Capela da Estação comemora 50 anos
set 6th, 2010 | por Jornal Vanguarda | Categoria: Especial
As lágrimas nos olhos demonstram o carinho que sente Galdino Fontanella, 72 anos, ao contar que auxiliou na construção da Capela do Bairro da Estação. Na época, o apoio e a dedicação de inúmeras pessoas foram importantíssimos para que o sonho de toda a comunidade se tornasse real. As dificuldades encontradas do início até o término da edificação serviram como exemplo de união e comprometimento aos moradores. Até hoje o trabalho dos voluntários é lembrado pelos residentes na localidade e por aqueles que no dia 7 de setembro comemorarão os 50 anos da Capela Nossa Senhora Aparecida.
O terreno onde está situada a igreja foi uma doação de Angelo Nichele. “Nós tivemos que fazer toda a terraplanagem à mão, porque naquela época não existia máquina para esse tipo de serviço. Eu lembro que o barranco do morro vinha até metade de onde é a capela hoje. Tivemos que abrir espaço com as picaretas. Nós trabalhávamos o dia todo e à noite ficávamos até as duas da manhã, sem contar no sábado e no domingo”, relata Galdino, que foi um dos primeiros fabriqueiros e continuou no Caep da comunidade por 30 anos após a construção da igreja.
Com 23 anos na época, Gaudino auxiliava as poucas famílias que residiam no bairro da Estação a concluir a obra que durou, segundo ele, aproximadamente seis anos. “Quem plantou a sementinha foi o Padre Agenor Neves Marques. Ele trouxe a santa e a pedra fundamental, que simbolizava o início da construção. Foi ele também quem fez pressão para que a igreja saísse do papel e virasse realidade”, informa.
Eram os próprios moradores que, além de trabalhar nas horas vagas, fabricavam o material necessário para a obra. “Nós fizemos o alicerce e não tínhamos nem dinheiro para comprar a brita. Então, a gente pegava uma pedra e picava ela toda no martelo. Cada um fazia uma média de até dois baldes de pedra picada por dia”, explica. As mulheres também auxiliavam no transporte de materiais e no preparo da alimentação das pessoas que faziam parte do mutirão.
O restante do dinheiro necessário foi alcançado através das festas na comunidade e nas prendas conseguida por todos. “Uma vez nós colocamos um fusca na rifa. Pagamos seis mil cruzeiros por ele na época. O problema é que vendemos mais ou menos a metade dos bilhetes, que era o suficiente somente para pagar o carro. Quando fizemos o sorteio é que tivemos a surpresa. O fusca saiu para a capela. Conseguimos então vender o veículo para Laerte Caruso, que o comprou por seis mil cruzeiros. Esse dinheiro foi a nossa salvação. Só com ele conseguimos levantar a capela”, conta Galdino, entre lágrimas.
Após todo o trabalho de terraplanagem e fundação, a igreja foi construída por Dorvalino Zatta. “Até mesmo as aberturas foram feitas por nós. Quem encabeçou tudo isso foi o Erotides Borges. A gente comprava o ferro, a solda e todo mundo ajudava. Os tijolos vieram de trem e ficaram empilhados por um bom tempo na estação ferroviária. Só depois vieram para cá. O muro que cerca a igreja também foi construído com as pedras retiradas do morro. A escadaria era feita de eucalipto, só depois foi construída essa de pedra. Agora, pensa no trabalho que deu tudo isso”, relata.
No dia 7 de setembro de 1960 a capela foi inaugurada. E agora, em 2010, será comemorado o cinquentenário de todo esse trabalho e dedicação. A igreja, que está a dois meses fechada para reforma, abre novamente suas portas para a comunidade em uma celebração que ocorre dia 7 de setembro, às 18 horas. Além disso, será realizado um almoço festivo às 12 horas com a participação da Orquestra Municipal de Urussanga. Durante a celebração será feito o descerramento da placa comemorativa e a reinauguração da capela. A missa será presidida pelo bispo Dom Jacinto Inácio Flach, com a presença dos padres da paróquia.
Durante os meses de setembro e outubro serão realizadas diversas celebrações até o dia da Padroeira do Brasil, que será comemorado dia 12 de outubro.

