Um pedaço da natureza sob cuidados minuciosos

Aos olhos de desconhecidos, a reação é de encanto. Já para os apreciadores, cresce a admiração por uma arte de aproximadamente dois mil anos. As árvores em miniatura surpreendem e provocam a curiosidade. Conhecida como Bonsai, que em japonês significa árvore plantada em bandeja, a arte consiste em cultivar uma planta, com características de uma árvore já bastante velha na natureza, em um vaso relativamente raso. “Transmite-se a sensação e existe a capacidade de miniaturizar um pedaço da natureza”, explica o urussanguense Alisson Massucheti Rosso, de 40 anos, que atualmente reside na Alemanha.

Alisson, filho de Nilton Rosso e Marilda Massucheti Rosso, é um dos milhares de apaixonados e seguidores desta arte. A forte ligação com a natureza iniciou ainda na infância. “Cuidava do quinta com a minha avó e aprendi muito com ela a cultivar bem o que tínhamos plantado. Ainda criança me deparei com algumas plantas que cresciam no quintal e pareciam árvores em miniatura. Me apaixonei por aquela sensação de poder ter um pedaço da natureza miniaturizado. Pedi à ela e a minha mãe um pedacinho do quintal para plantar e cuidar delas, mas eu nunca tinha ouvido falar em Bonsai. Depois de algum tempo vi um bonsai em um filme, porém nunca tive acesso a um ou soube de alguém que tivesse”, conta.

Na década de 90, durante a faculdade, o urussanguense foi introduzido a este universo. “Conheci Elano Rodrigo Espessato e ele tinha um Bonsai. Foi a pessoa que me deu as primeiras dicas, emprestou um livro e eu não parei mais. Meu pai, sempre que podia, trazia algum material, como livros e ferramentas, de viagens e minha mãe me ajudava sempre. O apoio e incentivo deles sempre foi muito grande e isso me motivava a buscar cada vez mais conhecimento nessa área”, comenta.

Ao longo dos anos, Alisson foi alimentando essa paixão e aperfeiçoando seu conhecimento. Ele estuda Bonsai há 23 anos. “Naquela época, o acesso à informação era muito difícil. Fui aprimorando através da prática, com acertos e erros, livros e revistas, que eram raros. Não tinha ninguém na região que ministrasse cursos ou pudesse trocar informações. Com a chegada da internet, o acesso a informação ficou mais fácil. Depois que vim para a Europa, em 2013, comecei a me dedicar mais ao estudo da arte, bem como participar de exposições e de workshops”, pontua.

INTENSA DEDICAÇÃO

Segundo o urussanguense, a arte do Bonsai é um processo que pode ocorrer tanto de forma natural quanto através de técnicas aplicadas. “Os cuidados são muito parecidos com os cuidados de uma planta comum, porém com algumas necessidades especiais como substrato adequado, reposição de nutrientes através da adubação e rega adequada. Ao contrário do que alguns possam pensam, quando cultivamos um Bonsai não proporcionamos nenhum tipo de sofrimento para a planta. É exatamente o contrário. Proporcionamos a ela tudo o que é necessário para seu pleno desenvolvimento e saúde, através do que eu chamo de cultivo de excelência”, salienta.

Alisson Massucheti Rosso possui aproximadamente 15 plantas em seu apartamento na Alemanha. Seus cultivos estão em vários estágios de desenvolvimento. Além de regar as plantas algumas vezes ao dia, o urussanguense reserva dias da semana para realizar trabalhos manuais nas pequenas árvores, sempre aliando emprego e estudo. Uma das árvores mais antigas que Alisson possui tem 100 anos e está no Brasil.

UMA PAIXÃO QUE PODE VIRAR PROFISSÃO

Nos últimos anos, a dedicação de Alisson ao Bonsai está rendendo bons frutos. Em 2017, o urussanguense expôs dois trabalhos em Berlim, capital da Alemanha, durante a exposição do Bonsai Clube. Em fevereiro deste ano, ele foi até a Bélgica para participar do maior evento de Bonsai da Europa. “Acompanhei workshops com alguns dos maiores mestres Bonsaistas do mundo como Kunio Kobayasi, do Japão, Bjorn Bjornholm, dos Estados Unidos, e Mauro Stemberger, da Itália. Busco conhecimento diariamente”, ressalta.

Recentemente, Alisson também decidiu apostar na difusão de informações sobre o tema. Ele idealizou um curso online de forma pioneira no Brasil nesta área. “A ideia do curso surgiu da necessidade de encontrar informação de alta qualidade e com fonte confiável a fim de garantir segurança a quem quer começar ou deseja aperfeiçoar a arte. Esta foi a forma que encontrei para poder transmitir conhecimento de qualidade às pessoas, independente de onde elas estejam. O formato que criei é diferente. Não é um vídeo/aula previamente gravado. Os cursos são feitos pelo Skype, de forma 100% interativa, analisando caso a caso e adequando os dias e horários de acordo com a disponibilidade do participante. Não existem aulas perdidas e o curso só termina depois que todo o conteúdo proposto foi transmitido. Por conta desses fatores, o curso está com uma ótima aceitação”, conta.

O urussanguense está se tornando mais conhecido devido a criação de um canal no YouTube denominado BONSAIAR. A ideia é desmistificar e difundir a arte. “Explico tudo o que é necessário saber para que as pessoas possam entender o Bonsai e esclarecer alguns conceitos que muitas vezes são difundidos de forma confusa ou errada. O canal também serve de material de apoio aos cursos e mostra para as pessoas que o bonsai é fácil, porém rico em detalhes. Até hoje não conheci ninguém que não ficasse encantado ao ver um belo exemplar de bonsai. Porém a falta de informação já fez com que muitas pessoas perdessem suas plantas e consequentemente o interesse pela arte”, pontua.

Os projetos aplicados nos Brasil estão sendo realizados em parceria com a Confraria do Bonsai. Na última semana ocorreu o lançamento de uma web rádio por meio de aplicativo para celular. “Esse é um dos projetos pioneiros no Brasil e é chamado de Sintonia do Bonsai. São 24 horas de música, um repertório bastante eclético, e algumas dicas importantes sobre o tema. Muitas outras novidades virão e serão divulgadas no canal BONSAIAR no YouTube. Em breve teremos o maior portal de Bonsai do país. Já temos um grande grupo de Whatsapp onde trocamos experiências e sanamos dúvidas. Nas minhas visitas ao Brasil também ministrarei workshops presenciais. O bonsai é um uma grande paixão que aos poucos está se transformando em profissão. Sempre sonhei em trabalhar com isso, e está acontecendo de forma natural, através de todo o empenho que tive até hoje em estudar e fazer da melhor forma possível”, finaliza o urussanguense.

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