Família de Bona Sartor: uma trajetória ítalo-brasileira

Para além dos estudos genealógicos, a trajetória de uma família pode ajudar no entendimento de processos históricos mais amplos. No caso da imigração e da colonização, as fontes familiares são fundamentais para entendermos esse fenômeno tão generalizado, mas ao mesmo tempo tão particular para os sujeitos nele envolvido.

A família de Bona Sartor tem suas origens na frazione de Igne, comune de Longarone, província de Belluno, região do Vêneto, Norte da Itália. De acordo com as pesquisas executadas pelo frei Juarez de Bona, os registros religiosos encontrados em Belluno permitem assegurar que os ancestrais deste clãviveram na localidade de Igne di Longarone desde, pelo menos, o século XVI.

Matteo de Bona Sartor, personagem-chave para traçarmos a trajetória da família da Itália para o Brasil, nasceu em Igne di Longarone em 18 de abril de 1843. Era filho de Antonio de Bona Sartor e Maria Bratti.Assim como seus antepassados e a maioria da população veneta do período, trabalhou como agricultor desde criança, junto com sua família. Casou-se com Domenica Damian em 09 de abril de 1866. Matteo e Domenica tiveram os seguintes filhos: Giuseppe (1866), Francesca (1868), Maria (1871), Antonio (1873), Maddalena (1876) e Cattarina (1879) – em Longarone, Itália; Giovanni (1882) e Giacoma (1884) – em Urussanga, Brasil.

A família se estabeleceu em um lote na Linha Rio Maior, no núcleo Urussanga da colônia de Azambuja. De costume, os lotes nesta colônia podiam ser pagos em até dois anos, e após a quitação da dívida, o imigrante recebia a escritura definitiva da propriedade. Matteo de Bona Sartor e sua família estiveram entre os primeiros moradores da linha, conforme atesta a placa em frente à capela Madonna dei Campi (Nossa Senhora dos Campos).

Em 13 de julho de 1890, após a morte de sua primeira esposa, Matteo se casou com a viúva Maria Feltrin Cesconetto. Seu falecimento ocorreu em 04 de junho de 1921 na localidade de Rio Maior, aos 78 anos de idade. A narrativa segue com a trajetória do filho mais velho de Matteo e Domenica, Giuseppe de Bona Sartor. Giuseppe nasceu em Igne di Longarone em 17 de novembro de 1866.

Giuseppe emigrou para Urussanga em 1880, onde, em 1885, casou-se com Emília Tramontin.Desta união, tiveram os seguintes filhos: Luigi (1886), Domenico (1888), Domenica (1890), Elisabetta (1892), Matteo (1894), Angelo (1896), Maria (1899), Luiza (1905), Lucas (1906), Clementina (1909 – 1910), Joana, Diamantina, e Amadeo (1913).

No final do século XIX, a família de Giuseppe de Bona Sartor, oriunda de Rio Maior, foi uma das primeiras famílias a se estabelecer na região de Sant’Ana do Alto Rio Carvão, atual Santaninha.

Até 1914, os filhos mais velhos de Giuseppe e Emilia, Luiz, Domingos, Matheus e Angelo, viviam junto com os pais. Depois, se estabeleceram com suasfamílias em terrasonde futuramente seria construída a vila operária dos mineiros de Santana.

A renda familiar era baseada nas atividades agrícolas e nos trabalhos esporádicos em construções. Também havia a possibilidade de se obter lucros com outras atividades, como fizeram os irmãos Domingos e Matheus ao instalarem um engenho de farinha. Na edição de 1926 do Almanak Laemmert, no qual constam os ofícios praticados no país, aparecem dois profissionais da família: Matheus, apicultor, e Jacomo, ferreiro e beneficiador de arroz. Obviamente o almanaque não conseguiu registrar todas as especializações profissionais do município. No caso da família de Bona Sartor, até a metade do século XX todos os seus membros trabalhavam em propriedades rurais ou na prestação de serviços relacionados à agricultura e criação de animais. De costume, o excedente agrícola e os porcos eram vendidosno armazém de Mariano Mazzuco, localizado em Rio Maior, ou trocados por mercadorias como querosene, sal e breu.

A primeira capela de Sant’Ana do Alto Rio Carvão foi construída em madeira, em 1892. A imagem d santa foi doada por Giuseppe de Bona Sartor. Assim como seus conterrâneos, Giuseppe era um homem de extremo zelo religioso, e logo assumiu a função de capelão, a qual desempenhou por diversos anos. No local também eram ministradas as aulas para as crianças da comunidade. Por volta de 1940 foi iniciada a construção da atual igreja (figura 10), em regime de mutirão, pelos moradores da comunidade, sendo os tijolos fabricados por Defende Mariot. Em 12 de dezembro de 1948 foi concluída a sua construção, custando aproximadamente 40 mil cruzeiros.

As opções de lazer em Santaninha geralmente eram marcadas pelo calendário da Igreja Católica. Além da festa organizada pela comunidade em honra a sua padroeira, podemos destacar, como forma de lazer, as reuniões dos homens na bodega, os piqueniques,as caçadas nas matas da região e as festas de recepção dos casamentos.Nas memórias de quem passou a infância em Santaninha, persistem as lembranças das brincadeiras em que se utilizava o invólucro do cacho do coqueiro-jerivá (Syagrusromanzoffiana), chamado de “canoa”, para escorregarem morro abaixo.

Em 1941 iniciou a exploração do carvão mineral na região. Com a construção da vila operária de Santana, Sant’Ana do Alto Rio Carvão passou a ser chamada de Santaninha ou Santana Colônia. No início do contato entre italianos e seus descendentes com os operários da mineração, surgiram divergências étnico-culturais. Porém, com o passar do tempo, a integração foi acontecendo pelos casamentos interétnicos, jogos de futebol, festas e atividades religiosas.

A partir da década de 1940, os casamentos interétnicos e as migrações modificaram em muitos aspectos as relações da família de Bona Sartor. Os descendentes de Giuseppe e Emilia, bem como seus parentes, buscaram ascensão socioeconômica em centros urbanos como Criciúma e Tubarão. Alguns migraram serraacima, para a região de São Joaquim, Lages e Anita Garibaldi, outros, foram para os Estados do Paraná e do Rio Grande do Sul. Deste período em diante, as novas gerações ampliaram a genealogia da família, diversificando seus ofícios e costumes.

Gil Karlos Ferri
Mestrando em História – UFFS
gilferri@hotmail.com

 

Aniversário de Urussanga será comemorado com atrações na Praça Anita Garibaldi

Neste dia 26 de maio, Urussanga celebra os seus 140 anos de fundação e colonização italiana. As celebrações alusivas à data acontecem neste sábado, na Praça Anita Garibaldi, com homenagem aos pioneiros, desfile das famílias, exposição, gastronomia, atrações artísticas, missa em italiano e descerramento da placa comemorativa.

“Procuramos evidenciar a nossa cultura e, para este ano, buscamos um diferencial que foi o Desfile das Famílias. Será uma grande oportunidade de valorizarmos aqueles que chegaram ao nosso município e aqui construíram a sua história e a história de Urussanga, sejam eles descendentes de italianos ou não”, garante o presidente da comissão Central Organizadora da Festa do Vinho e da comissão dos 140 anos de Urussanga, Sergio Luiz Maccari Junior.

Para o prefeito Gustavo Cancellier, esta será uma grande oportunidade de evidenciar a história de Urussanga. “Temos muito que comemorar. Nossa cidade é repleta de histórias, de uma brava gente que não poupou esforços para construir a nossa cidade. Somos referência pelo legado trazido com os colonizadores e mantido até hoje pelas nossas tradições”, garante o prefeito.

CONFIRA A PROGRAMAÇÃO – URUSSANGA 140 ANOS

Dia 26 de maio – Aniversário de fundação do município:
06h: Alvorada festiva com repique dos sinos da Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição;
09h: Homenagem aos pioneiros, no chafariz da Praça Anita Garibaldi;
10h: Desfile das famílias de Urussanga:
Exposição “Ricordare – Mostra sui 140 anni di Urussanga” promovida pela Associazione Internazionale Trevisani Nel Mondo – Sezione di Urussanga
Presença de opções de bebidas e alimentação, na Praça Anita Garibaldi:
ProGoethe (vinhos)
Cervejaria Birra Del Nonno (chope artesanal)
Roma Gelato e Café
Atrações artísticas, no coreto da Praça Anita Garibaldi
11h30: Show com Mário Pacheco
13h30: Show com banda Kampari
19 horas: Missa comemorativa aos 140 anos de fundação de Urussanga, rezada em italiano, e cantada, em latim, pelo Coral Santa Cecília;
20 horas: Descerramento da placa comemorativa aos 140 anos, no monumento à imigração italiana, diante da Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição;
20h15: Corte do bolo comemorativo aos 140 anos, na Praça Anita Garibaldi, animado pelo grupo Cantando Si Va.

BENEDETTA: ANO 140

Urussanga está completando 140 anos. O clima não é de festa. Se no futuro algum historiador ou simples curioso tiver acesso às edições do Jornal Vanguarda e ler estas mal traçadas, pode acreditar no cronista: passamos este aniversário respirando uma atmosfera de divisão e desânimo. Nestes dias que passam a cidade está feia. Há pouco a comemorar.

 

Tanto é que os festejos serão discretos. A efeméride passa quase em branco, sem muito entusiasmo do poder público e da comunidade. Alguns até se esforçam para manter vivas certas tradições e costumes, mas o movimento cultural da cidade já não conta com nenhum incentivo relevante. A cultura como atividade política foi colocada num canto escuro.

 

Falando em canto escuro, o breu das tocas é tendência. Depois que visitei a Toca do Graxaim, fui convidado por outra servidora exilada a conhecer a repartição onde passa os dias cheirando parede, sem fazer nada, apesar do alto salário. “Urussanga Omnia Labor”, diz a frase em nosso brasão. Mas nem tudo é trabalho. Muito é clientelismo, perseguição e ócio. Ócio nada criativo.

 

Uma leitora confessou desencanto com país e cidade. Pretende fechar seu negócio e emigrar. Eu não darei este gostinho a ninguém. Se for para o descontentamento geral e aborrecimento de todos, fico. Afinal, em qualquer lugar do mundo é impossível contornar os infortúnios da existência. Como dizia o jagunço Riobaldo, “viver é muito perigoso, acaba sempre em morte”.  

ISUL realiza a 2ª semana da língua e cultua italiana

Com o objetivo de resgatar e valorizar a cultura e língua italiana, o ISUL – Instituto Sul de Línguas realizou do dia 21 até 24 de maio uma semana repleta de atividades para alunos e interessadas na cultura italiana.

As atividades envolveram uma exposição de objetos e trabalhos sobre imigração, em parceria com associações culturais de Urussanga, degustação de vinho, oficina de desenho artístico, e uma roda de conversa sobre literatura italiana.

Karla Ribeiro, professora e sócia proprietária, conta que a ação recebeu apoio das associações culturais do município, tornando a ideia um projeto em conjunto. “Aproveitamos a semana do aniversário da cidade para realizar algumas ações com o objetivo de fazer esse regaste histórico cultural, para que as pessoas entendam, conheçam e sintam orgulho de serem de Urussanga”, conta Karla.

Além do público da cidade, pessoas dos municípios da região também vieram prestigiar o trabalho de resgate de cultural. “As expectativas foram alcançadas, nós notamos uma participação muito grande, um envolvimento das entidades, das pessoas e dos alunos. Recebemos um número considerável de visitas de pessoas de Cocal do Sul, Criciúma, Morro da Fumaça e Orleans”, relata Karla.

O sucesso do evento já trouxe ideias para a edição de 2019, envolvendo um número maior número de ações em conjunto com as associações culturais.

Família De Lorenzi Cancelier promove encontra em Palmeira Alta

Um encontro na localidade de Palmeira Alta realizado no último sábado, dia 19, reuniu mais de 200 pessoas pertencentes à família dos imigrantes Giovanni De Lorenzi Cancellier e Anneta Teza Cancellier. O evento iniciou às 9 horas com uma missa celebrada pelo padre Jiovanni Manique Barreto e se estendeu até o final da tarde com almoço, café, exposição de arte, artesanato, ferramentas, utensílios, visitas ao ateliê do artista Leandro Jung e na centenária casa onde nasceram os 12 filhos do casal de imigrantes.

