Dia dos Aposentados: Classe fala da luta, dificuldade e expectativa para 2012
jan 27th, 2012 | por Jornal Vanguarda | Categoria: GeralDia 24 de janeiro é comemorado o Dia Nacional dos Aposentados. A data que é celebrada em todo o Brasil serve para mostrar as principais causas e as lutas que a Associação de Aposentados e Pensionistas de Urussanga está programando para 2012. Em entrevista ao Jornal Vanguarda, o Presidente Paulo Albino de Oliveira, o Paulinho dos Aposentados, fala sobre as expectativas para este ano.
Jornal Vanguarda: O que os aposentados têm para comemorar?
Paulinho dos Aposentados: Posso dizer que os aposentados e pensionistas não tem nada para comemorar. Eles estão sendo massacrados pelo governo. Nós podemos comemorar quando buscamos algo, lutamos por objetivos e conquistamos o que se almeja, o contrário do que está acontecendo quando estão tirando nossos direitos.
Um exemplo é o aumento programado para este ano. A Lei diz que deve ser de acordo com a inflação do ano que foi de 6,97%. Mas o que está programado é um acréscimo de 6,08%, que é menor que o previsto. Nos últimos 18 anos, já foram contabilizados 76% de perda nos salários dos aposentados. Existe um projeto de lei, a PL 4434 que prevê a recuperação dessas perdas salariais. Ainda não colocamos em pauta, pois o governo possui a maioria na câmara e com certeza seria negado. São mais de 10 anos de trabalho que poderiam ser perdidos. Estamos esperando uma oportunidade e enquanto isso tentando conscientizar os deputados da importância dessa causa.
JV: Como será o ano de 2012 para os aposentados? Quais as principais causas?
PA: Nossa principal luta será pelo salário. Queremos que o aumento seja no mínimo o equivalente a 80% do PIB que seria um total de R$ 11,70%, já que o salário mínimo teve um acréscimo de 14,13%. Estamos esperando a volta do recesso dos deputados. Se não for aprovado, já está determinado pela Cobap, a Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas, um movimento nacional em todos os municípios com faixas e cartazes. O objetivo principal é conscientizar as pessoas para não votar nos candidatos dos partidos que estão apoiando o governo e indo contra nós. Temos a consciência que não podemos fazer greve, mas temos a força do nosso voto.
JV: Porque é tão difícil conquistar as causas que beneficiam os aposentados?
PA: Tudo é interesse político. O governo alega que a previdência não tem dinheiro, mas é justamente o contrário do que eles dizem. Alguns deputados possuem essa consciência, mas são os partidos que mandam neles. Se não votar no que eles querem, as verbas para os gabinetes são cortadas. O que nós conseguimos até hoje foi pela insistência permanente das associações, confederações e entidades. O que falta é a conscientização dos aposentados para que essas causas sejam aprovadas.
JV: Porque cada vez é mais difícil se aposentar?
PA: Quem manda no Brasil são as elites e a maioria dos deputados são empresários. O que não é, é financiado por eles. Por isso não vão deixar de atender os interesses deles para olhar para os aposentados. Através das associações já conquistamos várias coisas que poderiam estar perdidas. Por isso nunca vamos parar de lutar para que as futuras gerações possam se aposentar justamente.
JV: Ainda vale a pena se aposentar?
PA: Por mais que esteja ruim, que não sejamos valorizados, ainda vale a pena. Não aconselho ninguém a não pagar a previdência, é o que garante um futuro um pouco melhor. Se é ruim com o aposento, muito pior sem ele.
Tipos de aposentadoria: (Dados fornecidos pelo site, www.previdenciasocial.gov.br)
• Aposentadoria Especial - Empregado(a)/Desempregado(a)
• Aposentadoria Especial - Trabalhador Avulso
• Aposentadoria por Idade,que se divide em:
Aposentadoria por Idade - Contrib. Individual e Facultativo
Aposentadoria por Idade - Empregado Doméstico
Aposentadoria por Idade - Empregado(a) ou Trab. Avulso(a)
Aposentadoria por Idade - Seg. Especial/Trabalhador Rural
• Aposentadoria por Tempo de Contribuição, que se se divide em:
Aposentadoria por Tempo de Contribuição - Empregado(a) Doméstico(a)
Aposentadoria por Tempo de Contribuição - Contribuinte Individual e Facultativo
Aposentadoria por Tempo de Contribuição - Trabalhador(a) Avulso(a)
Aposentadoria por Tempo de Contribuição de Professor(a)
Aposentadoria por Tempo de Contribuição - Empregado/Desempregado
Informações adicionais podem ser obtidas pelo telefone 135
De segunda a sábado, das 7h às 22h.
