Agricultura Orgânica x Agricultura Convencional: Mitos e Verdades – Parte III –

Nas edições anteriores do jornal Vanguarda, comentamos sobre os Mitos: “ É impossível produzir alimentos sem agrotóxicos” e “O sistema de produção orgânico é mais caro e mais trabalhoso que o cultivo convencional”. A seguir, apresentamos mais um mito atribuído à agricultura orgânica.

Mito: A agricultura orgânica produz menos e, ainda produtos de baixa qualidade e aparência comparado ao sistema convencional (uso de agroquímicos)

O interesse das empresas em tornar o produtor dependente de insumos, a maioria importados e caros, depois de divulgar o mito de que a agricultura orgânica é de alto risco, mais cara e mais trabalhosa, foi ainda mais longe, pois criaram mais um mito: “A agricultura orgânica, além de reduzir a produtividade, proporciona produtos orgânicos de padrão comercial inferior e inadequado às exigências dos consumidores”. A literatura existente, embora ainda escassa, tem mostrado que não é verdade. A Epagri, através de pesquisas realizadas na Estação Experimental de Urussanga, SC, comparando o desempenho de diversas hortaliças nos sistemas de produção orgânico e convencional, revelou que os alimentos produzidos no cultivo orgânico não deixam nada a desejar quanto a produtividade e aparência e, ainda com melhor qualidade. Comparando-se a produtividade nos dois sistemas de produção, verificou-se, na média de 3 safras, que nos cultivos de tomate, cebola, cenoura e couve flor não houve diferenças significativas. No entanto, nos cultivos de alface e batata-doce, o sistema de produção orgânico foi superior em 10 e 19%, respectivamente. Quanto à aparência das hortaliças estudadas, não houve diferenças nos dois sistemas de produção. No entanto, quanto à qualidade verificou-se que os frutos de tomate no sistema de produção orgânico apresentaram apenas 4% de frutos com defeitos (podridão apical e frutos brocados), enquanto que no convencional, houve 12% de frutos com defeitos e não comerciais, na média de 4 safras. O efeito repelente da calda bordalesa à broca pequena devido ao sulfato de cobre e a adubação orgânica com composto orgânico, rico em cálcio, explicam, em parte, os resultados obtidos. Outro trabalho de pesquisa realizado na Estação Experimental de Urussanga com batata, evidenciou que o uso de matéria orgânica à base de turfa aumentou significativamente a percentagem de matéria seca dos tubérculos, quando comparado ao uso de apenas adubos químicos. Ao se comparar a batata industrializada na forma de palitos pré-fritos congelados, produzida em dois sistemas de produção, verificou-se que a cultivada no sistema orgânico apresentou qualidade superior em relação à obtida no cultivo convencional, quanto ao aspecto, à textura, cor e crocância. O maior teor de amido dos tubérculos no cultivo orgânico explicam estes resultados. No sistema convencional, os tubérculos apresentaram menos 10% de matéria seca, ou seja, com menor qualidade e mais aguadas.

AGRICULTURA ORGÂNICA X CONVENCIONAL: Mitos e Verdades – Parte I –

MITO: É impossível produzir alimentos sem o uso de agrotóxicos!

Existe um discurso muito difundido de que os agrotóxicos seriam uma necessidade para garantir a produção de alimentos para a população e, de que sem eles “o mundo morreria de fome”. Usando os agrotóxicos, não resolvemos o problema da fome, nem o problema da qualidade dos alimentos e ainda estamos destruindo os recursos naturais necessários para a produção e, o que é pior, a nossa saúde! Continuamos tendo quase um bilhão de desnutridos ou subnutridos no mundo, e por isso, está claro que não é uma crise que seja explicada pela subprodução, mas sim pela má distribuição.

A humanidade tem cerca de 8 mil anos de história conhecida na agricultura, e nós vivemos e nos alimentamos por todos esses milênios sem os agrotóxicos. A primeira coisa importante de tomarmos consciência é que já vivemos muitos anos como humanidade sem os venenos, e que depois do uso a produtividade da agricultura certamente elevou-se, mas a segurança e a soberania alimentar da humanidade, não. A utilização dos agrotóxicos, juntamente com os adubos químicos e sementes híbridas, forma um círculo vicioso, interessante apenas para as multinacionais da agroindústria que ainda são favorecidas com a isenção de impostos. As sementes ditas melhoradas necessitam mais adubação para se desenvolverem. A utilização do adubo químico torna as plantas mais fracas e mais suscetíveis ao ataque de pragas e doenças. E se tem que utilizar cada vez mais adubos químicos, inseticidas e fungicidas para manter o nível desejável de produção.

A agricultura “moderna” está baseada no uso intensivo de insumos, na adoção do sistema de monoculturas, o uso desequilibrado e altas doses de fertilizantes químicos e de agrotóxicos. Para reduzir as perdas provocadas pelas doenças e pragas, o controle químico através da aplicação de agrotóxicos foi a principal ferramenta utilizada durante muitos anos. No entanto, a partir da publicação do livro Primavera Silenciosa, de Rachel Carson, em 1962, os cientistas e a sociedade perceberam a necessidade de buscar alternativas para diminuir a utilização de agrotóxicos na agricultura. A agricultura orgânica é uma das opções. A agricultura orgânica vai além das técnicas de cultivo, pois inclui elementos ambientais e humanos e busca a sustentabilidade da agricultura familiar resgatando práticas que permitam ao agricultor produzir sem depender de insumos como agrotóxicos e fertilizantes químicos. É um modo de vida que busca resgatar e valorizar o conhecimento tradicional da agricultura de base familiar. Pesquisas real zadas no mundo inteiro comprovam que é possível produzir alimentos orgânicos com boa qualidade e, que não deixam nada a desejar em relação à produtividade e, o que é melhor, com a vantagem de serem mais nutritivos, mais baratos e, ainda sem riscos para a saúde das pessoas e ao meio ambiente e, sem compromete as atuais e futuras gerações!

O USO SEGURO DOS AGROTÓXICOS É UM MITO!

É comum entre os técnicos ligados à agropecuária e que são adeptos do uso de agrotóxicos, que quando aplicados corretamente e, utilizando-se os cuidados necessários, não prejudicam a saúde dos agricultores e consumidores e, não trazem riscos ao meio ambiente. .A minha experiência, ao longo de 33 anos de trabalho na Epagri, apesar da preocupação constante desta empresa no sentido de orientar os agricultores através de cursos sobre a aplicação correta dos agrotóxicos, diz que realmente não tem como fazer o uso seguro de agrotóxicos. Pode-se apenas minimizar os riscos, mas nunca eliminá-los. Recentemente, a Comissão Especial da Câmara dos deputados aprovou o relatório do projeto 6.299/02 que abranda as regras para liberação de novas substâncias, sob o argumento de “modernização” e maior segurança no uso de agrotóxicos.

O pesquisador Pedro Henrique de Abreu defendeu na Unicamp, dissertação de mestrado que investigou a viabilidade do uso seguro de agrotóxicos, visitando 81 unidades de produção familiar em 19 comunidades no município de Lavras, MG. A conclusão é taxativa: “[não existe] viabilidade de cumprimento das inúmeras e complexas medidas de “uso seguro” de agrotóxicos no contexto socioeconômico dos trabalhadores rurais.

A doutora Raquel Rigotto, professora do Departamento de Saúde Comunitária da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC), ao participar como palestrante em Seminário Nacional Contra o Uso de Agrotóxicos, também criticou a ideia de que é possível utilizá-los de forma segura e justificou a sua opinião baseado nos seguintes argumentos:

1 O receituário não funciona. Pode-se chegar numa agropecuária e comprar um veneno e usar conforme as instruções;

2. Há pouquíssimos laboratórios para análises (contaminação da água e pessoas); 450 ingredientes ativos de agrotóxicos registrados no Brasil em mais de 5.000 municípios;

3. Assistência técnica deficiente: 5 milhões de estabelecimentos agrícolas (16 milhões de trabalhadores rurais, inclusive crianças com escolaridade baixa), conforme censo agropecuário; maior assistência é feita em propriedades maiores de 200 ha;

4. Fiscalização deficiente: Como fiscalizar a forma correta de aplicar, o uso de EPI – Equipamento de Proteção individual, a carência dos agrotóxicos e, o que é pior, aqueles não registrados e proibidos num país de dimensões continental?