Vindos de várias partes do Brasil, como Brasília, São Paulo, Ribeirão Preto, Florianópolis e até do estrangeiro, como Índia e Inglaterra, os descendentes de Giovanni e Anneta tiveram a oportunidade de conhecer melhor a história de seus antepassados. No salão da capela de São Martinho, uma árvore genealógica facilitava aos descendentes descobrirem seus parentes mais próximos e com eles trocaram informações.

A família De Lorenzi provém de uma pequena vila medieval encravada nas montanhas da província de Pordenone, Itália, chamada Casso. O vilarejo foi formado a partir do ano de 1.200 da era cristã, depois que as famílias, De Lorenzo, Manarin, Mazzucco e Piucco, refugiadas de um conflito na cidade de Treviglio, província de Bergamo, chegaram às montanhas, vizinhas a cidade Longarone. Ali fixaram residência e como meio de proteção, adotaram como regra básica o casamento apenas entre os membros desses quatro sobrenomes.

No ano de 1876, um grupo de cassanos migrou para a cidade argentina de Oberá, província de Misiones. Dois anos depois, um grupo de 46 famílias do mesmo vilarejo veio para o Brasil, ocupando as terras das localidades de Rio Maior, Palmeira Alta, Palmeira do Meio, Palmeira Baixa e Rio Molha. Mesmo em solo brasileiro, os cassanos ainda seguiam à risca a velha tradição de só permitirem o casamento entre os descendentes de Casso. Somente mais tarde, na segunda metade do século XX em diante, é que alguns deles casaram com pessoas não originárias de Casso.

O sobrenome Cancelier, é um apelido dos De Lorenzi, que denomina uma “espécie” de oficial público que expedia documentos ou chancelas. Para Antônio De Lorenzi Cancelier, a participação maciça dos descendentes no encontro serviu para fortalecer ainda mais os laços da família.

“Agradecemos a todos, pois não mediram esforços para estarem no encontro, que foi o primeiro de muitos outros que virão. Penso que não foi só um momento de grandes trocas afetivas, mas de conhecimento, de história, de trabalho e de arte. E por falar em arte, vale destacar que do total dos presentes, mais de 30% apresentaram trabalhos artísticos na exposição”, ressaltou.

140 ANOS DE URUSSANGA: JORNAL VANGUARDA APRESENTA ORDEM CRONOLÓGICA DOS PRINCIPAIS FATOS

Uma viagem no tempo através de fatos e fotos. É este passeio pelo imaginário que o Jornal Vanguarda de Urussanga proporciona aos leitores nesta edição especial alusiva aos 140 anos de fundação da cidade. Uma proposta diferente que vem de encontro com o papel de informar e registrar a história.

Entre 2012 e 2014, o JV elaborou quatro edições do caderno especial “Nostri Nonni”. A primeira edição enfatizou e relatou fatos e fotos de algumas famílias que fundaram o município: Pietro Bez Batti, Ferdinando Búrigo, Giovanni Damian, Matteu e Ventura De Bona, Domenico, Francesco e Giacinto De Brida, Gaetano De Lorenzi Cancellier, Antonio De Lorenzi Canever, Eugenio, Giuseppe e Vincenzo Mazzucco, Pietro Meneghel, Giovanni Savi Mondo, Giovanni e Pietro Tezza.

As edições seguintes abordaram algumas famílias colonizadoras: Ferdinando Bettiol, Giacomo Bez Fontana, Antonio Copetti, Vincenzo De Villa, Cesare Cechinel, Giovanni De Pellegrin, Osvaldo Maccari, Pietro Mariot, Luigi Vendramini, Sperandio Zanatta, Antonio Baldin, Antonio Benedet, Luigi Cittadin, Valentino De Cesaro, Antonio Pilotto, Eugenio Simon, Pietro Zanellato, Pietro Baldessar, David Bendo, Francesco Cesca, Angelo Crema, Giuseppe Dal Bó, Giovanni De Costa, Angelo e Bernardo Nichele e Luigi Zavarise. Memórias do município foram relatadas nas edições especiais de aniversário da cidade em 2016 e 2017. Este ano, retomamos às histórias e apresentamos uma ordem cronológica dos principais fatos entre 1878 e 2018.

1878 – O início de tudo

Chegam ao Brasil 1.500.000 imigrantes italianos, segundo relata Angelo Trento no livro “Do outro lado do atlântico: um século de imigração italiana no Brasil”. Novas levas foram levadas do vale do Tubarão para o Rio Urussanga. Repletos de esperança e incertezas, depois da exaustiva viagem de navio e uma extensa e árdua caminhada, 76 famílias de imigrantes italianos chegam a Urussanga em 26 de maio de 1878 e participam da fundação da cidade, conforme dados apresentados pelo Monsenhor Quinto Davide Baldessar em livros de 1991. Imigrantes vindos logo após a unificação italiana eram muito ligados à produção agrícola.

Descendentes repassam a história de que no centro eles foram alojados em um barracão coberto com palha e fechado com achas de ripas (troncos de palmito cortados ao meio). Posteriormente, compraram lotes do governo e partiram em busca do melhor local para estabelecer moradia. Os imigrantes não falavam o mesmo dialeto, pois eram oriundos de regiões distintas como Vêneto (províncias de Belluno e Treviso), Friuli-Venezia Giulia (províncias de Pordenone, Udine e Trieste), Lombardia (província de Bérgamo), Trentino-Alto Ádige (província de Trento) e Emilia Romagna.

1879 – O Sustento

Além de plantarem seu próprio sustento, como o milho, o arroz, o feijão e a abóbora, os imigrantes necessitavam de alguns instrumentos de trabalho e instalações, como a atafona para moer o milho. A primeira delas foi inaugurada em abril de 1879, na localidade de Rancho dos Bugres, pelos colonos Ferdinando, Giovanni e Celeste Savi, conforme relata o historiador Oswaldo Rodrigues Cabral no livro “História de Santa Catarina”.

Chegam a Urussanga, na mesma leva, os descendentes das famílias Maestrelli e Concer, únicos imigrantes italianos oriundos da região de Trentino Alto Adige. Eles se estabeleceram próximos ao Rio dos Americanos.

1881 – A Peste

Em livro, Monsenhor Quinto Davide Baldessar afirma que uma epidemia arrasou um dos núcleos de Urussanga, em 1880, matando dezenas de pessoas, tanto crianças quanto adultos. Registros de uma peste na comunidade de Rio Carvão levaram fiéis a pedir pela intercessão da “Madonna della Salute”. Após promessas e peregrinação, o pedido foi alcançado. Além disso, padre Luigi Marzano descreveu também em livro que muitos dos imigrantes italianos sofriam com doenças e infecções, como feridas nas pernas e nos pés devido a mudança brusca do clima e do árduo trabalho.

O urussanguense Arnaldo Escaravacco registrou em livros, na década de 80, fatos e fotos da cidade. Em uma de suas obras, ele apresentou que Giovanni Salvador e Andréa Tramontin construíram, em 1880, o segundo moinho e o primeiro engenho de cana movidos a água. O autor também registrou que Cristófolo Pescador, Antonio Bon, Eugênio Malboni e Ferdinando Bettiol ergueram o primeiro moinho na sede da colônia, acrescentando uma ferraria com malho. Em Rio Maior, Inasio, Antonio, Eugênio e Vicente Mazzucco (Tonin) e Beniamino Mazzucco (Mênego) também fazem um moinho.

Em 1881, registra-se uma população estimada em 1.820 habitantes e tem início as comunidades de Rio Caeté, São Valentin, Rancho dos Bugres, Morro da Lagoa, Rio América Baixo. Chegam os primeiros animais, a ideia da construção da capela de pedras e criam um armazém social. Devido ao crescimento demográfico, a colônia Urussanga é emancipada por Decreto em dezembro de 1881.

Em Rio América Baixo, a família Bez Fontana, do casal italiano Giacomo e Catarina, juntamente com o filho Sebastião, inicia a construção de edificações, concluídas em 1901, que abrigariam cômodos da casa, atafona, marcenaria, serraria e descascador de arroz que funcionavam com a força d’água.

1882 – Confrontos indígenas

O livro “Coloni e missionari italiani nelle floreste del Brasile”, de autoria de padre Luigi Marzano e lançado em 1904, relata a morte de dezenas de italianos, entre jovens, crianças e idosos, decorrente de confrontos com indígenas nas décadas de 1880 e 1890. Ele conta histórias de morte de alguns integrantes das famílias Pilon, Zanelato, Spricigo e De Brida.

O livro “Um Vapor para a Benedetta”, feito pelo Jornal Vanguarda, fala de um padre que civilizava índios na Amazônia e que veio a Urussanga. Ele conseguiu fazer com que as famílias adotassem crianças indígenas a fim de amenizar a tensão, formar um pacto de amizade e diminuir a hostilidade. Ele deixa o núcleo em 1885.

1885 – Porta aberta para o empreendedorismo

Ferdinando Bettiol adquire, em 1883, autorização para construir um canal de dois metros de largura para transportar, da represa por ele construída no Rio Urussanga, água para o prédio que construíra e onde funcionou, durante 85 anos, atafona e ferraria. Família De Villa começa a formar a comunidade que hoje leva seu sobrenome.

Com espírito empreendedor abrem uma casa comercial Alberto Rotti foi o primeiro Cônsul italiano a registrar visita ao Sul de Santa Catarina. Seu relatório, datado em 1885, foi descrito no livro do padre João Leonir Dall’Alba. No documento, a autoridade italiana faz referência a existência de escolas étnicas italianas na região.

Ele destaca que Urussanga tinha melhores condições educacionais e em 1884 sediava no centro da cidade duas escolas elementares, uma para meninos e outra para meninas. Já o interior da colônia contava com escolas particulares mistas pagas pelos pais dos alunos em Rancho dos Bugres, Urussanga Baixa, Rio Carvão, Rio América, sendo que as escolas de Rio Maior e Rio Caeté haviam sido fechadas por falta de professores.

O livro “História de Santa Catarina”, de Oswaldo Rodrigues Cabral, mostra que sete anos após a colonização, a produção de alimentos já superava o consumo interno, criando a oportunidade de exportar gêneros alimentícios coloniais. A produção de vinho para consumo próprio mostrava, em 1887, 13 mil litros feitos pelos colonos, segundo dados do livro “Vales da uva Goethe”.

1892 – Primeira escola pública e movimentaço financeira

Em livro, Arnaldo Escaravaco afirma que o Governo do Estado criava, pelo Decreto nº085, a primeira escola pública no núcleo apenas para meninas em 1891. Enquanto Sebastião Bez Fontana é nomeado Subcomissionário de Polícia para o Distrito, por ato do Governador de Santa Catarina.

Guardado pela família, um livro mostra a movimentação financeira entre 1885 e 1893 na casa comercial de Giovanni Damian, localizada na Praça Anita Garibaldi. Primeiros imigrantes italianos se estabelecem na comunidade de Rio Molha. Os primeiros registros ocorrem no Cartório do Distrito: óbito de Rossina Fusini, nascimento de Assunta Zandonadi e casamento de Francisco Fenilli e Cecília Grazioli. (Dados extraídos do livro de Arnaldo Escaravaco)

Nesta época, Urussanga era distrito de Tubarão. A chegada dos Bergamascos em Santa Catarina ocorreu em 1891. Ligados à Colônia de Nova Veneza, algumas famílias permaneceram no núcleo Belvedere, inicialmente formado por acampamentos com capacidade para abrigar mais de 300 pessoas, conforme relato do imigrante Giovani Ferraro em livro, local onde todos os sacrifícios eram compensados pela fartura.

1895 – Escola Italiana

O urussanguense Arnaldo Escaravaco relata em seu livro que Cristóforo Pescador escreveu para o jornal Il Tomitano, em Longarone, na Itália, lamentando o pouco apoio recebido do governo para comprar pólvora e chumbo com o intuito de adentrar na mata e espantar os índios.

