideração os princípios fundamentais para o sucesso dessa prática milenar. É comum também os produtores confundirem rotação de culturas com sucessão de culturas. Por isso, a seguir estão relacionados os conceitos de rotação, monocultura, sucessão e consorciação de culturas. Rotação: é o cultivo alternado de diferentes espécies vegetais, de diferentes famílias botânicas, no mesmo local e na mesma estação do ano, seguindo-se um plano pré-definido, de acordo com princípios básicos. Monocultura: uso continuado de uma mesma cultura, numa mesma estação de crescimento e numa mesma área. Sucessão de culturas: estabelecimento de duas ou mais espécies em sequência na mesma área, em um período igual ou inferior a 12 meses.

Principais benefícios da rotação de culturas: Redução ou eliminação de doenças, pragas e plantas espontâneas; Aumento da produtividade e melhoria da qualidade, com redução de custos; Manutenção ou melhoria da fertilidade e propriedades físicas do solo; Redução das perdas por erosão; Diversificação de renda da propriedade e Melhor aproveitamento dos fatores de produção (terra, capital e mão de obra).

Os 10 mandamentos para produzir hortaliças saudáveis, mais nutritivas e, em paz com a natureza

Nas edições anteriores comentamos sobre as cinco primeiras recomendações para implantar e conduzir uma horta orgânica: 1. Escolha do local, análise, correção do solo e preparo dos canteiros; 2.Escolha das espécies, variedades,  sementes e mudas de acordo com a época de cultivo;  3.Adubação orgânica do solo; 4. Sistemas de semeadura e plantio; 5.Manutenção e ampliação da biodiversidade. 

6. Cobertura do solo e manejo de plantas espontâneas (“mato”)

Cobertura morta: Essa prática consiste na colocação de capim ou palha seca (5 a 10cm) e outros materiais nas entrelinhas das hortaliças cultivadas em espaçamentos maiores. A cobertura morta mantém a superfície do solo sem a formação de crosta (superfície endurecida), evita a evaporação da água da chuva ou da irrigação, reduz a erosão em solos inclinados, diminui a temperatura do solo no verão e, principalmente, economiza capinas devido à menor incidência de plantas espontâneas. A cobertura morta também reduz a freqüência de capinas, escarificações e irrigação. Cobertura viva: As plantas espontâneas ajudam a cobrir o solo, reduzindo a erosão e o aquecimento superficial, nossos principais problemas, contribuindo para melhorar a disponibilidade de água e a absorção de nutrientes pelas raízes. Ao impedir o carregamento de terra e nutrientes para fora da lavoura (erosão), as plantas espontâneas formam uma barreira que protege o solo do impacto das gotas de chuva, facilita a infiltração da água, reduz o escoamento superficial e diminui a evaporação da umidade, melhorando a capacidade do solo de armazenar água. Havendo necessidade de manejo, as plantas espontâneas não devem ser totalmente eliminadas. A intervenção deverá ser no sentido de auxiliar a natureza para que este processo ocorra ao longo do tempo, para que a população de plantas mais “agressivas” seja reduzida a níveis toleráveis, cedendo espaço para as mais “comportadas” e de mais fácil manejo. Dependendo do cultivo, é possível permitir o crescimento das plantas espontâneas. Em certos casos, amassar o “mato” pode ser mais vantajoso do que roçar e, roçar, mais vantajoso do que capinar. Como manejar as plantas espontâneas?

Práticas de prevenção: evitar a multiplicação; uso de sementes e mudas isentas de plantas espontâneas; em áreas muito inçadas, preparar o solo com antecedência para permitir a emergência e eliminação de plantas espontâneas; utilizar composto orgânico ao invés de esterco de gado (fonte de sementes de plantas espontâneas); controle manual; rotação e consorciação de culturas;
Plantas de cobertura (adubos verdes) em rotação, sucessão ou consorciadas com os cultivos e com efeitos alelopáticos: mucuna (abafamento), feijão de porco (tiririca), aveia e nabo forrageiro (papuã), ervilhaca e outras;
Roçada das plantas espontâneas: elas podem conviver com os cultivos, especialmente de maior espaçamento entre as linhas, após o período crítico de competição, principalmente por luz, nos 30 dias após o plantio. Quando necessário, recomenda-se a roçada nas entrelinhas.

OS 10 MANDAMENTOS PARA PRODUZIR HORTALIÇAS SAUDÁVEIS, MAIS NUTRITIVAS E, EM PAZ COM A NATUREZA

Nas quatro edições anteriores comentamos sobre as quatro primeiras recomendaçôes para implantar e conduzir uma horta orgânica: 1. Escolha do local, análise e correção do solo, confecção e preparo dos canteiros; 2.Escolha das espécies, variedades, sementes e mudas de acordo com o tamanho do terreno e a época de cultivo; 3.Adubação orgânica do solo; 4. Sistemas de semeadura e plantio.

5. Manutenção e ampliação da biodiversidade

A terra funciona como uma máquina, onde cada espécie (simples micróbio ao ser humano) desempenha a sua parte para manter o planeta funcionando, normalmente. As principais causas da perda de biodiversidade são: Destruição das florestas onde estão 2/3 das espécies; Mudanças climáticas; As atividades de agricultura e pecuária através da exploração excessiva de espécies de plantas e animais, monoculturas, contaminação do solo, água e atmosfera por poluentes (agrotóxicos e adubos químicos); A industrialização tem causado a poluição do ar, do solo e da água; O crescimento das cidades, produzindo cada vez mais lixo e demandando mais esgotos; A construção de barragens fazem com que grandes extensões de terra deixem de existir, comprometendo também a vida de plantas e animais.

