Epagri realiza reunião técnica sobre pomares domésticos

Na última quarta-feira, dia 22, foi realizado da sede da Epagri, a reunião técnica sobre  implantação e condução de pomares domésticos, como atividade complementar da campanha de mudas frutíferas, sendo organizado pelo escritório municipal da Epagri.

Com o objetivo de capacitar os participantes com a melhor forma de conduzir um pomar doméstico para que elas tenham o melhor desempenho de suas plantas, o evento contou com 26 participantes, entre agricultores e moradores do meio urbano.

Durante o dia o Pesquisador Dr. Márcio Sônego falou sobre banana, sobre a condução, manejo e as variedades mais adaptadas para nossa região. Mostrando que as variedades mais adaptadas para o cultivo doméstico são a Belluno e Platina, pois as duas são resistentes ao Sigatoka, uma doença e atinge muito as bananeiras. Enquanto o pesquisador Dr. Henrique Belmonte Petry, falou sobre o planejamento do pomar e sobre a implantação.

Os participantes puderam ver as plantas no campo e os pesquisadores puderam mostrar os sistemas de condução e manejo na pratica, tirando todas as dúvidas.

Para o Engº Agrônomo Henrique Viana e Silva os pomares domésticos são muito importantes sobre o ponto de vista da segurança alimentar, pois a família com seu próprio tomar tem acesso mais minerais e vitaminas de boa qualidade. “Além que com a introdução dos pomares as famílias de agricultores podem despertar o gosto pela atividade e a fruticultura virar uma fonte de renda para a família”, conta.

I Agrifest reúne centenas de agricultores de Urussanga e Cocal do Sul

Valorizar, celebrar e reunir a classe que alimenta o país. Foi a partir desse objetivo que nasceu a I Agrifest. Evento realizado na noite da última sexta-feira (27), para marcar o dia do Agricultor. O encontro idealizado pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Urussanga e Cocal do Sul teve dois momentos. O primeiro aconteceu na sede do Sindicato e prestou homenagem ao casal de agricultores, in memoriam, Adelino Fontanella e Lídia Collodel Fontanella, responsável por ceder o terreno para construção da atual sede do sindicato, na década de 70. Lideranças, familiares e amigos participaram da cerimônia e o descerramento de uma placa em homenagem ao casal sob as bênçãos do Padre Jiovani Manique Barreto.

“Eles dedicaram-se à agricultura familiar, assim como toda a sua família. Estavam sempre disponíveis para causas sociais, família e sociedade”, disse um dos filhos do casal, Gilson Fontanella durante o discurso.

Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Adefonso Baesso a ideia da homenagem surgiu de uma conversa com Gilson Fontanella, aonde foi passada a história e o envolvimento da família com o Sindicato. “Achamos justa esta iniciativa que também vem para lembrar e valorizar cada presidente e diretor que fizeram a sua parte para que chegássemos até aqui. Temos ainda muito a conquistar para nosso agricultor e manter essa história de 48 anos”, explica.

A história do surgimento do Sindicato foi relatada pelo ex-vereador e presidente do legislativo na época, Jair Maneghel. Ele participou ativamente da busca pelo terreno para a instalação do sindicato e das negociações e acertos feitos com Adelino Fontanella por meio do prefeitura administrada pelo ex-prefeito, Lydio de Brida. “O sindicato foi fundado apenas como Sindicato Rural. Isso era uma ordem de cima para que os agricultores se organizassem para conseguirem seus direitos. Na época estabelecemos Casa Rural, que era uma organização construída pelo governo do estado. Depois de muita negociação entre o prefeito e o senhor Adelino, a oferta foi baixada, a venda se concretizou e a sede começou a ser construída com material e mão de obra cedidos pela prefeitura. Acredito que nunca é tarde para homenagear iniciativas e pessoas justas e boas que contribuíram”, declarou.

Jantar de Confraternização

Após a homenagem, a I Agrifest teve continuidade no Centro Comunitário da Igreja Matriz com a participação de cerca de 500 pessoas para o encontro de confraternização com um cardápio assinado pelo Chef Motta que serviu a sua tradicional paella. A animação da noite ficou por conta do repertório italiano da Orquesta Municipal.

Fernando Damian Previ Filho, gerente regional da Epagri, comentou a força da agricultura no município, que conta com mais de 1mil associados ao sindicato, a maioria membros de agricultura familiar. “Nós temos uma herança que foi deixada pela família Fontanella materializada nessa obra que hoje representa a pujança da atividade rural do município de Urussanga. Foi graças à tenacidade dos agricultores que o município chegou até aqui. Isso mostra que de fato temos muita agricultura para explorar e precisamos pensar em políticas públicas focadas na agricultura”, ressaltou.

O secretário da Federação de Trabalhadores na Agricultura de Santa Catarina, Luiz Sartor também esteve presente no evento e não poupou elogios para a atuação e organização do Sindicato Rural do município. “Este Sindicato é um dos mais bem administrados do estado. Ele foi construído de forma responsável, com muito compromisso e na defesa dos direitos dos agricultores. É um dos melhores, maiores e mais bem administrados dos 184 sindicatos que fazem parte da nossa federação”, afirmou.

História

Para contar um pouco da história do surgimento do sindicato, Jair Meneghel, ex-vereador e ex-presidente da câmera dos vereadores de Urussanga foi convidado a falar. Ele participou ativamente da busca pelo local para ser construída a edificação e das negociações feitas com Adelino Fontanella.

“O sindicato foi fundado apenas como Sindicato Rural. Isso era uma ordem do governo da época para que os agricultores se organizassem, para que conseguissem seus direitos através do sindicato. Na época nos estabelecemos Casa Rural, que era uma organização construída pelo governo do estado”, conta.

Jair explicou que por não serem uma organização governamental, e sim sindical, representando uma categoria, receberam um ultimato do governo para deixarem a Casa Rural, e construírem uma sede própria. “Fomos surpreendidos. Todos me falavam ‘você tem um mandado eletivo e você pode arrumar um terreno junto a prefeitura’. Na época sabia que Ademir Fontanella já tinha dado uma grande contribuição ao município, me senti até um pouco preocupado de chegar e falar que a diretoria tinha interesse em construir uma sede, e que o terreno dele era estratégico”.

Após o pedido Adelino pediu para discutir com a família sobre a venda do terreno. Sua mulher Lidia Collodel Fontanella se mostrou muita interessada pela obra, já que, como eram trabalhadores rurais iam usufruir também do sindicato. “O prefeito na época, Lydio De Brida, deixou a negociação comigo, mas o preço ofertado não foi aceito pelo prefeito, já que na época estava sendo construída também a sede da prefeitura, e o prefeito tinha muito zelo com o dinheiro público. Lydio De Brida então se dispôs a conversar com Alino. O dois haviam jogado futebol por muitos anos junto”.

Depois de muita negociação o preço foi abaixado e a sede começou a ser construída com material e mão de obra cedidos pela prefeitura. “Nunca é tarde para homenagear coisas justas e boas”, finaliza Jair Meneghel.

Sindicato dos Trabalhadores Rurais é referência de apoio à classe

O movimento para criação de uma organização sindical local em defesa da classe dos trabalhadores rurais teve início em 1970. Representar, organizar e integrar a categoria com a finalidade de trabalhar para melhorar a qualidade de vida no campo e na cidade. É desta forma que atua até os dias de hoje o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Urussanga e Cocal do Sul, que conta com aproximadamente 1,7 mil associados.

Adefonso Baesso é o presidente há seis anos e meio e finaliza o mandato em 2019. Até 2015, segundo Baesso, a classe teve muitos prejuízos com o abandono de agricultores buscando estabilidade financeira através de emprego nas indústrias.

“De 2016 para cá percebemos alguns ganhos. Em Urussanga, especificamente, notamos que a cultura do maracujá cresceu de quatro para 23 hectares nos últimos dois anos. A pitaya também está aparecendo. Na fumicultura teve uma redução nas famílias, mas existe uma tendência de aumento de 10% previsto para 2018, pois o modo do agricultor trabalhar nesta área está mais mecanizado e ainda é o produto que dá garantia de venda”, explica.

A juventude pode ser uma das apostas numa perspectiva de futuro. “Os jovens estão crescendo estudados. O filho mora na propriedade, mas trabalha e estuda fora. Alguns estudam na área e podem daqui uns anos fazer diferente”, comenta.

O Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Urussanga e Cocal do Sul continua atuando em prol dos anseios dos associados. A organização sindical atende e encaminha casos de aposentadoria, auxílio doença, salário maternidade, PRONAF, ITL, cadastro de usuários de água, CAR, contratos, declarações, entre outros serviços.

Em agosto, um novo benefício estará à disposição deles. “Na área de financiamentos, agora conseguiremos encaminhar projetos dentro do próprio sindicato. Vamos juntar toda a documentação e lançar os projetos. Essa é uma parceria entre o Banco do Brasil e Fetaesc pensando em dar mais facilidades para os agricultores”, salienta.

AGRIFEST

Na noite desta sexta-feira, dia 27, o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Urussanga e Cocal do Sul promove a primeira edição do evento AGRIFEST. A ação irá celebrar o Dia do Agricultor, comemorado no sábado, dia 28, reunindo os associados no Centro Comunitário da Igreja Matriz. Na ocasião será servida uma paella feita pelo chef Motta e terá a animação da Orquestra Itália.

Antes deste momento festivo, a diretoria do sindicato se reúne em frente a sede, recém reformada com pintura, para prestar homenagem ao saudoso casal Adelino Fontanella e Lídia Collodel Fontanella por meio de uma placa de agradecimento que será descerrada.

EM PROL DA VALORIZAÇÃO DO HOMEM DO CAMPO

A favor das causas comunitárias. Este foi o modo como o saudoso casal Adelino Fontanella e Lídia Collodel Fontanella atuou veemente por Urussanga. Adelino, filho de imigrante, desde criança se dedicou a agricultura familiar por costume e necessidade. Auxiliou o pai na construção da Igreja Matriz, na década de 40, e solicitava aos administradores municipais da época a doação de terrenos para aberturas de vias públicas. “Ele era um homem de caráter humanitário e sempre disponível às causas sociais. Dedicava-se a família, religiosidade e ao trabalho”, recorda o filho Gilson Fontanella.

A esposa de Adelino, Lídia era uma mulher de fibra dedicada a família e a criação dos cinco filhos. Porém sempre estava ao lado do marido em acordo nas causas comunitárias. E foi este espírito social de dedicação e valorização do meio rural que fez o casal, no início da década de 1970, realizar a doação de um terreno para a construção da sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Urussanga e Cocal do Sul.

“Eles não cansavam de agradecer a Deus pelas oportunidades que a agricultura lhes concedeu para criar suas famílias desde o início da chegada de seus pais, bravos imigrantes italianos”, finaliza Gilson.

AGRICULTURA ORGÂNICA X CONVENCIONAL: Mitos e Verdades – Parte I –

MITO: É impossível produzir alimentos sem o uso de agrotóxicos!

Existe um discurso muito difundido de que os agrotóxicos seriam uma necessidade para garantir a produção de alimentos para a população e, de que sem eles “o mundo morreria de fome”. Usando os agrotóxicos, não resolvemos o problema da fome, nem o problema da qualidade dos alimentos e ainda estamos destruindo os recursos naturais necessários para a produção e, o que é pior, a nossa saúde! Continuamos tendo quase um bilhão de desnutridos ou subnutridos no mundo, e por isso, está claro que não é uma crise que seja explicada pela subprodução, mas sim pela má distribuição.

A humanidade tem cerca de 8 mil anos de história conhecida na agricultura, e nós vivemos e nos alimentamos por todos esses milênios sem os agrotóxicos. A primeira coisa importante de tomarmos consciência é que já vivemos muitos anos como humanidade sem os venenos, e que depois do uso a produtividade da agricultura certamente elevou-se, mas a segurança e a soberania alimentar da humanidade, não. A utilização dos agrotóxicos, juntamente com os adubos químicos e sementes híbridas, forma um círculo vicioso, interessante apenas para as multinacionais da agroindústria que ainda são favorecidas com a isenção de impostos. As sementes ditas melhoradas necessitam mais adubação para se desenvolverem. A utilização do adubo químico torna as plantas mais fracas e mais suscetíveis ao ataque de pragas e doenças. E se tem que utilizar cada vez mais adubos químicos, inseticidas e fungicidas para manter o nível desejável de produção.

A agricultura “moderna” está baseada no uso intensivo de insumos, na adoção do sistema de monoculturas, o uso desequilibrado e altas doses de fertilizantes químicos e de agrotóxicos. Para reduzir as perdas provocadas pelas doenças e pragas, o controle químico através da aplicação de agrotóxicos foi a principal ferramenta utilizada durante muitos anos. No entanto, a partir da publicação do livro Primavera Silenciosa, de Rachel Carson, em 1962, os cientistas e a sociedade perceberam a necessidade de buscar alternativas para diminuir a utilização de agrotóxicos na agricultura. A agricultura orgânica é uma das opções. A agricultura orgânica vai além das técnicas de cultivo, pois inclui elementos ambientais e humanos e busca a sustentabilidade da agricultura familiar resgatando práticas que permitam ao agricultor produzir sem depender de insumos como agrotóxicos e fertilizantes químicos. É um modo de vida que busca resgatar e valorizar o conhecimento tradicional da agricultura de base familiar. Pesquisas real zadas no mundo inteiro comprovam que é possível produzir alimentos orgânicos com boa qualidade e, que não deixam nada a desejar em relação à produtividade e, o que é melhor, com a vantagem de serem mais nutritivos, mais baratos e, ainda sem riscos para a saúde das pessoas e ao meio ambiente e, sem compromete as atuais e futuras gerações!

RECADO À COMISSÃO ESPECIAL DA CÂMARA DOS DEPUTADOS QUE APROVARAM, NESTA SEMANA, O “PACOTE” DO VENENO !!!

Enquanto nós, pobres brasileiros, torcemos pelo Brasil para ser Hexa Campeão Mundial de Futebol e, assim termos um pouco de alegria para enfrentar as injustiças, as desigualdades e corrupção, a Comissão Especial da Câmara dos Deputados, em sua maioria, aprova o relatório que aumenta o veneno em nossa comida! Desde 2008, temos o título, nada honroso, de Campeão Mundial no uso de agrotóxicos!

Segundo a Constituição Federal – Art. 225, todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à população o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. Todos temos direito a uma alimentação saudável e adequada, independentemente de raça, gênero ou nacionalidade. Infelizmente, não é assim que está pensando a Comissão Especial da Câmara dos Deputados. Sob o argumento principal de “modernização” da agricultura, a bancada ruralista aprovou o relatório que torna mais branda as regras para liberação dos agrotóxicos para uso na produção de alimentos. Na prática, significa que o registro dos venenos, vai ser em menor tempo, ou seja, haverá menos tempo para avaliar a nova substância quanto aos seus efeitos na saúde das pessoas e no meio ambiente. O novo texto deixa de vetar substâncias que trazem risco de câncer e, ainda acelera o processo que libera os venenos. Pela lei atual, a simples ‘identificação do perigo’ de uma substância que cause mutações, câncer ou desregulação hormonal, por exemplo, já era suficiente para que o produto seja proibido. O novo texto abre a possibilidade para que haja o registro dessas substâncias após uma “análise de risco” que aponte possíveis doses seguras. Só ficaria proibido algo que apresente “risco inaceitável”. Não fica claro, porém, o que é um risco inaceitável, o que fez os deputados da oposição questionarem: “O que é aceitável? Um tumorzinho, uma malformaçãozinha? A Dose Diária Aceitável (DDA) nos leva a crer que podemos comer um pouco de veneno (“cientificamente calculada”) todos os dias; Será que nós temos mecanismos biológicos, fisiológicos ou químicos, garantindo que não haverá danos à saúde se ingerirmos a DDA? Em geral, quem diz qual a “dose diária aceitável” é a própria multinacional dos agroquímicos!