Em Rio Carvão inicia o ensinamento com a construção de uma escola. O primeiro professor foi Gregório Bosa. Livro da Paróquia aponta o primeiro batismo. Regente do consulado italiano, Giuseppe Caruso Mac Donald registra em seu relatório que no sul catarinense, antes de 1901, a única escola que podia se vangloriar de diversos anos de existência era a escola de Rio Carvão, com a frequência muita escassa de 23 alunos no máximo.

Em livro, o fundador de Urussanga, Joaquim Vieira Ferreira ressalta que a expansão deste núcleo ocorria de forma mais rápida que a colônia Azambuja, pois com terras excelentes a agricultura era ampliada. Já no primeiro Livro Tombo, um padre alemão registra as capelas em 1897: St. Valentino dos Tyroleses, St. Antonio em Rio Caeté, St. Pedro em Urussanga Baixa, St. Lorenço em Rancho dos Bugres, Nossa Senhora da Saúde em Rio Carvão e St. Gervasio e Protasio em Rio Maior.

1900 – Municipalização de Urussanga

Com a emancipação política de Tubarão, Urussanga alcança autonomia e é elevada a município em 6 de outubro de 1900 pela Lei Estadual nº 474, promovida pelo governador Filipe Schmidt. Os territórios dos Núcleos de Belluno e de Treviso passam a integrar o novo município. Registros apontam para 7.145 habitantes.

Em 10 de dezembro, Jacintho De Brida é nomeado Superintendente, o cargo atual de prefeito, sendo o primeiro governante do novo município. Também foram nomeados conselheiros (comparados a vereadores e/ou secretários municipais, para a sede e estendendo as funções às localidades de origem) os cidadãos Lucca Bez Batti, Antonio Cechinel, Giovanni Pescatore, de Nova Belluno, e Antonio Baricchelo, de Nova Treviso). A instalação do município ocorreu em 22 de janeiro de 1901.

As primeiras famílias de colonizadores italianos chegam a comunidade de São Donato. Inicia a saga da comunidade de Palmeira do Meio.

1902 – As estatísticas em Santa catarina

O autor João Leonir Dall’Alba (1983) mostra, no livro “Imigração italiana em Santa Catarina”, estatísticas que mencionam a colonização italiana no Estado. Ele transcreve um relatório do regente do consulado italiano, Giuseppe Caruso Mac Donald que apresenta um quadro impresso no ‘Boletim da imigração n.º 6’, publicado pelo Ministério das Relações Exteriores da Itália em 1902.

O quadro, de autoria do Cônsul italiano Gherardo Pio de Savóia, aponta em aproximadamente 26.868 o total populacional de italianos e descendentes no Estado, sendo que Urussanga possuía a maior concentração com 7.000 ítalos e ítalobrasileiros.

Santa Catarina, de 1908 a 1930, fica na posição de terceiro lugar em número de escolas italianas no Brasil. Neste ano também ocorreu a nomeação do padre Luiggi Marzano como primeiro pároco de Urussanga, apesar de morar no município desde 1899.

Em julho de 1902, o bispo de Curitiba, Dom José de Camargo Barros cria a Paróquia Nossa Senhora da Conceição e, durante sua visita, faz 1,2 mil comunhões e 1,1 mil crismas.

Urussanga conta com 14 escolas subvencionadas, com 598 alunos.

E chega ao município o primeiro médico, Dr. Cesari Sartori.

1903 – A chegada das irmãs Freitas e o crescente número de escolas

Padre Luigi Marzano escreve para um bispo na Itália pedindo auxílio a uma congregação de freiras italianas para as colônias do Sul de Santa Catarina, que também poderiam ajudar na área de saúde. Em Urussanga, os imigrantes italianos se dedicaram a construção do local para moradia das freiras e funcionamento da escola e casa de saúde. No Livro Tombo da Paróquia consta a chegada das freiras da Congregação das Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus, oriundas da região de Piemonte, em 1904.

Um livro editado pelo Jornal Fanfulla, em 1909, traz um quadro que faz referência às escolas existentes no Estado de Santa Catarina de 1893 a 1905 e apresenta 22 escolas italianas. Destas, 15 estavam localizadas em Urussanga e concentrando o maior número de alunos, sendo mais de 800.

Constam duas em Belvedere com o professor Giuseppe Maffioletti e Giovanni Ferraro, em Rio América leciona Giovanni Spriccigo, Rio Caeté com Giovanni Zanatta, Rio Carvão com Gregório Bosa, Rio Galo com Lorenzo Sacchet, Rio Maior com Ignazio Barzan, São Martinho com Giovanni Damian, na vila Urussanga sob a responsabilidade das Irmãs Apóstolas e em Urussanga Baixa com Pasquale Zaccaron.

1910 – A chegada dos moradores de Santana

De acordo com o livro “Uma história de fé”, Editorial Vanguarda, chegam em 1910 os primeiros moradores na comunidade de Santana, porém a data oficial de fundação com registro em cartório é em fevereiro de 1931.

Nesta época, na área central, Urussanga já possuía uma farmácia implantada pelo imigrante Torquato Tasso, em uma edificação construída em 1892, próxima a Igreja Matriz, a qual permanece até os dias atuais e é um patrimônio tombado e protegido pela Fundação Catarinense de Cultura (FCC).

1912 – A cerveja Lybia e construção da igreja e pedra

Em 1900, Lucia De Bona Damian fica viúva do primeiro juiz de paz de Urussanga, Giovanni Damian, com a responsabilidade da criação de 12 filhos. Anos depois, ela resolve empreender e inicia a fabricação da cerveja Lybia numa residência na Praça Anita Garibaldi. A produção da bebida também foi feita pelos filhos de Lucia, Artemio, Damião e Viatore até 1938.

Cerca de 40 homens e mulheres de todas as famílias da comunidade de Rio Maior, oriundos de Erto e Casso, na Itália, participam da construção da igreja de pedra em 1911 em devoção aos santos Gervásio e Protásio. Antes de seu centenário, a edificação religiosa foi reconhecida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) pelo seu valor cultural para Santa Catarina. A torre atual da igreja foi construída em 1940.

1913 – A fundação da primeira vínicola

É fundada a primeira vinícola do município: Indústrias J. Caruso Mac Donald. O negócio possuía capacidade para estocar, no auge da produção, dois milhões de litros por safra. O empreendimento era gerenciado pelo patriarca José (Giuseppe), italiano advogado e jornalista, responsável pela introdução da uva Goethe na região e que chegou a cidade como regente do Consulado Italiano.

1917 – Começa a exploração de carvão

Em 1915, enquanto a cidade de Araranguá possui três escolas e 53 alunos, dados mostram que Urussanga tinha 18 escolas e 646 alunos.

Ângelo Cataneo, imigrante italiano que chegou a localidade de Armazém em 1880 junto com seus pais, casou-se com Anna Bonetti. Juntos construíram uma olaria tocada a boi na qual faziam os tijolos manualmente. Com esses tijolos, eles edificaram um pequeno oratório em 1915.

Em 1917, a exploração de carvão mineral inicia nos municípios de Criciúma e Urussanga, neste último nas regiões de Rio América, Rio Deserto, Rio Salto e Rio Carvão com a Companhia Carbonífera de Urussanga.

1919 – Vinhos Brancos

As atividades começam na Vinícola Cadorin em 1918, na área central, sendo que o conjunto de edificações do negócio foi construído em etapas de 1927 até a década de 40 e também abrigava uma ferraria.

Os produtos, uns dos famosos vinhos brancos de Urussanga, eram embalados em barris de cem litros e remetidos de trem para as principais cidades do Brasil. Posteriormente passou a comercializar em garrafões e em garrafas.

Já a ferraria elaborava ferramentas em geral que eram utilizadas pelas mineradoras na extração do carvão mineral das diversas minas da região de Urussanga e Criciúma.

Em 1919 iniciam os trabalhos no Hospital de Caridade de Urussanga, sob coordenação do Padre Luigi Marzano, em edificação próxima à Praça da Bandeira, que posteriormente abrigou a Prefeitura.

1920 – Comunidade de Rio América é formada

Tem início a comunidade de Rio América com o advento das minas de carvão na região, mas já habitada por imigrantes italianos. A primeira igreja de madeira foi inaugurada em 1940.

Em 1923, João Baptista Fontanella inicia a construção da torre da Igreja Matriz. De acordo com o livro “Uma história de fé”, Editorial Vanguarda, na época, pároco Cônego Luiz Gilli instruiu executar a obra do campanário (torre) primeiro. Três anos depois, Gilli traz da Itália dois sinos fundidos em Novara. As peças foram colocados por Ernesto Bettiol durante um trabalho de nove horas. A Igreja Matriz conta com 4 sinos: Solene, de Nossa Senhora, Tempestades e dos Anjos. Já o relógio foi comprado em Turim, na Itália, pelo Cônego Luiz Gilli, Pedro Copetti e Caetano Bez Batti para instalação em 1927.

1926 – Ramal ferroviário é inaugurado

Moradores festejam, na praça central, a inauguração do ramal ferroviário em Urussanga em 1924. No ano seguinte ocorre a instalação da comarca em 20 de dezembro com o prestígio de autoridades.

Quarta edição do Almanaque Laemmert, publicado em 1926, editado no Rio de Janeiro entre 1844 e 1889, mostra diversos ofícios desempenhados em Urussanga. Luiza Nichele aparece nos setores de açougue, fábrica de banha, capitalista, armarinho, fazendas, secos e molhados.

De acordo com o livro “Uma história de fé”, Editorial Vanguarda, a comunidade de Palmeira do Meio constrói a segunda igreja em 1928, mais imponente e dilatada. A reforma neste templo, em 1956, resultou na construção da atual igreja.

1928 – Mais uma escola

Criação do Grupo Escolar Tibúrcio de Freitas em Urussanga. Na mesma época, o município possuía 23 escolas isoladas. O pequeno povoado de Igne, em Longarone, na Itália, próximo a região dos alpes, foi a inspiração para o negócio do imigrante italiano Vincenzo De Bona. Entre a década de 20 e metade de 30, Vincenzo iniciou a produção de cerveja artesanal. Denominada Cerveja Alpini, de Vicente De Bona, a bebida era destinada a poucos e bons amigos.

1937 – O surgimento das indústrias vínicolas

Ao longo das décadas, indústrias vinícolas na cidade produziam vinhos de várias cepas, entre elas a Goethe. Destaque para vinícola Caruso MacDonald (vinho Uru e Urussanga), Vinícola Cadorin (de Lorenzo Cadorin), Vinhos De Bona (da família Vincenzo de Bona), Vinícola Bez Batti (vinho Samos chamado depois de Santé, pela família de Vincenzo de Bona e, posteriormente, pela família de Victorio Bez Batti), Lacrima Christi (da família Pietro Damian), Vinícola Barzan (da família Ignazio Barzan), Vinícola Ferraro & Batista (da família Sílvio Ferraro, vinhos Branco Salute), Vinhos Cometa (da família Bettiol), Domenico Fontanella com os vinhos Rosa em homenagem à sua esposa, Pietro Trevisol com o Trevisol, vinhos Primaz e Lótus produzidos na vinícola Cadorin, mas engarrafados e comercializados por Rosalino e Esperândio Damian, além da produção das famílias Ceron, Quarezemim, Búrigo, Trento, Mazzucco, Felippe, De Pellegrin, Mazon, Zanatta, Baldin, De Noni, Maccari, entre outras.

Em 1935, comunidade de Rio Caeté inicia a construção da nova igreja em estilo bizantino projetada por um arquiteto russo de passagem pela cidade. A inauguração foi em 1936.

1943 – Subestação de Enologia e novo hospital

De acordo com dados extraídos do site Vales da Uva Goethe, o vinho de uva Goethe da região de Urussanga era exportado para o litoral de Santa Catarina, Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia e outros estados no norte e nordeste do país. Moradores lembram que estes vinhos foram servidos durante o governo nacionalista de Getúlio Vargas, nas recepções no Palácio do Catete.

Devido à forte produção de vinho na região e aos títulos conquistados, o governo de Getúlio Vargas, através do Ministério da Agricultura, decidiu apoiar a vitivinicultura nesta região. Em 1942, foi fundado o Instituto de Fermentação para realizar pesquisas com diferentes espécies de uvas viníferas. No auge das pesquisas havia experimentos com cerca de 450 variedades de videiras. Em 1950, o instituto passou a se chamar Subestação de Enologia de Urussanga, atual Epagri.