Mas porque é tão importante preservar e ampliar a biodiversidade? A restituição da biodiversidade vegetal permite o restabelecimento de inúmeras interações entre o solo, as plantas e os animais, resultando em efeitos benéficos para o meio ambiente. Entre estes efeitos pode-se citar: maior variedade na dieta alimentar e mais produtos para o mercado; uso eficaz e conservação do solo e da água, manejo da matéria orgânica e implantação de quebra ventos; otimização na utilização de recursos locais e controle biológico natural. Mas como preservar e ainda ampliar a biodiversidade? Educação ambiental; Praticar agricultura orgânica: adubação orgânica, nunca utilizar agrotóxicos e adubos químicos, considerar as plantas espontâneas (“mato”) como plantas “amigas”, fazer rotação e consorciação de culturas, plantio direto e outras práticas; Produzir alimentos no sistema de produção agro florestal, conciliando agricultura, pecuária e floresta; Proteger e fazer o plantio de árvores. Entre os motivos parapreservar e ampliar a  iodiversidade, são citados: Motivos éticos, pois o ser humano tem o dever moral de proteger outras formas de vida, já que é espécie dominante no planeta; Motivos econômicos pois a diminuição de espécies pode prejudicar atividades já existentes e ainda comprometer a produção de medicamentos; Motivos funcionais da natureza, tendo em vista que a redução da biodiversidade leva a perdas ambientais. Isto acontece porque as espécies estão interligadas por mecanismos  naturais com importantes funções, tais como: a regulação do clima, purificação do ar, proteção dos solos e das bacias hidrográficas contra a erosão, controle de pragas e doenças, além de outras.

OS 10 MANDAMENTOS PARA PRODUZIR HORTALIÇAS SAUDÁVEIS, MAIS NUTRITIVAS E, EM PAZ COM A NATUREZA

Nas três edições anteriores comentamos sobre as três primeiras recomendações para implantar e conduzir uma horta orgânica: 1. Escolha do local, análise e correção do solo, confecção e preparo dos canteiros; 2.Escolha das espécies, variedades, sementes e mudas de acordo com o tamanho do terreno e a época de cultivo; 3.Adubação orgânica do solo. Nesta edição, trataremos da quarta recomendação importante para o sucesso da horta.

4 – Sistema de semeadura e plantio

Semeadura direta: consiste na semeadura uniforme das sementes em sulcos, no canteiro, na profundidade de 1 a 2cm, utilizando-se marcadores ou sacho, cobrindo-as com a própria terra; pode ser feita também em covas ou em sulcos, sem preparo de canteiros. Como regra geral, as sementes devem ficar enterradas numa profundidade de cinco vezes o seu tamanho.

Plantio direto: consiste no plantio de tubérculos, raízes, rizomas, bulbilhos, ramas, filhotes e estolhos em sulcos, em covas, ou em camalhões, na profundidade de 5 a 10 cm, utilizando-se enxada ou sacho, no espaçamento indicado para cada espécie; pode ser feito também em sulcos, ou em covas, diretamente no canteiro.

Transplante de mudas: consiste na mudança das plantas que cresceram na sementeira ou em recipientes, para o local definitivo em sulcos ou em covas, enterrando-as até à profundidade em que estavam na sementeira ou em recipiente, no espaçamento indicado para a espécie. Deve ser feito, preferencialmente, em dias nublados ou à tardinha para garantir melhor pegamento, principalmente no verão. Quando as mudas são produzidas em copinhos ou em bandejas, o pegamento é de 100%, pois a maioria das raízes estão intactas no torrão formado nesses recipientes. Para retirá-las da bandeja basta umedecer um pouco e bater de leve no fundo.

Plantio direto e cultivo mínimo: o sistema de plantio direto e cultivo mínimo são práticas importantíssimas no cultivo orgânico de hortaliças, tendo em vista que a maioria dos nossos solos estão sujeitos a processos de erosão causado por chuvas intensas, aliado a baixos teores de matéria orgânica. Outra vantagem dessas práticas é o fato do solo estar sempre preparado para semeadura/plantio, mesmo em períodos chuvosos que não permite o revolvimento do mesmo devido a umidade excessiva. Para o plantio direto ou cultivo mínimo, bastar fazer uma roçada utilizando uma foice ou roçadeira manual para áreas maiores e abrir as covas ou sulcos. O plantio direto é um método que não revolve o solo. A camada de cobertura vegetal(adubos verdes ou “mato”) é mantida e se faz apenas a abertura de um pequeno sulco ou cova onde é colocada a semente ou a muda. O cultivo mínimo é a mínima manipulação do solo necessária para a semeadura ou plantio de mudas.

OS AGROTÓXICOS: RISCOS, CUIDADOS E DIREITOS DOS CIDADÃOS

Segundo a Constituição Federal – Art. 225: Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à população o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. Todos temos direito a uma alimentação saudável e adequada, independentemente de raça, gênero ou nacionalidade. É importante que se priorize a ideia de que a alimentação saudável e adequada é um direito de todos. O uso de agrotóxicos, como vem sendo feito no Brasil, pode ser classificado como uma das mais graves e persistentes violações ao direito à alimentação saudável, pois impede o acesso da população a um alimento limpo e saudável, além de serem extremamente prejudicial ao meio ambiente. Os venenos foram criados sob o argumento de acabar com a fome no mundo, mas ainda existem 1 bilhão de pessoas desnutridas no mundo, 11 mil crianças morrem de fome a cada dia, um terço das crianças dos países em desenvolvimento apresentam atraso no crescimento físico e intelectual, 40% das mulheres destes países são anêmicas e encontram-se abaixo do peso e uma pessoa a cada sete, padece de fome no mundo.
É importante lembrar que os agrotóxicos pulverizados sobre as culturas agrícolas e o solo têm capacidade de penetrar nas folhas e polpas, e que os procedimentos de lavagem e retirada de cascas e folhas externas favorecem a redução dos resíduos de agrotóxicos, limpando a superfície dos alimentos, mas sendo incapazes de eliminar aqueles contidos nas partes internas. Um dos procedimentos amplamente divulgados, a higienização dos alimentos com solução de hipoclorito de sódio tem o objetivo de diminuir os riscos microbiológicos, mas não de eliminar agrotóxicos.
Outro alerta importante para diminuir risco de ingestão de agrotóxicos nos alimentos é a opção pelo consumo de alimentos da época ou produzidos com técnicas de manejo integrado de pragas (recebem uma carga menor de produtos químicos) e, especialmente aqueles provenientes da agricultura orgânica ou agroecológica. O uso sem controle dos agrotóxicos pode comprometer de forma grave e irreversível a saúde em decorrência da presença de resíduos de agrotóxicos acima de limites estabelecidos
e, o que é pior, a utilização de produtos proibidos. O Programa de Análise de Resíduo de Agrotóxicos em Alimentos (PARA), vinculado à Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), relata o resultado de 3.293 amostras de 13 alimentos monitorados;
todos os alimentos apresentaram resíduos de agrotóxicos.
Dentre os alimentos, destacaram-se o pimentão, cenoura, morango, pepino, alface e o abacaxi com 90, 67, 59, 44, 43 e 41% de amostras com resíduos de agrotóxicos, respectivamente. O aspecto positivo do PARA é que o rastreamento dos alimentos produzidos em todo o país está cada vez maior, o que significa dizer que o cerco aos produtores que utilizam agrotóxicos está se fechando. Fica a pergunta: porque correr o risco de produzir alimentos contaminados, quando temos a alternativa da agricultura orgânica que produz alimentos sadios, de melhor qualidade, com custo menor e produtividade semelhante e, o melhor, sem poluir o meio ambiente?