O uso de agrotóxicos, como vem sendo feito no Brasil, pode ser classificado como uma das mais graves e persistentes violações ao direito a alimentação saudável, pois impede o acesso da população a um alimento limpo e saudável, além de serem extremamente prejudicial ao meio ambiente. Os agrotóxicos intoxicam 3 milhões de pessoas, todos os anos, diz a ONU (Organização das Nações Unidas), mas mesmo assim, no Brasil, a Comissão Especial da Câmara aprovou o relatório do Projeto de Lei 6.299/2002 que facilita ainda mais o uso de venenos na comida dos brasileiros! Que retrocesso! Com esta decisão, não se está pensando no bem comum e sim nos interesses próprios! Lamentável! A aprovação desse projeto vai ser um verdadeiro desastre, tanto para saúde da população como para o meio ambiente. A bancada ruralista da Câmara dos Deputados tem, reiteradamente, se posicionado contra a participação de órgãos públicos de saúde e meio ambiente na Comissão Especial que debate o Projeto de Lei. E, o que é pior, no Brasil são consumidos pelo menos 14 tipos de substâncias que já são proibidas no mundo, por oferecerem comprovados riscos à saúde humana. Um exemplo das sérias consequências à saúde humana do uso crescente e abusivo de agrotóxicos na agricultura são os casos de intoxicação registrados no Centro de Informações e Assistência Toxicológicas (CIAT) situado no Hospital Universitário da Universidade Federal de Santa Catarina, em Florianópolis, SC. No período de 1986 até 2016, o CIAT detectou 12.811 casos de intoxicações de agricultores Segundo os técnicos, esses números representam apenas uma parte da realidade. Estima-se que para cada notificação oficial ocorram pelo menos 10 casos que não são registrados devido a dificuldade de diagnosticar corretamente os casos de intoxicação. Existe uma enorme pressão comercial das empresas produtoras de agrotóxicos, que sem qualquer compromisso com o meio ambiente e, com a saúde da população, visam apenas o aumento dos lucros.

Os venenos foram criados para acabar com a fome no mundo, mas ainda existem 1 bilhão de pessoas desnutridas no mundo, 11 mil crianças morrem de fome a cada dia,
um terço das crianças dos países em desenvolvimento apresentam atraso no crescimento físico e intelectual, 40% das mulheres dos países em desenvolvimento são anêmicas e encontram-se abaixo do peso e uma pessoa a cada sete, padece de fome no mundo.

A sociedade brasileira e catarinense não admite mais a intensa contaminação do meio ambiente e da saúde do consumidor e agricultor pelo uso desenfreado de agrotóxicos. No mundo inteiro as pessoas estão cada vez mais preocupadas com a saúde e com o consumo de alimentos mais saudáveis. A agricultura orgânica já é uma realidade! Os resultados de pesquisa estão publicados pela Epagri e outras instituições e comprovam que a agricultura orgânica só tem vantagens. Os produtos orgânicos, por não utilizarem agrotóxicos e adubos químicos solúveis e, por serem produzidos com técnicas ambientalmente corretas, são os alimentos ideais para toda a família, pois além de terem maior teor de vitaminas e sais minerais, apresentam melhor sabor e conservação e, ainda menor custo de produção.

A luta continua!!! O projeto irá ao plenário, provavelmente depois das eleições! Vamos dar o troco na próxima eleição! Chega de Agrotóxicos! Não vamos deixar a natureza, também, ser corrompida!

Site oferece sistema de orçamento ao agricultor

Um canal de notícias direcionadas para o homem do campo. Assim é o site Agroplural, uma plataforma de uso fácil e acesso rápido a informação. A proposta é interligar pessoas, principalmente o produtor rural. Elaborado por profissionais da região Sul de Santa Catarina, o site está em funcionamento há quase um mês.

Entre os diferenciais da plataforma estão um sistema de orçamento e canais de venda de produtos. O site é o único no Brasil a oferecer a ferramenta de orçamento. “Nosso objetivo é criar canais de negociações que hoje não estão acessíveis ao produtor rural. Queremos interligar o agricultor ao fornecedor de insumos e ampliar sua área de atuação, facilitando e aumentando a lucratividade do homem do campo. O que nos motivou a implantar este projeto é a finalidade de ajudar e promover o desenvolvimento das pessoas e famílias do meio rural. Futuramente almejamos o reconhecimento como uma das melhores e mais inovadoras plataformas de acesso e informação ao agronegócio”, explica o responsável pelo site, Leandro de Figueiredo Brolessi.

Além de informações para o negócio, o agricultor terá acesso a uma área de Classificados para vender ou comprar itens relacionados ao agronegócio desde insumos até terrenos rurais. “A parte de Classificados contempla categorias como animais, caminhões, alimentos, peças e motores em geral, propriedades rurais, tratores e máquinas e implementos agrícolas. Essa oferta de produtos pode ser feita dentro de qualquer área no Brasil. A ferramenta vai aproximar o homem do campo às oportunidades, tornando-as mais acessíveis”, pontua.

SISTEMA DE ORÇAMENTO

O Sistema de Orçamento no site Agroplural liga o agricultor ao fornecedor ou comprador por meio de um cadastro. Após este primeiro passo, o produtor rural solicita o orçamento que necessita para o cultivo. Posteriormente os fornecedores geram propostas e os agricultores escolhem a melhor proposta.

A ferramenta amplia contatos e oportunidades de negócios resultando no aumento de ganhos. O agricultor pode escolher a área de cobertura para orçamentos. O Sistema de Orçamento no site Agroplural terá início na primeira quinzena de agosto. Porém agricultores e fornecedores já devem se registrar na área de pré-cadastro disponível no site: www.agroplural.com.br

“Nas próximas semanas devemos liberar simulações ou vídeos explicativos no site para uso do sistema de orçamento e promoveremos orientações mais detalhadas de uso da ferramenta. O site Agroplural quer ser a empresa amiga do agricultor que gera valor de conhecimento e desenvolvimento sustentável. Queremos promover uma nova cultura de comercialização familiarizando a tecnologia no dia a dia do pequeno e médio agricultor”, salienta Leandro.

Prática milenar: Tradição garante qualidade e segurança alimentar

A manhã de Arcídio Cittadin, de 80 anos, é de dedicação a sua horta e a toda a propriedade agrícola na comunidade de Rio Salto. O segredo de bons cultivares no caso deste senhor vai muito além de seguir o tempo do plantio e da colheita e acompanhar as condições climáticas.

Cittadin carrega consigo amor pela terra, paixão pela natureza, tenacidade e respeito pela tradição. Somente este senhor detém no município de Urussanga 27 espécies de sementes crioulas. A prática vem desde o tempo do seu avô e foi mantida pelo seu pai. “Eles foram sempre plantando com aquelas sementes. Isso tem mais de 100 anos”, comenta.

Arcídio seguiu os passos do pai e ao longo dos anos foi compartilhando as suas sementes e buscando a troca com vizinhos e conhecidos para a obtenção de novas. Hoje ele possui milho cravo, milho pipoca, milho ‘stacheta’, quatro tipos de feijão-vagem, açafrão, inhame, funcho (erva-doce), abóbora, pepino, entre outros. “Levo o milho cravo para a atafona. Rende uma farinha muito boa. De longe você vê que a cor de uma polenta é diferente da minha”, conta entre risos.

Para Cittadin, a diferença destes alimentos cultivados desta forma está no sabor e na qualidade. “Se você compra milho normal, por exemplo, vem com agrotóxico ou é transgênico. Eu sei que o meu tem sabor muito diferente desses outros. Não é difícil de manter essa tradição e todos deveriam fazer isso. É só colher o alimento quando está maduro, deixar secar as sementes por alguns dias, guardar em potes de vidro e depois fazer o plantio nos meses certos. Aí quando planta até 5 vezes num mesmo lugar depois é preciso trocar o local e a semente. Gosto muito disso e faço com todo carinho. Capricho e cuido mesmo para não perder a semente. Nunca perdi. Já passei esse ensinamento aos meus quatro filhos e eles também estão seguindo o mesmo caminho”, frisa.

De acordo com a Epagri de Urussanga, a preservação, o cuidado e a troca de sementes crioulas é uma prática milenar que existe desde o início da agricultura e garante a continuidade das espécies.

“Com carinho e sabedoria incríveis, as sementes são conservadas e passadas de geração em geração. As famílias de agricultores possuem em suas propriedades uma diversidade de sementes crioulas. Sementes que herdaram de seus avós, pais, tios, vizinhos ou em visitas e eventos. É uma tradição que garante a continuidade das espécies, pois as sementes são patrimônio da humanidade. São os agricultores que cultivam e fazem a seleção, ano após ano, possibilitando qualidade e adaptação às condições climáticas e aos sistemas de produção da região em que são produzidas. As sementes, quando adquiridas são em pequena quantidade. Por isso a necessidade de semear para multiplicar, trabalho este que os agricultores são especialistas”, salienta a extensionista da Epagri de Urussanga, Maria Cristina Cancellier da Costa.