Na colina que fecha a Avenida Presidente Vargas foi lançada, em junho de 1940, a pedra fundamental da nova sede do hospital. Desta vez, outro novo prédio foi construído com a ajuda da população e inaugurado em 2 de maio de 1943. O primeiro registro de nascimento na maternidade do Hospital Nossa Senhora da Conceição de Urussanga é de 25 de setembro de 1954, sendo um menino da localidade Rio Salto e o parto feito sob a assistência do Dr. Aldo Caruso.

1944 – A nova Igreja Matriz

A nova igreja Matriz de Urussanga é sagrada em novembro de 1944 por Dom Joaquim Domingues de Oliveira. Assim, finalmente, o conjunto da obra é finalizado. A exploração do carvão foi intensificada na década de 1940 por muitas empresas na região. Trabalhadores começaram a abandonar as atividades agrícolas para atuar na extração do carvão mineral devido a questões financeiras.

Nesta época, na Praça Anita Garibaldi, um dos negócios consolidados era o Hotel Gazzolla, de Alfredo Gazzolla, casado com Itália Damiani.

1948 – Instalação da Câmara de Vereadores

Decorrente das eleições municipais de 1947, no dia 5 de dezembro de 1947, foi instalada a Câmara de Vereadores de Urussanga, sob o comando do Juiz da 34ª Zona Eleitoral, Doutor Lourenço Rolando Malucelli. A presidência da casa ficou com Rosalino Damiani, através de eleição secreta e, ato contínuo, a posse do prefeito eleito de Urussanga, Torquato Tasso.

William Gericke faz um breve documentário e aborda como tema o município de Urussanga no final da década de 1940. Entre os assuntos, destaca produtos agrícolas, o centro com prédios modernos e bem construídos, o hospital, Grupo Escolar Barão do Rio Branco, a Prefeitura Municipal, a mineração e a produção de vinhos por J. Caruso MacDonald & Cia.

1949 – A despedida do pároco Luigi Gilli

Em frente à gruta, ano de 1948, Coral Santa Cecília na despedida do pároco Cônego Luigi Gilli, que retornou a Itália depois de 40 anos em Urussanga. O coral permanece em atividade nos dias atuais, com nova formação, elevando o nome da cidade com suas belas vozes.

Em abril de 1948, padre Agenor Neves Marques é nomeado pároco de Urussanga, posto no qual permaneceu até 1987 com o título de Monsenhor pelos relevantes serviços prestados à comunidade. Ele faleceu em 2006.

O primeiro título regional do time Urussanga Futebol Clube, fundado em 1931, foi conquistado em 1947. Para a posteridade, a equipe posou para um registro com a taça em 1948.

1951 – Criação da Rádio Marconi e da empresa de transportes coletivo São José

Em agosto de 1949, em sociedade, cria-se a empresa de transporte coletivo Auto Viação São José Ltda com três ônibus e operando com quatro linhas.

Em 1951, em 10 de fevereiro, pároco Agenor, com o apoio dos sócios Moacyr Búrigo, José Trento, Américo Cadorin e Rosalino Damiani, realizam a fundação da Rádio Difusora de Urussanga ZYT-22, atual Rádio Marconi AM 780 futura FM 99.9. As instalações e inauguração da emissora ocorreu em 1952. Participaram da formação da primeira equipe Agilmar Machado, Evaldo e Zenaide Luciano, Maria Damiani Batista, Ida Bez Batti, Olinda Bettiol e Marcolino Trombim. Sua referência era a transmissão de programas religiosos e missas.

Uma pensão famosa em Santana foi a de Venceslau Wascieleski e sua esposa Amália, que atendia principalmente trabalhadores envolvidos com a extração de carvão. Fábrica de aguardente Carvalhinha, de propriedade da família Serafin, na localidade de São Pedro/Rio Carvalho, na década de 50.

1952 – Investimento no setor hoteleiro

Em meio aos encantos da natureza, na divisa entre os municípios de Urussanga e Pedras Grandes, um imenso volume de água na temperatura de 32,2ºC surgia do solo e jorrava na direção do céu. No início da década de 50, Pedro Maragno, Francisco Cesca, Vitório Búrigo e Jorge Carneiro abriram uma estrada e iniciaram aos poucos a construção de uma edificação com banheiros, quartos e salas.

Após a conclusão das obras, os proprietários investiram no setor hoteleiro em nível regional, apostando no diferencial das águas mornas e inaugurando o Hotel Balneário São Pedro, com mais de 40 dormitórios. A fama do hotel alcançou jogadores de futebol dos times Internacional, Grêmio, Metropol e clubes do oeste, bem como o grupo Band Show PM, banda da Polícia Militar de Santa Catarina, que se apresentava pelo país e esteve no hotel acompanhado do General Militar Ernesto Geisel, que cinco anos depois tornou-se Presidente da República. Um hóspede ilustre atraiu dezenas de fãs até o hotel em 1972: cantor Roberto Carlos. A estância termal foi desativada na década de 80.

1952 – Carvão e cerâmica

Em campo, a equipe do Urussanga Futebol Clube recebe, em 1952, a visita do governador de Santa Catarina, Irineu Bornhausem, dois anos após a inauguração do estádio do UFC.

A extração de carvão tomava força entre os anos de 50 e 60 enquanto a agricultura começou a entrar em declínio. Em 1953 uma associação de integrantes da comunidade promove a fundação da Ceusa, que passa a contar com 140 colaboradores. Na área de gêneros alimentícios também entrava no comércio o Armazém Ghisi, em 1950, de Lucio Olivier Ghisi, hoje com 93 anos.

1962 – Início da empresa cerâmica Ceusa

Primeiro galpão da Ceusa, construído na década de 50.

A Sociedade Comercial Santo Antonio é um dos negócios na área central de Urussanga mais conhecidos e frequentados na década de 60. Sob o comando de Lauro De Bona e Dionísio Pilotto, o estabelecimento vendia tecidos, ferramentas, louças de porcelana, artigos para presentes, cristais, etc. Em 1962 é fundada a Sociedade Recreativa Urussanga. Três anos depois, o clube De Villa e o time de futebol com o mesmo nome.

1975 – A Construção do Paço Municipal

No final do seu mandato como prefeito, Lydio De Brida entrega, em 1972, a obra que marcou o seu governo: o novo Paço Municipal, na Praça da Bandeira. O projeto foi feito pelo arquiteto Fernando Carneiro. Os serviços foram executados pela equipe do setor de obras da Prefeitura com o apoio de pedreiros contratados.

Urussanga é atingida por uma enchente em 1974 que traz prejuízos aos munícipes, comerciantes e empresários.

Na década de 70, o perfil da indústria em Urussanga consistia na atuação de empresas voltadas para a extração de carvão, cerâmica, vitivinicultura, madeireiras, serrarias, atafonas, entre outras, como, por exemplo, Ceusa, Eliane, Minerasil, CCU, indústrias de madeiras das famílias Giordani, Peraro, Bettiol, Búrigo, Fontana, Zanatta, diversas atafonas, e surgem a Vitivinícola Urussanga e Vinícola Mazon, e no final da década as empresas Minaplast, Esaf/Ibrap, Folmaq, entre outros empreendimentos.

1978 – Centenário e fortalecimento da indústria e comércio

Nos anos de 76 e 77, a sociedade urussanguense se mobilizou para a criação da Associação Comercial e Industrial de Urussanga (ACIU) e Clube de Diretores Lojistas de Urussanga, atual Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL).

O centenário de Urussanga, em 1978, foi comemorado com festividades e inaugurações na gestão do prefeito Ruberval Francisco Pilotto. A estrutura montada no bairro Estação contou com restaurante, Centro de Exposição Industrial e shows nacionais, como Roberto Leal. Desfile na Praça Anita Garibaldi envolvendo a comunidade coroou a passagem da data relevante.

1980 – Urussanga recebe a réplica da La Pietà

A réplica da escultura “La Pietà” chegou em Urussanga na manhã do dia 8 de dezembro de 1979, solenemente abençoada e colocada no interior da Igreja Matriz. A obra foi um presente doado pelo Papa Paulo VI devido ao centenário da cidade a pedido do pároco Monsenhor Agenor Neves Marques. A réplica, que pesa cerca de 700 quilos, demorou mais de um ano para chegar ao destino final.

Segunda-feira, 10 de setembro de 1984. Urussanga amanhece enlutada… Uma explosão no subsolo na mina em Santana, da extinta empresa Companhia Carbonífera Urussanga, tira a vida de 31 mineiros e torna-se o maior acidente de trabalho com vítimas da mineração nacional.

1984 – Festa do Vinho é instituída

Prefeito Ado Cassetari Vieira institui a primeira Festa do Vinho em Urussanga, de 17 a 19 de agosto, no Ginásio Centenário, em 1984, com exposições dos vitivinicultores, atrações culturais e gastronomia.

Secretária de Educação e Cultura da época, Ana Maria Mariot Vieira promove ações de resgate como a tradução para o português do livro “Coloni e missionari italiani nelle foreste del Brasile”, de padre Luigi Marzano, a fundação da escola de língua italiana, atenção para a biblioteca municipal, patrimônio histórico, criação da banda municipal, coral e grupo de dança folclórica infantil, resgate do artesanato e do passeio de trem, apoio ao Coral Santa Cecília, promoção de uma apresentação do tenor Aldo Baldin na Sociedade Recreativa Urussanga e incentivo à construção do Parque Municipal.

1988 – Ascensão das ações culturais e início da construção do parque Municipal

Início da construção do Parque Municipal de Urussanga em 1987. O projeto foi elaborado pelo arquiteto Manoel Coelho com a ideia principal de espaços para dar vida à cidade e fazer com que a população aproveitasse o local. Em 1988, o arquiteto entregou à Prefeitura as partes construídas: portal de entrada, concha acústica (anfiteatro), centro cultural e restaurante.

A ligação com a cultura italiana e o amor pela cidade de Urussanga fez com que 18 jovens se unissem em 1988 para difundir o folclore por meio do Grupo Vino, Amore e Tradizione. A entidade cultural foi idealizada por alunos da escola de língua italiana Padre Luigi Marzano sob o comando de Neide De Pelegrin. A confecção dos trajes típicos e a coreografia das danças eram feitas com o auxílio de grupos folclóricos da Itália, ajudando a compor danças e trajes representando as províncias de Belluno, Treviso, Trento e Bérgamo.

Em 1988, inaugura o Museu Histórico Municipal de Urussanga, onde estão imagens de santos, objetos religiosos e itens que explicam a vida dos primeiros imigrantes, sendo este trabalho de resgate tendo iniciado em 1950.

Encontro entre o italiano Marcello Mazzucco e os urussanguenses Hedi Damian e Névton Bortolotto dá início as tratativas do pacto de amizade (Gemellaggio) entre as cidades de Urussanga e Longarone. No mesmo ano é fundada a Associazione Bellunesi Nel Mondo Famiglia di Urussanga.

1991 – Ritorno alle Origini e Gemellaggio

Primeira edição da festa Ritorno Alle Origini ocorre em maio de 1991, na Praça Anita Garibaldi, com o objetivo de valorizar os costumes e a cultura italiana.

Em Longarone, na Itália, no dia 6 de outubro de 1991, acontece o ato de assinatura do pacto de amizade (Gemellaggio) entre as cidades de Urussanga e Longarone.

1992 – Pacto de Amizade

Sete meses e vinte dias depois do acordo firmado na Itália, em 26 de maio de 1992, Urussanga recebe uma comitiva italiana para o ato de assinatura do pacto de amizade (Gemellaggio) com a cidade de Longarone, na província de Belluno.

1998 – Cultura e patrmônio histórico

Depois do Gemellaggio, em 1993, é fundada a Associazione Veneta dello Stato di Santa Catarina, com sede em Urussanga.

Edições da festa Ritorno Alle Origini seguem com suas atividades na Praça Anita Garibaldi. Em 1995, o evento é marcado pela participação de um grupo da Fepol – Festa Estadual da Polenta, realizada na cidade de Rio do Oeste (SC). Na ocasião, os homens prepararam uma polenta gigante para degustação da população.