27 DE AGOSTO: DIA DA LIMPEZA URBANA

“Lixo” não existe! Tudo se transforma Todo o “lixo” produzido pode virar alguma coisa útil, sem exceção!

A frase acima pode soar absurda. Mas é isso mesmo que pensa o economista Sabetai Calderoni, da Universidade de São Paulo, maior especialista brasileiro em lixo e conselheiro da ONU no assunto. Sabetai, autor do livro “Os Bilhões Perdidos no Lixo”, afirma que, embora nem tudo o que se joga fora possa ser aproveitado como comida, todo o “lixo” pode ser aproveitado de alguma forma. Um dos maiores potenciais desperdiçados é o não aproveitamento do “lixo” orgânico, que geralmente vem de restos de alimentos. Esse “lixo” poderia se transformar em algo útil se passasse por um processo chamado compostagem; o “lixo” é submetido à ação de bactérias em alta temperatura e se transforma em dois subprodutos – um adubo natural de ótima qualidade e o gás metano, que é usado na geração de energia termoelétrica. O “lixo” orgânico pode ser aproveitado em nossa casa e até em apartamento, através da construção de uma composteira. Para maiores informações sobre como construir uma composteira no apartamento, sugerimos ver o vídeo no link: https://vimeo.com/42740420
O “lixo” inorgânico (vidro, plásticos e metais) através da reciclagem gera lucros, atividade já praticada em quantidades cada vez maiores. O outro motivo para incentivar essa indústria são os empregos que ela poderia gerar. O Brasil produz 280 000 toneladas de “lixo” por dia. Descontando as 39.000 toneladas de alimento viável que poderiam ser facilmente extraídas desse “lixo” e disponibilizadas às populações carentes, ainda seria possível gerar 120.000 empregos só no processamento do resto, nos cálculos de Sabetai. Por isso, afirma: “Lixo” não existe, o que existe é ignorância, falta de vontade e ineficiência. O país lucraria também ao poupar o dinheiro que é gasto para dar fim ao “lixo”. “Lixo é o único produto da economia com preço negativo”, diz Sabetai. Em outras palavras, o processamento de lixo é o único negócio no qual a aquisição da matéria-prima é remunerada – paga-se muito para livrar-se dela. As prefeituras brasileiras costumam gastar entre 5% e 12% de seus orçamentos com “lixo”. Sem falar que o melhor aproveitamento do “lixo” valorizaria dois bens que não têm preço: a saúde da população e a natureza. Segundo a Pesquisa Nacional de Saneamento Básico, 76% do “lixo” brasileiro acaba em lixões a céu aberto. Esses lixões são uma ameaça à saúde pública porque permitem a proliferação de vetores de doenças. Além disso, a decomposição do “lixo” nesses locais não só gera o metano que polui o ar como também o chorume, um líquido preto e fedido que envenena as águas superficiais e subterrâneas.

“Ambiente limpo não é o que mais se limpa e sim o que menos se suja”
(Chico Xavier)

PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE PRODUÇÃO ORGÂNICA DE HORTALIÇAS – PARTE XVI

De que modo a compostagem ajuda a manter ou repor a matéria orgânica? A compostagem é uma maneira mais eficiente de se utilizar os estercos e o material volumoso (capins, resíduos vegetais). É um processo de decomposição “forçada” da matéria orgânica em ambiente aeróbico (na presença de ar). O material é empilhado, geralmente na proporção de três pilhas de volumoso para uma pilha de esterco e, é revirado de 15 em 15 dias, quando é também umedecido. Como resultado, obtém-se, após um período aproximado de 90 dias, um produto parcialmente mineralizado, ou seja, mais eficiente como fonte de nutrientes para as culturas e, além disso, higienizado. O composto também apresenta outra vantagem em relação ao esterco não compostado: por ter um volumoso em sua formação, geralmente palhada e capim, permanece mais tempo no solo, funcionando também como um condicionador físico e melhorando sua estrutura.
De que modo a adubação verde ajuda a manter ou repor a matéria orgânica? A adubação verde é uma prática excelente em quantidade e qualidade de matéria orgânica. Em quantidade, porque os adubos verdes produzem muita massa vegetal e, em qualidade, porque essa massa é muito rica em nutrientes. Além disso, como se decompõe mais lentamente no solo, em comparação com os estercos e composto, a matéria orgânica proveniente dos adubos verdes é um ótimo condicionador físico de solo. Os adubos verdes podem ser utilizados em esquemas de rotação, sucessão ou consórcio com as hortaliças. Muitos produtores não utilizam essa prática porque não querem ou não podem deixar a área “parada” por um tempo (enquanto os adubos verdes crescem e chegam ao ponto ideal de corte). O consórcio, porém, é uma boa alternativa para esses casos. Algumas hortaliças podem ser consorciadas sem problema com os adubos verdes, mas é preciso saber qual a melhor época de plantio do adubo verde em relação à da cultura, para não haver competição.
Como é feito o manejo dos adubos verdes? Sua massa vegetal pode ser tanto incorporada ao solo quanto mantida na superfície. No primeiro caso, os processos de decomposição e mineralização acontecem mais rápido e, conseqüentemente, os efeitos positivos na melhoria da fertilidade e no condicionamento do solo aparecem mais cedo. Essa é a melhor alternativa de manejo dos adubos verdes quando se objetiva o fornecimento de nutrientes para a cultura sucessora. No segundo caso, a massa vegetal fica disposta sobre o solo após seu corte e, por isso, se decompõe mais devagar. Essa é uma boa alternativa quando o objetivo principal é proteger o solo contra a erosão e contra o surgimento de plantas espontâneas problemáticas. Nesse caso, os adubos verdes são utilizados como cobertura vegetal. Se essa cobertura vegetal for realizada visando à produção de palhada para o sistema de plantio direto ou para o cultivo mínimo, dará origem à cobertura morta.