ENCONTRO INCENTIVA TROCAS DE SEMENTES CRIOULAS – novo titulo

A Epagri de Urussanga realizou mais um encontro municipal para trocas de sementes crioulas (tradicionais) no dia 12 de junho. Esta é a segunda vez que a instituição promove o incentivo a esta prática. O objetivo da ação é a troca de sementes entre os participantes, uma prática milenar que garante a continuidade das espécies e também a segurança alimentar das famílias.

No Centro Comunitário da Igreja Matriz, mais de 70 tipos de sementes foram fornecidos pelas famílias de agricultores do município. Devidamente embaladas e identificadas para a realização da troca, as sementes crioulas foram selecionadas por cada participante que pode levar para casa uma grande diversidade de espécies.

“No primeiro encontro minha mãe Zulma levou um pouco de semente de alface americana para casa. Eu e meu esposo semeamos, colhemos muito alface e também muita semente. E hoje trouxemos uma quantidade bem maior da recebida para ser partilhada”, contou a agricultora Jucelma Feltrin Zanelatto, de Rio Caeté Baixo, durante o encontro.

Segundo a extensionita da Epagri de Urussanga, Maria Cristina Cancellier da Costa todas as sementes são raras e únicas. “Cada agricultor fez a seleção daquela variedade, do seu jeito, de acordo com o seu solo, clima, e ela contém as características que o agricultor achou mais interessante, por exemplo, a cor do grão, o formato da folha de alface, entre outros itens”, pontua.

O encontro municipal para trocas de sementes crioulas (tradicionais) é realizado pelo escritório municipal da Epagri de Urusanga em parceria com a Prefeitura Municipal, Gerência da Epagri Regional, Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Urussanga e Cocal do Sul, Pastoral da Saúde de Urussanga, Associação de Mulheres Agricultoras de Urussanga, Uneagro e Diretoria Municipal de Agricultura.

Texto de Eliana Maccari

OUTROS PRODUTOS ALTERNATIVOS PARA O MANEJO DAS PRINCIPAIS PRAGAS E DOENÇAS NA HORTA ORGÂNICA – PARTE IV FINAL

Semana Nacional do Meio Ambiente começou em 1 de junho e foi até 5 de junho, quando se celebrou o Dia Mundial do Meio Ambiente. Uma das propostas desta data é chamar a atenção de todos os governos mundiais sobre a necessidade de implantar medidas emergenciais para prevenir a degradação do meio ambiente. O não uso de agrotóxicos, é a principal medida para proteger o meio ambiente e a saúde das pessoas. Para celebrarmos bem esta semana, na edição anterior, publicamos algumas dicas utilizando a manipueira, líquido de aspecto leitoso e de cor amarelo- clara que escorre das raízes da mandioca, por ocasião da sua prensagem para obtenção de fécula ou farinha de mandioca. Hoje, estamos colocando à disposição dos interessados em produzir alimentos saudáveis, sem contaminação, outras dicas para o manejo de pragas e doenças.

Outros produtos alternativos (Parte IV – Final)

Cinzas de madeira (não tratada) – manejo de pulgões e lagarta-rosca e dos fungos míldio e sapeco; nutrição: Além de ser um ótimo adubo rico em potássio, o polvilhamento de cinza sobre as culturas controla os pulgões dos cítrus (laranja, limão e outras) das hortaliças e de outras espécies. Polvilhada sobre o solo ou incorporada a ele, controla a lagarta-rosca por um período de 10 dias, dependendo do clima. No manejo da doença do sapeco da folha, que ocorre em cebolinha verde, e em sementeiras de cebola na fase de produção de mudas, recomenda-se aplicar sobre as plantas, antes que o sereno (orvalho) evapore, 50g/m2 de cinza de madeira.

Urina de vaca em lactação – manejo de pragas, doenças e nutrição: Indicada para legumes em geral e para o abacaxi, pois contém catecol, substância que aumenta a resistência das plantas ao ataque de pragas e doenças. No abacaxi, a urina é eficiente no controle de fusariose. No geral, durante os 3 primeiros dias após aplicação, age como repelente contra insetos, principalmente a mosca-branca. Serve também como fonte de macro e micronutrientes. Coleta e preparo: Coletar a urina e colocá-la em recipiente plástico fechado durante 3 dias, que é o tempo necessário para que a uréia se transforme em amônia. Pode ser guardada por 1 ano em vasilha fechada. A coleta da urina é simples e deve ser feita na hora de tirar o leite, pois ao ter as pernas amarradas para a ordenha é normal o animal urinar. Dosagem e aplicação: Para cada 100L de água usar 1L de urina de vaca em lactação. Pulverizar sobre a planta a cada 15 dias.

Recomendações: Toda pulverização com solução de urina deve ser aplicada nas horas frescas do dia. Evitar o uso em hortaliças folhosas e em hortaliças-frutos próximo à colheita devido ao forte odor. A urina de cabra também pode ser utilizada, mas como possui maior concentração de nitrogênio, deve ser colocado meio litro de urina para cada 100L de água. Dar preferência à urina de vacas em lactação porque tem mais substâncias (fenóis e hormônios) que as outras. O cheiro forte após a aplicação permanece durante 3 dias, agindo nesse período como repelente de insetos.

OS 10 MANDAMENTOS PARA PRODUZIR HORTALIÇAS SAUDÁVEIS, MAIS NUTRITIVAS E, EM PAZ COM A NATUREZA

Nas quatro edições anteriores comentamos sobre as quatro primeiras recomendaçôes para implantar e conduzir uma horta orgânica: 1. Escolha do local, análise e correção do solo, confecção e preparo dos canteiros; 2.Escolha das espécies, variedades, sementes e mudas de acordo com o tamanho do terreno e a época de cultivo; 3.Adubação orgânica do solo; 4. Sistemas de semeadura e plantio.

5. Manutenção e ampliação da biodiversidade

A terra funciona como uma máquina, onde cada espécie (simples micróbio ao ser humano) desempenha a sua parte para manter o planeta funcionando, normalmente. As principais causas da perda de biodiversidade são: Destruição das florestas onde estão 2/3 das espécies; Mudanças climáticas; As atividades de agricultura e pecuária através da exploração excessiva de espécies de plantas e animais, monoculturas, contaminação do solo, água e atmosfera por poluentes (agrotóxicos e adubos químicos); A industrialização tem causado a poluição do ar, do solo e da água; O crescimento das cidades, produzindo cada vez mais lixo e demandando mais esgotos; A construção de barragens fazem com que grandes extensões de terra deixem de existir, comprometendo também a vida de plantas e animais.

Mas porque é tão importante preservar e ampliar a biodiversidade? A restituição da biodiversidade vegetal permite o restabelecimento de inúmeras interações entre o solo, as plantas e os animais, resultando em efeitos benéficos para o meio ambiente. Entre estes efeitos pode-se citar: maior variedade na dieta alimentar e mais produtos para o mercado; uso eficaz e conservação do solo e da água, manejo da matéria orgânica e implantação de quebra ventos; otimização na utilização de recursos locais e controle biológico natural. Mas como preservar e ainda ampliar a biodiversidade? Educação ambiental; Praticar agricultura orgânica: adubação orgânica, nunca utilizar agrotóxicos e adubos químicos, considerar as plantas espontâneas (“mato”) como plantas “amigas”, fazer rotação e consorciação de culturas, plantio direto e outras práticas; Produzir alimentos no sistema de produção agro florestal, conciliando agricultura, pecuária e floresta; Proteger e fazer o plantio de árvores. Entre os motivos parapreservar e ampliar a  iodiversidade, são citados: Motivos éticos, pois o ser humano tem o dever moral de proteger outras formas de vida, já que é espécie dominante no planeta; Motivos econômicos pois a diminuição de espécies pode prejudicar atividades já existentes e ainda comprometer a produção de medicamentos; Motivos funcionais da natureza, tendo em vista que a redução da biodiversidade leva a perdas ambientais. Isto acontece porque as espécies estão interligadas por mecanismos  naturais com importantes funções, tais como: a regulação do clima, purificação do ar, proteção dos solos e das bacias hidrográficas contra a erosão, controle de pragas e doenças, além de outras.