Mais de 20 edificações do centro histórico de Urussanga, na Praça Anita Garibaldi, e em localidades como Rio América e Rio Maior, são tombadas pela Fundação Catarinense de Cultura entre 1998 e 2001 como reconhecimento a importância histórica e arquitetônica.

2000 – Atrativos turísticos

Festa do Vinho continua atraindo multidões para o Parque Municipal Ado Cassetari Vieira. A 10ª edição, realizada em 2004 tendo como presidente Johnny Felippe, atraiu milhares de pessoas para o show do cantor Daniel.

Em dezembro de 2008, na comunidade de São Pedro, é realizada a primeira edição da Vindima Goethe, celebração relacionada a colheita da uva, com missa e confraternização. Em janeiro de 2009 é aprovada a Lei que cria a Vindima como um evento oficial do município de Urussanga, no dia de São Vicente, 22 de janeiro, padroeiro dos vinicultores.

Urussanga ganha um Portal Turístico no trevo de acesso à cidade pelo bairro Estação. O monumento idealizado pelo arquiteto Newton Bortolotto e inaugurado em 2009, na gestão do primeiro prefeito reeleito Luiz Carlos Zen, representa através dos elementos utilizados na obra a história da cidade passando pela imigração, vinicultura e mineração.

2012 – Uva Goethe é reconhecida

Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) publica o registro da IGP dos Vales da Uva Goethe devido à qualidade, tipicidade e identidade. Indicação Geográfica de Procedência é fruto de uma conquista por intermédio da Associação ProGoethe. Oito municípios fazem parte do território certificado: Urussanga, Pedras Grandes, Cocal do Sul, Morro da Fumaça, Treze de Maio, Orleans, Nova Veneza e Içara. Vinhos passam a receber selo de qualidade.

É formado o grupo Amici della Polenta com mais de 30 integrantes, tornando-se uma forte representatividade cultural de Urussanga e passa a elevar o nome da cidade em toda Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O famoso tombo da polenta gigante é composto por aroma, textura, sabor e alegria peculiares.

Urussanga recebe, em maio de 2012, uma comitiva italiana para comemorar os 20 anos do Gemellaggio e reafirmar o acordo de amizade com a cidade de Longarone.

2017 – Pacto de amizade é renovado

Urussanga acolhe comitiva italiana para celebrar os 25 anos do Gemellaggio e reafirmar o pacto de amizade com a cidade de Longarone. Entre eles, quatro estudantes italianos.

Abertura da exposição fotográfica sobre os 25 anos do Gemellaggio elaborada pelo Foto Clube de Urussanga, durante a XV Ritorno Alle Origini, é marcada por um encontro entre Marcello Mazzucco, Névton Bortolotto e Hedi Damian, reproduzindo o gesto feito no início das tratativas do pacto de amizade em 1988.

2018 – Goethe em alta

Vitivinicultores, Poder Público e iniciativa privada comemoram os resultados da 10ª edição do evento Vindima Goethe, em janeiro de 2018. Agência oficial de receptivo e vinícolas apontam crescimento de 30 a 70% em comparação a edição de 2017. Celebrar a colheita da uva é o objetivo do evento anual que atrai centenas de turistas para viver experiências ligadas ao mundo do vinho.

Na Alemanha, espumante Goethe é comparado ao champagne francês. Durante reunião da sociedade literária Goethe (Goethe Gesellschaft), os membros degustam espumante da vinícola Casa Del Nonno. Segundo o alemão Sylk Schneider, os membros ficaram impressionados com a história e cultura em prol da uva e do vinho Goethe no Sul do Brasil e, de acordo com o alemão, os sábios disseram que o espumante tem qualidade como o champagne francês.

Com alegria comemoramos os 140 anos de fundação de Urussanga e brindamos com as centenárias Olga Freccia Trento, que mora na Praça Anita Garibaldi, e Onélia Zanellato Baldin, que reside em Rio Carvão, na esperança de que nossa cultura e tradições sejam preservadas pelas atuais e futuras gerações!

Novellino: ensino da língua italiana às crianças no século XX

A mudança de continente, país e modo de vida causou grande impacto para os imigrantes italianos que chegaram ao Brasil no final do século XIX. Para assegurar a identidade e manutenção dos laços culturais, a língua materna foi uma das heranças preservadas por eles ao longo das décadas.

No livro “Imigração italiana em Santa Catarina”, do padre João Leonir Dall’Alba, um quadro publicado no boletim da emigração, em 1902, mostra Urussanga como único município do Estado com população eminentemente de italianos. Em 1900, o município possuía 7.145 habitantes, sendo que deste número apenas 145 não eram italianos.

Uma das formas de conservar o idioma proveniente da pátria-mãe, Itália, foi aplicá-lo através do ensino escolar. Para os imigrantes italianos, isto representava a continuidade das tradições e da cultura. Em artigo, Claricia Otto, doutora em História, classifica as redes escolares fundadas nos núcleos coloniais italianos em particulares, paroquiais e escolas Dante Alighieri.

Entre os mestres que lecionaram nas primeiras décadas após a fundação do município estava Benvenuta Cechinel, a primeira filha do casal Cesare Cechinel e Giovanna Baldin, nascida em 1889. A família residia em Rio Carvão. O primeiro registro de Benvenuta como professora aparece nas despesas do município, em setembro de 1906, aos 17 anos.

O quadro, publicado no livro de Arnaldo Escaravaco, mostra o pagamento de 160000 mil réis aos mestres Ignacio Barzan, David Raspini, João Zannata, José Perucchi, Serafin Mezzari, Miguel Remor, Paschoa Zaccaron e Benvenuta Cechinel. O nome de Benvenuta volta a ser citado na folha de pagamento de 1909. Na lista do “Almanak Laemmert: Administrativo, Mercantil e Industrial (RJ) – 1891 a 1940”, no ano de 1911, na área de instrução pública, como professores, constam os nomes de Benvenuta Cechinel e do irmão, Adolpho.

O modo como Benvenuta lecionava a língua italiana para as crianças foi singular e marcante. Isto porque em sala de aula, a professora utilizava um material chamado de Novellino, elaborado em Roma desde 1899. A descrição na capa identificava o material como “foglio di fiabe e novelle” com “illustrate a colori”, ou seja, folheto de fábulas ilustradas coloridas. Benvenuta possuía edições do Novellino entre 1899 e 1904.

Segundo consta nas edições, as fábulas eram premiadas em concurso e posteriormente publicadas todas as quintas-feiras, em oito páginas editadas pela Casa Editrice Calzone-Villa di Roma. O material era vendido na Itália por 5 centesimi, formando uma coleção que se perpetuou até a década de 1920. Recentemente, a biblioteca universitária de Alessandrina digitalizou 80 diferentes periódicos, cerca de 60 mil imagens, publicados na província de Roma no final do século XIX e início do século 20, entre eles edições do Novellino.

“Eu recordo que a minha avó Ida, filha de Benvenuta, contava que a mãe dela dava o Novellino para os alunos da escola de Rio América com o intuito de praticar a leitura em italiano e aprender o vocabulário. Lembro de histórias que relatavam que a família Cechinel recebia jornais da Itália. Enquanto os homens faziam a leitura, as mulheres bordavam em outro cômodo da casa. Elas só tinham o direito de ler aquele jornal no dia seguinte. Eu acredito que as edições do Novellino vinham junto com os jornais”, comenta o bisneto de Benvenuta, Sandro José Maccari.

Registros apontam que Benvenuta ainda era professora na década de 30, conforme lista de professores publicada no livro de Arnaldo Escaravaco. O nome completo aparece com o sobrenome Bendo, pois já havia casado. A professora faleceu na década de 40.

URUSSANGA COMO REFERÊNCIA NA EDUCAÇÃO 

Alberto Rotti, o primeiro cônsul italiano que registrou visita ao sul catarinense, fez um relatório em 1885 que mostra algumas referências a respeito da existência de escolas étnicas italianas na região. Urussanga apresentava as melhores condições educacionais. No interior, escolas particulares mistas eram pagas pelos pais dos alunos em Rancho dos Bugres, Urussanga Baixa, Rio Carvão e Rio América.

Destas, a escola de Rio Carvão foi enaltecida pelo regente do Consulado Italiano, Giuseppe Caruso Mac Donald, que registrou em relatório, antes de 1901, os anos de existência da instituição, mantida pelo professor Gregório Bosa e fundada em 1895. Outro fato marcante foi a visita do cônsul Adelchi Gazzurelli. O professor da escola de Rio Maior, Ignácio Barzan encaminhou um texto ao Conselho Municipal (atual Câmara de Vereadores) de Urussanga que foi lido na primeira sessão ordinária, em janeiro de 1901.

No texto, Barzan desaprovava a visita e a atitude do cônsul, que teria perguntado aos alunos se eram brasileiros ou italianos e, como os alunos responderam serem brasileiros, o cônsul havia protestado: “Vocês são italianos, mesmo que nascidos no Brasil”.

A preocupação com a instrução da população de imigrantes e seus descendentes surgiu em seguida com a visita do cônsul Gherardo Pio de Savóia, que resultou em investimentos para a criação e manutenção de escolas em dinheiro e material escolar.

Um quadro publicado em um livro editado pelo Jornal Fanfulla, em 1909, mostra 22 escolas existentes em Santa Catarina entre 1893 a 1905. Destas, 15 estavam localizadas em Urussanga e concentravam o maior número de alunos, atendendo 844. O destaque do município neste cenário fez com que ocorresse a instalação da ‘Inspetoria das escolas italianas do sul do Estado de Santa Catarina’, comprovando que o ensino era dado em língua italiana naquela época.

Segundo a ata do Conselho Municipal (atual Câmara de Vereadores) de Urussanga em janeiro de 1910, o município de Urussanga subsidiava, no ano anterior, 18 escolas. A pressão do governo estadual para o ensino da língua nacional iniciou em 1915, conforme também consta na ata do Conselho Municipal de Urussanga em julho daquele ano. O presidente do Conselho leu um ofício enviado pelo Secretário Geral do Estado. No documento, ele pedia que os professores públicos estaduais fossem auxiliados pela municipalidade e proibia o Conselho orientando a não auxiliar mais escolas estrangeiras.

Em trabalho, Claricia Otto, doutora em História, ressalta a preservação do patriotismo italiano a ser difundido nas escolas. A reflexão é exposta em sete relatórios produzidos por Cônsules entre 1895 e 1913, que também enfatizavam atividades econômicas e comerciais.

Em 1916, relatórios enviados aos governadores de Santa Catarina mostram dados de anos anteriores, entre eles o demonstrativo relacionado ao investimento dos municípios na educação. Neste critério, Urussanga é destaque ao aplicar 34,3% em despesas com instrução.

Estudos apontam um acordo efetuado durante o governo de Felippe Schimidt entre o Município de Urussanga e o Consulado da Itália, em Florianópolis, sacramentado pela Portaria n.° 24 de 31/05/1917164, o qual criava a Escola Preparatória de Urussanga com a finalidade e preparar os professores particulares para melhorar o desempenho das funções, visto que recebiam subvenção dos cofres públicos do município e também do governo italiano.

Museu Municipal: onde a história permanece viva

Com um valor cultural inestimável o Museu Municipal Agenor Neves Marques nos leva a um retorno às origens por meio de documentos e objetos, mostrando o município como um autêntico centro de colonização Italiana, sendo um santuário de preservação e cultura viva, que mantém a história do povo que ergueu Urussanga com fé e esperança.

O museu surgiu como acervo particular do Monsenhor Agenor Neves Marques, onde manteve-se de 1970 até 1972. Reconhecendo a importância histórica e as dificuldades de manter sozinho a conservação de tantas peças, o Monsenhor transferiu as relíquias para a Prefeitura Municipal de Urussanga através de um decreto.

“Todo acervo foi adquirido por doações. No começo o Monsenhor fazia campanhas de doação nas casas das famílias em Urussanga e pelos arredores, conseguindo muita coisa valiosa”, conta Cecília Lavina, responsável pela organização e cuidados com o museu há dois anos.