Fonte: Livro da Embrapa Hortaliças – Brasília, DF. Interessados em adquirir o livro “PRODUÇÃO ORGÂNICA DE HORTALIÇAS – Coleção 500 Perguntas – 500 Respostas” devem entrar em contato através do email: vendas@sct.embrapa.br

PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE PRODUÇÃO ORGÂNICA DE HORTALIÇAS – PARTE XV

Quando é preciso adicionar ou repor matéria orgânica no solo? Existe uma pequena fração da matéria orgânica, já bem decomposta, que pode durar muito tempo no solo (até mais de 1.000 anos). Isso ocorre porque os microrganismos decompõem primeiro as moléculas menores, ou seja, a parte mais fácil de ser quebrada e, nesse processo, a parte mais “ura”, mais difícil de decompor, vai “sobrando” no solo. Porém, a maior parte da matéria orgânica adicionada ao solo é decomposta de forma relativamente rápida (de alguns meses até alguns anos), principalmente em regiões onde a temperatura e a precipitação pluvial são altas. O preparo intensivo do solo por meio do revolvimento também acelera a decomposição da matéria orgânica, pois favorece a ruptura dos agregados do solo, expondo-os mais ao ataque dos microrganismos.
É muito mais fácil e rápido “perder” matéria orgânica do que “ganhar”. Portanto, para se manter o solo produtivo ao longo do tempo é necessário que se adicione ou reponha a matéria orgânica com certa frequência. O ideal é que a cada cultivo se adicione matéria orgânica ao solo. No entanto, a frequência da adição ou da reposição depende do ciclo da cultura em questão e do sistema de cultivo.
Quais as maneiras de se repor ou adicionar matéria orgânica ao solo? Uma delas é a utilização de estercos de animais. Na produção de hortaliças, são utilizados estercos de aves, de bovinos, equinos e caprinos. É preciso lembrar que não se deve utilizar esterco de suínos na produção de hortaliças, pois algumas doenças que acometem os porcos podem ser transmitidas ao homem pela ingestão de alimentos contaminados. Os estercos de animais são material orgânico de fácil decomposição e, por isso, são decompostos rapidamente, principalmente o esterco de aves. Assim, seu principal benefício é o suprimento de nutrientes às culturas, pois, como não “duram” muito, não são bons condicionadores físicos do solo. Outros materiais, provenientes da própria fazenda ou de agroindústrias, também podem ser boas fontes de matéria orgânica, sendo utilizados puros ou junto com os estercos em compostagem. Dentre esses materiais podem-se citar alguns exemplos como: Palhas de milho, de aveia, arroz, feijão e café; Capim-gordura, capim-guiné, capim-meloso, entre outros capins; Serragem de madeira; Bagaço de cana; Tortas de algodão e de mamona. É importante ressaltar que o produtor deve priorizar resíduos produzidos na propriedade ou resíduos agroindustriais da região, afim de facilitar e baratear custos. Uma alternativa prática e eficaz para se adicionar matéria orgânica ao solo é a adubação verde que proporciona ao produtor a produção de matéria orgânica diretamente na área de cultivo.

Fonte: Livro da Embrapa Hortaliças – Brasília, DF. Interessados em adquirir o livro “PRODUÇÃO ORGÂNICA DE HORTALIÇAS – Coleção 500 Perguntas – 500 Respostas” devem entrar em contato através do email: vendas@sct.embrapa.br

05 DE AGOSTO: DIA NACIONAL DA SAÚDE

A data tem o objetivo de conscientizar a sociedade brasileira sobre a importância da educação sanitária, despertando na população o valor da saúde e dos cuidados diários. O Dia da Saúde também serve para homenagear e recordar a vida e o trabalho de Oswaldo Cruz, um dos responsáveis pelas erradicações de perigosas epidemias que ocorreram no Brasil no final do século XIX e início do século XX.
A saúde é resultante das condições de alimentação, meio ambiente, renda, acesso aos serviços de saúde e outros. Uma alimentação saudável é aquela equilibrada, que contém diferentes alimentos em quantidade suficiente para o crescimento e manutenção do organismo e, também sem contaminações de produtos químicos. Esse equilíbrio é adquirido através de uma boa alimentação à base de frutas, verduras, carboidratos, proteínas, pouca gordura e muita água; um bom descanso; alguma atividade física; cuidados com a higiene pessoal e horas de lazer.
Os agrotóxicos ameaçam a saúde dos brasileiros: Os agrotóxicos foram desenvolvidos para dificultar ou exterminar formas de vida e, por isso, são capazes de afetar a saúde humana. O Brasil é o campeão mundial no uso de venenos desde 2008 e, o que é pior, vários agrotóxicos que já são proibidos em outros países, ainda são utilizados em nosso país. As principais consequências do uso dos agrotóxicos são: contaminação do meio ambiente, dos alimentos, produtores e consumidores. As contaminações por agrotóxicos são muito frequentes e provocam, na maioria das vezes, sequelas irreversíveis, podendo levar até a morte.
Outros efeitos podem ser sentidos, tais como: irritação ou nervosismo; ansiedade e angústia; tremores no corpo; indisposição, fraqueza e mal estar, dor de cabeça, tonturas, vertigem, náuseas, vômitos, cólicas abdominais; alterações visuais; dores no peito e falta de ar; queimaduras e alterações da pele; dores pelo corpo inteiro; irritação de nariz, garganta e olhos; urina alterada; convulsões ou ataques; desmaios, perda de consciência e até o coma. Intoxicações e mortes causadas pelos agrotóxicos em SC, registradas no Hospital Universitário da Universidade Federal de Santa Catarina, indicam que entre 1984 a 2015, em SC, ocorreram 380 mortes e um total de 14.207 pessoas intoxicadas.
Pesquisa da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), realizada em 26 estados do Brasil, desde 2001, revela: Todas as espécies pesquisadas (hortaliças e frutas), apresentaram amostras com resíduos de agrotóxicos. Produtos orgânicos melhoram a saúde das pessoas: Os produtos orgânicos, por não utilizarem agrotóxicos e adubos químicos solúveis e, por serem produzidos com técnicas ambientalmente corretas, são os alimento ideais para toda a família, pois além de terem maior teor de vitaminas e sais minerais, apresentam melhor sabor e conservação e, ainda menor custo de produção. Não encontrando uma feira de produtos orgânicos próxima de sua residência, faça uma horta orgânica, pois, além de ter produtos frescos e saudáveis diariamente, você terá uma terapia ocupacional e, ainda, a oportunidade de fazer exercícios ao ar livre e dessa forma, prevenir as doenças. Para maiores informações sobre como implantar e conduzir uma horta orgânica, acessar o blog: www.cultivehortaorganica.blogspot.com

