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Mutirão na construção do Centro Comunitário

jun 4th, 2010 | por Jornal Vanguarda | Categoria: Especial

Diante do sol ou da chuva. Com vento, frio ou calor. Aproximadamente 50 voluntários uniam-se todos os fins de semana em prol de uma única causa. Trabalhando gratuitamente por 18 meses eles construíram, com muita dedicação, uma grande obra no centro da cidade. Medindo aproximadamente 2.500 metros quadrados e tendo 30×60 metros, o Centro Comunitário da Igreja Matriz foi erguido pelas mãos de dignos trabalhadores da Benedetta.

Anterior à ao atual prédio, existia no local um galpão feito de pau-a-pique. A ideia de construir um Centro Comunitário surgiu para suprir as necessidades da comunidade. Segundo Raulino Volpato, tesoureiro da comissão que visava a edificação do local, a construção parecia uma novela, que vinha se arrastando há mais de 40 anos. “Haviam sido feitas diversas reuniões e o projeto nunca saía do papel. Então, eu, juntamente com Arnaldo Bez Batti,resolvemos encabeçar a ideia. Uma equipe foi formada e a partir daí, começamos a trabalhar”, lembra Volpato.

A iniciativa foi bem aceita pela população e uma reunião na Câmara Municipal foi realizada, a fim de saber quais as possibilidades de iniciar a edificação do prédio. Os vereadores da época acharam a ideia louvável. Um novo encontro, com amplitudes bem maiores, foi realizado na Sociedade Recreativa de Urussanga. De acordo com Arnaldo Bez Batti, o presidente da comissão, tudo estava saindo da melhor forma possível. “Já existia um projeto de autoria do padre Agenor que visava um prédio de três andares naquele local. No primeiro piso, salas para locação. Nos dois superiores funcionaria o Centro Comunitário.
Porém, não tínhamos condições nenhumas para pôr em prática aquele plano. Contatei meu irmão, Haroldo Bez Batti, que estava se formando em Arquitetura. Ele fez o projeto do atual prédio e, a partir daí, por cerca de dois anos, não paramos mais de trabalhar”, lembra ele.

A primeira campanha realizada foi para a obtenção do maquinário necessário. O prefeito da época, Ado Cassetari Vieira, emprestou os equipamentos durante os fins de semana. Portanto, a obra iniciaria e continuaria somente nos sábados e domingos.
 A colaboração da comunidade se tornara cada vez mais importante. Pedreiros, serventes, carpinteiros e colaboradores se dispuseram a trabalhar gratuitamente nos dias que normalmente eram destinados ao descanso. O então governador Esperidião Amin, enquanto visitava a cidade de Orleans em seu centenário, passou por Urussanga e viu a obra recém-iniciada. “Quando ele chegou, o esperamos com uma linda recepção. No local estavam as crianças do Paraíso da Criança, a Rádio Marconi e a comunidade em geral. Amim achou muito bonita a iniciativa e liberou uma quantia em dinheiro, dividida em três parcelas. Não lembro ao certo quanto era, mas se fosse hoje, acredito que o valor se aproximaria dos 200 mil reais”, garante Bez Batti.

A construção continuava a todo o vapor. Interessados em ajudar, os clubes de serviço do município se dispuseram a doar a refeição dos voluntários. A cada fim de semana, uma entidade era responsável por fazer o almoço e distribuí-lo gratuitamente entre os trabalhadores. E assim, contando com a solidariedade popular, a comissão foi conseguindo fazer aquilo que haviam planejado lá no início, um salão grande e muito bonito. “Na mesma época, fomos até a empresa Votorantin, em Criciúma, pedir auxílio. Eles doaram 1000 sacos de cimento, o que nos ajudou significativamente”, diz Volpato. Prefeituras de outras cidades foram contatadas; para quem era pedido auxílio, nada era negado.  “Quando precisávamos de alguma outra coisa, que não tínhamos dinheiro para comprar, recorríamos ao senhor Olympio De Villa. Ele também foi fundamental para o término deste projeto”, diz Bez Batti.

Os azulejos de toda a estrutura foram conseguidos com a empresa Ceusa, já para a cobertura, a Eliane fez um grande desconto. “É importante destacar que sempre tínhamos pessoas diferentes trabalhando. A cada fim de semana, novos pedreiros e ajudantes se colocavam à disposição para ajudar. E assim foi, até o dia da inauguração, quando houve uma linda missa rezada pelo padre Daniel Spricigo, que recém havia chego ao município”, lembra Bez Batti. Para celebrar a conquista, um grande baile com a banda Os Nativos foi feito no ambiente. Cerca de quatro mil pessoas compareceram e, na data, 156 caixas de garrafas de cerveja foram vendidas. O valor arrecadado foi usado, tempos mais tarde, para a restauração da Igreja Matriz. “Quando a banda chegou, tínhamos que oferecer-lhes um jantar. O prefeito Ado Cassetari, que não media esforços para ajudar, doou uma costela para a refeição. Ela foi assada por Antônio Serafim, Heitor Zanellato e o Concer, lá da Estação. Os músicos gostaram tanto do ambiente e do jantar que fizeram um preço especial para poder voltar novamente à cidade. Assim, outro baile foi feito, e mais uma costela foi doada por Ado”, ressalta.

Mesmo com as dificuldades encontradas, a vontade de ver o salão pronto foi imprescindível naquele momento. Centenas de pessoas ‘botaram a mão na massa’ e fizeram do sonho, uma realidade. O Centro Comunitário da Igreja Matriz se tornou indispensável à comunidade urussanguense. Conforme Volpato, o trabalho foi muito gratificante. “Não existem palavras para descrever o que todos nós, comissão e voluntários, sentimos durante a construção e inauguração do prédio. Foi tudo muito bonito, inesquecível”, diz ele. Bez Batti garante que, o melhor de tudo, é que hoje é nítido que o esforço valeu à pena. “Todo fim de semana o salão é utilizado e precisa ser reservado com meses de antecedência. Tem espaço pra catequese, ensaios, uma cozinha bem ampla, churrasqueira, banheiros… Enfim, tudo o que é necessário para bem atender a população”, fala Bez Batti.

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