5. DDA – Dose Diária Aceitável : “Quantidade diária segura para o consumo de alimentos com resíduos de agrotóxicos (mg/kg de peso da pessoa)”. A DDA nos leva a crer que podemos comer um pouco de veneno (“cientificamente calculada”) todos os dias; Será que nós temos mecanismos biológicos, fisiológicos ou químicos capaz de garantir que não haverá danos à saúde se ingerirmos a DDA? Em geral, quem diz qual a “dose diária aceitável” é a própria multinacional dos agroquímicos!

RECADO À COMISSÃO ESPECIAL DA CÂMARA DOS DEPUTADOS QUE APROVARAM, NESTA SEMANA, O “PACOTE” DO VENENO !!!

Enquanto nós, pobres brasileiros, torcemos pelo Brasil para ser Hexa Campeão Mundial de Futebol e, assim termos um pouco de alegria para enfrentar as injustiças, as desigualdades e corrupção, a Comissão Especial da Câmara dos Deputados, em sua maioria, aprova o relatório que aumenta o veneno em nossa comida! Desde 2008, temos o título, nada honroso, de Campeão Mundial no uso de agrotóxicos!

Segundo a Constituição Federal – Art. 225, todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à população o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. Todos temos direito a uma alimentação saudável e adequada, independentemente de raça, gênero ou nacionalidade. Infelizmente, não é assim que está pensando a Comissão Especial da Câmara dos Deputados. Sob o argumento principal de “modernização” da agricultura, a bancada ruralista aprovou o relatório que torna mais branda as regras para liberação dos agrotóxicos para uso na produção de alimentos. Na prática, significa que o registro dos venenos, vai ser em menor tempo, ou seja, haverá menos tempo para avaliar a nova substância quanto aos seus efeitos na saúde das pessoas e no meio ambiente. O novo texto deixa de vetar substâncias que trazem risco de câncer e, ainda acelera o processo que libera os venenos. Pela lei atual, a simples ‘identificação do perigo’ de uma substância que cause mutações, câncer ou desregulação hormonal, por exemplo, já era suficiente para que o produto seja proibido. O novo texto abre a possibilidade para que haja o registro dessas substâncias após uma “análise de risco” que aponte possíveis doses seguras. Só ficaria proibido algo que apresente “risco inaceitável”. Não fica claro, porém, o que é um risco inaceitável, o que fez os deputados da oposição questionarem: “O que é aceitável? Um tumorzinho, uma malformaçãozinha? A Dose Diária Aceitável (DDA) nos leva a crer que podemos comer um pouco de veneno (“cientificamente calculada”) todos os dias; Será que nós temos mecanismos biológicos, fisiológicos ou químicos, garantindo que não haverá danos à saúde se ingerirmos a DDA? Em geral, quem diz qual a “dose diária aceitável” é a própria multinacional dos agroquímicos!

O uso de agrotóxicos, como vem sendo feito no Brasil, pode ser classificado como uma das mais graves e persistentes violações ao direito a alimentação saudável, pois impede o acesso da população a um alimento limpo e saudável, além de serem extremamente prejudicial ao meio ambiente. Os agrotóxicos intoxicam 3 milhões de pessoas, todos os anos, diz a ONU (Organização das Nações Unidas), mas mesmo assim, no Brasil, a Comissão Especial da Câmara aprovou o relatório do Projeto de Lei 6.299/2002 que facilita ainda mais o uso de venenos na comida dos brasileiros! Que retrocesso! Com esta decisão, não se está pensando no bem comum e sim nos interesses próprios! Lamentável! A aprovação desse projeto vai ser um verdadeiro desastre, tanto para saúde da população como para o meio ambiente. A bancada ruralista da Câmara dos Deputados tem, reiteradamente, se posicionado contra a participação de órgãos públicos de saúde e meio ambiente na Comissão Especial que debate o Projeto de Lei. E, o que é pior, no Brasil são consumidos pelo menos 14 tipos de substâncias que já são proibidas no mundo, por oferecerem comprovados riscos à saúde humana. Um exemplo das sérias consequências à saúde humana do uso crescente e abusivo de agrotóxicos na agricultura são os casos de intoxicação registrados no Centro de Informações e Assistência Toxicológicas (CIAT) situado no Hospital Universitário da Universidade Federal de Santa Catarina, em Florianópolis, SC. No período de 1986 até 2016, o CIAT detectou 12.811 casos de intoxicações de agricultores Segundo os técnicos, esses números representam apenas uma parte da realidade. Estima-se que para cada notificação oficial ocorram pelo menos 10 casos que não são registrados devido a dificuldade de diagnosticar corretamente os casos de intoxicação. Existe uma enorme pressão comercial das empresas produtoras de agrotóxicos, que sem qualquer compromisso com o meio ambiente e, com a saúde da população, visam apenas o aumento dos lucros.

Os venenos foram criados para acabar com a fome no mundo, mas ainda existem 1 bilhão de pessoas desnutridas no mundo, 11 mil crianças morrem de fome a cada dia,
um terço das crianças dos países em desenvolvimento apresentam atraso no crescimento físico e intelectual, 40% das mulheres dos países em desenvolvimento são anêmicas e encontram-se abaixo do peso e uma pessoa a cada sete, padece de fome no mundo.

A sociedade brasileira e catarinense não admite mais a intensa contaminação do meio ambiente e da saúde do consumidor e agricultor pelo uso desenfreado de agrotóxicos. No mundo inteiro as pessoas estão cada vez mais preocupadas com a saúde e com o consumo de alimentos mais saudáveis. A agricultura orgânica já é uma realidade! Os resultados de pesquisa estão publicados pela Epagri e outras instituições e comprovam que a agricultura orgânica só tem vantagens. Os produtos orgânicos, por não utilizarem agrotóxicos e adubos químicos solúveis e, por serem produzidos com técnicas ambientalmente corretas, são os alimentos ideais para toda a família, pois além de terem maior teor de vitaminas e sais minerais, apresentam melhor sabor e conservação e, ainda menor custo de produção.

A luta continua!!! O projeto irá ao plenário, provavelmente depois das eleições! Vamos dar o troco na próxima eleição! Chega de Agrotóxicos! Não vamos deixar a natureza, também, ser corrompida!

OUTROS PRODUTOS ALTERNATIVOS PARA O MANEJO DAS PRINCIPAIS PRAGAS E DOENÇAS NA HORTA ORGÂNICA – PARTE IV FINAL

Semana Nacional do Meio Ambiente começou em 1 de junho e foi até 5 de junho, quando se celebrou o Dia Mundial do Meio Ambiente. Uma das propostas desta data é chamar a atenção de todos os governos mundiais sobre a necessidade de implantar medidas emergenciais para prevenir a degradação do meio ambiente. O não uso de agrotóxicos, é a principal medida para proteger o meio ambiente e a saúde das pessoas. Para celebrarmos bem esta semana, na edição anterior, publicamos algumas dicas utilizando a manipueira, líquido de aspecto leitoso e de cor amarelo- clara que escorre das raízes da mandioca, por ocasião da sua prensagem para obtenção de fécula ou farinha de mandioca. Hoje, estamos colocando à disposição dos interessados em produzir alimentos saudáveis, sem contaminação, outras dicas para o manejo de pragas e doenças.

Outros produtos alternativos (Parte IV – Final)

Cinzas de madeira (não tratada) – manejo de pulgões e lagarta-rosca e dos fungos míldio e sapeco; nutrição: Além de ser um ótimo adubo rico em potássio, o polvilhamento de cinza sobre as culturas controla os pulgões dos cítrus (laranja, limão e outras) das hortaliças e de outras espécies. Polvilhada sobre o solo ou incorporada a ele, controla a lagarta-rosca por um período de 10 dias, dependendo do clima. No manejo da doença do sapeco da folha, que ocorre em cebolinha verde, e em sementeiras de cebola na fase de produção de mudas, recomenda-se aplicar sobre as plantas, antes que o sereno (orvalho) evapore, 50g/m2 de cinza de madeira.

