Folclore
ago 19th, 2010 | por Jornal Vanguarda | Categoria: ArtigosO dia 22 de agosto nos remete ao tempo da infância, da escola, ao imaginário popular, tão rico e variado. Nosso povo é sábio e criativo e cultiva, mesmo sem prestar atenção, as tradições dos antigos, nossos nonos ou avós. Estamos falando do Dia do Folclore. São tantas histórias ou estórias, crendices e superstições envolvendo aspectos religiosos e práticos. Não que a religião não seja prática ou o prático seja profano! Segundo Câmara Cascudo (1898-1986) “folclore é a cultura do popular, tornada normativa pela tradição… Qualquer objeto que projete interesse humano, além de sua finalidade imediata, material e lógica, é folclórico.” São folclóricas as danças das diversas etnias e as brincadeiras das crianças. Por exemplo, durante a Festa do Vinho pudemos observar nas tardes de sábado e domingo algumas apresentações que nos deram nostalgia e mesmo nos emocionaram. Visualizamos brincadeiras simples como o bambolê, bilboquê, canoa de coqueiro, carrinhos de madeira, bolhas de sabão. E bonecos como a “Emília” (tão brasileira!), Branca de Neve e os 7 Anões e os alegres palhaços. E jogo da mora, colheita da uva e fabrico do vinho, procissão e casamento com baile animado por sanfona, capoeira e dança afro-brasileira!
As danças típicas e o baile de máscara trouxeram entusiasmo e beleza. Enquanto que a Orquestra Sinfônica com seus músicos e cantores deram o tom da emoção, do sublime. Tudo isso somado com as outras belas apresentações também fazem parte da cultura popular. Não vamos esquecer da literatura que perpetua a nossa tradição. Os livros contam a história do vinho e história de famílias (Della Itália noi siamo partiti…). Outro livro mais antigo trata de um certo “Prisioneiro da Montanha” (alguém conhece?). Fala de um jovem imigrante que foi acusado de assassinato e viveu foragido durante anos, isolado em uma montanha de nossa região (verdade ou folclore?). Lembramos de Monsenhor Agenor e voltemos ao folclore. No início de sua história em Urussanga, falando de Bimbo e Nona Béa, cita: “Nona Béa ria e chorava ao mesmo tempo, acariciando seus netos…
Então a noninha ficava contando histórias da Loba Romana, de Rômulo e Remo, do Rapto das Sabinas, das guerras, dos heróis, dos pintores,… das lendas, dos anões, das fadas, dos gigantes… Quando ela percebia, seus netinhos já estavam dormindo.” Nona Béa morreu, mas continua cantando (e contando) nas rodas do folclore italiano. E tem coisa melhor do que contar e, mais ainda, ouvir uma boa história? Tem um caso “ocorrido” aqui na Benedetta: um senhor carregou seu caminhão com pedras e, naturalmente, ficou muito pesado e encalhou. Disse em bom tom que se o diabo existisse este poderia removê-lo. Na manhã seguinte o caminhão estava bem afastado do local onde o havia deixado na noite anterior. Cruz credo! Mas temos também muitas histórias bonitas e instrutivas. Embora “quem conta um conto aumenta um ponto… O povo aumenta mas não inventa!” Também os primeiros donos dessas terras, os indígenas, tinham suas tradições e lendas: A origem do mundo, do fogo, do guaraná,… Com tanto folclore faltou falar da culinária regional tão rica, variada e miscigenada. De dá água na boca! Mas isso já é outra história.
* Lierte Pereira
Urussanga

