Na cidade grande

Semana passada, vocês sabem, estive em São Paulo, passeando mais a esposa. Sou caipira, porém enfrento cidades grandes com certa desenvoltura. Conheço algumas delas, graças a Deus, de modo que tenho noção de como é a vida fora da Benedetta. Não muda nada, ao menos na essência. O drama humano é universal. Sofre-se e goza-se com o mesmo desespero na roça e na metrópole. Teme-se a morte na Avenida Paulista ou em Rancho dos Bugres com semelhante perplexidade.

Algumas coisas, contudo, fazem diferença. Fomos assistir a uma peça do Ballet Estatal de São Petersburgo. Coisa mais linda. Trata-se da alta cultura, capaz de elevar-nos a alguns metros do chão. Nós aqui não temos disso. Em nossos eventos culturais, ouvimos o sertanejo universitário, com todo o respeito ao sertanejo universitário, por favor. Mas, enfim, alta cultura à disposição é um alento do qual não dispomos aqui neste interior. Uma pena!

Além de ir ao balé, queria participar do “Carnalula”, programado pelo MBL em comemoração à prisão do sujeito. Mas a festa foi cancelada a pedido da polícia, para alívio da minha mulher. A polícia e a minha mulher têm muito mais juízo do que eu e o MBL. Certamente uma baita confusão foi evitada, e pude aproveitar melhor meu tempo em Sampa comendo contraditoriamente um sanduíche de mortadela. Mortadela Ceratti, é claro.

De volta ao meu chão, vida que segue. Lula preso e a bruxa solta. Energia de ativação baixa. Uma névoa de tensão e incerteza ofuscando a visão – tanto lá quanto cá. A diferença, basicamente, é que eles (mas nem todos, evidentemente) podem de vez em quando assistir a espetáculos como Ballet Estatal de São Petersburgo, única coisa estatal bonita e eficiente que eu conheci em toda minha vida. Agora, com licença, vou trabalhar. Semana que vem tem mais.

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