Urina de vaca em lactação – manejo de pragas, doenças e nutrição: Indicada para legumes em geral e para o abacaxi, pois contém catecol, substância que aumenta a resistência das plantas ao ataque de pragas e doenças. No abacaxi, a urina é eficiente no controle de fusariose. No geral, durante os 3 primeiros dias após aplicação, age como repelente contra insetos, principalmente a mosca-branca. Serve também como fonte de macro e micronutrientes. Coleta e preparo: Coletar a urina e colocá-la em recipiente plástico fechado durante 3 dias, que é o tempo necessário para que a uréia se transforme em amônia. Pode ser guardada por 1 ano em vasilha fechada. A coleta da urina é simples e deve ser feita na hora de tirar o leite, pois ao ter as pernas amarradas para a ordenha é normal o animal urinar. Dosagem e aplicação: Para cada 100L de água usar 1L de urina de vaca em lactação. Pulverizar sobre a planta a cada 15 dias.

Recomendações: Toda pulverização com solução de urina deve ser aplicada nas horas frescas do dia. Evitar o uso em hortaliças folhosas e em hortaliças-frutos próximo à colheita devido ao forte odor. A urina de cabra também pode ser utilizada, mas como possui maior concentração de nitrogênio, deve ser colocado meio litro de urina para cada 100L de água. Dar preferência à urina de vacas em lactação porque tem mais substâncias (fenóis e hormônios) que as outras. O cheiro forte após a aplicação permanece durante 3 dias, agindo nesse período como repelente de insetos.

Produtos alternativos para o manejo das principais pragas e doenças na horta orgânica

A Semana Nacional do Meio Ambiente começou em 1 de junho e foi até 5 de junho, quando se celebrou o Dia Mundial do Meio Ambiente. Uma das propostas desta data é chamar a atenção de todos os governos mundiais sobre a necessidade de implantar medidas emergenciais para prevenir a degradação do meio ambiente. O não uso de agrotóxicos, é a principal medida para proteger o meio ambiente e a saúde das pessoas. Para celebrarmos bem esta semana, na edição anterior, publicamos algumas dicas utilizando farinha de trigo, iscas tóxicas com ácido bórico e iscas com plantas, sementes de gergelim e raízes de mandioca-brava ralada. Hoje, estamos colocando à disposição dos interessados em produzir alimentos saudáveis, sem contaminação, outras dicas para o manejo de pragas e doenças.

Outros produtos alternativos (Parte III)

.Manipueira – nutrição; inseticida, acaricida, nematicida, fungicida, herbicida; manejo de fungos, pragas de solo e formigas: É um líquido de aspecto leitoso e de cor amarelo-clara que escorre das raízes da mandioca, por ocasião da sua prensagem para obtenção de fécula ou farinha de mandioca. Portanto, é um subproduto ou um resíduo da industrialização da mandioca que fisicamente se apresenta na forma de suspensão aquosa e, quimicamente, como uma miscelânea de compostos que possuem macro e micronutrientes vegetais. Embora atualmente seja cedida gratuitamente, pois é um produto descartável, muito em breve poderá ser aproveitada como inseticida, acaricida, nematicida, fungicida, herbicida e até como adubo. Dosagem: Como inseticida e acaricida, o tratamento deve constar de, no mínimo, de três ou quatro pulverizações aplicadas em intervalos semanais, puras ou diluídas, conforme a cultura, acrescentando-se 1% de farinha de trigo para maior aderência. Para tratamento de árvores frutíferas (cítrus, abacateiro e outras) e arbustos (maracujá), usar a diluição 1:1 (manipueira:água); para plantas herbáceas de maior porte (pimentão, berinjela, etc.), diluições de 1:2 e 1:3 e para as espécies de menor porte, usar a diluição 1:4. Como fungicida (para oídios e ferrugens) e bactericida, devem ser observadas as mesmas recomendações prescritas para seu uso como inseticida. No controle de nematoides, utilizar manipueira (1:1) aplicando no solo, na linha de cultivo, com auxílio de regador, 2 a 4L da diluição por metro de sulco. A aplicação deve ser antes do plantio, devendo o solo ficar em repouso por 8 dias ou mais e, posteriormente, ser revolvido levemente a parte que compõe e margeia a linha de cultivo, antes de proceder à semeadura ou ao plantio.

Observação: recomenda-se sempre fazer um teste preliminar com algumas plantas com o objetivo de ajustar a diluição à sensibilidade da planta a ser tratada e da praga a ser controlada No manejo de formigas, utilizar 2L de manipueira no formigueiro para cada olheiro, repetindo a operação a cada 5 dias. Em tratamento de canteiro, regá-lo usando 4L de manipueira e uma parte de água, acrescentando 1% de açúcar ou farinha de trigo. Aplicar em intervalos de 14 dias, pulverizando ou irrigando.

Produtos alternativos para o manejo das principais pragas e doenças na horta orgânica

     A Semana Nacional do Meio Ambiente começou em 1 de junho e foi até 5 de junho, quando se celebrou o Dia Mundial do Meio Ambiente. Uma das propostas desta data é chamar a atenção de todos os governos mundiais sobre a necessidade de implantar medidas emergenciais para prevenir a degradação do meio ambiente. O não uso de agrotóxicos, é a principal medida para proteger o meio ambiente e  a saúde das pessoas. Para celebrarmos bem esta semana, na edição anterior, publicamos algumas dicas utilizando água de cinza e cal, enxofre e leite cru. Hoje, estamos colocando à disposição dos interessados em produzir alimentos saudáveis, sem contaminação, várias outras dicas para o manejo de pragas e doenças.

Outros produtos alternativos (Parte II)

.Farinha de trigo adesivo ecológico e manejo de ácaros, pulgões e lagartas: Quanto mais cerosa for a superfície da folha ou ramos das plantas tratadas, maior número de gotas se forma, menor a área de molhamento, maior a possibilidade de injúrias e menor a eficiência da pulverização sobre a nutrição ou manejo de pragas e doenças. Dentre as hortaliças, alho, cebola, repolho e couve-flor são exemplos de culturas com alta cerosidade nas folhas e que exigem, por isso, o uso de espalhante adesivo nas pulverizações das caldas, da água de cinza e cal e de outros produtos alternativos. Quando as gotas permanecem inteiras sobre a superfície foliar, por falta de espalhante adesivo, podem danificar os tecidos vegetais quando o sol incide sobre elas. Modo de preparar: Em um recipiente, misture com água os ingredientes a serem pulverizados, acrescentando a farinha por último. Adicionar a farinha aos poucos, lentamente, sob forte e constante agitação com auxílio de uma pá de madeira para que a dissolução seja completa. Para evitar obstrução de bicos do pulverizador recomenda-se coar a calda. Dosagem: 200g de farinha de trigo em cada 10L de calda. Essa dose pode ser aumentada ou diminuída de acordo com o grau de cerosidade das folhas. No manejo de insetos-pragas, recomenda-se o seguinte preparo: diluir 1 colher de sopa de farinha de trigo em 1L de água e pulverizar nas folhas atacadas. Aplicar pela manhã em cobertura total nas folhas, em dias quentes, secos e com sol; mais tarde, as folhas secando com o sol formam uma película que envolve as pragas e caem com o vento.

.Iscas tóxicas com ácido bóricomanejo de lesmas: A isca deve ser formulada com 7 partes de farinha de trigo, 3 partes de farinha de milho, 3% a 5% de ácido bórico (encontrado em farmácias) e ovos. A pasta resultante deve ser filamentosa, seca à sombra, fragmentada em pedaços de 0,5cm de comprimento e distribuída na área infestada.

.Iscas com plantas e sementes de gergelim e com raízes de mandioca-brava raladamanejo de formigas: O uso de sementes de gergelim como iscas, para ninhos pequenos, na base de 30 a 50g, ao redor do olheiro, é útil no combate a formigas, que vão carregá-las para dentro com o objetivo de alimentar os fungos que, por sua vez, morrem intoxicados, deixando as formigas sem alimento (fungos). Um bom método natural para espantar as formigas é espalhar sementes de gergelim em torno dos canteiros ou da área a ser protegida. Raízes de mandioca-brava raladas colocadas ao redor do formigueiro intoxicam as formigas com o ácido cianídrico.