“Saúde é mais do que a ausência de doenças. É a presença da autêntica qualidade de vida!”

PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE PRODUÇÃO ORGÂNICA DE HORTALIÇAS – PARTE XIV

Nota

O que é decomposição e mineralização da matéria orgânica? A decomposição é o processo de quebra da matéria orgânica em partes menores, feita por microrganismos decompositores presentes no solo. Esses microrganismos utilizam a matéria orgânica como alimento para sua sobrevivência e, para isso, precisam quebrá-la em pequenas partes. A mineralização é o resultado do processo de decomposição microbiana. Durante a decomposição, elementos químicos que antes se encontravam na forma orgânica são convertidos para a forma mineral.
Os nutrientes, elementos químicos essenciais ao crescimento e desenvolvimento das culturas, só são absorvidos pelas raízes das plantas quando se encontram na forma mineral.
Quais os benefícios da matéria orgânica para o solo? São vários. A matéria orgânica atua tanto na fertilidade do solo quanto em seu condicionamento físico, além de manter a vida no solo.
a) Benefícios para a fertilidade do solo (para os atributos químicos e físico-químicos do solo): Fornecimento de nutrientes para as culturas (macro e micronutrientes), pois quando decomposta e mineralizada, a matéria orgânica torna-se fonte de nutrientes; Aumento da capacidade de troca de cátions (CTC) do solo (muitos nutrientes estão na forma de cátions), que depois podem ser disponibilizados para as culturas; Complexação de substâncias tóxicas – a matéria orgânica em estágios avançados de decomposição tem a capacidade de controlar a toxidez causada por certos elementos presentes no solo em teores acima do normal e, por isso, tóxicos.
b) Benefícios para o condicionamento físico do solo: Melhoria da estrutura do solo – tem a capacidade de agregar as partículas do solo, formando “grumos”- esse efeito agregador desencadeia benefícios nas outras características físicas do solo; Densidade do solo- redução da densidade aparente do solo, tornando-o mais “leve” e solto; Porosidade do solo – melhoria da circulação de ar e água nos poros (espaços vazios entre as partículas) do solo; Capacidade de retenção e infiltração de água e consequente aumento da capacidade de armazenamento da água do solo.
c) Benefícios para a biota do solo: Atua como uma fonte de alimento para microrganismos decompositores, que a utilizam como substrato e são responsáveis pela decomposição e mineralização da matéria orgânica no solo; Aumenta a população de minhocas, besouros, fungos, bactérias e outros organismos benéficos para a manutenção da vida no solo.
Fonte: Livro da Embrapa Hortaliças – Brasília, DF. Interessados em adquirir o livro “PRODUÇÃO ORGÂNICA DE HORTALIÇAS – Coleção 500 Perguntas – 500 Respostas” devem entrar em contato através do email: vendas@sct.embrapa.br

PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE PRODUÇÃO ORGÂNICA DE HORTALIÇAS – PARTE XIII

Como é feito o manejo do solo nos sistemas orgânicos de produção de hortaliças? De forma geral, práticas tradicionais de conservação do solo, como o plantio em curva de nível, a formação de faixas de retenção e cordões, são utilizadas também na agricultura orgânica. No entanto, a agricultura orgânica vê o solo como o centro de todo o processo produtivo, valorizando-o como recurso-chave. Por isso, o manejo orgânico prioriza práticas que proporcionem a manutenção e a melhoria da qualidade do solo, por meio do revolvimento mínimo e do aumento dos teores de matéria orgânica e da atividade biológica. Desse modo, o manejo orgânico recomenda a manutenção de cobertura vegetal sobre o solo, a adubação verde, o cultivo mínimo, o plantio direto, entre outras práticas conservacionistas.
Além disso, o manejo do solo no sistema orgânico prioriza as fontes orgânicas de nutrientes e não utiliza fertilizantes químicos de alta solubilidade. Para finalizar, é uma forma de manejar o solo “pensando em longo prazo”, ou seja, objetivando a construção da qualidade do solo com o tempo.
Quais as principais diferenças entre o manejo do solo na produção orgânica de hortaliças e na convencional? No caso específico da produção de hortaliças, o manejo do solo costuma ser bastante intensivo no sistema convencional. Muitas vezes são utilizadas quantidades excessivas de fertilizantes, o que pode causar desequilíbrios químicos no solo e nutricionais na cultura. Além disso, as glebas são, em geral, utilizadas continuamente, ciclo após ciclo, e, em alguns casos, com revolvimento excessivo da camada arável. O sistema orgânico de produção de hortaliças, por sua vez, prioriza a adição e a manutenção da matéria orgânica, a cobertura do solo e o revolvimento mínimo.
O que é matéria orgânica do solo? De maneira bem simples e direta, pode-se dizer que a matéria orgânica é a parte do solo que já foi ou ainda é viva. A matéria orgânica é a parte do solo que já foi ou ainda é viva. A matéria orgânica é constituída de resíduos de origem vegetal ou animal como: a) Estercos; b) Restos de cultura que ficam no campo; c) Palhadas; d) Folhas, cascas e galhos de árvores; e) Raízes das plantas e f ) Animais que vivem no solo, como cupins, formigas, besouros, fungos, bactérias e outros microrganismos. Esses componentes da matéria orgânica podem estar vivos (como os pequenos animais) ou já em decomposição (como os resíduos de plantas incorporados ao solo ou em cobertura).
Como tudo que foi um dia vivo é constituído de carbono orgânico, muitas vezes encontra-se o termo “carbono orgânico” como sinônimo de matéria orgânica. Na realidade, o carbono é o principal constituinte da matéria orgânica, mas a ele estão ligados vários outros elementos importantes, como o nitrogênio. É a matéria orgânica que dá a cor escura aos solos e que garante que ele se mantenha “vivo”. Em solo muito claro, aparentemente sem vida, “fraco”, é bem provável que o teor de matéria orgânica seja muito baixo.

PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE PRODUÇÃO ORGÂNICA DE HORTALIÇAS – PARTE XII

O que é manejo do solo? Manejo do solo é o conjunto de todas as práticas aplicadas à determinado solo visando a produção agrícola. Inclui operações de cultivo, práticas culturais, práticas de correção e fertilização, entre outras. É a forma de cultivar e tratar o solo. O solo é a “pele” do Planeta Terra, pois é o resultado da ação do clima, do relevo e dos organismos sobre as rochas expostas na superfície do planeta. Essas rochas vão sofrendo transformações com o tempo (muito tempo!) e o solo vai sendo formado aos poucos. Para se ter uma ideia, são necessários cerca de 400 anos para que 1 cm de solo seja formado. O processo de formação do solo ocorre de baixo para cima, ou seja, à medida que o material de origem vai sendo desintegrado e transformado, vão sendo depositadas camadas, que também vão se transformando com o tempo e dando origem a novas camadas. Já os solos localizados na parte mais baixa dos vales, nas margens dos rios e lagos , podem ser formados pela deposição de materiais, muitas vezes já transformados, que vêm das partes mais altas.Na atividade agrícola, trabalha-se com uma pequena porção do solo, a mais superficial, chamada de camada arável. O solo faz parte do meio ambiente e está ligado a todos os seus outros componentes, como a água, as plantas, os animais e o homem. Dessa forma, tudo que acontece com o solo tem algum reflexo, positivo ou negativo, no ambiente do qual ele faz parte.
Como é feito o manejo do solo nos sistemas orgânicos de produção de hortaliças? De forma geral, práticas tradicionais de conservação do solo, como o plantio em curva de nível, a formação de faixas de retenção e cordões, são utilizadas também na agricultura orgânica. No entanto, a agricultura orgânica vê o solo como o centro de todo o processo produtivo, valorizando-o como recurso-chave. Por isso, o manejo orgânico prioriza práticas que proporcionem a manutenção e a melhoria da qualidade do solo, por meio do revolvimento mínimo e do aumento dos teores de matéria orgânica e da atividade biológica. Desse modo, o manejo orgânico recomenda a manutenção de cobertura vegetal sobre o solo, a adubação verde, o cultivo mínimo, o plantio direto, entre outras práticas conservacionistas.
Além disso, o manejo do solo no sistema orgânico prioriza as fontes orgânicas de nutrientes e não utiliza fertilizantes químicos de alta solubilidade. Para finalizar, é uma forma de manejar o solo “pensando em longo prazo”, ou seja, objetivando a construção da qualidade do solo com o tempo.
Fonte: Livro da Embrapa Hortaliças – Brasília, DF. Interessados em adquirir o livro “PRODUÇÃO ORGÂNICA DE HORTALIÇAS – Coleção 500 Perguntas – 500 Respostas” devem entrar em contato através do email: vendas@sct.embrapa.br

12 DE JULHO: DIA DO ENGENHEIRO FLORESTAL

No dia 12 de julho comemora-se o Dia do Engenheiro Florestal, um profissional responsável por analisar os ecossistemas florestais e planejar estratégias para que seja feito seu uso de maneira sustentável. Essa data foi escolhida porque em 12 de julho de 1073 faleceu São João Gualberto, que foi escolhido pelo Papa Pio XII, em 1952, como o Protetor dos Engenheiros Florestais. O papel desse profissional é extremamente importante, uma vez que o país possui uma grande área florestal e necessita, portanto, de profissionais capazes de controlar a exploração desenfreada de seus recursos. Para ser um bom profissional, é fundamental ter ética e comprometimento com a preservação da natureza.
Além do respeito aos recursos naturais, o engenheiro florestal necessita ter conhecimento acerca das ciências biológicas, exatas e humanas. As matérias fundamentais para sua formação são amplas e, em geral, envolvem política e legislação florestal, solos e nutrição de plantas, cartografia e geoprocessamento,ecossistemas florestais, gestão de recursos naturais renováveis, proteção florestal, entre várias outras.
CAMPO DE ATUAÇÃO: O engenheiro florestal tem um vasto e importante campo de atuação. Ele estuda e faz projetos para a preservação dos recursos renováveis e para a conservação de ecossistemas. Além de elaborar relatórios de impacto ambiental das atividades humanas em áreas de florestas, pode planejar e executar obras e serviços técnicos em engenharia rural em construções para fins florestais. Ele também estuda e faz projetos de aproveitamento racional de florestas e de reflorestamento, fazendo inventário florestal para manejo e melhoramento de florestas naturais e plantadas, pesquisando até a produção de sementes e de mudas para melhorar as características das plantas. Na indústria de móveis, de papel e celulose, por exemplo, elabora os projetos de plantio e reflorestamento das espécies mais adequadas. Também poderá atuar em atividades ligadas à ecologia e defesa sanitária, administração e desenvolvimento de estudos para preservar e conservar os parques e reservas naturais e, é claro, atividades de ensino e pesquisa ligadas à sua área de formação.

O QUE PLANTAR NA HORTA EM OUTUBRO? Pode ser o aipim, consorciado com outras hortaliças na entrelinhas!

