Casa de Victório Bez Batti
abr 30th, 2010 | por Jornal Vanguarda | Categoria: DiversosDADOS TÉCNICOS
*Ano de construção: 1925
*Endereço: Praça Anita Garibaldi, 110
*1° Proprietário: Victório Bez Batti
*Estilo: características do Ecletismo
*Características: edificação térrea, alinhada ao passeio. Com porão mais alto que o padrão, possibilitando a abertura de janelas para o passeio e acesso lateral com escada caracterizando uma pequena varanda, esta unidade apresenta características da ultima fase do ecletismo. Sua fachada frontal é marcada pela assimetria, ora tendo aberturas retas, ora curvas. Sua platibanda também assimétrica é seguida por cornija de linhas retas.
*Sistema construtivo: parede autoportante de tijolo maciço assentado em argamassa de argila. O alicerce foi feito de pedra bruta.
*Uso inicial: comercial e residencial
*Uso atual: comercial
Foi na década de 20, mais precisamente no ano de 1925, que a família de Victório Bez Batti mudou-se para a casa localizada no centro da cidade. Ao lado da esposa Salute De Césaro Bez Batti e do filho Darvino Bez Batti, que na época tinha pouco mais de dois anos, eles fizeram e marcaram história em Urussanga. O prédio, edificado especialmente para abrigar a família na parte superior e ser sede da fábrica de vinhos de Victório na inferior, foi muito importante para a economia e desenvolvimento da cidade.
Construída com materiais muito modernos para a época, a residência foi feita com base em pedra bruta. Nas paredes internas o material utilizado foi o stuck, uma espécie de reboco em madeira, e nas externas, usado tijolo maciço com cimento, trazido diretamente da Turquia. Conforme o neto de Victório, Renato Bez Batti, o prédio foi projetado pelo Major Dormt, da cidade de Laguna. “Até hoje tenho a planta da casa guardada. Já pintura foi feita por Nicolau Assarh. Era uma mistura de corante com leite de vaca. As paredes internas eram todas decoradas lindamente”, lembra.
Detalhadamente ornamentada, a edificação mistura linhas retas com curvas. Outra peculiaridade é o porão, que é mais alto que o padrão. “São muitas as características próprias da residência. A cor original era marrom, tipo tijolo, com aberturas verde-escuro. Lembro bem de como ela era, já que morei ali por alguns anos”, diz Renato. Enquanto a família residia em cima, a fabricação de vinhos seguia a todo vapor na parte inferior.
Segundo o urussanguense Aquiles de Pellegrin, a vinícola, chamada de Samos, era considerada uma das melhores de todo o Brasil. “Os vinhos sempre foram muito bons, lindos, verdadeiros ‘vinhos de padre’. Eram conhecidos no país inteiro pelo sabor maravilhoso. Mas a fábrica não se limitava somente a este tipo de bebida. Ali também eram produzidas gasosas que acabavam sendo comercializadas em toda a região”, lembra Pellegrin. A Samos funcionou na parte inferior da edificação por 33 anos. Depois, como teve de ser aumentada pela procura desenfreada dos produtos, o ambiente foi ampliado até o fim da rua que passa por trás, a Pedro Damiani.
“Por volta de 1964, a vinícola foi obrigada a trocar de nome. Isto aconteceu porque na Grécia existe uma ilha chamada Samos, e lá também são produzidos vinhos. Para não confundir um com o outro, a fábrica de Victório foi registrada como Santé”, explica Pellegrin. Dezenas de toneladas de uva eram utilizadas na produção da bebida anualmente. Um dos maiores fornecedores do fruto era Tante Martignago, que mantinha os parreirais no bairro da Estação, em Urussanga. “A fábrica era tão grande que meu pai era apenas um de vários vendedores de uva. Para os Bez Batti eram comercializados entre 10 e 15 mil quilos por safra”, explica a filha de Tante, Zelinda Martignago.
Em 1960, a família Bez Batti mudou-se do local e, a partir daí, o prédio foi alugado para diversos segmentos comerciais e residenciais. A fábrica deixou de funcionar no porão e passou a produzir as bebidas somente na nova cantina, que se localizava na parte de trás. Victório, falecido no ano de 1958, deixou o empreendimento para o filho Darvino, que veio a óbito em 1990. Pouco tempo depois, exatamente no dia 24 de abril de 1993, a Santé fechou suas portas e a partir daí nunca mais produziu qualquer tipo de bebida.
“A vinícola foi um marco na história de Urussanga. Vinho igual aquele é difícil encontrar por aqui. Victório e Darvino sabiam muito bem fazer uma bebida de qualidade”, diz Aquiles. E assim chegou ao fim a história da vinícola que, com certeza, foi um marco na vitivinicultura da Benedetta. A cantina foi demolida, assim como as grandes tinas. Porém, a casa continua de pé na Praça Anita Garibaldi, mostrando a todos que a história da cidade está sim preservada em cada tijolo, em cada adorno, em cada detalhe destas casas preservadas pelo Patrimônio Histórico Nacional.