 

Produtos alternativos para o manejo das principais pragas e doenças na horta orgânica

A Semana Nacional do Meio Ambiente começa em 1 de junho e vai até 5 de junho, quando se celebra o Dia Mundial do Meio Ambiente. Uma das propostas desta data é chamar a atenção de todos os governos mundiais sobre a necessidade de implantar medidas emergenciais para prevenir a degradação do meio ambiente. O não uso de agrotóxicos, é a principal medida para proteger o meio ambiente e a saúde das pessoas. Para celebrarmos bem esta semana, nas duas edições anteriores, publicamos várias dicas utilizando os preparados de diversas plantas. A partir de hoje, estaremos colocando à disposição dos interessados em produzir alimentos saudáveis, sem contaminação, várias outras dicas para o manejo de pragas e doenças em hortaliças.

Outros produtos alternativos (Parte I)

Água de cinza e cal – “fertiprotetor” de plantas: É um produto ecológico obtido pela mistura de água, cinza e cal, recomendado para aumentar a resistência das culturas às pragas, reduzindo a ocorrência de vaquinhas e pulgões e também de doenças. Essa mistura contém expressivos teores de macro (Ca, Mg e K) e micronutrientes, estimulando a resistência às doenças fúngicas e bacterianas. Modo de preparar: Em um recipiente de alvenaria, plástico ou latão misturar 5 kg de cal hidratado e 5kg de cinza peneirada com 100L de água. A mistura deve permanecer em repouso no mínimo por 1 hora antes de ser utilizada. Nesse período, agita-se a mistura no mínimo três a quatro vezes. Após a última agitação, espera-se 10 a 15 minutos para que ocorra a sedimentação das partículas sólidas. A água de cinza e cal deve ser coada antes do uso. A mistura deve ser filtrada e armazenada em bombonas. No momento de usá-la, basta agitar o conteúdo que irá retomar a cor branco-leitosa. No momento de usá-la, pode-se associá-la a um espalhante adesivo (farinha de trigo a 2%). Cuidados na aplicação: Evitar aplicar em horários de intenso calor. No verão, aplicar à tardinha ou de manhã cedo, especialmente quando a cinza utilizada for de madeira, pois tem maior concentração de nutrientes e é mais salina e alcalina.

Enxofre – acaricida: É um produto natural que pode ser usado puro visando o manejo de ácaros. Ao ser utilizado puro, devem-se misturar, a seco, 800g de enxofre e 200g de farinha de milho bem fina, diluindo 34g em 10 litros de água e aplicar sobre as plantas.

Leite cru – manejo de ácaros, ovos de lagartas, lesmas, doenças fúngicas e viróticas: O leite, na sua forma natural, é indicado para o manejo de ácaros e ovos de diversas lagartas, como atrativo para lesmas e no controle de várias doenças fúngicas e viróticas. Pesquisa comprovou a eficiência do leite cru (+10%) sobre o oídio (pó branco sobre as folhas) em cucurbitáceas, mesmo após o início da infecção no campo, superando o leite industrializado (tipo C e o longa vida). Essa maior eficiência do leite cru e fresco pode ser explicada, em parte, pela maior concentração de substâncias e de microrganismos fermentados em relação aos leites industrializados.

Produtos alternativos para o manejo das principais pragas e doenças na horta orgânica

     A Semana Nacional do Meio Ambiente começa em 1 de junho e vai até 5 de junho, quando se celebra o Dia Mundial do Meio Ambiente. Uma das propostas desta data é chamar a atenção de todos os governos mundiais sobre a necessidade de implantar medidas emergenciais para prevenir a degradação do meio ambiente. O não uso de agrotóxicos, é a principal medida para proteger o meio ambiente e  a saúde das pessoas. Para celebrarmos bem esta semana,  a partir de hoje, estaremos colocando à disposição dos interessados em produzir alimentos saudáveis, sem contaminação, várias dicas para o manejo de pragas e doenças em hortaliças.

Preparados de plantas (Parte I)

.Preparado com cebolamanejo de pulgões, lagartas e vaquinhas: Cortar 1kg de cebola e misturar em 10L de água, deixando o preparado curtindo durante 10 dias. Utilizar 1L da mistura em 3L de água para pulverizar as plantas, atuando como repelente.

.Preparado com sálviamanejo de lagartas da couve: Derramar 1L de água fervente sobre duas colheres de sopa de folhas secas de sálvia. Tampar o recipiente e deixar em infusão durante 10 minutos. Agitar bem, filtrar e pulverizar imediatamente sobre as plantas visando à borboleta branca, que coloca os ovos nas folhas de couve, originando as lagartas que comem as folhas.

.Preparado com pimenta vermelhamanejo de vaquinhas, pulgões, grilos e paquinhas: Bater 500g de pimenta vermelha em um liquidificador com 2L de água até a maceração total. Coar o preparado e misturar com 5 colheres de sopa de sabão de coco em pó, acrescentando então mais 2L de água. Pulverizar sobre as plantas atacadas.

.Preparado com samambaiamanejo de ácaros, cochonilhas e pulgões: Colocar 500g de folhas frescas ou 100g de folhas secas em 1L de água. Ferver por meia hora. Para a aplicação, diluir 1L desse macerado em 10L de água.

.Preparado com alhomanejo de trips, pulgões, lagarta-do-cartucho-do-milho e doenças [podridão negra, ferrugem e alternária]):O alho é um antibiótico natural e pode ser usado como inibidor ou repelente de parasitas de plantas ou animais. Dissolver 50g de sabão em 4 litros de água, juntar 2 cabeças picadas de alho e 4 colheres de pimenta vermelha picada. Coar e pulverizar.

.Preparado com chuchumanejo de lesmas e caracóis: Colocar dentro de latas rasas pedaços de chuchu cortados ao meio, adicionando-se sal. A mistura é bastante atrativa para essas pragas, possibilitando, depois, a eliminação mecânica.

 

Os 10 mandamentos para produzir hortaliças saudáveis, mais nutritivas e, em paz com a natureza

Nas edições anteriores comentamos sobre as cinco primeiras recomendaçôes para implantar e conduzir uma horta orgânica: 1. Escolha do local, análise, correção do solo e preparo dos canteiros; 2.Escolha das espécies, variedades,  sementes e mudas de acordo com a época de cultivo;  3.Adubação orgânica do solo; 4. Sistemas de semeadura e plantio; 5.Manutenção e ampliação da biodiversidade. 6.Cobertura do solo e manejo de plantas espontâneas (“mato”); 7. Rotação, sucessão e consorciação de culturas; 8. Irrigação.