OS 10 MANDAMENTOS PARA PRODUZIR HORTALIÇAS SAUDÁVEIS, MAIS NUTRITIVAS E, EM PAZ COM A NATUREZA

Nas três edições anteriores comentamos sobre as três primeiras recomendações para implantar e conduzir uma horta orgânica: 1. Escolha do local, análise e correção do solo, confecção e preparo dos canteiros; 2.Escolha das espécies, variedades, sementes e mudas de acordo com o tamanho do terreno e a época de cultivo; 3.Adubação orgânica do solo. Nesta edição, trataremos da quarta recomendação importante para o sucesso da horta.

4 – Sistema de semeadura e plantio

Semeadura direta: consiste na semeadura uniforme das sementes em sulcos, no canteiro, na profundidade de 1 a 2cm, utilizando-se marcadores ou sacho, cobrindo-as com a própria terra; pode ser feita também em covas ou em sulcos, sem preparo de canteiros. Como regra geral, as sementes devem ficar enterradas numa profundidade de cinco vezes o seu tamanho.

Plantio direto: consiste no plantio de tubérculos, raízes, rizomas, bulbilhos, ramas, filhotes e estolhos em sulcos, em covas, ou em camalhões, na profundidade de 5 a 10 cm, utilizando-se enxada ou sacho, no espaçamento indicado para cada espécie; pode ser feito também em sulcos, ou em covas, diretamente no canteiro.

Transplante de mudas: consiste na mudança das plantas que cresceram na sementeira ou em recipientes, para o local definitivo em sulcos ou em covas, enterrando-as até à profundidade em que estavam na sementeira ou em recipiente, no espaçamento indicado para a espécie. Deve ser feito, preferencialmente, em dias nublados ou à tardinha para garantir melhor pegamento, principalmente no verão. Quando as mudas são produzidas em copinhos ou em bandejas, o pegamento é de 100%, pois a maioria das raízes estão intactas no torrão formado nesses recipientes. Para retirá-las da bandeja basta umedecer um pouco e bater de leve no fundo.

Plantio direto e cultivo mínimo: o sistema de plantio direto e cultivo mínimo são práticas importantíssimas no cultivo orgânico de hortaliças, tendo em vista que a maioria dos nossos solos estão sujeitos a processos de erosão causado por chuvas intensas, aliado a baixos teores de matéria orgânica. Outra vantagem dessas práticas é o fato do solo estar sempre preparado para semeadura/plantio, mesmo em períodos chuvosos que não permite o revolvimento do mesmo devido a umidade excessiva. Para o plantio direto ou cultivo mínimo, bastar fazer uma roçada utilizando uma foice ou roçadeira manual para áreas maiores e abrir as covas ou sulcos. O plantio direto é um método que não revolve o solo. A camada de cobertura vegetal(adubos verdes ou “mato”) é mantida e se faz apenas a abertura de um pequeno sulco ou cova onde é colocada a semente ou a muda. O cultivo mínimo é a mínima manipulação do solo necessária para a semeadura ou plantio de mudas.

OS AGROTÓXICOS: RISCOS, CUIDADOS E DIREITOS DOS CIDADÃOS

Segundo a Constituição Federal – Art. 225: Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à população o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. Todos temos direito a uma alimentação saudável e adequada, independentemente de raça, gênero ou nacionalidade. É importante que se priorize a ideia de que a alimentação saudável e adequada é um direito de todos. O uso de agrotóxicos, como vem sendo feito no Brasil, pode ser classificado como uma das mais graves e persistentes violações ao direito à alimentação saudável, pois impede o acesso da população a um alimento limpo e saudável, além de serem extremamente prejudicial ao meio ambiente. Os venenos foram criados sob o argumento de acabar com a fome no mundo, mas ainda existem 1 bilhão de pessoas desnutridas no mundo, 11 mil crianças morrem de fome a cada dia, um terço das crianças dos países em desenvolvimento apresentam atraso no crescimento físico e intelectual, 40% das mulheres destes países são anêmicas e encontram-se abaixo do peso e uma pessoa a cada sete, padece de fome no mundo.
É importante lembrar que os agrotóxicos pulverizados sobre as culturas agrícolas e o solo têm capacidade de penetrar nas folhas e polpas, e que os procedimentos de lavagem e retirada de cascas e folhas externas favorecem a redução dos resíduos de agrotóxicos, limpando a superfície dos alimentos, mas sendo incapazes de eliminar aqueles contidos nas partes internas. Um dos procedimentos amplamente divulgados, a higienização dos alimentos com solução de hipoclorito de sódio tem o objetivo de diminuir os riscos microbiológicos, mas não de eliminar agrotóxicos.
Outro alerta importante para diminuir risco de ingestão de agrotóxicos nos alimentos é a opção pelo consumo de alimentos da época ou produzidos com técnicas de manejo integrado de pragas (recebem uma carga menor de produtos químicos) e, especialmente aqueles provenientes da agricultura orgânica ou agroecológica. O uso sem controle dos agrotóxicos pode comprometer de forma grave e irreversível a saúde em decorrência da presença de resíduos de agrotóxicos acima de limites estabelecidos
e, o que é pior, a utilização de produtos proibidos. O Programa de Análise de Resíduo de Agrotóxicos em Alimentos (PARA), vinculado à Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), relata o resultado de 3.293 amostras de 13 alimentos monitorados;
todos os alimentos apresentaram resíduos de agrotóxicos.
Dentre os alimentos, destacaram-se o pimentão, cenoura, morango, pepino, alface e o abacaxi com 90, 67, 59, 44, 43 e 41% de amostras com resíduos de agrotóxicos, respectivamente. O aspecto positivo do PARA é que o rastreamento dos alimentos produzidos em todo o país está cada vez maior, o que significa dizer que o cerco aos produtores que utilizam agrotóxicos está se fechando. Fica a pergunta: porque correr o risco de produzir alimentos contaminados, quando temos a alternativa da agricultura orgânica que produz alimentos sadios, de melhor qualidade, com custo menor e produtividade semelhante e, o melhor, sem poluir o meio ambiente?

No Dia do Feirante, produtores relatam rotina e diferenciais dos produtos

Jornalista: Eliana Maccari

A dedicação e a rotina durante a semana são as mesmas: cultivar alimentos da terra com qualidade e transformá-los em produtos coloniais. É desta forma que vivem os produtores da agricultura familiar que atuam na Feira de Livre de Urussanga todas as sextas-feiras, das 6 às 16 horas, no pátio atrás do Terminal Rodoviário. Com o sorriso no rosto, eles comemoram hoje o Dia do Feirante.
É com satisfação e alegria que o casal Iraci, de 54 anos, e José Celso de Bona Sartor, de 64 anos, trabalha como feirante há 30 anos no centro de Urussanga. A atuação começou ainda de forma tímida na Praça Anita Garibaldi comercializando os produtos em pequenos espaços erguidos semanalmente pelos próprios produtores.
Na época, oito feirantes permaneciam no local. A produção caseira ainda se mantém a mesma. De segunda a quarta-feira, o casal dedica suas horas ao cultivo das verduras e a elaboração dos biscoitos e doces.
“Buscamos plantar e colher em nossa propriedade. Cultivamos até cana-de-açúcar para fazer melado e açúcar mascavo, itens que são usados em nossos produtos. Até a geleia fazemos conforme as frutas da época geradas nas nossas terras. Aprendi tudo que sei fazer com a minha mãe e minha sogra também”, conta Iraci.
A quinta-feira é o dia destinado à fabricação de pães, bolos, sonhos, cajuzinhos, paçoca, puxa puxa, entre outros itens. Contudo a sexta-feira começa bem cedo para os feirantes. A madrugada é indispensável para os últimos detalhes. José e Iraci acordam às 2h30min para preparar a polenta, embalar as verduras e os produtos. Em seguida, eles colocam as mercadorias no veículo, saem da localidade de Santaninha e percorrem 14 quilômetros de estrada de chão até chegar ao centro da cidade antes da abertura da Feira Livre, que ocorre às 6 horas. Os momentos de mais movimento acontecem nas primeiras horas da manhã.
Para o casal, a troca de local da Feira Livre nos últimos quatro anos reduziu o movimento, a quantidade de feirantes e a comercialização dos produtos. “As pessoas nos procuram pouco aqui depois que saímos da Praça. Se este local fosse mais no centro acredito que teria mais movimento. A estrutura com lona esquenta muito no verão. Começamos com 12 em 2013 e agora trabalhamos em 9”, argumenta o feirante José Celso.
Apesar deste fator, Iraci não desanima e se diz muito feliz em trabalhar como feirante. “Eu gosto de fazer os nossos produtos com amor e sabor, vender eles e atender as pessoas. Temos clientes fiéis de 30 anos e o meu maior incentivo agora é para a nossa filha Joaninha. Ela está com 19 anos e nos ajuda todos os dias. Ela tem interesse em dar continuidade ao nosso trabalho”, comenta a mãe orgulhosa.