O que é consorciação de culturas? É o aproveitamento do mesmo terreno, por duas ou mais culturas diferentes, na mesma época. Além de aproveitar bem o terreno, evita-se a erosão do solo e a disseminação de plantas espontâneas (“mato”) e, o mais importante, aumenta-se a biodiversidade, favorecendo-se um melhor equilíbrio da natureza e menor ataque de pragas. O consórcio pode ser feito nas entrelinhas e em faixas. Uma das opções é empregar espécies com estatura, desenvolvimento e modo de condução diferentes, como o aipim e a moranga, pepino, melancia ou abóbora(desenvolvimento rasteiro)
Aipim: O aipim, também chamado de mandioca e outros, é uma excelente fonte de carboidratos, com elevado valor energético e boa fonte de vitaminas do complexo B, além de sais minerais, especialmente o potássio. O aipim ou mandioca mansa, difere da mandioca brava, pela presença e concentração de ácido cianídrico nesta última que pode ser venenoso, causando náuseas, vômitos, sonolência e até mesmo a morte. O aipim é consumido, especialmente in natura e, também já descascado e congelado (o tempo de cozimento, praticamente reduz a metade, economizando gás). O aipim, em relação às outras culturas, possui como vantagem, a facilidade de propagação (ramas), tolerância à seca, bom rendimento em solos de baixa fertilidade e ainda resistência às pragas e doenças. A planta prefere solos arenosos e bem drenados. Existem inúmeras variedades de aipim. Em função do crescimento inicial lento, recomenda-se a consorciação do aipim com outras culturas. As manivas ou toletes (pedaços de ramas maduras) devem ter de 5 a 7 gemas com 2,5 cm de diâmetro e cerca de 12 a 15 cm de comprimento e, estar livre de pragas e doenças. Para solos bem drenados recomenda-se o plantio em sulcos de 10 cm de profundidade, colocando-se as mudas horizontalmente no sulco e depois cobrindo totalmente com terra. Para a região Sul do Brasil, recomenda-se o plantio no final de setembro até o final de outubro, após às chuvas. O espaçamento recomendado é de 1,5 à 2 m entre  leiras por 1 m entre plantas. O mandarová, uma lagarta muito voraz, é a principal praga que pode ser combatida, especialmente em plantio pequenos, através de visitas periódicas, catando-as e destruindo-as. A colheita deve ser efetuada na estação seca (outono e inverno), época em que as raízes apresentam melhor qualidade.
O arranquio manual das raízes deve ser feito após as chuvas e imediatamente recolhidas, pois a conservação em condições naturais é muito curta. Para evitar que as raízes percam qualidade, recomenda-se a colheita, no máximo até agosto, descascando e congelando as mesmas.

O que plantar na horta orgânica, em setembro? Pode ser o milho-verde e feijão-de-vagem, consorciados!

O que é consorciação de culturas? é o aproveitamento do mesmo terreno, por duas ou mais culturas diferentes, na mesma época. O consórcio pode ser feito na mesma linha, com um cultivo servindo como tutor para o outro cultivo.
Milho-verde: O milho (colhido antes de amadurecer), consumido verde, cozido ou assado na espiga, é um alimento muito nutritivo, rico em vitaminas, especialmente do complexo B e muito importante para o bom funcionamento do sistema nervoso. Preferencialmente, deve-se utilizar solos leves e profundos, com bom teor de matéria orgânica e boa drenagem. Existem no mercado inúmeros híbridos de milho recomendados para produção de milho-verde. O plantio direto ou o cultivo mínimo (o preparo do solo apenas do sulco de plantio) é o mais indicado. O plantio pode ser manual, no espaçamento de 1,5 à 2 m entre as linhas e 40 à 50 cm entre as plantas, colocando-se 2 a 3 sementes, na profundidade de 5 cm. Após a germinação, deve-se controlar o “mato” na linha de plantio, através de capinas. A irrigação, especialmente no florescimento e durante o enchimento dos grãos, é muito importante. O milho-verde deve ser colhido na fase chamada de grão leitoso e pastoso, cerca de 90 dias após a semeadura. Quando mantidas em temperatura ambiente, as espigas conservadas com palha tem melhor proteção (3 a 5 dias).
Feijão-de-vagem: O uso mais comum da vagem inteira ou picada, após ligeiro cozimento, é a salada temperada com óleo, sal e vinagre. As vagens, além de serem fontes de vitaminas A, B e C, ainda são ricas em fósforo, potássio e fibras.A temperatura média ideal para o crescimento e polinização desta hortaliça é de 18 a 25ºC. Em temperaturas abaixo de 15ºC as vagens ficam em forma de gancho. As variedades indicadas são: Tipo macarrão (vagem cilíndrica) – Estrela, Favorito, Campeão, Preferido e Predileto; Tipo manteiga (vagem chata) – Maravilha e Teresópolis. Obs.: Todas as cultivares citadas são
de crescimento indeterminado e, por isso, exigem o tutoramento que pode ser feito utilizando-se a cultura do milho, semeada no início de setembro. O cultivo do feijão-de-vagem é realizado por semeadura direta em covas (2 a 3 sementes), ao lado de cada planta de milho, no final de setembro. Após a colheita da espiga do milho-verde, amarram-se (duas a duas) as plantas de milho na ponta, formando um “V” invertido e, assim servindo como tutor do feijão-de-vagem. A irrigação deve ser feita pela manhã, sempre que necessário, para evitar que as folhas fiquem molhadas à noite. Efetuar a capina, sempre que necessário, na linha de plantio. Para o controle do oídio, um fungo que cobre as folhas de um mofo branco, recomenda-se a pulverização semanal com leite cru de vaca (10 a 15%). A cultura do feijão-de-vagem atinge seu ponto de colheita com 70 a 80 dias após a semeadura,cerca de 15 dias após o florescimento, prolongando-se por 30 dias ou mais.

