Loteamento Carol
mai 6th, 2010 | por Jornal Vanguarda | Categoria: ArtigosVisto de longe, parece que o Loteamento Carol, em Urussanga-SC, foi projetado para ser o Jurerê Internacional da Ilha da Magia. Casas requintadas, adquirentes com alto poder aquisitivo… tudo ia muito bem até começarem os problemas: falta de pavimentação nas ruas, de rede de esgoto, … e a omissão completa do vendedor dos lotes. Uma moradora me disse que parte da rede de esgoto só foi instalada quando decidiram jogar o esgoto diretamente nas ruas: “passamos trabalho, mas conseguimos alguma coisa”.
Segundo a SAMAE – Urussanga conta com pequeno número de imóveis que estão com seus esgotos ligados à rede coletora1.
A briga pelos direitos lesados uniu os moradores. Formaram a ACRILO - Associação de Moradores “Rivalta de Longarone”. E, em conjunto, não param de reclamar ao prefeito, aos vereadores… porque a solução do caso virou promessa de campanha. Segundo um jornalista local, o nome da associação – após as suas reclamações não atendidas - poderá se transformar em “Revolta de Longarone”2.
Criaram o “João Buracão”, e foram pras ruas distribuir panfletos e adesivos, para que todos soubessem que o loteamento aparentemente classe A, não tem infra-estrutura básica.
Cansados das promessas não cumpridas, levaram o caso ao conhecimento da Promotoria Estadual.
Visitei o bairro, acompanhada de Rubens da Silva, mais conhecido como Alemão, presidente da ACRILO. O problema é caótico. Ruas sem calçamento, cheias de buracos e de fendas enormes. Os prejuízos com os automóveis são corriqueiros. Tem lixo a céu aberto nas áreas ainda não construídas, entulho usado pra tapar buracos, pra ajudar na pavimentação… O Carol é destino certo pros caminhões com lixo da construção civil. Muitos estão preocupados com o corte de vegetação…
Além disso, eles convivem com uma antena de celulares, cujos malefícios à saúde já foram comprovados.
Depois da chuva da semana passada, a prefeitura mandou 5 caminhões com terra. Deu uma tapeada; mas só na rua do presidente. Claro que, na primeira chuva, os buracos voltarão.
Para o Alemão, que não mede esforços para lutar pelas reivindicações do seu bairro “isso tudo é uma vergonha. Quando as mulheres vão trabalhar, em dia de chuva, levam outro calçado pra trocar no serviço porque, na saída de suas casas, só tem barro. Os homens vão de moto ou a pé porque não conseguem tirar o carro por causa do excesso d’água que fica correndo na sarjeta”.
Este é mais um exemplo da ineficiência da máquina administrativa diante da qual só resta um caminho: a união e organização da sociedade civil que, atualmente, encontra-se desamparada pelos órgãos competentes da Administração Pública. E precisa ir às ruas exigir os seus direitos, fazendo uso de medidas extremas, como o recente caso do lixão do Rio América.
* Ana Echevenguá, advogada ambientalista, coordenadora do programa Eco&Ação, presidente do Instituto Eco&Ação e da Academia Livre das Água, e-mail: ana@ecoeacao.com.br, website: www.ecoeacao.com.br.