PRODUTOS SEM AGROTÓXICOS E FRESCOS SÃO DIFERENCIAIS
O consumidor que visita a Feira Livre de Urussanga pode encontrar desde peixes congelados, pães, bolos, doces, artesanato, derivados de suíno, massas caseiras, salgados e até frutas e verduras. O feirante Daniel Carvalho, mais conhecido como Português, reside em Urussanga há cinco anos e atua há dois anos na feira vendendo frutas e verduras.
De acordo com Carvalho, cerca de 70% do que ele comercializa é oriundo de produção própria. Mas a satisfação de vender os produtos que são cultivados por ele é ainda maior. “Trabalhar na roça é o que eu gosto e poder vender o que eu cultivo é um grande prazer”, salienta.
Os hábitos de consumo vêm mudando nos últimos anos. Os mais velhos mantêm a tradição e representam a maioria das pessoas que frequentam a Feira Livre. Porém a busca por uma qualidade de vida melhor pode aproximar jovens e adultos de locais que cultivam produtos sem agrotóxicos e frescos. “Não colocamos agrotóxicos e até cuidamos do tipo de esterco que colocamos na terra. As verduras são fresquinhas e cultivadas com carinho”, afirma Iraci De Bona Sartor.
Além do casal José Celso e Iraci e de Daniel, a Feira Livre de Urussanga conta com as bancas de Delcio e Noeli Ferrarez com doces, conservas, vinagre, amendoim, feijão e verduras, da Beth e da Graci com ovos da colônia, pães e massa caseira, Rita Rodrigues e Terezinha com produtos derivados da carne suína, Braz Gerônimo e Bonetti com filé e outras espécies de peixes e as bancas de Antônia Luiza Bada da Silva e Viviane Mendes com peças de artesanato.

27 DE AGOSTO: DIA DA LIMPEZA URBANA

“Lixo” não existe! Tudo se transforma Todo o “lixo” produzido pode virar alguma coisa útil, sem exceção!

A frase acima pode soar absurda. Mas é isso mesmo que pensa o economista Sabetai Calderoni, da Universidade de São Paulo, maior especialista brasileiro em lixo e conselheiro da ONU no assunto. Sabetai, autor do livro “Os Bilhões Perdidos no Lixo”, afirma que, embora nem tudo o que se joga fora possa ser aproveitado como comida, todo o “lixo” pode ser aproveitado de alguma forma. Um dos maiores potenciais desperdiçados é o não aproveitamento do “lixo” orgânico, que geralmente vem de restos de alimentos. Esse “lixo” poderia se transformar em algo útil se passasse por um processo chamado compostagem; o “lixo” é submetido à ação de bactérias em alta temperatura e se transforma em dois subprodutos – um adubo natural de ótima qualidade e o gás metano, que é usado na geração de energia termoelétrica. O “lixo” orgânico pode ser aproveitado em nossa casa e até em apartamento, através da construção de uma composteira. Para maiores informações sobre como construir uma composteira no apartamento, sugerimos ver o vídeo no link: https://vimeo.com/42740420
O “lixo” inorgânico (vidro, plásticos e metais) através da reciclagem gera lucros, atividade já praticada em quantidades cada vez maiores. O outro motivo para incentivar essa indústria são os empregos que ela poderia gerar. O Brasil produz 280 000 toneladas de “lixo” por dia. Descontando as 39.000 toneladas de alimento viável que poderiam ser facilmente extraídas desse “lixo” e disponibilizadas às populações carentes, ainda seria possível gerar 120.000 empregos só no processamento do resto, nos cálculos de Sabetai. Por isso, afirma: “Lixo” não existe, o que existe é ignorância, falta de vontade e ineficiência. O país lucraria também ao poupar o dinheiro que é gasto para dar fim ao “lixo”. “Lixo é o único produto da economia com preço negativo”, diz Sabetai. Em outras palavras, o processamento de lixo é o único negócio no qual a aquisição da matéria-prima é remunerada – paga-se muito para livrar-se dela. As prefeituras brasileiras costumam gastar entre 5% e 12% de seus orçamentos com “lixo”. Sem falar que o melhor aproveitamento do “lixo” valorizaria dois bens que não têm preço: a saúde da população e a natureza. Segundo a Pesquisa Nacional de Saneamento Básico, 76% do “lixo” brasileiro acaba em lixões a céu aberto. Esses lixões são uma ameaça à saúde pública porque permitem a proliferação de vetores de doenças. Além disso, a decomposição do “lixo” nesses locais não só gera o metano que polui o ar como também o chorume, um líquido preto e fedido que envenena as águas superficiais e subterrâneas.

“Ambiente limpo não é o que mais se limpa e sim o que menos se suja”
(Chico Xavier)

Secretaria de Agricultura mostra balanço das ações

A serviço do homem do campo. Foi desta maneira que a Secretaria de Agricultura do município de Urussanga realizou seus trabalhos desde o início deste ano. Sob a coordenação do diretor Marco Zanellatto, os primeiros seis meses foram direcionados a ações voltadas em benefícios ao agricultor.
Mais de 400 famílias foram atendidas. O maquinário com plantadeira, grade, silagem, arado, trator e retroescavadeira prestou quase mil horas de serviço. Destas, mais de 600 foram destinadas à produção de silagem.
Recentemente, a estrutura de máquinas foi reforçada com a vinda de um trator e uma ensiladeira. A projeção é de mais investimentos neste sentido. “Conseguimos o trator por meio de emenda parlamentar do deputado federal Esperidião Amin, que possui boa relação com o prefeito Gustavo e pretende encaminhar mais verbas e implementos para a agricultura de Urussanga. Já a ensiladeira foi com emenda parlamentar do deputado estadual José Milton Scheffer. E agora com emenda da deputada federal Geovania de Sá estamos conseguindo para a Secretaria de Agricultura de Urussanga um espalhador de esterco líquido de 6 mil litros e uma grade aradora de 14 discos por 26 polegadas que irá impulsionar ainda mais o preparo do solo. Vamos continuar encaminhando projetos nesta área”, adianta o diretor de Agricultura de Urussanga, Marco Zanellatto.
A abertura de açudes para incentivar a piscicultura foi outra iniciativa da Secretaria Municipal de Agricultura. “O projeto de piscicultura atinge a produção de mais proteína por metro quadrado de hectare. Torna-se mais uma atividade geradora de renda para os nossos agricultores. Hoje temos uma empresa em Urussanga que beneficia o peixe”, conta.
Em incentivo ao subsídio de aveia, a Prefeitura de Urussanga por meio da Secretaria Municipal de Agricultura custeou 35% de 500 sacas de semente de aveia que foram entregues a agricultores da cidade. A realização da 1ª Feira da Agricultura Familiar durante a festa Ritorno Alle Origini também foi uma das ações neste primeiro semestre. “Estamos em conversa com associações e cooperativas levantando os anseios e problemas e vamos em busca de projetos”, finaliza.

PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE PRODUÇÃO ORGÂNICA DE HORTALIÇAS – PARTE XIII

Como é feito o manejo do solo nos sistemas orgânicos de produção de hortaliças? De forma geral, práticas tradicionais de conservação do solo, como o plantio em curva de nível, a formação de faixas de retenção e cordões, são utilizadas também na agricultura orgânica. No entanto, a agricultura orgânica vê o solo como o centro de todo o processo produtivo, valorizando-o como recurso-chave. Por isso, o manejo orgânico prioriza práticas que proporcionem a manutenção e a melhoria da qualidade do solo, por meio do revolvimento mínimo e do aumento dos teores de matéria orgânica e da atividade biológica. Desse modo, o manejo orgânico recomenda a manutenção de cobertura vegetal sobre o solo, a adubação verde, o cultivo mínimo, o plantio direto, entre outras práticas conservacionistas.
Além disso, o manejo do solo no sistema orgânico prioriza as fontes orgânicas de nutrientes e não utiliza fertilizantes químicos de alta solubilidade. Para finalizar, é uma forma de manejar o solo “pensando em longo prazo”, ou seja, objetivando a construção da qualidade do solo com o tempo.
Quais as principais diferenças entre o manejo do solo na produção orgânica de hortaliças e na convencional? No caso específico da produção de hortaliças, o manejo do solo costuma ser bastante intensivo no sistema convencional. Muitas vezes são utilizadas quantidades excessivas de fertilizantes, o que pode causar desequilíbrios químicos no solo e nutricionais na cultura. Além disso, as glebas são, em geral, utilizadas continuamente, ciclo após ciclo, e, em alguns casos, com revolvimento excessivo da camada arável. O sistema orgânico de produção de hortaliças, por sua vez, prioriza a adição e a manutenção da matéria orgânica, a cobertura do solo e o revolvimento mínimo.
O que é matéria orgânica do solo? De maneira bem simples e direta, pode-se dizer que a matéria orgânica é a parte do solo que já foi ou ainda é viva. A matéria orgânica é a parte do solo que já foi ou ainda é viva. A matéria orgânica é constituída de resíduos de origem vegetal ou animal como: a) Estercos; b) Restos de cultura que ficam no campo; c) Palhadas; d) Folhas, cascas e galhos de árvores; e) Raízes das plantas e f ) Animais que vivem no solo, como cupins, formigas, besouros, fungos, bactérias e outros microrganismos. Esses componentes da matéria orgânica podem estar vivos (como os pequenos animais) ou já em decomposição (como os resíduos de plantas incorporados ao solo ou em cobertura).
Como tudo que foi um dia vivo é constituído de carbono orgânico, muitas vezes encontra-se o termo “carbono orgânico” como sinônimo de matéria orgânica. Na realidade, o carbono é o principal constituinte da matéria orgânica, mas a ele estão ligados vários outros elementos importantes, como o nitrogênio. É a matéria orgânica que dá a cor escura aos solos e que garante que ele se mantenha “vivo”. Em solo muito claro, aparentemente sem vida, “fraco”, é bem provável que o teor de matéria orgânica seja muito baixo.

PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE PRODUÇÃO ORGÂNICA DE HORTALIÇAS – PARTE XII

O que é manejo do solo? Manejo do solo é o conjunto de todas as práticas aplicadas à determinado solo visando a produção agrícola. Inclui operações de cultivo, práticas culturais, práticas de correção e fertilização, entre outras. É a forma de cultivar e tratar o solo. O solo é a “pele” do Planeta Terra, pois é o resultado da ação do clima, do relevo e dos organismos sobre as rochas expostas na superfície do planeta. Essas rochas vão sofrendo transformações com o tempo (muito tempo!) e o solo vai sendo formado aos poucos. Para se ter uma ideia, são necessários cerca de 400 anos para que 1 cm de solo seja formado. O processo de formação do solo ocorre de baixo para cima, ou seja, à medida que o material de origem vai sendo desintegrado e transformado, vão sendo depositadas camadas, que também vão se transformando com o tempo e dando origem a novas camadas. Já os solos localizados na parte mais baixa dos vales, nas margens dos rios e lagos , podem ser formados pela deposição de materiais, muitas vezes já transformados, que vêm das partes mais altas.Na atividade agrícola, trabalha-se com uma pequena porção do solo, a mais superficial, chamada de camada arável. O solo faz parte do meio ambiente e está ligado a todos os seus outros componentes, como a água, as plantas, os animais e o homem. Dessa forma, tudo que acontece com o solo tem algum reflexo, positivo ou negativo, no ambiente do qual ele faz parte.
Como é feito o manejo do solo nos sistemas orgânicos de produção de hortaliças? De forma geral, práticas tradicionais de conservação do solo, como o plantio em curva de nível, a formação de faixas de retenção e cordões, são utilizadas também na agricultura orgânica. No entanto, a agricultura orgânica vê o solo como o centro de todo o processo produtivo, valorizando-o como recurso-chave. Por isso, o manejo orgânico prioriza práticas que proporcionem a manutenção e a melhoria da qualidade do solo, por meio do revolvimento mínimo e do aumento dos teores de matéria orgânica e da atividade biológica. Desse modo, o manejo orgânico recomenda a manutenção de cobertura vegetal sobre o solo, a adubação verde, o cultivo mínimo, o plantio direto, entre outras práticas conservacionistas.
Além disso, o manejo do solo no sistema orgânico prioriza as fontes orgânicas de nutrientes e não utiliza fertilizantes químicos de alta solubilidade. Para finalizar, é uma forma de manejar o solo “pensando em longo prazo”, ou seja, objetivando a construção da qualidade do solo com o tempo.
Fonte: Livro da Embrapa Hortaliças – Brasília, DF. Interessados em adquirir o livro “PRODUÇÃO ORGÂNICA DE HORTALIÇAS – Coleção 500 Perguntas – 500 Respostas” devem entrar em contato através do email: vendas@sct.embrapa.br

12 DE JULHO: DIA DO ENGENHEIRO FLORESTAL

No dia 12 de julho comemora-se o Dia do Engenheiro Florestal, um profissional responsável por analisar os ecossistemas florestais e planejar estratégias para que seja feito seu uso de maneira sustentável. Essa data foi escolhida porque em 12 de julho de 1073 faleceu São João Gualberto, que foi escolhido pelo Papa Pio XII, em 1952, como o Protetor dos Engenheiros Florestais. O papel desse profissional é extremamente importante, uma vez que o país possui uma grande área florestal e necessita, portanto, de profissionais capazes de controlar a exploração desenfreada de seus recursos. Para ser um bom profissional, é fundamental ter ética e comprometimento com a preservação da natureza.
Além do respeito aos recursos naturais, o engenheiro florestal necessita ter conhecimento acerca das ciências biológicas, exatas e humanas. As matérias fundamentais para sua formação são amplas e, em geral, envolvem política e legislação florestal, solos e nutrição de plantas, cartografia e geoprocessamento,ecossistemas florestais, gestão de recursos naturais renováveis, proteção florestal, entre várias outras.
CAMPO DE ATUAÇÃO: O engenheiro florestal tem um vasto e importante campo de atuação. Ele estuda e faz projetos para a preservação dos recursos renováveis e para a conservação de ecossistemas. Além de elaborar relatórios de impacto ambiental das atividades humanas em áreas de florestas, pode planejar e executar obras e serviços técnicos em engenharia rural em construções para fins florestais. Ele também estuda e faz projetos de aproveitamento racional de florestas e de reflorestamento, fazendo inventário florestal para manejo e melhoramento de florestas naturais e plantadas, pesquisando até a produção de sementes e de mudas para melhorar as características das plantas. Na indústria de móveis, de papel e celulose, por exemplo, elabora os projetos de plantio e reflorestamento das espécies mais adequadas. Também poderá atuar em atividades ligadas à ecologia e defesa sanitária, administração e desenvolvimento de estudos para preservar e conservar os parques e reservas naturais e, é claro, atividades de ensino e pesquisa ligadas à sua área de formação.

