RUMA AO HEXA – PARTE II

Se você não leva a Copa a sério e entrou na onda de desprezar a Seleção, dizendo ser coisa para alienados, sinto muito. Este artigo é para quem compreende a dramaticidade e o lirismo do futebol. É para quem ainda não virou chato e não vive de patrulhar o divertimento e as paixões alheias. É somente para aqueles que não caíram nas armadilhas modernas da política, do ativismo e do senso crítico. Ou seja, nas armadilhas do tédio e da pose. Sobretudo da pose.

Enquanto alguns posam de cidadãos conscientes, assistirei à Copa. Assistirei e torcerei com fervor religioso, assim como tenho feito desde 1986. Não me venham com a conversa de que a Copa serve ao governo para anestesiar o povo. Futebol é arte sim, senhor, e se ele anestesia, também anestesiam a dança, a literatura, o teatro e a pintura. São todas manifestações humanas muito úteis para escaparmos, por alguns instantes, da miséria do cotidiano.

Sinto saudade de quando a Copa fazia do Brasil uma nação. Tínhamos, ao menos, a pátria de chuteiras, unida em torno de um sentimento comum. Hoje, nem isso. Somos todos militantes de alguma causa, lutamos por um mundo melhor, digladiamo-nos e quase chegamos a cuspir uns na cara dos outros por políticos, ideologias, o diabo. Aos olhos dos engajados, vestir a camisa canarinho equivale a passar um atestado de bocó.

Pois o bocó aqui gostou bastante do amistoso contra a Croácia. O escrete apresenta ainda algumas falhas, mas tem brio, disciplina tática, preparo físico e, principalmente, Neymar. Tem também o Tite, brasileiro fora do padrão, trabalhador e estudioso obsessivo. Esqueçam aquele time infantil e chorão do sete a um. No futebol, assim como na vida, o humilhado é o mais perigoso dos seres. Possui forças inomináveis e incoercíveis. Viva o futebol!

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