9.Principais tratos culturais

Adubação de cobertura: Em solos com menos de 2% de matéria orgânica é muito importante esta prática, especialmente nas hortaliças-folhosas. No entanto, deve-se evitar o uso exagerado de adubos nitrogenados, especialmente esterco de aves, pois podem salinizar, desagregar e compactar o solo, reduzir a resistência das plantas e até queimá-las. Recomenda-se, preferencialmente, o composto orgânico que pode ser feito na propriedade; deve ser utilizado na adubação de cobertura em pequenas quantidades por aplicação e bem incorporado ao solo (no máximo 0,5 kg/m2). Desbaste ou raleamento: consiste na eliminação do excesso de plantas semeadas diretamente no canteiro, nas covas e nos recipientes, deixando as mais vigorosas. Capinas e escarificações: as plantas espontâneas competem com os cultivos por luz, água e nutrientes, especialmente nos primeiros 30 dias. Após o período crítico, as plantas espontâneas nas entrelinhas são consideradas “amigas”, pois ajudam a manter a umidade no solo e evitam a erosão do solo..  Mesmo que não haja “mato”, recomenda-se o uso de enxada ou sacho nas linhas de cultivo para escarificar o solo (revolvimento superficial), no início do desenvolvimento vegetativo. Tutoramento ou estaqueamento é feito com bambu para algumas hortaliças como ervilha torta, tomate,  feijão-de-vagem, pepino, pimentão, berinjela e chuchu, para evitar o  crescimento das plantas e frutos em contato com a terra, facilitar a aeração e a insolação e evitar a quebra de ramos. No tomateiro, recomenda-se o  tutoramento vertical onde as plantas são conduzidas perpendicularmente ao solo, melhorando a distribuição solar e a aeração. Amarrio e Desbrota:  o amarrio consiste em amarrar as plantas nas estacas e arames, sem estrangular, pois estão em crescimento, com o objetivo de melhorar o apoio e evitar danos causados por ventos, especialmente nos cultivos de tomate e pimentão. A desbrota consiste na eliminação dos brotos que saem das axilas das folhas ou da haste de algumas espécies como o tomate. Amontoa: consiste em chegar terra junto às plantas, para melhorar sua fixação ao solo e, no caso da batata, serve ainda para evitar que os tubérculos se desenvolvam fora da terra, favorecendo o seu esverdeamento. Uma boa amontoa (cerca de 20cm de altura) com o solo sem torrões, reduz também os danos de insetos (larva-alfinete, a forma jovem da vaquinha) que perfuram e depreciam os tubérculos de batata e raízes de batata-doce. A amontoa bem feita impede que os ovos que a vaquinha (patriota) põe nas plantas caiam diretamente próximos aos tubérculos, dando origem às larvas-alfinete que perfuram os mesmos.

Os 10 mandamentos para produzir hortaliças saudáveis, mais nutritivas e, em paz com a natureza

Nas edições anteriores comentamos sobre as sete primeiras recomendaçôes para implantar e conduzir uma horta orgânica: 1. Escolha do local, análise, correção do solo e preparo dos canteiros; 2.Escolha das espécies, variedades,  sementes e mudas de acordo com a época de cultivo;  3.Adubação orgânica do solo; 4. Sistemas de semeadura e plantio;  5.Manutenção e ampliação da biodiversidade; 6. Cobertura do solo e manejo de plantas espontâneas (“mato”); 7. Rotação, sucessão e consorciação de culturas. 

8.Irrigação ou rega

As hortaliças, por terem ciclo curto, sofrem mais que outras espécies com pequenos períodos de estiagem. Embora ocorram precipitações consideradas suficientes para desenvolvimento das hortaliças, essas são irregulares. Além disso, a maioria das hortaliças são exigentes, pois apresentam em sua composição mais de 85% de água. A qualidade da água é muito importante, pois grande parte das hortaliças são consumidas cruas. Caso não seja água potável, recomenda-se fazer a análise da mesma, mesmo sendo oriunda de uma fonte natural, pois pode estar contaminada com alto teor de coliformes fecais. O sistema de irrigação mais usado numa horta doméstica, comunitária ou escolar é através da aspersão. Havendo reservatório de água, pode-se utilizar mangueiras com jatos finos ou adaptadas a microaspersores. O ideal é utilizar sistema de irrigação que produz gotas pequenas, formando uma espécie de neblina, evitando-se assim que, as plantinhas recém emergidas ou transplantadas sofram danos, além de evitar a formação de uma crosta endurecida no solo. Outra forma muito prática e barata de irrigar é através do sistema “santeno” que consiste numa mangueira de plástico, perfurada com raios laser e resistente à exposição ao sol, produzindo uma neblina fina. Com essa mangueira, encontrada em lojas especializadas, deve-se evitar a irrigação quando houver ventos. A terra deve ser molhada até à profundidade em que se encontra a maioria das raízes. A maior parte das raízes das hortaliças em pleno desenvolvimento alcança a profundidade de 15-20 cm. Para hortaliças-folhosas é aconselhável irrigar diariamente, caso não chova, durante todo o ciclo das plantas para se obter folhas tenras. Para hortaliças-frutos, à medida que as plantas forem crescendo, a irrigação pode ser espaçada de três em três dias até o final da colheita, caso não chova o suficiente; o mesmo intervalo de irrigação pode ser utilizado para as hortaliças-raízes, dispensando-a quando já estiverem em condições de serem colhidas. Sempre que possível, para as espécies pertencentes à família das solanáceas (tomate, batata, pimentão, pimenta e berinjela) que têm maiores problemas de doenças, deve-se evitar que a folhagem das plantas passem a noite molhada, preferindo-se a irrigação pela manhã, quando o sistema for por aspersão. A irrigação por sulcos e por gotejamento são ideais para essas espécies. Uma indicação prática, aproximada, da necessidade de irrigação pode ser obtida quando um punhado de terra apertado na palma da mão formar um conjunto coeso e úmido (“bolo”), o que significa que ela apresenta boas condições de umidade. É importante após a irrigação, esperar um pouco para que a água se infiltre, observando-se, depois, a profundidade atingida pela mesma.

Os 10 mandamentos para produzir hortaliças saudáveis, mais nutritivas e, em paz com a natureza

Nas edições anteriores comentamos sobre as seis primeiras recomendações para implantar e conduzir uma horta orgânica: 1. Escolha do local, análise, correção do solo e preparo dos canteiros; 2.Escolha das espécies, variedades, sementes e mudas de acordo com a época de cultivo; 3.Adubação orgânica do solo; 4. Sistemas de semeadura e plantio; 5.Manutenção e ampliação da biodiversidade; 6. Cobertura do solo e manejo de plantas espontâneas (“mato”).

7.Rotação, sucessão e consorciação de cultivos

A monocultura, ou seja, o cultivo de apenas uma espécie numa área, é um dos maiores problemas da agricultura “moderna”, pois não existindo diversificação de espécies, as pragas e doenças ocorrem de forma mais intensa, por ser a única espécie presente no local, tornando o sistema de produção mais instável e mais sujeito às adversidades. Daí a importância dos consórcios de culturas e até a manutenção  de faixas ou refúgios com “mato” e até consórcios dos cultivos com plantas espontâneas que podem servir para atrair insetos predadores e até como alimento preferencial das pragas das culturas e também como abrigo e alimento de inimigos naturais dos insetos-pragas. Portanto, no sistema de produção orgânico é fundamental buscar-se em primeiro lugar uma maior diversificação da paisagem geral com espécies de interesse comercial ou não, de forma a restabelecer a cadeia alimentar entre todos os seres vivos, desde microrganismos até animais maiores e pássaros, pois somente assim se obterá sistemas de produção mais estáveis, garantindo o lucro dos produtores, mesmo em condições climáticas adversas. A rotação de culturas é uma prática que reduz e até pode eliminar alguns dos problemas citados. Na prática, sabe-se que a rotação ou sucessão de cultivos já é realizada por alguns olericultores localizados próximos aos grandes centros consumidores sem, no entanto, levar em consideração os princípios fundamentais para o sucesso dessa prática milenar. É comum também os produtores confundirem rotação de culturas com sucessão de culturas. Por isso, a seguir estão relacionados os conceitos de rotação, monocultura, sucessão e consorciação de culturas. Rotação: é o cultivo alternado de diferentes espécies vegetais, de diferentes famílias botânicas, no mesmo local e na mesma estação do ano, seguindo-se um plano pré-definido, de acordo com princípios básicos. Monocultura: uso continuado de uma mesma cultura, numa mesma estação de crescimento e numa mesma área. Sucessão de culturas: estabelecimento de duas ou mais espécies em sequência na mesma área, em um período igual ou inferior a 12 meses.

Principais benefícios da rotação de culturas: Redução ou eliminação de doenças, pragas e plantas espontâneas; Aumento da produtividade e melhoria da qualidade, com redução de custos; Manutenção ou melhoria da fertilidade e propriedades físicas do solo; Redução das perdas por erosão; Diversificação de renda da propriedade e Melhor aproveitamento dos fatores de produção (terra, capital e mão de obra).

Os 10 mandamentos para produzir hortaliças saudáveis, mais nutritivas e, em paz com a natureza

Nas edições anteriores comentamos sobre as cinco primeiras recomendações para implantar e conduzir uma horta orgânica: 1. Escolha do local, análise, correção do solo e preparo dos canteiros; 2.Escolha das espécies, variedades,  sementes e mudas de acordo com a época de cultivo;  3.Adubação orgânica do solo; 4. Sistemas de semeadura e plantio; 5.Manutenção e ampliação da biodiversidade. 

