TROÇA E SIMPLESMENTE TROÇA

Já passou o tempo de eu me levar a sério. Foi-se aquela época em que eu tratava com seriedade as coisas da política. Reli alguns textos antigos e fiquei enjoado com o tom professoral, com o estilo acadêmico, pretensioso. Eu era muito chato. Talvez ainda seja, mas hoje tento tirar onda, sobretudo de mim mesmo. Fecho com Lima Barreto, que recomendava fazer “troça e simplesmente troça, para que tudo caia pelo ridículo”.

Lendo o Baffone da semana passada, logo na primeira notinha deparei com um texto pedindo otimismo aos urussanguenses. “Pra frente, Urussanga!” Com todo respeito ao colunista, que eu nem sei quem é, preciso indagar: de onde vem este otimismo, colega? Em que local você quer que o urussanguense busque tantas esperanças? No paço municipal, na Praça Anita Garibaldi, no Retiro Pamir, na área industrial ou no lendário concurso público?

Da minha parte, seguirei pessimista e fazendo troça. Sou urussanguense, não tenho vergonha nem orgulho. Uma prima que mora em Florianópolis, mas também é urussanguense, quando perguntada sobre sua naturalidade diz ser de Criciúma. Tadinha! Não é o caso de ter vergonha, prima estimada. Ser criciumense não te faria melhor do que nós, até porque Criciúma também é atrasada e não vai pra frente, nem mesmo quando emplaca um Governador.

Se nem eu me levo mais a sério, o que dizer dos leitores? É certo que usam meus artigos apenas para dar risadas, e assim já me dou por satisfeito. Dar risadas, afinal, é o que nos resta.  Claro, nem todos acham graça, e esta é a parte mais engraçada. Façamos troça, caiamos pelo ridículo e enxerguemos nossa real condição. Não sou o Baffone nem a prima que mora na capital. Tenho poucas expectativas, mas nenhuma vergonha de ser quem eu sou.

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