Por conta do número de peças repetidas, durante os anos aconteceram algumas trocas com o museu de Brusque, aumentando a riqueza e diversidade do acervo. “Essas peças representam a etnia açoriana, e são muito raras, datando o século 18”, ressalta Cecília.

Desde que o museu se tornou um bem público, vários locais da cidade já foram usadas como sua sede. Infelizmente suas constantes mudanças trouxeram consequências ruins, incluindo furtos de peças de alto valor monetário, como jóias e armas e má conservação de objetos delicados.

Instalado hoje no Parque Municipal Ado Cassetari Vieira, e idealizado pelo Governo Municipal em 1988, o museu retrata a vida do imigrante italiano, desde os primeiros anos da colonização do município até metade do século XX. Diversos documentos e objetos dos primeiros imigrantes podem ser encontrados no acervo que preserva e mantém viva a história, lembranças e as dificuldades enfrentadas pelos imigrantes e colonizadores.

Seu acervo é composto por utensílios indígenas, instrumentos musicais, maquinário agrícola, mobiliários e utensílios de uso doméstico. Possui também uma coleção de arte sacra, composta por pinturas e esculturas datadas do século XIX e início do século XX.

Cecília Lavina conta que a exposição permanente é disposta formando uma linha do tempo, contando toda a trajetória do imigrante italiano. Desde seu encontro com os indígenas, até sua ascensão social. A amostra conta com 600 peças fixas, e exposições temporárias, sem interferir na continuidade do museu.

“A maior parte do trabalho de restauração é feito na própria sede do museu. A fundação Catarinense de cultura oferece cursos de capacitação para restauração de peças e conservação de objetos delicados como os de origem indígena”, ressalta Cecília. Além da exposição aberta ao público, o museu conta também com um vasto acervo técnico com uma variedade grande de peças. Atualmente Cecília faz o trabalho de identificação de cada objeto e de seus doadores, além de um inventário de tudo que faz parte do museu, que inclui vestimentas antigas, armas indígenas, louças, documentos, maquinários, livros, jornais, revistas, celulares antigos, diversas máquinas de escrever, entre outros.

Além da conservação da história do município o museu é fonte de estudo, recebendo estudantes de história e museologia, e muitos escritores em busca de informações para livros.

A conservação da história da nossa região é valorizada também em outros municípios. Por ano são recebidos pelo menos 400 estudantes de Criciúma, de escolas públicas e particulares.

Alterações no ambiente para melhorar a acessibilidade já estão sendo discutidas, incluindo a elevação de pelo menos 1 metro das bases próximas ao chão onde alguns utensílios estão dispostos. “A mudança está sendo pensada para auxiliar idosos e pessoas com problema de visão a enxergar melhor o acervo e aproveitar a visita”, conta Cecília.

Recentemente um dossiê contendo importantes documentos de Giuseppe Caruso Mac Donald foi doado por seus familiares para o museu, enriquecendo ainda mais seu patrimônio. Caruso Mac Donald foi o regente do consulado italiano que apoiou os colonizadores e se estabeleceu em Urussanga. Ele também foi responsável por introduzir a produção da uva Goethe na região, sendo uma figura histórica e importante do desenvolvimento da cidade.

Mais que um depósito de peça antigas o museu é um pedaço palpável da história de cada morador que Urussanga já teve e ainda tem. Por meio de seus documentos raros, máquinas, jornais, pinturas, esculturas, desenhos, móveis, instrumentos, sua arquitetura, por seu acervo, o museu tem sido reflexo do desenvolvimento processado por nossa sociedade, tornando-se ponto de encontro entre nosso passado e nosso presente.

Curiosidade

Um dos objetos que mais impressiona e causa curiosidade é um bengala esculpida por Antônio Piva, com um canivete, em 1867, na Itália. A bengala pertenceu ao acervo original do Monsenhor, e ainda é mantida no museu a carta dos familiares atestando a doação do objeto.

“Conta a história na carta que o Senhor Antônio Piva era um pastor de ovelhas, e toda a manhã ele levava os animais para os alpes italianos, para comer capim fresco. Um dia ele se envolveu em um incidente onde morreu uma pessoa, e mesmo ele alegando-se inocente a polícia o acusou de assassinato”, narra Cecília.

A carta ainda conta que a bengala originou-se de uma árvore de cipreste de 50 anos, que ficava na frente da casa da família. “Por manter um bom comportamento na prisão a polícia permitiu que ele usasse seu tempo para esculpir essa bengala. Cada pedaço narra os 12 anos que esteve na cadeia. Desde de o dia que foi preso, até o dia que foi julgado e inocentado”, finaliza Cecília.

NEGÓCIO COM IDENTIDADE CULTURAL É TRADIÇÃO DE FAMÍLIA

Na rua Siqueira Campos, o barulho que desperta a audição apenas comprova um fato que o olfato já havia percebido: pelo cheiro a atafona está moendo milhos e produzindo a famosa farinha Salute di Trento. É nesta mesma via que este negócio com identidade cultural local é gerenciado pela família Maestrelli desde a década de 50.

Antonio, filho de Francesco Maestrelli, decidiu morar no centro naquela época e trouxe toda a família, incluindo seu pai. “O nonno Francesco não queria vir morar na praça. Na hora da mudança, ele optou por vir a pé com os tamancos nas mãos de desgosto. Ele não de adaptou, sentiu a saída, logo ficou doente e faleceu”, conta a Erna Maestrelli Maccari.

De acordo com o neto de Francesco, Hadilton Maestrelli as filhas solteiras de Francesco, Salute, Albina e Zilda montaram uma atafona em um galpão de madeira alugado onde hoje está a empresa Eflul. “Era atafona, descascador de arroz e café também só para prestar serviços aos agricultores. Tudo feito no mesmo maquinário. A pedra foi feita pela família dos irmãos Savi Mondo com mais de 1 metro de diâmetro por 30 centímetros de altura”, comenta.

A pedra ainda se mantém na atafona, que anos depois foi estruturada no mesmo local que está atualmente. “Eu frequentava a atafona todos os dias. Na década de 80 decidi tocar o negócio no lugar das minhas tias. Foi a primeira atafona a energia de Urussanga. Depois com a diminuição do serviço de moagem incrementei o negócio transformando uma parte em armazém”, explica.

Os escritos nos sacos identificam as encomendas dos agricultores. Eles são preenchidos conforme o trabalho da atafona vai sendo administrado em determinados momentos por Hadilton Maestrelli. Uma alavanca regula a caída do milho. “Quanto mais cai, mais grossa fica a farinha. Na alavanca consigo alterar a altura da pedra”, ressalta.

Um atendimento aqui, uma batidinha no suporte de madeira para desgrudar a farinha quente e muita atenção para não deixar faltar milho. “As pedras se encostando sozinhas pode soltar fogo”, conta entre risos.

A embalagem Salute di Trento é a marca registrada de uma tradição de 60 anos que identifica a garra da família Maestrelli. “Meu pai Antonio falava da situação do lugar de origem da família, na Itália. Muito montanhoso com inverno rigoroso. “Sei mesi, le bestie” presas no estábulo. Só elas e mais nada. Aqui dizia que tinha mais espaço para trabalhar. Ele contava que muitas vezes eles se perguntavam: quando vamos a Mezzolombardo? É uma cidade italiana grande na província de Trento. Acho que era a saudade”, finaliza.

Maestrelli: um dos poucos Trentinos

A maioria dos imigrantes italianos que chegaram a Urussanga no final do século XIX era proveniente das regiões de Vêneto, Friuli-Venezia Giulia e Lombardia. Em 1879, uma segunda leva chegou à colônia. Entre tantas famílias, duas eram da região de Trentino-Alto Ádige, norte da Itália, que fazia divisa com as três regiões citadas anteriormente.

Do porto de Marselha, no vapor La France, partiram do continente europeu em 4 de outubro daquele ano, integrantes das famílias Maestrelli e Concer. Na lista do transporte marítimo, consta o casal Vincenzo Maestrelli e Maria Stringari com o filho Francesco, bem como o casal Maria e Giuseppe Concer e filhos.

Na província de Trento, a cidade de Tuenno tem a marca de Maestrelli e Maistrelli em ruas e praças, visto que por muitos mandatos membros da família estiveram à frente do município. Segundo o bisneto do casal, Sérgio Roberto Maestrelli quando chegaram ao sul catarinense com a roupa do corpo e ferramentas emprestadas, eles abriram a picada para ter acesso ao lote 168 do Rio dos Americanos, atual Rio América. No local tinham como vizinhos Girardi, Maccari, Polla, Bonot, Benedet, Dal Bó, Silvestrini, Fontana, entre outras famílias.

Logo, o casal Maestrelli deu continuidade a vida de camponeses. Vincenzo, com 34 anos, dedicou-se, além de carpinteiro, ao cultivo de parreiras, mandioca, milho e criação de suínos. Já a esposa Maria, 31 anos, foi uma das primeiras parteiras entre os imigrantes. Relatos de pessoas que escutaram as histórias relacionadas à parteira a descrevem como uma mulher de estatura pequena, inteligente e ligeira nas ações. Silvio Bez Batti (in memoriam) uma vez contou a um descendente de Maria Stringari Maestrelli que, na frente de crianças, ela trazia “il pupo” numa cesta de vime “per dieci fiorini”.

De acordo com o bisneto Sérgio Maestrelli, pessoas de Treviso, Siderópolis, Nova Veneza, Belvedere, Rio Caeté, Rio Carvão, Treze de Maio e Azambuja vinham a cavalo, aflitos, atrás da parteira. Na carência de recursos naquela época, Maria tirava da bolsa de pano sempre a tiracolo ervas para chás e até fervia vinho com pregos enferrujados para combater a anemia de doentes.

Além do filho Francesco, nascido na Itália, Vincenzo Maestrelli e Maria Stringari tiveram os filhos Rosa e Antonio. Ambos faleceram muito jovens com 25 e 2 anos, respectivamente. Os patriarcas morreram na década de 1920. Ainda no final do século XIX, Francesco casou com Giovanna De Brida. Desta união vieram nove filhos: Vicente, Domenico, Salute, Helena, Rosina, Zilda, Albina, Angelina e Antonio. A neta de Francesco, Erna Maestrelli Maccari é atualmente a mais experiente da família, com quase 80 anos, e representa a segunda geração da família a nascer no Brasil.

Ela recorda com afeto dos momentos vivenciado juntos aos avós, que viviam da agricultura com a ajuda dos filhos. “Recordo da celebração de Bodas de Ouro deles, na residência em Rio América. Pediram ao meu pai Vicente para levar os caçulas: eu e meu irmão Armando. Fomos a pé de Rio Carvão até lá. Quando chegamos na propriedade, o nonno Francesco estava na varanda casa, lendo a bíblia, e parou por um momento para abraçar os netos. Eles davam muita atenção às pessoas e quando ficavam doentes se ajudavam. A nonna Joana era uma querida. Casei em 1958 e ela ainda era viva. Preocupava-se com o fato da família não passar fome. Lembro que uma vez ela foi pegar a xícara de café no fogão a lenha e quando botou na mesa já estava sem café porque as mãos dela já estavam trêmulas. Ela fazia pão caseiro e sempre tinha uma unidade a mais para o vizinho, pois quando o marido e um dos filhos entravam em discussão, ela chamava um dos Concer para apaziguar e entregava o quitute”, lembra.

COM ESTUDO ALCANÇOU A PROFISSÃO 

As décadas seguintes continuaram sendo de muito trabalho. Vicente Maestrelli, filho de Francesco, casou com Rosa Scarabelot na década de 1920 e fixaram residência em Rio Carvão.  Erna conta que eles atuavam no campo com o cultivo de arroz, milho, feijão, aipim e criação de animais. Os filhos quando eram instruídos na escola sobre o alfabeto, leitura e matemática, logo aprendiam o conteúdo para abandonarem os estudos a fim de trabalhar na lavoura com os pais. “Minha mãe Rosa saía a pé para vender leite nas comunidades e levava tudo nos braços. Um dia voltou triste porque a sobra no meio do caminho virou manteiga de tanto sacudir. Uma vez ao ano, meu pai Vicente saía de casa numa sexta-feira à noite levando uma mala. A pé e sozinho, ele subia lá no doze para comprar queijo serrano para a gente comer o ano todo. Dormia na casa de um conhecido e voltava domingo. Às vezes os pais eram bravos, mas era por causa da vida difícil”, recorda.