6. Cobertura do solo e manejo de plantas espontâneas (“mato”)

Cobertura morta: Essa prática consiste na colocação de capim ou palha seca (5 a 10cm) e outros materiais nas entrelinhas das hortaliças cultivadas em espaçamentos maiores. A cobertura morta mantém a superfície do solo sem a formação de crosta (superfície endurecida), evita a evaporação da água da chuva ou da irrigação, reduz a erosão em solos inclinados, diminui a temperatura do solo no verão e, principalmente, economiza capinas devido à menor incidência de plantas espontâneas. A cobertura morta também reduz a freqüência de capinas, escarificações e irrigação. Cobertura viva: As plantas espontâneas ajudam a cobrir o solo, reduzindo a erosão e o aquecimento superficial, nossos principais problemas, contribuindo para melhorar a disponibilidade de água e a absorção de nutrientes pelas raízes. Ao impedir o carregamento de terra e nutrientes para fora da lavoura (erosão), as plantas espontâneas formam uma barreira que protege o solo do impacto das gotas de chuva, facilita a infiltração da água, reduz o escoamento superficial e diminui a evaporação da umidade, melhorando a capacidade do solo de armazenar água. Havendo necessidade de manejo, as plantas espontâneas não devem ser totalmente eliminadas. A intervenção deverá ser no sentido de auxiliar a natureza para que este processo ocorra ao longo do tempo, para que a população de plantas mais “agressivas” seja reduzida a níveis toleráveis, cedendo espaço para as mais “comportadas” e de mais fácil manejo. Dependendo do cultivo, é possível permitir o crescimento das plantas espontâneas. Em certos casos, amassar o “mato” pode ser mais vantajoso do que roçar e, roçar, mais vantajoso do que capinar. Como manejar as plantas espontâneas?

Práticas de prevenção: evitar a multiplicação; uso de sementes e mudas isentas de plantas espontâneas; em áreas muito inçadas, preparar o solo com antecedência para permitir a emergência e eliminação de plantas espontâneas; utilizar composto orgânico ao invés de esterco de gado (fonte de sementes de plantas espontâneas); controle manual; rotação e consorciação de culturas;
Plantas de cobertura (adubos verdes) em rotação, sucessão ou consorciadas com os cultivos e com efeitos alelopáticos: mucuna (abafamento), feijão de porco (tiririca), aveia e nabo forrageiro (papuã), ervilhaca e outras;
Roçada das plantas espontâneas: elas podem conviver com os cultivos, especialmente de maior espaçamento entre as linhas, após o período crítico de competição, principalmente por luz, nos 30 dias após o plantio. Quando necessário, recomenda-se a roçada nas entrelinhas.

OS 10 MANDAMENTOS PARA PRODUZIR HORTALIÇAS SAUDÁVEIS, MAIS NUTRITIVAS E, EM PAZ COM A NATUREZA

Nas quatro edições anteriores comentamos sobre as quatro primeiras recomendaçôes para implantar e conduzir uma horta orgânica: 1. Escolha do local, análise e correção do solo, confecção e preparo dos canteiros; 2.Escolha das espécies, variedades, sementes e mudas de acordo com o tamanho do terreno e a época de cultivo; 3.Adubação orgânica do solo; 4. Sistemas de semeadura e plantio.

5. Manutenção e ampliação da biodiversidade

A terra funciona como uma máquina, onde cada espécie (simples micróbio ao ser humano) desempenha a sua parte para manter o planeta funcionando, normalmente. As principais causas da perda de biodiversidade são: Destruição das florestas onde estão 2/3 das espécies; Mudanças climáticas; As atividades de agricultura e pecuária através da exploração excessiva de espécies de plantas e animais, monoculturas, contaminação do solo, água e atmosfera por poluentes (agrotóxicos e adubos químicos); A industrialização tem causado a poluição do ar, do solo e da água; O crescimento das cidades, produzindo cada vez mais lixo e demandando mais esgotos; A construção de barragens fazem com que grandes extensões de terra deixem de existir, comprometendo também a vida de plantas e animais.

Mas porque é tão importante preservar e ampliar a biodiversidade? A restituição da biodiversidade vegetal permite o restabelecimento de inúmeras interações entre o solo, as plantas e os animais, resultando em efeitos benéficos para o meio ambiente. Entre estes efeitos pode-se citar: maior variedade na dieta alimentar e mais produtos para o mercado; uso eficaz e conservação do solo e da água, manejo da matéria orgânica e implantação de quebra ventos; otimização na utilização de recursos locais e controle biológico natural. Mas como preservar e ainda ampliar a biodiversidade? Educação ambiental; Praticar agricultura orgânica: adubação orgânica, nunca utilizar agrotóxicos e adubos químicos, considerar as plantas espontâneas (“mato”) como plantas “amigas”, fazer rotação e consorciação de culturas, plantio direto e outras práticas; Produzir alimentos no sistema de produção agro florestal, conciliando agricultura, pecuária e floresta; Proteger e fazer o plantio de árvores. Entre os motivos parapreservar e ampliar a  iodiversidade, são citados: Motivos éticos, pois o ser humano tem o dever moral de proteger outras formas de vida, já que é espécie dominante no planeta; Motivos econômicos pois a diminuição de espécies pode prejudicar atividades já existentes e ainda comprometer a produção de medicamentos; Motivos funcionais da natureza, tendo em vista que a redução da biodiversidade leva a perdas ambientais. Isto acontece porque as espécies estão interligadas por mecanismos  naturais com importantes funções, tais como: a regulação do clima, purificação do ar, proteção dos solos e das bacias hidrográficas contra a erosão, controle de pragas e doenças, além de outras.

OS 10 MANDAMENTOS PARA PRODUZIR HORTALIÇAS SAUDÁVEIS, MAIS NUTRITIVAS E, EM PAZ COM A NATUREZA

Nas três edições anteriores comentamos sobre as três primeiras recomendações para implantar e conduzir uma horta orgânica: 1. Escolha do local, análise e correção do solo, confecção e preparo dos canteiros; 2.Escolha das espécies, variedades, sementes e mudas de acordo com o tamanho do terreno e a época de cultivo; 3.Adubação orgânica do solo. Nesta edição, trataremos da quarta recomendação importante para o sucesso da horta.

4 – Sistema de semeadura e plantio

Semeadura direta: consiste na semeadura uniforme das sementes em sulcos, no canteiro, na profundidade de 1 a 2cm, utilizando-se marcadores ou sacho, cobrindo-as com a própria terra; pode ser feita também em covas ou em sulcos, sem preparo de canteiros. Como regra geral, as sementes devem ficar enterradas numa profundidade de cinco vezes o seu tamanho.

Plantio direto: consiste no plantio de tubérculos, raízes, rizomas, bulbilhos, ramas, filhotes e estolhos em sulcos, em covas, ou em camalhões, na profundidade de 5 a 10 cm, utilizando-se enxada ou sacho, no espaçamento indicado para cada espécie; pode ser feito também em sulcos, ou em covas, diretamente no canteiro.

Transplante de mudas: consiste na mudança das plantas que cresceram na sementeira ou em recipientes, para o local definitivo em sulcos ou em covas, enterrando-as até à profundidade em que estavam na sementeira ou em recipiente, no espaçamento indicado para a espécie. Deve ser feito, preferencialmente, em dias nublados ou à tardinha para garantir melhor pegamento, principalmente no verão. Quando as mudas são produzidas em copinhos ou em bandejas, o pegamento é de 100%, pois a maioria das raízes estão intactas no torrão formado nesses recipientes. Para retirá-las da bandeja basta umedecer um pouco e bater de leve no fundo.

