Andador: Um grande vilão para as crianças
jun 17th, 2010 | por Jornal Vanguarda | Categoria: SaúdeDesde o nascimento de uma criança, os pais criam várias indagações em relação ao pequeno ser que acaba de vir ao mundo. Primeiramente vem a expectativa do primeiro sorriso, as primeiras palavras, a primeira vez que o bebê consegue sentar sem apoio. E quando começa a engatinhar é sinal que em pouco tempo ela já estará andando por toda a casa. Esta deveria ser a ordem natural das coisas. Porém, muitas vezes por ansiedade os pais pulam algumas dessas etapas e fazem uso de um artifício que, naquele momento, talvez seja de muita utilidade, mas no decorrer do tempo pode acarretar vários problemas para a criança: o andador.
“Um dos momentos mais especiais é ver seu bebê com maior liberdade de explorar o espaço mesmo quando ainda não anda, mas usa um andador. Porém, o grande erro dos pais em seu total desconhecimento é achar que ele ajudará no aprendizado da criança ao começar a andar. Na verdade, o andador traz prejuízos no desenvolvimento psicomotor do pequeno”, relata a fisioterapeuta Geanini De Bona Zavarise.
Segundo a especialista, a criança desenvolve o controle do corpo em etapas que seguem uma sequência e são pré-determinadas. Primeiramente o bebê sustenta a cabeça, em seguida rola o corpo, arrasta-se, senta com apoio e depois sem apoio, engatinha, fica em pé e termina por andar. “Em todas essas fases a criança está amadurecendo neurologicamente, além de seu corpo estar se exercitando, alongando, fortalecendo, treinando equilíbrio, coordenação, conhecendo o próprio corpo, para enfim andar”, explica Geanini.
Com o andador, a criança é forçada a pular algumas dessas fases, principalmente o engatinhar, isso pode causar até o efeito contrário ao esperado e dificultar os primeiros passinhos.
Na maioria dos casos, a criança é colocada muito cedo no “brinquedo”. A idade também é um fator que precisa ser analisada. “Se o bebê é pequeno para o andador, usará somente as pontas dos pés para movimentar-se, o que poderá causar alguns problemas, além do atraso da marcha. O uso pode causar microfraturas na tíbia, o osso abaixo do joelho, e no fêmur. Além disso, sobrecarrega a musculatura das pernas, o que pode causar lesões nas articulações e deformidades no quadril”, informa.
A falta de segurança é outro ponto que precisa de atenção. É comum que, sem o controle dos movimentos, com um simples impulso a criança faça o andador virar e causar acidentes que poderiam ser evitados. “A sensação de liberdade que o andador oferece é ilusão. Ele não deixa a criança explorar adequadamente o espaço que está. Já o bebê que não usa o andador poderá sentar-se no chão, engatinhar ou ir se apoiando nos móveis até chegar ao objeto desejado. É importante deixar bem claro que enquanto manuseia objetos e brinquedos, o bebê está desenvolvendo seu cérebro”, conta Geanini.
No entanto, existe uma espécie de andador adequada. É aquele em forma de brinquedo que as crianças empurram. Ficar em pé no chão, encostado no sofá, é outro auxílio indicado. “O melhor, porém, é que a criança aprenda a caminhar naturalmente, descalça, caindo sobre o bumbum e se levantando. Esse senta e levanta é que vai contribuir na conquista do equilíbrio, fator importante para ficar em pé corretamente e se movimentar com segurança”, reafirma a fisioterapeuta.
Vale salientar que atividades como essas necessitam de uma supervisão dos pais, tanto para estimular, como para livrar os pequenos dos perigos escondidos dentro de casa.

