Alternativa sustentável dá vida ao lixo

Os resíduos sólidos urbanos gerados e descartados diariamente pela população seguem a destinação correta por meio de um caminho já traçado e em operação desde 2004: o aterro sanitário do Consórcio Intermunicipal de Resíduos Sólidos Urbanos da Região Sul (Cirsures), localizado no bairro Rio Carvão, em Urussanga. O espaço comporta atualmente em média 50 toneladas por dia oriundos dos municípios de Cocal do Sul, Lauro Müller, Morro da Fumaça, Orleans, Siderópolis, Treviso e Urussanga.

A vida útil do aterro sanitário é limitada e, atualmente, está prevista para mais 18 meses. Preocupada com esta questão, a equipe do Cirsures busca há mais de um ano uma alternativa sustentável para esta questão. No Rio Grande do Sul, durante um seminário de resíduos sólidos, o Cirsures entrou em contato com o Consórcio do Vale dos Sinos afim de tomar conhecimento sobre as iniciativas e os estudos feitos para atender a Lei 12.305 referente à Política Nacional de Resíduos Sólidos, principalmente envolvendo a questão energética e destinação apenas de rejeitos em aterros.

“Em visita ao Consórcio Vale dos Sinos, os profissionais informaram que estavam em tratativas com a empresa EKT Global para uma solução conjunta direcionada a outra forma de tratamento de resíduos que não fosse a disposição em aterro sanitário. Depois dessa troca de conhecimento e experiências, o Cirsures entrou em contato com esta empresa para verificar os trabalhos feitos pelos profissionais”, explica o engenheiro ambiental e gerente do Cirsures, Thiago Maragno.

Em junho do ano passado, a empresa EKT visitou a sede do Cirsures e apresentou a tecnologia aplicada no processamento de resíduos sólidos urbanos. De acordo com o engenheiro da EKT, Jose Luis Fontes a empresa aproveitaria o lixo gerado pelos municípios de forma sustentável. Os resíduos não seriam mais depositados no aterro sanitário.

As dezenas de toneladas diárias seriam transformadas em 800 toneladas de composto bio-sintético, em forma seca e estado de pó, capaz de tornar-se energia ou madeira. Produzida em chapas, a madeira bio-sintética é um material reciclado por processo termodinâmico de plásticos e borrachas, com adição de fibras naturais e sintéticas, animais e/ou minerais, com vida útil estimada em mais de 100 anos e totalmente reciclável.

As peças podem ser utilizadas em diversos segmentos como indústria, construção civil, arquitetura, logística, doméstico, agronegócio, entre outros. A madeira pode ser usada na elaboração de, por exemplo, paletes, prateleiras, móveis, escadas, forros, assoalhos, vagões ferroviários, bebedouros, paióis, haras, quiosques de praia e postes de energia elétrica. A empresa EKT fará a comercialização destes materiais.

Reaproveitamento favorece meio ambiente e sociedade

A transformação de lixo em composto bio-sintético, capaz de tornar-se energia ou madeira, pode trazer diversos benefícios ao meio ambiente. O reaproveitamento dos resíduos sólidos urbanos seria um novo modelo inovador de gestão sustentável na região.

Segundo a empresa EKT, ele diminuiria os riscos de poluição dos recursos hídricos pela produção do chorume gerado no aterro sanitário, bem como a redução dos custos de operação do manejo. Além disso, o procedimento resultaria na manutenção e preservação de ecossistemas, aumento da vida útil do aterro e eliminação gradativa de passivo ambiental.

Já no âmbito social, o modelo ajudaria na prevenção de danos a saúde humana e aumento na geração de emprego e renda. A ideia da empresa também é desenvolver práticas ambientais junto à população, utilizar a madeira bio-sintética em programas habitacionais e projetos sociais.

“Para o Cirsures, este projeto atenderia primeiramente a Legislação que busca alternativas para tratar os resíduos de maneira correta sem dispor em aterro sanitário. Para as Prefeituras acarretaria na diminuição do custo para a disposição, pois o Poder Público faria a doação dos resíduos à empresa. Para o meio ambiente são diversos os benefícios como, por exemplo, a não utilização de áreas para dispor resíduos sólidos, a minimização e a não geração de efluentes (chorume), a não poluição do ar, a não poluição do solo, entre outros”, salienta Maragno.

Decisão está nas mãos do prefeito

Na última semana, no auditório do Cirsures, ocorreu a primeira reunião ordinária do ano. Em pauta, a apresentação de uma proposta da empresa EKT Global ao conselho de prefeitos. O engenheiro que representou a EKT expôs na reunião o interesse da empresa em operar e trabalhar com os resíduos sólidos na região.

A ideia do projeto é implantar uma unidade fabril dentro do aterro sanitário do Cirsures para processar os resíduos sólidos urbanos gerados diariamente, cerca de 50 toneladas, bem como o montante já depositado. O procedimento tecnológico resultaria na produção do composto bio-sintético que posteriormente pode ser utilizado para geração de energia ou elaboração de chapas de madeira.

A proposta da empresa consiste em explorar os resíduos por 20 anos através de Parceria Público Privado e gerar mais de 50 empregos diretos. “Todo o processo de implantação e de operação da unidade fabril seria por conta da EKT. Nessa planta industrial estaríamos processando todos os resíduos gerados pelos sete municípios para a produção de madeira. Caberia ao Cirsures fornecer os resíduos e mais um galpão de mil metros quadrados para instalação dos equipamentos da unidade fabril”, salientou o engenheiro da EKT, Jose Luis Fontes.

Por solicitação dos prefeitos vinculados ao Cirsures, os próximos passos serão conhecer a sede da empresa e unidade fabril que atualmente está em operação em Buenos Aires e outra estrutura que está em fase final de construção em Santo Ângelo, no Rio Grande do Sul. “O assunto está sendo aprofundado e estudado pelo conselho de prefeitos, pois é uma tecnologia nova. Se a parceria for formalizada, o Cirsures e os municípios irão se beneficiar de inúmeras maneiras como o não pagamento para disposição nal dos resíduos por parte das Prefeituras, geração de emprego e renda para a região, minimização dos impactos ambientais, mesmo o processo gerando pouco impacto, atendimento a legislação ambiental e inovação tecnológica no tratamento de resíduos. Esta parceria, se concretizada, será de suma importância para o Cirsures, visto que o aterro sanitário possui aproximadamente apenas mais 18 meses de vida útil em atendimento à Legislação que não tolerará mais, num breve futuro breve, a disposição dos resíduos em aterro santário, além deste novo modelo garantir a minimização de custo operacionais do Cirsures”, finaliza Maragno.

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