Plantio direto e cultivo mínimo: o sistema de plantio direto e cultivo mínimo são práticas importantíssimas no cultivo orgânico de hortaliças, tendo em vista que a maioria dos nossos solos estão sujeitos a processos de erosão causado por chuvas intensas, aliado a baixos teores de matéria orgânica. Outra vantagem dessas práticas é o fato do solo estar sempre preparado para semeadura/plantio, mesmo em períodos chuvosos que não permite o revolvimento do mesmo devido a umidade excessiva. Para o plantio direto ou cultivo mínimo, bastar fazer uma roçada utilizando uma foice ou roçadeira manual para áreas maiores e abrir as covas ou sulcos. O plantio direto é um método que não revolve o solo. A camada de cobertura vegetal(adubos verdes ou “mato”) é mantida e se faz apenas a abertura de um pequeno sulco ou cova onde é colocada a semente ou a muda. O cultivo mínimo é a mínima manipulação do solo necessária para a semeadura ou plantio de mudas.

OS AGROTÓXICOS: RISCOS, CUIDADOS E DIREITOS DOS CIDADÃOS

Segundo a Constituição Federal – Art. 225: Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à população o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. Todos temos direito a uma alimentação saudável e adequada, independentemente de raça, gênero ou nacionalidade. É importante que se priorize a ideia de que a alimentação saudável e adequada é um direito de todos. O uso de agrotóxicos, como vem sendo feito no Brasil, pode ser classificado como uma das mais graves e persistentes violações ao direito à alimentação saudável, pois impede o acesso da população a um alimento limpo e saudável, além de serem extremamente prejudicial ao meio ambiente. Os venenos foram criados sob o argumento de acabar com a fome no mundo, mas ainda existem 1 bilhão de pessoas desnutridas no mundo, 11 mil crianças morrem de fome a cada dia, um terço das crianças dos países em desenvolvimento apresentam atraso no crescimento físico e intelectual, 40% das mulheres destes países são anêmicas e encontram-se abaixo do peso e uma pessoa a cada sete, padece de fome no mundo.
É importante lembrar que os agrotóxicos pulverizados sobre as culturas agrícolas e o solo têm capacidade de penetrar nas folhas e polpas, e que os procedimentos de lavagem e retirada de cascas e folhas externas favorecem a redução dos resíduos de agrotóxicos, limpando a superfície dos alimentos, mas sendo incapazes de eliminar aqueles contidos nas partes internas. Um dos procedimentos amplamente divulgados, a higienização dos alimentos com solução de hipoclorito de sódio tem o objetivo de diminuir os riscos microbiológicos, mas não de eliminar agrotóxicos.
Outro alerta importante para diminuir risco de ingestão de agrotóxicos nos alimentos é a opção pelo consumo de alimentos da época ou produzidos com técnicas de manejo integrado de pragas (recebem uma carga menor de produtos químicos) e, especialmente aqueles provenientes da agricultura orgânica ou agroecológica. O uso sem controle dos agrotóxicos pode comprometer de forma grave e irreversível a saúde em decorrência da presença de resíduos de agrotóxicos acima de limites estabelecidos
e, o que é pior, a utilização de produtos proibidos. O Programa de Análise de Resíduo de Agrotóxicos em Alimentos (PARA), vinculado à Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), relata o resultado de 3.293 amostras de 13 alimentos monitorados;
todos os alimentos apresentaram resíduos de agrotóxicos.
Dentre os alimentos, destacaram-se o pimentão, cenoura, morango, pepino, alface e o abacaxi com 90, 67, 59, 44, 43 e 41% de amostras com resíduos de agrotóxicos, respectivamente. O aspecto positivo do PARA é que o rastreamento dos alimentos produzidos em todo o país está cada vez maior, o que significa dizer que o cerco aos produtores que utilizam agrotóxicos está se fechando. Fica a pergunta: porque correr o risco de produzir alimentos contaminados, quando temos a alternativa da agricultura orgânica que produz alimentos sadios, de melhor qualidade, com custo menor e produtividade semelhante e, o melhor, sem poluir o meio ambiente?

27 DE AGOSTO: DIA DA LIMPEZA URBANA

“Lixo” não existe! Tudo se transforma Todo o “lixo” produzido pode virar alguma coisa útil, sem exceção!

A frase acima pode soar absurda. Mas é isso mesmo que pensa o economista Sabetai Calderoni, da Universidade de São Paulo, maior especialista brasileiro em lixo e conselheiro da ONU no assunto. Sabetai, autor do livro “Os Bilhões Perdidos no Lixo”, afirma que, embora nem tudo o que se joga fora possa ser aproveitado como comida, todo o “lixo” pode ser aproveitado de alguma forma. Um dos maiores potenciais desperdiçados é o não aproveitamento do “lixo” orgânico, que geralmente vem de restos de alimentos. Esse “lixo” poderia se transformar em algo útil se passasse por um processo chamado compostagem; o “lixo” é submetido à ação de bactérias em alta temperatura e se transforma em dois subprodutos – um adubo natural de ótima qualidade e o gás metano, que é usado na geração de energia termoelétrica. O “lixo” orgânico pode ser aproveitado em nossa casa e até em apartamento, através da construção de uma composteira. Para maiores informações sobre como construir uma composteira no apartamento, sugerimos ver o vídeo no link: https://vimeo.com/42740420
O “lixo” inorgânico (vidro, plásticos e metais) através da reciclagem gera lucros, atividade já praticada em quantidades cada vez maiores. O outro motivo para incentivar essa indústria são os empregos que ela poderia gerar. O Brasil produz 280 000 toneladas de “lixo” por dia. Descontando as 39.000 toneladas de alimento viável que poderiam ser facilmente extraídas desse “lixo” e disponibilizadas às populações carentes, ainda seria possível gerar 120.000 empregos só no processamento do resto, nos cálculos de Sabetai. Por isso, afirma: “Lixo” não existe, o que existe é ignorância, falta de vontade e ineficiência. O país lucraria também ao poupar o dinheiro que é gasto para dar fim ao “lixo”. “Lixo é o único produto da economia com preço negativo”, diz Sabetai. Em outras palavras, o processamento de lixo é o único negócio no qual a aquisição da matéria-prima é remunerada – paga-se muito para livrar-se dela. As prefeituras brasileiras costumam gastar entre 5% e 12% de seus orçamentos com “lixo”. Sem falar que o melhor aproveitamento do “lixo” valorizaria dois bens que não têm preço: a saúde da população e a natureza. Segundo a Pesquisa Nacional de Saneamento Básico, 76% do “lixo” brasileiro acaba em lixões a céu aberto. Esses lixões são uma ameaça à saúde pública porque permitem a proliferação de vetores de doenças. Além disso, a decomposição do “lixo” nesses locais não só gera o metano que polui o ar como também o chorume, um líquido preto e fedido que envenena as águas superficiais e subterrâneas.

“Ambiente limpo não é o que mais se limpa e sim o que menos se suja”
(Chico Xavier)

PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE PRODUÇÃO ORGÂNICA DE HORTALIÇAS – PARTE XVI

De que modo a compostagem ajuda a manter ou repor a matéria orgânica? A compostagem é uma maneira mais eficiente de se utilizar os estercos e o material volumoso (capins, resíduos vegetais). É um processo de decomposição “forçada” da matéria orgânica em ambiente aeróbico (na presença de ar). O material é empilhado, geralmente na proporção de três pilhas de volumoso para uma pilha de esterco e, é revirado de 15 em 15 dias, quando é também umedecido. Como resultado, obtém-se, após um período aproximado de 90 dias, um produto parcialmente mineralizado, ou seja, mais eficiente como fonte de nutrientes para as culturas e, além disso, higienizado. O composto também apresenta outra vantagem em relação ao esterco não compostado: por ter um volumoso em sua formação, geralmente palhada e capim, permanece mais tempo no solo, funcionando também como um condicionador físico e melhorando sua estrutura.
De que modo a adubação verde ajuda a manter ou repor a matéria orgânica? A adubação verde é uma prática excelente em quantidade e qualidade de matéria orgânica. Em quantidade, porque os adubos verdes produzem muita massa vegetal e, em qualidade, porque essa massa é muito rica em nutrientes. Além disso, como se decompõe mais lentamente no solo, em comparação com os estercos e composto, a matéria orgânica proveniente dos adubos verdes é um ótimo condicionador físico de solo. Os adubos verdes podem ser utilizados em esquemas de rotação, sucessão ou consórcio com as hortaliças. Muitos produtores não utilizam essa prática porque não querem ou não podem deixar a área “parada” por um tempo (enquanto os adubos verdes crescem e chegam ao ponto ideal de corte). O consórcio, porém, é uma boa alternativa para esses casos. Algumas hortaliças podem ser consorciadas sem problema com os adubos verdes, mas é preciso saber qual a melhor época de plantio do adubo verde em relação à da cultura, para não haver competição.
Como é feito o manejo dos adubos verdes? Sua massa vegetal pode ser tanto incorporada ao solo quanto mantida na superfície. No primeiro caso, os processos de decomposição e mineralização acontecem mais rápido e, conseqüentemente, os efeitos positivos na melhoria da fertilidade e no condicionamento do solo aparecem mais cedo. Essa é a melhor alternativa de manejo dos adubos verdes quando se objetiva o fornecimento de nutrientes para a cultura sucessora. No segundo caso, a massa vegetal fica disposta sobre o solo após seu corte e, por isso, se decompõe mais devagar. Essa é uma boa alternativa quando o objetivo principal é proteger o solo contra a erosão e contra o surgimento de plantas espontâneas problemáticas. Nesse caso, os adubos verdes são utilizados como cobertura vegetal. Se essa cobertura vegetal for realizada visando à produção de palhada para o sistema de plantio direto ou para o cultivo mínimo, dará origem à cobertura morta.