Erna foi instruída pelo pai Vicente a continuar os estudos para exercer a profissão de professora. E ela atendeu ao pedido. Depois de concluir a 4ª série em Rio Carvão, Erna veio morar no centro de Urussanga para ingressar na escola Barão do Rio Branco. Com apenas 12 anos, para poder prosseguir com os estudos, ela permanecia nas casas de famílias tradicionais prestando serviços de limpeza a fim de obter as refeições e uma cama para descansar. Aos sábados, seguia a pé no caminho rumo à casa dos pais, em Rio Carvão, para auxiliar a família na lavoura.

“Eu queria desistir. Mas pensava depois: como iria viver? Era muito cansativo. E voltava no pensamento a pergunta: e o meu futuro? Consegui me formar com 17 anos e logo comecei a dar aulas em Santana. De manhã bem cedo ia a pé rezando a oração de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, que a tia Rosina tinha ensinado. A tarde, na volta, quando descia a boiada da serra, eu morria de medo. Com 19 anos casei e fui lecionar em Rio América. Na localidade fui professora, secretária da escola e depois diretora. Trabalhei muito por amor”, comenta.

 

Sedentarismo é uma das principais causas de problemas circulatórios

Considerado um dos grandes males do século XXI, o sedentarismo é um estilo de vida perigoso. A inatividade física está diretamente ligada a inúmeros problemas de saúde, como as doenças circulatórias. As sanguíneas são as mais comuns e podem causar varizes, dormência, formigamento, inchaço ou ainda dores nas mãos e pernas.

Colocar o corpo em movimento é a melhor forma de tratar ou prevenir esses incômodos, segundo a fisioterapeuta Laís Nazário, da Clínica Levittá/ITC Vertebral. Ela indica o Pilates como alternativa. “É uma atividade que auxilia a circulação sanguínea na medida em que trabalha, de forma conjunta, os movimentos e a respiração. Ao exercitar os músculos, as veias são comprimidas empurrando o sangue para as partes superiores do organismo, melhorando assim o retorno venoso”, afirma.

A fisioterapia dermatofuncional também pode ajudar quem sofre com problemas circulatórios. A drenagem linfática é um dos procedimentos mais indicados, segundo a especialista Manuella Barato. “Apesar de estruturas diferentes, a circulação sanguínea e a linfática estão interligadas. Com a drenagem de toxinas e líquidos acumulados, é possível promover a melhora da oxigenação, da vascularização e retorno venoso. Isso sem falar no reforço do sistema imunológico, estímulo à renovação celular, melhora da função intestinal e, consequentemente, do contorno corporal”, explica a fisioterapeuta.

PALESTRA GRATUITA

Para tirar dúvidas da população em geral sobre Problemas Circulatórios, a Clínica Levittá/ITC Vertebral realiza palestra gratuita no dia 02 de junho, a partir das 10 horas, no Centro. O chamado Tour Levittá é um evento de conscientização sobre saúde e bem estar, realizado pela equipe multidisciplinar da clínica, a cada dois meses, com turmas de no máximo 20 pessoas. Interessados podem garantir vaga pelos telefones: 3430-0404 ou 99683-1166.

 

Dia Mundial da Esquizofrenia: alternativas de superação da doença

Celebrado o Dia Mundial da Esquizofrenia, a data já faz parte do calendário de diversos países e busca conscientizar a sociedade sobre o desafio de tratar a doença, colocando o paciente em destaque. Terapias inovadoras, parceria com terapeutas e pacientes e tratamento multiprofissional, vêm tornando cada vez mais obsoletos os conceitos de que a esquizofrenia é uma doença incapacitante. Termos como “devastadora”, “debilitante”, “irreversível” e “progressiva” não se adequam para definir um transtorno que pode apresentar múltiplos desfechos. Estudos recentes vêm demonstrando que a implementação de estratégias modificadoras da doença é capaz de alterar o curso da esquizofrenia para resultados favoráveis.

O psiquiatra Bruno Ortiz, da Universidade Federal de São Paulo e coordenador de pesquisa do Proesq, explica que nas últimas décadas, houve grande avanço no tratamento da esquizofrenia. “O tratamento de longa duração controla a crise na fase aguda da doença e ajuda a prevenir recaídas. Além disso, os estudos recentes mostram que o tratamento da esquizofrenia deve ser conduzido para a remissão sustentada dos sintomas. Garantir a ausência de recaídas, mesmo que leves, contribui e muito para a recuperação do paciente. A recuperação se dá por ganhos progressivos na funcionalidade. Por essa razão é fundamental que o paciente esteja continuamente estável dos sintomas”, diz Ortiz.

O médico ressalta ainda que o desfecho a longo prazo da esquizofrenia pode tomar diferentes direções. “Não há nenhum tipo de exame de laboratório que permita confirmar o diagnóstico de esquizofrenia, e a melhora dos sintomas pode ocorrer em qualquer fase, sendo a mais favorável o primeiro episódio. Atualmente as medicações de longa duração acabam sendo restritas aos pacientes que apresentaram múltiplas recaídas como se fosse a última alternativa. Contudo, medicações de longa duração também podem ser indicadas para pacientes em primeiro episódio que retornam às suas atividades funcionais 2”.

SOBRE A ESQUIZOFRENIA

A Organização Mundial de Saúde (OMS) 3 calcula que mais de 21 milhões de pessoas em todo o mundo vivam com essa doença. A esquizofrenia é um transtorno mental crônico, reconhecido por originar pensamentos e experiências que não têm ligação com a realidade.

Seminário debate o abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes

O combate ao abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes esteve em evidência durante a tarde da última sexta-feira, dia 18, em Urussanga. O tema foi discutido durante o I Seminário Municipal de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, promovido pela Secretaria de Assistência Social do Município. Além da presença de representantes do Executivo, Legislativo e Judiciário municipal, o encontro contou com a presença da comunidade, estudantes e dos deputados estaduais Valmir Comin e José Milton Scheffer.

“Nossa intenção foi de provocar uma discussão sobre o tema. É muito importante que todos nós fiquemos atentos contra esta violência para que possamos denunciar, bem como implantar políticas públicas que busquem a prevenção, proteção e o acolhimento às nossas crianças e adolescentes”, explica a secretária de assistência social de Urussanga, Izolete Vieira Gastaldon.

Durante o encontro foram realizadas as palestras com o delegado responsável pea 6ª Delegacia Regional de Polícia, Marcello Vianna, o assistente social forense, Larri Viega que falou sobre o encorajamento e a importância da denúncia, além do psicólogo Alex Cambruzzi que proferiu palestra sobre o abuso e a exploração sexual contra as crianças e adolescentes.

“Precisamos articular a sociedade como um todo para que possamos colocar este tema em discussão. Em Urussanga, somente em 2018, já foram 10 casos de abuso contra crianças e adolescentes constatados e existem muitos outros que ainda não foram denunciados. Nosso papel aqui é de conscientizar e mostrar a importância das denúncias”, garante o prefeito de Urussanga, Gustavo Cancellier.

Comunidade mobilizada por pavimentação e estadualização da rodovia que liga Pedras Grandes a Urussanga via Azambuja

Uma antiga reivindicação dos municípios de Pedras Grandes e Urussanga via distrito de Azambuja, a pavimentação da rodovia dos Primeiros Imigrantes e a estadualização da mesma, ganhou força recentemente, com a realização de uma audiência pública, pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina e as câmaras de vereadores dos dois municípios.

Mais de 400 moradores, representantes de diversas comunidades daquela região se fizeram presentes no evento para debater o assunto. A estadualização foi solicitada oficialmente por todos.

Proponente da audiência, o deputado estadual Valmir Comin, lembrou que a rodovia que tem um caráter centenário e este fato por si só, justifica a solicitação. “Aqui foi o berço da colonização italiana no Sul e a realidade nos mostra que 141 anos depois que os imigrantes chegaram a estrada ainda permanece de terra, como sempre foi”, disse Comin.

Para ele, isso atrapalha o desenvolvimento turístico, interfere diretamente na economia que tem por este caminho escoadas, por exemplo, as produções de frango, uva, batata, pêssegos, frutas em geral. “São centenas de moradores ao longo do trecho aguardando a mudança, queremos iniciar este processo, a união de esforços é o caminho mais curto para conseguirmos vencer a batalha”, resumiu.

A pavimentação é necessária em mais de 20 quilômetros. O investimento de mais de R$ 30 milhões. Parte dela já tem projeto pronto da cidade de Pedras Grandes até Azambuja. A audiência foi solicitada pelo vereador Vilmar Della Bruna e a bancada do PSDB, juntamente com o vereador Progressista Marcelo Marcon.

Baffone – edição 681

O Brasil está parando

O setor de transporte rodoviário brasileiro mostra sua força. Sem caminhão, o Brasil para e se alguém ainda duvidava disso, eis a prova. Se a greve entrar na próxima semana vai começar a faltar tudo. Já tem muita gente revisando a bicicleta porque não tem gasolina para ir trabalhar.

Mas o debate não evolui

Uma verdadeira vergonha os deputados criticando a política de preços da Petrobrás. Qualquer um que parar para ver o que acontece vai concluir que o problema vai muito além da Petrobrás. O problema são os impostos do setor que são muito altos. Só teremos combustíveis a preços justos se os governos gastarem menos, mas a gente não vê os parlamentares falando nisso. Enfim, mandam mensagens de apoio aos caminhoneiros, mas não falam em diminuir as regalias de que são beneficiários junto com seus times de cabos eleitorais.

Parabéns Urussanga!

Para quem anda mais distraído pode não parecer, mas é aniversário da cidade. A programação está bastante tímida. Não fosse algumas iniciativas privadas e um desfile que faz parte da programação da Festa da Vinho talvez esse seja o aniversário “mais morto” dos últimos anos.

Copa do Mundo?

Quem vem no mesmo embalo do aniversário de Urussanga é a Copa do Mundo. As pessoas até falam a respeito, algumas trocam figurinha, mas o sentimento da Pátria de chuteiras está muito longe das edições anteriores. Parece que a Pátria já não chuta tão bem.

Carreata da energia

A carreata da energia foi bonita. A mobilização é importante, mas a resolução do problema ainda parece muito distante. Por parte dos políticos que atuam em Florianópolis e Brasília até o momento apenas manifestações de apoio que soam mais como condolências do que como apoio real à causa.

Sessão solene

Câmara de vereadores homenageará diversas pessoas que segundo os vereadores contribuem expressivamente para Urussanga. Como já é de costume entre os homenageados há pessoas com trabalho de grande destaque que realmente merecem essa e tantas outras homenagens.

NEEMIAS

O projeto NEEMIAS da Assembleia de Deus de Urussanga merece muitos elogios e palmas. Nesse projeto, os pastores e fiéis se reúnem para “dar um trato” em locais públicos do município. Um grande exemplo a ser seguido.

Será que cola?

Peemedebistas de Urussanga estão discutindo o que fazer a respeito dos recursos conquistados pelo partido para Urussanga. Os “graxains” mais atentos andam incomodados porque segundo eles, o prefeito não dá os devidos créditos ao partido na conquista dos recursos. Alguns mais exaltados dizem que o prefeito só inaugura obras “deles”.

Projeto atrasado

O vereador Nandi cobrou do Poder Executivo, a entrega do Projeto Técnico para a execução da área industrial do Bairro São Pedro, prometido para o mês de maio deste ano, e agora adiado para dezembro de 2018. O projeto em questão, orçado em R$ 79.990,00 contempla drenagem, pavimentação, tratamento de resíduos, licença ambiental e demais obras de infraestrutura necessárias para a execução da obra. O vereador questionou os motivos do atraso e solicitou esclarecimentos da Administração Pública sobre o responsável por desenvolver o projeto. Até onde o Baffone sabe, o projeto já foi entregue pela empresa licitada, inclusive este semanário fez matéria. O projeto não esta atrasado, está sendo segurado para beneficiar alguém.

