Fim do borrachudo: Administração Municipal atende reivindicação antiga da comunidade de Rio Maior

A Administração Municipal de Urussanga irá realizar no Rio Maior o trabalho de aplicação do BTI, um produto utilizado para combater a proliferação dos mosquitos borrachudos. A iniciativa, que foi encaminhada pelo vereador Odivaldo Bonetti ao prefeito Gustavo Cancellier, é uma reivindicação antiga da comunidade que, especialmente nos meses de calor, sofre com a incidência do mosquito. O trabalho que será executado pela primeira vez pela Administração Municipal de Urussanga ocorrerá em parceria com o Samae e Setep.

“Esta é uma solicitação antiga que estamos viabilizando para garantir o bem-estar dos moradores da comunidade que tanto sofrem com a proliferação deste mosquito. A aplicação do material será realizada nos afluentes do Rio Maior, um local bastante afetado pelo problema e que é de extrema importância para a captação de água no nosso município”, explica o prefeito Gustavo Cancellier.

Com as aplicações, realizadas inicialmente a cada 15 dias, interrompe-se o ciclo de reprodução do borrachudo, que é de aproximadamente 25 dias entre as fases de ovos, pupa e a adulta. Após o período de aplicação de 15 em 15 dias, o processo será realizado mensalmente durante um ano. A estimativa é que a incidência do mosquito seja reduzida em até 80%.

Além da aplicação do larvicida, é importante salientar que a preservação ambiental também colabora para a diminuição da população do mosquito. Lixo, dejetos animais e matéria orgânica nos córregos, riachos e demais cursos d’água favorecem a procriação do inseto. A recuperação das áreas às margens dos riachos também previne a infestação. “Nossa intenção com a redução da incidência dos borrachudos é de no futuro realizar, em paralelo com a aplicação do BTI, um trabalho de conscientização sobre a importância da preservação dos rios”, esclarece o prefeito Gustavo Cancellier.

A expectativa é que os trabalhos sejam realizados a partir da próxima semana, já que é necessário um período de estiagem para que o produto possa ser aplicado e sua funcionalidade garantida.

SOBRE O BTI

O BTI é um larvicida orgânico desenvolvido para controlar as larvas dos mosquitos borrachudos. Seu ingrediente ativo é uma bactéria que ocorre naturalmente no meio ambiente, o Bacillus Thuringiensis Israelensis (BTI), e que age somente contra a larva do inseto, não interferindo na água, vegetação ou demais animais que possam habitar o leito do rio.

ASSUNTO VEM SENDO LEVANTADO AO LONGO DOS ANOS

Desde 2009, o Jornal Vanguarda acompanha o caso. Na mesma época, a Associação Comunitária do Rio Maior contava com um Plano de Controle do Mosquito Borrachudo em Rio Maior e São João do Rio Maior. Quase uma década se passou e moradores acompanham o agravamento do problema. “Apesar de toda a mobilização, a situação vem se agravando. Um plano de combate ao mosquito borrachudo deve ser implantado com urgência, pois é uma questão de saúde pública. É preciso buscar e analisar modelos de outros municípios que conseguiram solucionar o problema. Creio que realmente a solução somente virá com o envolvimento da Prefeitura, Secretaria de Saúde, Vigilância Sanitária, Epagri, Fundação do Meio Ambiente, Secretaria de Agricultura, Samae, associações comunitárias e população”, comenta a moradora de Rio Maior, Cenilda Mazzucco.

A alta incidência de mosquitos Borrachudo foi questão levantada pela Vigilância Sanitária de Urussanga na Câmara de Vereadores em novembro de 2014. Na época, a coordenação da Vigilância Sanitária do município prestou esclarecimentos afirmando que o inseto necessita de sangue para a produção de ovos e de água suja e corrente para a procriação.

