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O agronegócio no Brasil

ago 19th, 2010 | por Jornal Vanguarda | Categoria: Colunistas, Euclides Mondardo

O agronegócio que representa toda a cadeia produtiva da agricultura, pecuária e agroindústrias, vem atravessando uma crise sem precedentes.  Em 2003 o referido setor participou com 30,58% do produto interno bruto (PIB) nacional, caindo para 26,4% em 2005. Foi a menor participação dos últimos anos, devido aos seguintes fatores: 1 – valorização do Real, afetando a competitividade no mercado exportador; 2 – Aumento do custo de produção devido aos aumentos sucessivos do preço dos combustíveis, fertilizantes, agrotóxicos e outros insumos, acrescidos pelos elevados juros; 3 – queda dos preços praticados pelos produtores; 4 – Falta de investimentos em infra-estrutura; 5 – problemas na área  de defesa sanitária; 6 – carência de uma adequada política agrícola.

O produto interno bruto, considerando um exemplar indicador econômico, nada mais é do que o somatório de todas as riquezas produzidas nas múltiplas atividades e setores produtivos da nação, dos estados e dos municípios.

O orçamento público destinado ao agronegócio deveria ser proporcional ou compatível à sua importância, porém não é e nunca foi desde o tempo do império. Sim, o mencionado setor representa quase um terço do PIB nacional, porém os recursos públicos investidos não chegam a 5% do total. Este número desproporcional e insignificante nem é divulgado pelos governos e supõe-se que seja porque é vergonhoso.

Infelizmente esta injustiça vem acontecendo desde os primórdios, em todos os estados e municípios da federação, mesmo nos essencialmente agrícolas. Por exemplo, em Santa Catarina a agropecuária (agricultura mais pecuária) representa em torno de 14% do PIB catarinense e é investido no setor não mais do que 5% do orçamento global; enquanto que em Urussanga o referido setor representa em torno de 10% do PIB municipal e é investido no máximo 2% a 3% do orçamento.

Considerando-se isto um absurdo ou uma grande injustiça que tem gerado descontentamento e até conflitos de grande monta. Os envolvidos direta ou mesmo indiretamente com a cadeia produtiva do agronegócio deveriam se mobilizar na tentativa de reverter tal situação. Maiores investimentos no setor seriam, portanto, sem dúvida alguma, a principal reforma agrária que o país necessita urgentemente.

Estamos mais uma vez na véspera de mais uma eleição geral, porém ainda não se ouviu candidato algum em suas propagandas eleitorais dando a devida importância ou a merecida prioridade ao agronegócio; até parece que não sabem que o Brasil é essencialmente agrícola.

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