O Carvão mudou o cenário da economia em Urussanga
jul 29th, 2010 | por Jornal Vanguarda | Categoria: Especial
A produção de vinho, principal bebida industrializada de Urussanga, alcançou seu auge entre as décadas de 40 e 50, e até meados do século XX era o principal meio de sobrevivência dos urussanguenses. Porém, mais tarde, a economia local teve uma nova opção, algo que fez com que gradativamente a fabricação dos vinhos tradicionais no município fosse sendo deixada de lado e um novo mercado pudesse ser expandido. O chamado “ouro negro” passou a ser o principal foco da economia de Urussanga. Foi a exploração do carvão que trouxe uma nova possibilidade de crescimento para a Benedetta.
“No começo de tudo, o principal foco da nossa economia era a lavoura. Com o tempo, essa atividade foi sendo deixada de lado e surgiu a possibilidade de trabalhar nas minas de carvão que estavam iniciando o processo de exploração. Para os moradores aqui da cidade, era uma forma de conseguir dinheiro mais fácil e garantido. Assim, a maioria largou a agricultura e iniciou o processo de abertura das minas”, relata o urussanguense Dionísio Damiani.
Outro fator importante que auxiliou nesse processo de transição foi a abertura da Ferrovia Tereza Cristina. De nada adiantaria a exploração se não houvesse um meio de transportá-lo para as fontes consumidoras. As descobertas das jazidas fizeram com que a construção da ferrovia se tornasse fundamental para o escoamento da nova descoberta. A construção do ramal que ligaria Urussanga ao Porto de Laguna foi autorizada ainda em 1919 e teve a inauguração em 7 de junho de 1925.
O ponta-pé inicial dessa nova atividade se deu ainda em março de 1918 com a abertura da Companhia Carbonífera Urussanga (CCU), que se tornou a pioneira da exploração do carvão em escala industrial em Santa Catarina. A antiga CCU possuía um dos mais modernos processos de mineração, beneficiamento e transporte instalado no país. “O cabo aéreo era o principal meio de escoamento do carvão de Rio Deserto. Eu lembro que as torres eram feitas de aço e vieram de fora do Brasil. A instalação foi realizada por um engenheiro alemão e todo o material era importado”, explica Olga Freccia Trento, que morou por um tempo na localidade em Rio Deserto, até seu casamento com Aurélio Trento.
A instalação do teleférico fez com que a cidade se tornasse conhecida em toda a região. O jornal “A Imprensa”, de Tubarão, em 11 de novembro de 1923 falou sobre a instalação do parque industrial da CCU, “podemos constatar com admiração, as magníficas instalações feitas pela companhia… instalou os seus diversos mecanismos de forma impecável e mais harmoniosa possível, adaptando para a exploração do carvão, as máquinas mais aperfeiçoadas e estabelecendo uma estrada de ferro elétrica para transportar o carvão, desde o interior de suas minas, até o estabelecimento de beneficiamento”, o trecho da matéria está no livro A História do Carvão de Santa Catarina.
Com isso, a localidade de Rio Deserto foi crescendo gradativamente. Lá foi criada uma vila operária, onde os novos funcionários das minas fixavam moradia. “Meu pai, Humberto Freccia, era quem dirigia o armazém da companhia. Como não existia nenhum restaurante no local, minha mãe, Santina, era quem dava a pensão para as pessoas que vinham de fora, para os funcionários do escritório e também da oficina, já que não havia nenhum restaurante na região de Rio Deserto. Naquela época, vieram muitas pessoas de fora, além dos urussanguenses para trabalhar na exploração do carvão, tanto que existiam aproximadamente 300 casas só em Rio Deserto”, relata Olga.
Além da CCU, outras companhias se instalaram em locais como Rio Carvão, Santana e Rio América. As empresas fizeram com que o “ouro negro” ganhasse visibilidade e cada vez mais atraísse investidores e pessoas para o trabalho nas minas. Um exemplo é a produção da Companhia Carbonífera de Urussanga que, em 1939, alcançou os 6.117.610 quilos de mineral produzido.
“Para mim, Urussanga poderia ter se desenvolvido muito com o carvão. Mas não foi o que aconteceu. Eu acredito que isso se deve pelo fato das empresas instaladas na cidade não serem do município, e sim e outras regiões e até de outros, estados como São Paulo e Rio de Janeiro, assim, o dinheiro não ficava aqui, ia embora junto com os proprietários das minas. Ao contrário do que aconteceu com Criciúma, por exemplo. Lá, as minas deixaram o lucro na própria cidade, o que impulsionou ainda mais o desenvolvimento. É triste ver que todo esse processo da mineração terminou com rios poluídos, além da pneumoconiose, uma doença que vitimou vários mineiros no município. Nem mesmo o teleférico ficou de pé, ele poderia ser uma grande atração turística para Urussanga”, expõe Dionísio.
O carvão foi um dos principais produtos explorados em Urussanga. Com ele, a economia foi iniciando um processo de diversificação durante o século XX. A Capital do Bom Vinho também ficou conhecida pela exploração do mineral que perpetuou por várias décadas.


Se possível gostaria de saber mais sobre a explosão da mina de carvão da antiga CCU em Santana na data de 1964. Meu pai morreu nesse desastre eu não consigo achar nenhuma matéria a respeito.