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O desembarque em Laguna

jul 23rd, 2010 | por Jornal Vanguarda | Categoria: Especial

A chegada dos imigrantes a Urussanga não foi fácil. Acreditando nas promessas de terra farta e de casa própria, eles abandonaram tudo e partiram rumo ao desconhecido. Passaram meses viajando em navios lotados, sem nenhuma estrutura e infestados por doenças e pestes. Tinham como única distração a reza diária, que também servia para acalentar a saudade da pátria deixada para trás. Conviviam lado a lado com a morte, e também com a fome. Eram centenas de famílias, que sentiam na pele as consequências da decisão tomada ainda na Europa: A de ir em busca de melhores condições de vida.

A esperança ressurgiu quando avistaram, há quilômetros de distância, terra firme. As primeiras levas aportaram, primeiramente, na cidade de Santos ou do Rio de Janeiro. De lá, em um barco um pouco menor, eram encaminhadas ao porto de Laguna, em Santa Catarina. Naquela época, era esta a cidade mais importante do sul do Brasil. Conforme o historiador Adílcio Cadorin, nascido em Urussanga e residente em Laguna, o município foi a porta de entrada para grande parte dos colonizadores de toda a América do Sul. “Quando os italianos chegaram, o nosso porto era muito importante e tinha movimento intenso. Milhares de pessoas passaram por aqui, sendo destinadas às mais diversas regiões”, explica Cadorin.

Para se ter uma ideia da importância de Laguna para o crescimento não só de Santa Catarina, mas de todo o sul do país, foi de lá que, em 1725, saiu a primeira expedição com 30 famílias para colonizar a Província de São Pedro, hoje chamada de Rio Grande do Sul. Outra curiosidade histórica é que a capital do Estado, Florianópolis, foi desmembrada de Laguna. “A cidade foi fundada em 1676 e é a segunda mais antiga de Santa Catarina, atrás apenas de São Francisco do Sul. Naquela época, o domínio lagunense ia daqui até a Bacia do Prata, ou seja, passava por todo Rio Grande do Sul e pelo Uruguai”, lembra Cadorin.

Além disso, Laguna foi a primeira cidade do país a ter uma organização social. Em 1721, foram criadas aproximadamente 100 leis que regiam as mais diversas atividades e setores. “A importância histórica do município é imensa, claramente visível. Porém, pode-se observar que as localidades que daqui foram desmembradas cresceram, viraram importantes centros comerciais e econômicos, mas Laguna estagnou no tempo. Por aqui passaram milhares de pessoas que fundaram várias cidades do sul da América e nada foi feito para segurá-las. Um exemplo disso é Rafael Pinto Bandeira, que nasceu e se criou aqui. Como percebeu que não havia perspectivas de crescimento no município, mudou-se para o Rio Grande do Sul. Hoje, ele é um símbolo de lá, já que comandou inúmeras batalhas em defesa do Estado gaúcho. A verdade é que Laguna sempre foi uma terra de passagem”, garante Cadorin.

E de passagem estavam os italianos, que em 1878 chegaram à cidade. “Em um primeiro momento, eles permaneciam em Laguna por uns dois ou três dias, esperando uma condução para levá-los até Azambuja. A companhia colonizadora, então, disponibilizava um barco que os encaminhava ao Poço Grande, no rio Tubarão, localizado há aproximadamente três quilômetros da BR 101 em direção a Pedras Grandes. Dali em diante, como não havia mais nenhum tipo de transporte, os imigrantes prosseguiam a pé, abrindo picadas no meio da mata. Foi um verdadeiro ato de heroísmo, já que não existia absolutamente nada que pudesse os ajudar”, diz.

Como o fluxo de imigrantes crescia cada vez mais no sul do Estado, foi necessária a vinda de um agente consular italiano para organizar e fiscalizar a distribuição das propriedades. A função foi destinada a Giacinto Bernardo Tasso, que veio da Europa especialmente para desenvolver a função. Segundo o neto do agente, Jácomo Tasso, que tem 85 anos e reside em Laguna, Giacinto era o único que desempenhava a atividade em Santa Catarina.

“Meu avô também era o representante do grande empresário Francesco Matarazzo no sul do Brasil, já que eles eram amigos e vieram juntos da Itália em 1881. A quantidade de italianos que chegava era muito grande, e o porto de Laguna era a única entrada possível”, ressalta Tasso.

Alguns poucos imigrantes davam sorte de encontrar emprego enquanto ficavam parados no porto. Outros acabavam sendo acolhidos pelas famílias lagunenses, que se compadeciam devido à triste situação da época. Exemplos disso são as famílias Cripa, Toldo, Molon, Mussi, Marcon, Sandrini, Remor, Tasso, Nichele, Colossi, Bonasa, Tomazzeli, Mazzini, Bianchini, etc, que permaneceram em Laguna e não rumaram a Urussanga.

A grande maioria, porém, não tinha alternativa e era obrigada a seguir caminho, já que tinham os lotes demarcados na nova terra.

Se a viagem tinha sido dura da Itália ao Brasil devido as péssimas condições dos navios que vinham sobrecarregados, a situação só pioraria após a chegada ao Poço Grande, no rio Tubarão. A navegação tornava-se muito mais difícil, e a única alternativa era ir a pé ao destino final. Pela mata adentro, abrindo picadas, enfrentando os mais diversos perigos…
Este era apenas o início de uma dura batalha que estava prestes a começar.

Um comentário
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  1. Uma dúvida:
    Existia outro porto por volta do ano de 1875 em que desembarcavam italianos, na região sul do Brasil ?
    Uma pergunta:
    Vocês poderiam me esclarecer oque era 1ª colônia - 2ª colônia - 3ª colônia - 4ª colônia
    como, onde e quando foram formadas ?

    desde já agradeço
    e aguardo contato

    Ely
    (11) 2280-2235

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