Agricultura Orgânica x Agricultura Convencional: Mitos e Verdades – Parte VII –

Nas edições anteriores do jornal Vanguarda, comentamos sobre vários Mitos e algumas Verdades.

A seguir, comentaremos sobre o problema das plantas daninhas ou inços ou ainda “mato” na agricultura convencional e as plantas espontâneas, consideradas uma solução na agricultura orgânica. Na agricultura convencional, o “mato” ou “inços” são chamados de “plantas daninhas”, pois leva-se em conta somente os efeitos negativos sobre a produção. A solução encontrada pela agricultura “moderna” são os inúmeros herbicidas que contaminam as fontes de água e, o que é pior, contaminam as pessoas, especialmente quando o uso for nas cidades.

Verdade: na agricultura orgânica, o “mato” não é problema, é solução!

Na agricultura orgânica, o “mato” ou “inços” são chamados de plantas espontâneas: são espécies que germinam na área de cultivo, podendo ser espécies nativas (surgem naturalmente na região) ou exóticas (introduzidas na região) já estabelecidas ou são indicadoras de algum problema no solo. Quando uma planta se torna agressiva (“invasora” ou “inço”) e domina uma área, o problema não está na planta, mas no solo e/ou no ambiente que o envolve. As plantas espontâneas estão adaptadas ao seu ambiente, sendo portanto, indicadoras das condições químicas ou físicas do solo, indicando também o manejo que está sendo praticado. Para que uma espécie de planta não domine a área cultivada, primeiro é preciso resolver os problemas existentes no solo. A seguir alguns exemplos de plantas indicadoras de problemas no solo: Picão preto e urtiga – excesso de matéria orgânica; Carqueja, capim-carrapicho, guanxuma, língua-de-vaca, maria mole e tanchagem – solo compactado; Samambaia e capim-arroz – solo ácido com alto teor de alumínio;
Barba-de-bode e capim-amargoso – solo com baixa fertilidade ; Capim marmelada ou papuã – solo muito arado e gradeado, com deficiência de zinco; Nabo – solo com deficiência de boro e manganês; Tiririca ou junça – solo ácido, com carência de magnésio; Caraguatá – é frequente em solos onde se praticam queimadas; Azedinha – solo argiloso, ácido, carência de cálcio e molibdênio.

Ao mesmo tempo que uma planta espontânea indica um problema, também ajuda a solucioná-lo. A competição por água e nutrientes exercida pelas plantas espontâneas é uma preocupação para o hemisfério norte, onde a estação de crescimento é fria, única e curta. Nas condições tropicais e subtropicais, clima predominante no Brasil, esta competição é menos problemática do que a falta de cobertura do solo; as plantas espontâneas ajudam a cobrir o solo, reduzindo a erosão e o aquecimento superficial, nossos principais problemas. Ao reduzir a erosão e o aquecimento superficial, contribuem para melhorar a disponibilidade de água e a absorção de nutrientes pelas raízes, as quais paralisam esta atividade quando o solo atinge temperaturas acima de 32 ºC. As plantas espontâneas aumentam a densidade e a diversidade radicular, contribuem para a reciclagem de nutrientes e para melhorar as características físicas, químicas e biológicas do solo. São fontes de biomassa, produzem flores que atraem insetos predadores e podem servir de alimento preferencial para pragas das culturas. Por isso, as plantas espontâneas não merecem ser chamadas de daninhas e sim, ser consideradas, como uma reação da natureza à falta de cobertura do solo. Portanto as plantas espontâneas (“daninhas” ou “mato”) são consideradas “amigas” das plantas cultivadas.

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