Devido as altas temperaturas, o processo reprodutivo do inseto é acelerado. Cada fêmea chega a produzir 2,5 mil ovos, que são colocados em plantas aquáticas, pedras e lixo. O calor acelera o processo reprodutivo, fazendo com que as fêmeas coloquem mais ovos e com que eles eclodam mais rapidamente. O borrachudo não transmite doenças, mas causa desconforto e alergias na maioria das pessoas que são picadas.

O desequilíbrio ambiental em relação aos predadores naturais da espécie como sapos, peixes e rãs e a sujeira em terrenos baldios próximos a rios foram fatores apontados como preponderantes para a disseminação do borrachudo.

O “BORRACHUDO”

Segundo o pesquisador Dori Edson Nava, responsável pelo Laboratório de Entomologia da Unidade de pesquisas da Embrapa Clima Temperado, o “borrachudo” pertence à família Simuliidae da ordem Diptera, sendo cientificamente chamado de Simulium spp., que existem varias espécies e por isso é de difícil identificação. Estes mosquitos se caracterizam por apresentar pequeno tamanho (adultos medem de 1 a 4 mm). Têm uma ampla distribuição no Brasil.

Suas picadas, além de causar um desconforto e alergias nas pessoas também podem transmitir doenças, mas estas são restritas à região Norte do Brasil, mais especificamente, ao estado de Roraima e a países da África. Outro problema causado por este mosquito é o fato de atacarem animais que possuem partes do corpo não protegido, como aves e alguns mamíferos. As responsáveis pelas picadas são as fêmeas, pois necessitam se alimentar de sangue para se reproduzirem. Ao realizarem a picada, as pessoas normalmente não sentem o ataque. Entretanto, alguns minutos após, ocorre desconforto no local, sendo a coceira o sintoma mais comum.

O desenvolvimento do “borrachudo” passa por quatro estágios durante sua vida. As fêmeas, após realizarem as picadas, procuram locais com água corrente e colocam os ovos em pedras, restos de vegetais e mesmo o lixo que é jogado nos rios, como latas, garrafas e plástico, entre outros. Após, entre quatro e cinco dias, eclodem as larvas que se alimentam de restos orgânicos presentes na água. Cerca de 19 a 22 dias depois, estas larvas formam um casulo e permanecem dentro dele, durante um estágio denominado de pupa. E, cerca de cinco a sete dias, emergem os adultos e passam a dar continuidade ao ciclo biológico. Aproximadamente ao completar um mês de vida, os adultos se alimentam, acasalam e reproduzem. Assim, durante o verão, em média um mês, o inseto completa os estágios imaturos e, a cada dois meses, finalizam o ciclo biológico (ovo-adulto).

CONTROLE DO INSETO

Não basta adotar uma única medida de controle do “borrachudo”. É preciso estabelecer e executar uma série de recomendações que devem abranger uma região e não um único local ou propriedade. Estas medidas devem ser tomadas em conjunto com a comunidade local, destacando-se:

– O esgoto doméstico (incluído o da cozinha e o dos banheiros) e os excrementos de animais nos criadouros não devem ser jogadas diretamente nos rios. Este esgoto precisa ser tratado;
– Os rios devem ficar livres de qualquer lixo, desde os jogados pelos humanos até pedaços de galhos e troncos de árvores;
– Deve-se preservar os locais das nascentes dos rios, bem como as margens por meio de reflorestamento;
– Deve-se preservar os inimigos naturais das larvas do “borrachudo” nos rios, como os peixes, sapos e libélulas;
– Existem produtos biológicos a base de bactérias que controlam as larvas do “borrachudo”. Assim, estes produtos são adicionados na água dos rios e as larvas, ao ingerir o produto, acabam morrendo. Deve-se comentar que estes produtos biológicos estão disponíveis no mercado e são a base deBacillus thuringiensius específicos para a mosquinha.

COMO EVITAR AS PICADAS DO MOSQUITO

– Proteja as residências utilizando telas nas portas e janelas;
– Use repelente na pele para se proteger das picadas;
– Proteja o seu corpo com o uso de calças e camisas de manga comprida. Normalmente as picadas se localizam nas mãos, nos pés e na cabeça.

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