A importância das plantas repelentes e/ou atrativas na agricultura orgânica

As plantas com sabor e cheiro forte são chamadas atrativas ou repelentes, pois possuem substâncias que afastam ou inibem a ação de insetos pragas. O cultivo dessas plantas junto com as culturas pode proteger contra o ataque de insetos e aumentar a biodiversidade, princípio básico para o suscesso do cultivo orgânico. Os cultivos de alho e cebola, também auxiliam no manejo de insetos pela ação repelente. Como qualquer estratégia de manejo agroecológico, o uso de tais plantas não deve ser feito isoladamente, e sim, em conjunto com outras técnicas de controle (ex.:consorciação, sucessão e rotação de culturas), sempre buscando a promoção do equilibrio ecológico em toda a propriedade agrícola. Quanto mais espécies tiver na propriedade, tanto maior é a biodiversidade e, com isso, criando condições favoráveis para aumentar o
número de inimigos naturais das pragas.
Quais as plantas atrativas e repelentes mais comuns e para que servem? As plantas atrativas e repelentes mais comuns são:
. Cravo-de-defunto (Tagetes minuta) e/ou cravorana silvestre (Tagetes sp.) – Repelente de insetos e nematóides, principalmente no florescimento. Atua tanto por ação direta contra as pragas quanto por “disfarce”das culturas por seu forte odor.
. Cinamomo (Melia azedorach L.) – Ação inseticida. Os frutos devem ser moídos e seu pó pode ser usado na conservação de grãos armazenados.
. Saboneteira (Sapindus saponaria L.) – Ação inseticida. Para se ter uma ideia de seu poder de ação, apenas seis frutos bastam para preservar 60 kg de grãos armazenados.
. Quássia ou pau-amargo (Quassia amara) – Ação inseticida, especialmente contra moscas e mosquitos, pelo alto teor de substâncias amargas na casca e na madeira.
. Mucuna (Mucuna spp.) e crotalária (Crotalaria spp.) – Ação nematicida. A mucuna, consorciada com milho verde, além de evitar o ataque de nematóides, proporciona uma renda ao produtor, protege o solo das chuvas intensas no verão, desfavorece as plantas espontâneas (“mato”) e ainda, fertiliza o solo.
. Coentro (Coriandrum sativum) – Ação repelente. Tem-se observado redução signi cativa de frutos de tomate perfurados por insetos, quando seu plantio é consorciado com o coentro.
. Arruda (Ruta graveolens) – Ação repelente. Evita a lagarta em hortaliças folhosas, como o repolho, couve-flor, couve e brócolis.
. Manjericão (Oncimum basilicum) – Por causa do forte odor e compostos que exala, é um repelente de insetos.
. Gergelim (Sesamum indicum) – Cordões de contorno com gergelim oferecem excelente proteção contra saúvas e outras formigas cortadeiras.
. Purungo ou cabaça (Lagenaria vulgaris) – Atrativo para o besourinho ou vaquinha-verde-amarela (Diabrotica speciosa). Pode ser plantado como cerca viva ou pode-se utilizar seus frutos cortados e espalhados na lavoura.
. Tajujá (Cayaponia tayuya) – Atrativa para as vaquinhas (patriota).
Geralmente, plantas aromáticas, medicinais e condimentares são menos atacadas por pragas, constituindo, dessa forma, uma boa opção para compor canteiros na horta, próximo às culturas. Outros exemplos dessas plantas são artemísia, alecrim, menta, tomilho, losna, sálvia, manjerona, capim cidreira, girassol, funcho, hortelã, etc.

O que plantar na horta orgânica, em agosto?

Pode ser o pimentão e alface, consorciados!
O que é consorciação de culturas? é o aproveitamento do mesmo terreno, por duas ou mais culturas diferentes, na mesma época. Além de aproveitar bem o terreno, evita-se a erosão do solo e a disseminação de plantas espontâneas (“mato”) e, o mais importante, aumenta-se a biodiversidade, favorecendo-se um melhor equilíbrio da natureza e menor ataque de pragas. O consórcio pode ser feito na linha, nas entrelinhas e em faixas. Para sucesso dessa prática, uma das opções é empregar espécies com ciclo, estatura e desenvolvimento diferentes como o pimentão e a alface.
Pimentão: O pimentão pode ser servido cru, fatiado como aperitivo, na salada, cozidos no vapor, tostados, recheados ou cozidos. O pimentão é pobre em calorias e uma excelente fonte de vitamina A e C. Embora seja uma hortaliça-fruto típica de clima tropical, produz melhor com temperaturas amenas. Recomenda-se que as mudas sejam adquiridas de produtores especializados, já prontas para o transplante (10 a 15 cm de altura). O pimentão prefere solos bem arejados, profundos, com boa drenagem e rico em matéria orgânica. O espaçamento é de 1m entre linhas por 60 cm entre plantas. A muda deve ficar na mesma profundidade que estava na bandeja de isopor. Após o transplante, o pimentão deve ser irrigado, sempre que necessário, pela manhã, para evitar que as folhas fiquem molhadas durante a noite. Quando as plantas atingem cerca de 30 cm de altura faz-se o tutoramento, utilizando-se estacas de bambu ou taquara, com 1,0 m de comprimento, fincadas lateralmente em cada planta. Em seguida, faz-se o amarrio, cuidando para não estrangular as plantas. Geralmente, não há problemas com pragas e doenças. O início da colheita ocorre em torno de 70 dias após o transplante, podendo se estender por mais dois à três meses.
Alface: A alface, hortaliça-folhosa de maior aceitação pelos consumidores, é boa fonte de vitaminas e sais minerais, destacando-se a vitamina A. Por ser de crescimento rápido é uma das espécies que mais se adapta para o consórcio com outras hortaliças. Todas as cultivares, em geral, apresentam no inverno, bom desempenho. As principais cultivares plantadas possuem folhas do tipo lisas, crespas e americana (folhas crocantes).As hortaliças folhosas respondem bem à adubação orgânica que melhora a qualidade e a conservação do produto. O transplante das mudas (4 a 6 folhas) deve ser em canteiros, previamente preparados e adubados, na profundidade que estavam na bandeja de isopor. No cultivo consorciado, recomenda-se o plantio das mudas de alface na linha e entre as linhas do pimentão, espaçadas de 30 cm entre plantas e  leiras. A grande exigência da alface (93% do peso é água), aliado a baixa capacidade das raízes de extrair água do solo, torna pequenos períodos de estiagem em seca, por isso, a irrigação diária é muito importante. Durante o desenvolvimento das plantas, são necessárias uma a duas capinas, quando se aproveita para fazer também o afofamento do canteiro (escari cação). No cultivo de alface, não há maiores problemas com pragas e doenças. A colheita deve sernas primeiras horas da manhã ou nas horas mais frescas, quando atingir o máximo de desenvolvimento, sem sinais de florescimento, normalmente a partir dos 30-45 dias após o transplante.