IPTU na pauta

Vereador Marquinhos colocou o IPTU de novo na pauta da Câmara. O vereador que anda se dando muito bem tanto com alguns setores do PMDB como com alguns setores do governo municipal disse que não tratará mais este ano da taxa de expedição cobrada erroneamente pela prefeitura, mas pretende debater da revisão completa do IPTU e outras taxas como a de coleta de lixo.

Limpando o nome

Em meio a algumas denúncias bastante propagandeadas pela imprensa, o senador Paulo Bauer está divulgando sua atuação na liberação de recursos para Santa Catarina. Segundo ele sua ação beneficiou todos os municípios do Estado, um por um.

Brasília

Prefeito Gustavo este em Brasília nesta semana participando da XXI Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios. O prefeito parece vir motivado e com muita expectativa ao ver o presidente Temer aparentemente engajado com movimento municipalista. “Estão percebendo que a concentração de recursos pela união precisa ser revista. Melhorando a distribuição e revendo as responsabilidades que está caindo muito sobre os municípios. Ele me pareceu comprometido com a causa”, avaliou. Dizer o que?

Conselho de Gestão Municipal

Com o discurso de uma gestão mais participativa o prefeito convocou diversas entidades a indicarem um representante para o conselho de gestão, que deve “auxiliar” o prefeito na tomada de decisões. Esse tipo de conselho foi uma marca das gestões do saudoso Luiz Henrique da Silveira, mas ele não convidava entidades e sim pessoas de sua confiança.

Exemplos a serem seguidos

Urussanga precisa seguir o exemplo de Nova Veneza no turismo e cultura e isso já é fato consolidado. Agora, a vereadora Vanir achou interessante o exemplo de Pedras Grandes onde todos os decretos do prefeito são lidos na Câmara, ao contrário de Urussanga, onde eles andam meio sumidos do público.

Rapidinhas

– Festa do jubileu de 25 anos do padre Jiovani Manique Barreto acontece neste domingo. Ingressos para a tradicional polenta já estão esgotados.

– Íris Cancellier, defensora de Bolsonaro e da intervenção militar, é a presidente de honra do PDT Urussanguense.

– O suplente de vereador do PSD, Luan Varnier estará em Chapecó neste sábado, 26, no encontro organizado por Merísio.

– Romanna Remor e Clésio Salvaro conversaram pela primeira vez desde seu último debate eleitoral há seis anos. Conversaram por obrigação da função pública.

– O projeto que intitula Nova Veneza como Capital Nacional da Gastronomia Italiana está pronto para ser sancionado pelo presidente Temer. Parabéns Veneza!

– Em breve um casamento coletivo acontecerá em Urussanga. A inciativa é do cartório de registro civil e da Igreja Assembleia de Deus.

– Legislativo realizará sessão itinerante no Bairro De Villa, neste Município. Segundo a Câmara a iniciativa é importante para ouvir a população.

– O setor de identidade de Urussanga atende somente das 8h às 11h15 para cadastro. No período da tarde é feito o envio e confirmação das identidades cadastradas. Se fosse uma atividade privada seria assim?

– Vereador Casagrande registrou sua participação na conquista do recurso de R$ 600 mil junto ao Deputado federal Jorge Boeira (PP) para investimento em infraestrutura no Município.

– A semana da cultura italiana em Urussanga é instituída por lei desde 1991. Ela era para acontecer sempre na semana do aniversário da cidade. Memórias relatam que ela existiu até 1996. Hoje quem esta fazendo é a ISUL por uma iniciativa privada e digna. Será que a cultura vai sair do discurso?

– Decoração na Padaria Urussanga (da Olguinha) entrou no clima dos 140 anos. A gente observa o bom gosto na colocação da bandeira do Brasil e Itália no poste e na sacada, além das flores dando um colorido especial.

– Um grupo de voluntários trabalhou no domingo na jardinagem e paisagismo do jardim da igreja matriz. Ficou cheio de flores dando um colorido especial que também deveria ter na praça.

– Paralisação dos caminhoneiros chegou ao Bairro Nova Itália, com direito a “discurso técnico” de um suplente de vereador. Os vídeos estão no circulando nos telefones da cidade.

Urussanga promove o I Seminário Municipal de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes

O Abuso e a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes são um fato preocupante no mundo e não diferente em Urussanga. A violência sexual é um crime e deve ser denunciado às autoridades competentes. Por este motivo, a Secretaria de Assistência Social de Urussanga promoverá no dia 18 de maio o I Seminário Municipal de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. O encontro que será realizado às 13h30, no Salão de Eventos da Secretaria de Assistência Social, contará com debate sobre o tema com representante do Poder Judiciário, Delegacia da Polícia e uma palestra com psicólogo Alex Cambruzzi.

“Temos a estimativa que somente 20% dos casos são denunciados. Na maioria dos casos, as vítimas sofrem ameaças e por isto preferem ficar caladas ou se sentem culpadas. Quando uma criança ou adolescente é abusada, eles desenvolvem traumas psicológicos que poderão ser levados por toda sua vida, por isso a importância de debatermos este tema com toda a sociedade”, esclarece a secretária de assistência social de Urussanga, Izolete Vieira Gastaldon.

A violência sexual pode ser registrada de forma verbal por meio de conversas de forma presente ou por telefone sobre as atividades sexuais estimulando precocemente para atividades sexuais. E também de forma física corresponde a carícias e tentativas de relações sexuais.

O seminário será gratuito e para toda a comunidade interessada em participar. Não é necessária inscrição prévia.

 

Mães de Urussanga participam de palestra com Cristiano Zanetta

As mães que fazem parte da Associação Urussanguense de Assistência Social (AURAS) participaram na noite de quinta-feira, dia 10, de uma palestra especial com Cristiano Zanetta. Intitulada de “O Homem por trás da máscara”, a palestra contou a trajetória de Cristiano que realiza um trabalho voluntário como Batman do Brasil.

“Recebemos o Cristiano para esta palestra que serviu como inspiração para as nossas mães e mostrou o quanto podemos superar nossos desafios. Após esse encontro, foi servido também um coquetel especial e sorteio de brindes em homenagem as mães do nosso município”, esclarece a primeira-dama e presidente de honra da Auras, Thaise Talamini.

Para o palestrante, esta foi uma grande oportunidade para mostrar a sua história e os exemplos trazidos com ela. “Além da história da minha vida, também procurei trazer momentos de humor para a nossa conversa. Isso fez com que as duas horas de palestra passassem muito rápido. É uma grande oportunidade falar para as mães de Urussanga”, enaltece Cristiano Zanetta, que foi aplaudido de pé pelas participantes.

 

História e tradição marcam “Sabato in Piazza”

Italianidade, alegria e um clima de confraternização envolveu Urussanga durante a terceira edição do evento “Sabato in Piazza”. A ação realizada na Praça Anita Garibaldi foi coroada com o famoso tombo da polenta gigante, de 200 quilos, feito pelo grupo Amici della Polenta. O evento contou com a participação das associações culturais italianas da cidade como Bellunesi, Trevisani, Veneta, Amici di Longarone e Movimento Ostrega.

A exposição “Ricordare”, organizada pela Associazione Trevisani Nel Mondo di Urussanga, era composta por peças em tecido expostas entre o chafariz e o coreto da praça. A mostra apresentou uma linha do tempo, de 2018 a 1878, retratando os 140 anos de Urussanga por meio de histórias e fotos. “Um belo trabalho de pesquisa com imagens que nos fazem viajar no tempo e conhecer mais um pouco da nossa história”, afirmou o visitante Adroaldo Luiz Apolinário.

A Associazione Bellunesi mostrou vídeos sobre a produção de vinho e um documentário da década de 40. A ação também teve cantos italianos com o grupo Amici della Polenta, artesanato da Associação Urussanguense de Assistência Social (AURAS), conversas em dialeto com o Movimento Ostrega, entre outras atividades.

O “Sabato in Piazza” é uma ação promovida pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) da cidade em parceria com a Prefeitura Municipal com a proposta de enaltecer e valorizar a cultura italiana envolvendo todos os munícipes e trazer as comunidades para a Praça Anita Garibaldi a fim de reunir descendentes e envolver as pessoas interessadas em conhecer as histórias das famílias.

 

Unidades de Saúde de Urussanga terão horário especial para vacinação da gripe

A Secretaria de Saúde de Urussanga informa que a Campanha de vacinação contra a gripe segue até o dia 1º de junho nas unidades de saúde do município. Para facilitar o acesso à vacinação, as unidades básicas de saúde da cidade estarão com um horário diferenciado de atendimento na próxima semana.

“No dia 23 de maio, próxima quarta-feira, todas as unidades de saúde do município estarão com atendimento especial até às 20h para realizar a vacinação. É muito importante que as pessoas que estejam dentro dos grupos prioritários se previnam para evitar a proliferação da doença. Com o frio chegando, é mais fácil a incidência da gripe”, garante o secretário de saúde de Urussanga, Ademir Pascoal Becker.

Poderão se vacinar durante a campanha, além de idosos com 60 anos ou mais, as crianças na faixa etária de seis meses a menores de cinco anos, gestantes,mulheres até 45 dias após o parto, trabalhadores da saúde, professores, indígenas e os grupos portadores de doenças crônicas não transmissíveis.

Diretoria do Hospital reúne colaboradores e vereadores de Cocal do Sul e Urussanga para sanar críticas

Para sanar as críticas, reclamações e melhorar o atendimento hospitalar, a diretoria do Hospital Nossa Senhora da Conceição de Urussanga realizou um ato inédito na noite de quarta-feira. Convocou médicos, enfermeiros, administrativo, técnicos da instituição e vereadores de Cocal do Sul e Urussanga para ouvir, tirar dúvidas e esclarecer determinadas situações.

O encontro foi realizado na residência do presidente do Hospital, Arnaldo Bez Batti e também contou com a presença do Gerente Regional de Saúde da Agência de Desenvolvimento Regional (ADR), Fernando De Fáveri e o secretário de saúde de Urussanga, Ademir Pascoal Becker.

Bez Batti abriu a reunião fazendo uma explanação sobre a situação financeira do hospital e destacou o consenso e apoio dos prefeitos e vereadores de Cocal do Sul no aumento de repasse.  “Nós temos ciência de que sempre há críticas em relação aos atendimentos do pronto socorro, por isso queremos ouvir, esclarecer e melhorar. O objetivo deste encontro é colocar tudo em pratos limpos permitindo que as pessoas presentes façam sua reivindicação e reclamação para melhorar o atendimento e que as devidas explicações fossem compartilhadas”, destacou.

Para o presidente da Câmara de Urussanga, Odivaldo Bnetti em 25 anos de atuação junto ao poder público e acompanhamento dos trabalhos do Hospital, essa é a primeira vez que a uma diretoria coloca o seu corpo clínico e colaboradores para uma discussão aberta para que os vereadores cobrassem a prestação de um serviço de qualidade. “Só por isso, o encontro tem uma grandeza sem tamanho. Mostrou preocupação desta diretoria, profissionalismo e seriedade e, acima de tudo, uniu ainda mais os legislativos na luta por mais recursos ao hospital. Valeu a pena. Todos souberam ouvir e conseguimos avançar na busca de recurso. Parabéns”, salientou.

Segundo a presidente do Legislativo de Cocal do Sul, Roseny Cittadin foi uma conversa aberta e franca. “Precisamos de mais encontros assim. Acredito que conseguimos atingir nossos objetivos. Quando nos unimos vamos à luta pelo bem comum. Estamos à procura de uma melhor qualidade de vida e um atendimento humanizado”, relatou.

A boa notícia da noite foi a confirmação do repasse de R$ 1,1 milhão ao Hospital pelo  gerente regional de saúde, Fernando De Fáveri que também elogiou a participação e união dos representantes. “Nós do Estado assumimos um compromisso e vamos garantir esse montante parcelado em dez vezes para o custeio. O Hospital de Urussanga esta com uma gestão diferenciada e esta participando do mutirão de cirurgias eletivas. É a instituição que mais fará os procedimentos, são mais de 1,5 mil. Isso é muito bom, pois se cria para o futuro uma série histórica para depois conseguir novas verbas por meio das ações cirúrgicas. Foi uma noite produtiva, além de questões financeiras. Foi um somatório de forças para melhorar cada vez mais o atendimento”, finaliza.