POR FAVOR, DONA GLOBO!

Insisto: não sou eleitor do Bolsonaro. Mas se dependesse da Rede Globo eu bem que poderia ser. Torço o nariz para o jornalismo militante da emissora, e a entrevista concedida pelo presidenciável ao Jornal Nacional foi uma justa “mitada” nos pretensiosos e lacradores jornalistas. Chego a pensar que se um belo dia Willian Bonner disser que comer cocô é ruim ficarei tentado a devorar um prato cheio. Por favor, Globo, não volte a entrevistar Bolsonaro!

A mais recente campanha da TV Globo é pelo “direito das mulheres de decidir”. Há um eufemismo sorrateiro no slogan. Na verdade, trabalha-se pelo “direito das mulheres de abortar”. Ou, para quem tiver frieza e ir direto ao ponto, pelo “direito das mulheres de matar seus filhos no início da gestação”. Mas as campanhas publicitárias necessitam de sutileza, insinuação inconsciente. A senhora é perita nisso, Dona Globo.

Descriminalização do aborto é apenas uma das bandeiras levantadas pelas Organizações Globo e por quase toda grande mídia. Há ainda o desarmamento da população, a desigualdade de gênero, a construção da sexualidade, muita, muita engenharia social. Pobre brasileiro, não merece trabalhar duro o dia todo e à noite ter de enfrentar lições de moral progressista na novela das nove. Baita falta de sensibilidade dos dramaturgos.

Uns interpretaram que os entrevistadores do Jornal Nacional moeram o entrevistado. Eu, absolutamente insuspeito de bolsonarismo, vi justamente o contrário. Na pressa de encurralar o candidato, deixaram a bola quicando em sua frente, pronta para ser chutada bem ao alto. Ele disse exatamente tudo o que o povo mais gosta de ouvir. Não sou e não pretendo ser eleitor de Bolsonaro, mas, por favor, Dona Globo, não me faça cair em tentação.

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