OS AGROTÓXICOS: RISCOS, CUIDADOS E DIREITOS DOS CIDADÃOS

Segundo a Constituição Federal – Art. 225: Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à população o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. Todos temos direito a uma alimentação saudável e adequada, independentemente de raça, gênero ou nacionalidade. É importante que se priorize a ideia de que a alimentação saudável e adequada é um direito de todos. O uso de agrotóxicos, como vem sendo feito no Brasil, pode ser classificado como uma das mais graves e persistentes violações ao direito à alimentação saudável, pois impede o acesso da população a um alimento limpo e saudável, além de serem extremamente prejudicial ao meio ambiente. Os venenos foram criados sob o argumento de acabar com a fome no mundo, mas ainda existem 1 bilhão de pessoas desnutridas no mundo, 11 mil crianças morrem de fome a cada dia, um terço das crianças dos países em desenvolvimento apresentam atraso no crescimento físico e intelectual, 40% das mulheres destes países são anêmicas e encontram-se abaixo do peso e uma pessoa a cada sete, padece de fome no mundo.
É importante lembrar que os agrotóxicos pulverizados sobre as culturas agrícolas e o solo têm capacidade de penetrar nas folhas e polpas, e que os procedimentos de lavagem e retirada de cascas e folhas externas favorecem a redução dos resíduos de agrotóxicos, limpando a superfície dos alimentos, mas sendo incapazes de eliminar aqueles contidos nas partes internas. Um dos procedimentos amplamente divulgados, a higienização dos alimentos com solução de hipoclorito de sódio tem o objetivo de diminuir os riscos microbiológicos, mas não de eliminar agrotóxicos.
Outro alerta importante para diminuir risco de ingestão de agrotóxicos nos alimentos é a opção pelo consumo de alimentos da época ou produzidos com técnicas de manejo integrado de pragas (recebem uma carga menor de produtos químicos) e, especialmente aqueles provenientes da agricultura orgânica ou agroecológica. O uso sem controle dos agrotóxicos pode comprometer de forma grave e irreversível a saúde em decorrência da presença de resíduos de agrotóxicos acima de limites estabelecidos
e, o que é pior, a utilização de produtos proibidos. O Programa de Análise de Resíduo de Agrotóxicos em Alimentos (PARA), vinculado à Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), relata o resultado de 3.293 amostras de 13 alimentos monitorados;
todos os alimentos apresentaram resíduos de agrotóxicos.
Dentre os alimentos, destacaram-se o pimentão, cenoura, morango, pepino, alface e o abacaxi com 90, 67, 59, 44, 43 e 41% de amostras com resíduos de agrotóxicos, respectivamente. O aspecto positivo do PARA é que o rastreamento dos alimentos produzidos em todo o país está cada vez maior, o que significa dizer que o cerco aos produtores que utilizam agrotóxicos está se fechando. Fica a pergunta: porque correr o risco de produzir alimentos contaminados, quando temos a alternativa da agricultura orgânica que produz alimentos sadios, de melhor qualidade, com custo menor e produtividade semelhante e, o melhor, sem poluir o meio ambiente?

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