Padre Carlos: um jeito carinhoso de evangelizar
jun 10th, 2010 | por Jornal Vanguarda | Categoria: Especial
Ele é conhecido pelo carinho, dedicação e bom humor que realiza o trabalho e cumpre com sua vocação. Nasceu em Ribeirão Pequeno, distrito de Laguna, em 20 de novembro de 1933. Veio de uma família de 16 filhos. É locutor, adora contar histórias, piadas e fazer os outros rir. Desde pequeno foi ensinado a frequentar a igreja e, talvez, foi exatamente por isso que há 47 anos definiu o caminho que desejou seguir: ser padre. Carlos Weck não passa despercebido pela cidade de Urussanga. São poucas as pessoas que não conhecem o querido e irreverente ‘Padre Carlos’.
Tudo começou em Laguna, quando o filho do meio de uma numerosa família se identificou com o sacerdócio. “Nós sempre fomos muito religiosos. Meu pai estava envolvido na diretoria da igreja. Acho que por isso eu resolvi seguir esse caminho. No começo, eu não sabia direito o que era ser padre, só achava bonito ficar lá na frente do altar. Depois fui percebendo que era isso o que eu queria”, fala Weck.
O pequeno Carlos sempre gostou de estudar, desde a sua infância. “Eu cheguei a fazer duas vezes o quarto ano do ensino fundamental. E não é porque eu rodei, não! É que eu queria estudar mesmo”, explica. Aos 14 anos, o jovem resolveu sair de Laguna e entrar para o seminário. Já decidido da sua vocação, passou por várias cidades. “Primeiro eu fui para São Ludgero, depois fiz os estudos mais avançados no seminário da comunidade de Azambuja, em Brusque. Aí, parti para Viamão, no Rio Grande do Sul, onde fiz três anos de filosofia e quatro de teologia”, relata Weck. Ao todo, desde o primeiro ano do ensino fundamental, foram aproximadamente 18 anos de estudos para que, no dia 14 de julho de 1963, ocorresse a tão sonhada ordenação, na Igreja Santo Antônio, na cidade de Laguna.
A primeira paróquia do jovem padre foi a igreja São José, hoje atual Catedral de Criciúma. Depois disso, passou por várias cidades de Santa Catarina. Cocal do Sul, Jacinto Machado, Orleans, Laguna, Imaruí, Treviso, Imbituba, Caravaggio, Santa Rosa do Sul, Araranguá e por fim, Urussanga. “Eu já havia ficado uns meses aqui na cidade na época do padre Orlando. Mas nunca tanto tempo como agora”, relata.
Além da vida dedicada à Igreja, padre Carlos também é conhecido pela sua trajetória no rádio. “Tudo começou quando cheguei em Criciúma. Eu sentia falta de um programa radiofônico para pensar em Deus, para iniciar o dia com coisas boas. E as duas rádios que tinham na cidade só tocavam músicas caipiras. Aí eu fiz uma proposta para uma e ela não aceitou. Fiz para a outra e nada. Depois de um tempo, a Rádio Difusora me deu um espaço de cinco minutos para dizer uma mensagem às 6 da manhã. Eu fui conseguindo audiência e o programa passou para 10 minutos. Não demorou muito para a rádio Eldorado me chamar e me dar meia hora”, afirma Weck.
Foram várias idas e vindas entre as duas emissoras. No fim, o tempo de cinco minutos passou para uma hora e o programa se tornou conhecido em toda a região.
A partir daí, a cada cidade que o padre mudava, surgia um novo programa para apresentar. “Não dava tempo! Era só eu aparecer que lá vinha alguma proposta. Em Imbituba eu apresentava ao meio dia, em Araranguá eu fazia a Ave Maria. Em Caravaggio chegaram a montar um estúdio dentro do Santuário para eu fazer o programa”, lembra ele.
Em Urussanga, não podia ser diferente. A vinda para o município no dia 6 de setembro de 2006 garantiu que o programa Alvorada do Cristão fosse comandado pelo padre. “Quando eu cheguei aqui não tive escolha, fui direto para o rádio. Na verdade eu e o Padre Jiovani revezamos. Uma semana ele apresenta, na outra sou eu”, conta.
Nem mesmo um infarto em 2007 fez ele se afastar da rotina. “A médica pediu repouso. Mas como? Apesar de reduzir várias coisas que eu fazia, a nossa comunidade é muito grande. Este ano as coisas devem ficar mais tranquilas com a ordenação do Joel, que vai ficar para auxiliar nas atividades da paróquia de Urussanga”, relata Carlos.
Dos 77 anos de idade, 47 foram dedicados ao sacerdócio. Uma vida inteira destinada a cumprir a vocação de ser padre. O senhor de Ribeirão Pequeno, com sorriso fácil, tornou-se conhecido em toda a região pelo carisma que demonstra seja no rádio, ou na celebração da missa. “Não me arrependo de nada que eu fiz. Faria tudo de novo. É por isso que sempre dou graças a Deus por continuar aqui!”.