Telefone fixo: Ligação gratuita.
Telefone público: Ligação gratuita.
Telefone celular: Custo de ligação local
Parar ou continuar no trabalho? O que fazer após a aposentadoria?
É hora de aproveitar…
Marlene Rosa Bez Batti é uma das que aproveitaram a oportunidade da aposentadoria para viajar. A conquista do benefício ocorreu há cinco anos. Tempo suficiente para conhecer diversos lugares e se divertir.
“Enquanto eu trabalhava era muito difícil de sair de casa, já que no comércio o horário ia até no sábado pela manhã. Agora é bem mais fácil”, relata Marlene.
A aposentada, durante esses cinco anos, já visitou diversos lugares entre eles, o Rio de Janeiro, São Paulo, Aparecida do Norte, Treze Tílias, entre outros. Agora a diversão é um pouco diferente. “Eu parei de viajar, agora o que mais gosto é de dançar nos bailes. Vou aproveitar essa fase”, informa.
Na agricultura até quando puder…
Gema Maria Olivier Canever é um exemplo de persistência e dedicação. Aos 64 anos e aposentada desde os 55, ela não deixa o trabalho na agricultura de lado. “Eu não pretendo parar. Até que tenha saúde vou continuar fazendo. Minha avó paterna trabalhou até os 94 anos e a materna até os 82. Ainda tenho um bom tempo pela frente”, enaltece Maria.
Ela e o Esposo Pedro Carlos Canever, que também é aposentado, ainda plantam fumo, milho, feijão, tratam das galinhas e também de vacas de leite. Um trabalho que não para.
O benefício que veio cedo…
Já o caso de Silvio Teotônio Durante foi bem diferente. Ao contrário da maioria da população que precisa esperar pela idade para se aposentar, Silvio foi uma das exceções que conseguiu o benefício ainda bem jovem.
“Eu me aposentei no dia 20 de agosto de 1992 com 35 anos. Eu trabalhava na mineração e para a gente era preciso ter 15 anos de contribuição. Eu tinha até menos na época, ao todo somavam 13. Mas entrei com o processo e consegui a aposentadoria proporcional”, conta Silvio. Após a conquista, o urussanguense morador de Santaninha trabalhou por um período no Móveis Pérola e depois resolveu ficar em casa. “Hoje com 55 anos, com a minha aposentadoria e o salário da esposa, que é professora, a gente consegue viver bem e é o suficiente”, diz.
A aposentadoria que veio mais tarde…
Darci Burin Consoni precisou esperar por anos para conquistar a tão sonhada aposentadoria. Os poucos anos de contribuição foi o que levou ao recebimento do benefício de forma tão tardia.
“Eu consegui me aposentar por invalidez. Coloquei no advogado e conquistei o benefício, devido aos problemas de saúde que tenho. A decisão saiu quando eu tinha 68 anos, mas foi feito uma revisão de calculo e só comecei a receber há dois anos atrás”, informa Darci.
Segundo ela, hoje aos 72 anos e aposentada com um salário mínimo, a espera é pelos atrasados que ainda não foram liberados. “É só isso que está faltando agora”, conta.
O trabalho que não termina…
João Batista Delponte Pereira ainda continua no trabalho, mesmo com o benefício. Mineiro aposentado João hoje trabalha como caminhoneiro para auxiliar nos rendimentos da família.
“Eu me aposentei muito cedo, ainda com 35 anos, por causa dos tempos que trabalhei na mineração. Desde então não parei ainda. Não dá para deixar de trabalhar assim. Já fui borracheiro, encarregado de borracharia e agora estou no caminhão. Não dá para parar” informa João que hoje está com 51 anos e pretende continuar a trabalhar por um bom tempo ainda.