Fonte: Livro da Embrapa Hortaliças – Brasília, DF. Interessados em adquirir o livro “PRODUÇÃO ORGÂNICA DE HORTALIÇAS – Coleção 500 Perguntas – 500 Respostas” devem entrar em contato através do email: vendas@sct.embrapa.br

PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE PRODUÇÃO ORGÂNICA DE HORTALIÇAS – PARTE XV

Quando é preciso adicionar ou repor matéria orgânica no solo? Existe uma pequena fração da matéria orgânica, já bem decomposta, que pode durar muito tempo no solo (até mais de 1.000 anos). Isso ocorre porque os microrganismos decompõem primeiro as moléculas menores, ou seja, a parte mais fácil de ser quebrada e, nesse processo, a parte mais “ura”, mais difícil de decompor, vai “sobrando” no solo. Porém, a maior parte da matéria orgânica adicionada ao solo é decomposta de forma relativamente rápida (de alguns meses até alguns anos), principalmente em regiões onde a temperatura e a precipitação pluvial são altas. O preparo intensivo do solo por meio do revolvimento também acelera a decomposição da matéria orgânica, pois favorece a ruptura dos agregados do solo, expondo-os mais ao ataque dos microrganismos.
É muito mais fácil e rápido “perder” matéria orgânica do que “ganhar”. Portanto, para se manter o solo produtivo ao longo do tempo é necessário que se adicione ou reponha a matéria orgânica com certa frequência. O ideal é que a cada cultivo se adicione matéria orgânica ao solo. No entanto, a frequência da adição ou da reposição depende do ciclo da cultura em questão e do sistema de cultivo.
Quais as maneiras de se repor ou adicionar matéria orgânica ao solo? Uma delas é a utilização de estercos de animais. Na produção de hortaliças, são utilizados estercos de aves, de bovinos, equinos e caprinos. É preciso lembrar que não se deve utilizar esterco de suínos na produção de hortaliças, pois algumas doenças que acometem os porcos podem ser transmitidas ao homem pela ingestão de alimentos contaminados. Os estercos de animais são material orgânico de fácil decomposição e, por isso, são decompostos rapidamente, principalmente o esterco de aves. Assim, seu principal benefício é o suprimento de nutrientes às culturas, pois, como não “duram” muito, não são bons condicionadores físicos do solo. Outros materiais, provenientes da própria fazenda ou de agroindústrias, também podem ser boas fontes de matéria orgânica, sendo utilizados puros ou junto com os estercos em compostagem. Dentre esses materiais podem-se citar alguns exemplos como: Palhas de milho, de aveia, arroz, feijão e café; Capim-gordura, capim-guiné, capim-meloso, entre outros capins; Serragem de madeira; Bagaço de cana; Tortas de algodão e de mamona. É importante ressaltar que o produtor deve priorizar resíduos produzidos na propriedade ou resíduos agroindustriais da região, afim de facilitar e baratear custos. Uma alternativa prática e eficaz para se adicionar matéria orgânica ao solo é a adubação verde que proporciona ao produtor a produção de matéria orgânica diretamente na área de cultivo.

Fonte: Livro da Embrapa Hortaliças – Brasília, DF. Interessados em adquirir o livro “PRODUÇÃO ORGÂNICA DE HORTALIÇAS – Coleção 500 Perguntas – 500 Respostas” devem entrar em contato através do email: vendas@sct.embrapa.br

05 DE AGOSTO: DIA NACIONAL DA SAÚDE

A data tem o objetivo de conscientizar a sociedade brasileira sobre a importância da educação sanitária, despertando na população o valor da saúde e dos cuidados diários. O Dia da Saúde também serve para homenagear e recordar a vida e o trabalho de Oswaldo Cruz, um dos responsáveis pelas erradicações de perigosas epidemias que ocorreram no Brasil no final do século XIX e início do século XX.
A saúde é resultante das condições de alimentação, meio ambiente, renda, acesso aos serviços de saúde e outros. Uma alimentação saudável é aquela equilibrada, que contém diferentes alimentos em quantidade suficiente para o crescimento e manutenção do organismo e, também sem contaminações de produtos químicos. Esse equilíbrio é adquirido através de uma boa alimentação à base de frutas, verduras, carboidratos, proteínas, pouca gordura e muita água; um bom descanso; alguma atividade física; cuidados com a higiene pessoal e horas de lazer.
Os agrotóxicos ameaçam a saúde dos brasileiros: Os agrotóxicos foram desenvolvidos para dificultar ou exterminar formas de vida e, por isso, são capazes de afetar a saúde humana. O Brasil é o campeão mundial no uso de venenos desde 2008 e, o que é pior, vários agrotóxicos que já são proibidos em outros países, ainda são utilizados em nosso país. As principais consequências do uso dos agrotóxicos são: contaminação do meio ambiente, dos alimentos, produtores e consumidores. As contaminações por agrotóxicos são muito frequentes e provocam, na maioria das vezes, sequelas irreversíveis, podendo levar até a morte.
Outros efeitos podem ser sentidos, tais como: irritação ou nervosismo; ansiedade e angústia; tremores no corpo; indisposição, fraqueza e mal estar, dor de cabeça, tonturas, vertigem, náuseas, vômitos, cólicas abdominais; alterações visuais; dores no peito e falta de ar; queimaduras e alterações da pele; dores pelo corpo inteiro; irritação de nariz, garganta e olhos; urina alterada; convulsões ou ataques; desmaios, perda de consciência e até o coma. Intoxicações e mortes causadas pelos agrotóxicos em SC, registradas no Hospital Universitário da Universidade Federal de Santa Catarina, indicam que entre 1984 a 2015, em SC, ocorreram 380 mortes e um total de 14.207 pessoas intoxicadas.
Pesquisa da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), realizada em 26 estados do Brasil, desde 2001, revela: Todas as espécies pesquisadas (hortaliças e frutas), apresentaram amostras com resíduos de agrotóxicos. Produtos orgânicos melhoram a saúde das pessoas: Os produtos orgânicos, por não utilizarem agrotóxicos e adubos químicos solúveis e, por serem produzidos com técnicas ambientalmente corretas, são os alimento ideais para toda a família, pois além de terem maior teor de vitaminas e sais minerais, apresentam melhor sabor e conservação e, ainda menor custo de produção. Não encontrando uma feira de produtos orgânicos próxima de sua residência, faça uma horta orgânica, pois, além de ter produtos frescos e saudáveis diariamente, você terá uma terapia ocupacional e, ainda, a oportunidade de fazer exercícios ao ar livre e dessa forma, prevenir as doenças. Para maiores informações sobre como implantar e conduzir uma horta orgânica, acessar o blog: www.cultivehortaorganica.blogspot.com

“Saúde é mais do que a ausência de doenças. É a presença da autêntica qualidade de vida!”