Filó: uma forma de manter o dialeto

Far Filó… Per ciaccola. Você sabe o que é isto? É fazer um encontro para conversar em dialeto, uma variante da língua italiana. Era desta forma que vizinhos se reuniam em Urussanga para trocar ideias e contar histórias. Às vezes, as mulheres acompanhavam o momento tecendo ou fazendo outros trabalhos manuais, como a confecção de balaios.

Este costume dos antepassados está sendo resgatado pelo Movimento Ostrega. Em 2018 já foram realizado três Filó. O primeiro ocorreu em Rio América Baixo, na residência de Beth Mazzucco. O segundo em Rio Maior, na casa de Maria De Lorenzi. No último domingo foi a vez da família Meneghel receber a ação no bairro De Villa.

Jahir Meneghel e a neta Jaira acolheram integrantes do movimento e pessoas que falam o dialeto Talian para uma tarde de conversas e confraternização a fim de praticar a variante da língua italiana. Participaram da ação descendentes de famílias como Donadel, Fontanella, Padoin, Mazzuco, entre outras. Ou seja, trevisanos, bellunesis e friulanos juntos em prol da identidade cultural.

Jaira acredita que o Movimento Ostrega vem ao encontro do resgate do dialeto usado pelos italianos que chegaram ao Brasil. Para ela, o Filó é uma maneira que os descendentes têm para a prática e o resgate dessa língua que, na década de 30 e durante a Segunda Guerra Mundial, a campanha de nacionalização instituiu o aprendizado obrigatório do português e proibiu o uso da fala dialetal italiana.

“Sempre ouvi meus avós falando o dialeto entre si. Nos encontros de família as histórias eram contadas em dialeto. De tanto ouvir os mais novos acabavam entendendo o que se falava. Receber o Filó em um domingo à tarde relembrou as visitas que eram feitas aos familiares antigamente com uma mesa farta, café e conversas sobre os acontecimentos da semana ou as notícias do mundo que na época sabiam apenas pelo rádio”, conta.

Segundo Jaira, seu avô Jahir Meneghel ainda fala em dialeto com os filhos e também com os amigos mais antigos quem vem visitá-lo. “Já teve casos de visitas de italianos na empresa Chapam e ele os recebeu conversando em dialeto. Alguns italianos ficaram surpresos ao saber que em nossa cidade ainda é difundido esse dialeto tão antigo. Para os mais entusiastas esses encontros (Filó) são uma forma de praticar e não deixar no esquecimento, além de ensinar a nova geração a ter conhecimento e principalmente preservar a cultura”, finaliza.

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