Cooperativismo de crédito: uma mão ao produtor para expansão de negócios

Jornalista: Eliana Maccari

Extensos pomares de diversos tipos de frutas compõem o cenário que emoldura a estrutura do empreendimento Urussanga Hortifruti, na localidade de Rio Caeté. É no espaço que centenas de toneladas de frutas são comercializadas e enviadas para todos os cantos do Brasil. O produtor Arnaldo Masiero, de 47 anos, é o responsável pelo negócio. A ligação e o apreço pela fruticultura iniciaram na infância, quando ele ainda residia em Pedras Grandes.
“Meu pai havia plantado em sua propriedade meio hectare de uva e 500 pés de pêssego. Eu o ajudava e depois, há 24 anos, quando vim morar em Urussanga, segui este caminho e fiz a mesma plantação até em quantidade. Eu pensava que eu era novo e poderia ter o meu negócio. Desejava crescer e porque não conseguir isso no campo, plantando?”, recorda.
A habilidade na área de vendas e o conhecimento sobre o setor fizeram com que o produtor fosse ampliando seus cultivos ao longo dos anos. O crescimento de novos plantios e da produção estimulou Masiero a melhorar a estrutura do negócio visando à
qualidade dos produtos.
Ao contabilizar a venda de aproximadamente 200 toneladas de frutas no ano de 2011, o produtor decidiu buscar a expansão com o apoio do cooperativismo de crédito. A alternativa escolhida foi a agência do Sicoob Credisulca, em Urussanga. Foi a partir de um investimento que ele fundou a empresa Urussanga Hortifruti e construiu um packing
house com 1.600 metros quadrados. No local, após a colheita, as frutas são recebidas e processadas antes da distribuição para o mercado.
No beneficiamento, os produtos são classificados em uma máquina e armazenados no espaço com capacidade de estocagem em câmara fria, que proporciona melhor conservação das frutas. Embalados, posteriormente são encaminhados à área de expedição para o transporte e distribuição até os clientes. Estes processos propiciam eficiência operacional e garantem a manutenção da qualidade dos produtos até o consumidor brasileiro.
“Esse investimento me trouxe facilidades no beneficiamento e melhorou a classificação
dos produtos, uma das exigências do mercado e também de atacadistas. Decidi investir na cooperativa de crédito pela movimentação financeira, participação nos lucros, bem como as facilidades para adquirir recursos para investimento. Além disso, a equipe profissional é atenciosa e prestativa”, salienta.
E a aposta no cooperativismo como uma forma de pensar na economia foi além das expectativas. Ela preparou o produtor para as demandas de mercado. Atualmente o empreendimento de Masiero cresce a cada ano entre 30 e 40%. Em 2016 chegou a contabilizar a comercialização entre 2 e 3 mil toneladas de frutas, um crescimento 10 vezes a mais se comparado ao período antes da implantação do packing house.
Os 35 hectares repletos de pomares logo irão agregar mais 10 hectares de novos pomares que estão iniciando a colheita. A empresa Urussanga Hortifruti produz e comercializa frutas como uva, maracujá, ameixa, pêssego, nectarina, entre outras.
A venda é feita para os estados de Santa Catarina, Paraná e São Paulo. “O investimento que fiz dentro do cooperativismo de crédito alavancou bastante o meu negócio. Sei vender e conheço bem esse mercado no Brasil. É uma habilidade que possuo e também é bom para valorizar os nossos produtos. Gosto muito de trabalhar com fruticultura. A gente tem que gostar do que faz”, destaca.

PROJETO GERA EMPREGO E RENDA
O projeto da Urussanga Hortifruti vai além da obtenção de lucros. Ele traz oportunidade de emprego e renda a produtores da região e trabalhadores da cidade. Arnaldo Masiero incentiva mais de dez produtores a direcionarem e comercializarem suas frutas, movimentando a economia local.
O negócio também gera empregos diretos e indiretos. Em sociedade, Masiero gerencia mais 150 hectares de pomares. No pico das safras, quase 100 funcionários trabalham na colheita das frutas. A projeção para os próximos anos é manter o crescimento anual entre 30 e 40%.

O QUE PLANTAR NA HORTA EM OUTUBRO? Pode ser o aipim, consorciado com outras hortaliças na entrelinhas!

O que é consorciação de culturas? É o aproveitamento do mesmo terreno, por duas ou mais culturas diferentes, na mesma época. Além de aproveitar bem o terreno, evita-se a erosão do solo e a disseminação de plantas espontâneas (“mato”) e, o mais importante, aumenta-se a biodiversidade, favorecendo-se um melhor equilíbrio da natureza e menor ataque de pragas. O consórcio pode ser feito nas entrelinhas e em faixas. Uma das opções é empregar espécies com estatura, desenvolvimento e modo de condução diferentes, como o aipim e a moranga, pepino, melancia ou abóbora(desenvolvimento rasteiro)
Aipim: O aipim, também chamado de mandioca e outros, é uma excelente fonte de carboidratos, com elevado valor energético e boa fonte de vitaminas do complexo B, além de sais minerais, especialmente o potássio. O aipim ou mandioca mansa, difere da mandioca brava, pela presença e concentração de ácido cianídrico nesta última que pode ser venenoso, causando náuseas, vômitos, sonolência e até mesmo a morte. O aipim é consumido, especialmente in natura e, também já descascado e congelado (o tempo de cozimento, praticamente reduz a metade, economizando gás). O aipim, em relação às outras culturas, possui como vantagem, a facilidade de propagação (ramas), tolerância à seca, bom rendimento em solos de baixa fertilidade e ainda resistência às pragas e doenças. A planta prefere solos arenosos e bem drenados. Existem inúmeras variedades de aipim. Em função do crescimento inicial lento, recomenda-se a consorciação do aipim com outras culturas. As manivas ou toletes (pedaços de ramas maduras) devem ter de 5 a 7 gemas com 2,5 cm de diâmetro e cerca de 12 a 15 cm de comprimento e, estar livre de pragas e doenças. Para solos bem drenados recomenda-se o plantio em sulcos de 10 cm de profundidade, colocando-se as mudas horizontalmente no sulco e depois cobrindo totalmente com terra. Para a região Sul do Brasil, recomenda-se o plantio no final de setembro até o final de outubro, após às chuvas. O espaçamento recomendado é de 1,5 à 2 m entre  leiras por 1 m entre plantas. O mandarová, uma lagarta muito voraz, é a principal praga que pode ser combatida, especialmente em plantio pequenos, através de visitas periódicas, catando-as e destruindo-as. A colheita deve ser efetuada na estação seca (outono e inverno), época em que as raízes apresentam melhor qualidade.
O arranquio manual das raízes deve ser feito após as chuvas e imediatamente recolhidas, pois a conservação em condições naturais é muito curta. Para evitar que as raízes percam qualidade, recomenda-se a colheita, no máximo até agosto, descascando e congelando as mesmas.

O que plantar na horta orgânica, em setembro? Pode ser o milho-verde e feijão-de-vagem, consorciados!

O que é consorciação de culturas? é o aproveitamento do mesmo terreno, por duas ou mais culturas diferentes, na mesma época. O consórcio pode ser feito na mesma linha, com um cultivo servindo como tutor para o outro cultivo.
Milho-verde: O milho (colhido antes de amadurecer), consumido verde, cozido ou assado na espiga, é um alimento muito nutritivo, rico em vitaminas, especialmente do complexo B e muito importante para o bom funcionamento do sistema nervoso. Preferencialmente, deve-se utilizar solos leves e profundos, com bom teor de matéria orgânica e boa drenagem. Existem no mercado inúmeros híbridos de milho recomendados para produção de milho-verde. O plantio direto ou o cultivo mínimo (o preparo do solo apenas do sulco de plantio) é o mais indicado. O plantio pode ser manual, no espaçamento de 1,5 à 2 m entre as linhas e 40 à 50 cm entre as plantas, colocando-se 2 a 3 sementes, na profundidade de 5 cm. Após a germinação, deve-se controlar o “mato” na linha de plantio, através de capinas. A irrigação, especialmente no florescimento e durante o enchimento dos grãos, é muito importante. O milho-verde deve ser colhido na fase chamada de grão leitoso e pastoso, cerca de 90 dias após a semeadura. Quando mantidas em temperatura ambiente, as espigas conservadas com palha tem melhor proteção (3 a 5 dias).
Feijão-de-vagem: O uso mais comum da vagem inteira ou picada, após ligeiro cozimento, é a salada temperada com óleo, sal e vinagre. As vagens, além de serem fontes de vitaminas A, B e C, ainda são ricas em fósforo, potássio e fibras.A temperatura média ideal para o crescimento e polinização desta hortaliça é de 18 a 25ºC. Em temperaturas abaixo de 15ºC as vagens ficam em forma de gancho. As variedades indicadas são: Tipo macarrão (vagem cilíndrica) – Estrela, Favorito, Campeão, Preferido e Predileto; Tipo manteiga (vagem chata) – Maravilha e Teresópolis. Obs.: Todas as cultivares citadas são
de crescimento indeterminado e, por isso, exigem o tutoramento que pode ser feito utilizando-se a cultura do milho, semeada no início de setembro. O cultivo do feijão-de-vagem é realizado por semeadura direta em covas (2 a 3 sementes), ao lado de cada planta de milho, no final de setembro. Após a colheita da espiga do milho-verde, amarram-se (duas a duas) as plantas de milho na ponta, formando um “V” invertido e, assim servindo como tutor do feijão-de-vagem. A irrigação deve ser feita pela manhã, sempre que necessário, para evitar que as folhas fiquem molhadas à noite. Efetuar a capina, sempre que necessário, na linha de plantio. Para o controle do oídio, um fungo que cobre as folhas de um mofo branco, recomenda-se a pulverização semanal com leite cru de vaca (10 a 15%). A cultura do feijão-de-vagem atinge seu ponto de colheita com 70 a 80 dias após a semeadura,cerca de 15 dias após o florescimento, prolongando-se por 30 dias ou mais.