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Hepatite C: O melhor remédio é a prevenção

abr 1st, 2010 | por Jornal Vanguarda | Categoria: Saúde

Foram aproximadamente 30 anos convivendo com o vírus, sem sequer saber que ele existia no seu organismo. Somente em 2009, depois de realizar alguns exames de rotina é que veio o diagnóstico: Hepatite C. Pedro Anselmo de Oliveira, de 70 anos, descobriu em pouco tempo que os cuidados da alimentação e o não abuso de bebidas alcoólicas foram essenciais para garantir que a doença não atingisse o fígado, e com isso, o tratamento fosse mais tranquilo. A hepatite não escolhe classe, nem cor e o principal cuidado que se deve ter é com a prevenção.

Considerada uma doença silenciosa, na maioria dos casos é assintomática. “O diagnóstico só é realizado quando há alguma suspeita ou então na realização de exames de rotina. A hepatite C não apresenta os sintomas característicos como a A e a B que são conhecidas pelo famoso amarelão. Essas duas são mais leves e quando diagnosticadas de maneira rápida têm cura. Já a C, na maioria dos casos é aguda, o que leva o indivíduo a conviver o resto da vida com o vírus”, informa a representante da vigilância epidemiológica de Urussanga, Robertina Goulart Nunes.

A transmissão do vírus ocorre em contato direto com o sangue ou secreções de pessoas contaminadas. “No meu caso eu nunca senti nada de anormal ou qualquer sintoma diferente. Sempre doei sangue desde os meus 18 anos (há 16 anos não doa mais).

Estive várias vezes hospitalizado, precisei de transfusão de sangue e nunca ninguém descobriu. O que começou a me incomodar foi um mal estar no fígado. Foram os meus exames de rotina que acusaram a doença. Segundo o médico, já era uma hepatite antiga que convivia comigo há cerca de 30 anos. Eu suspeito que ela tenha sido contraída no dentista, já que há muitos anos atrás não existia a higiene que temos hoje”, relata Pedro Anselmo.

Segundo Robertina, a faixa etária dos 35 aos 60 anos é a mais atingida. “Tudo isso é em decorrência dos hábitos passados. Antigamente as seringas eram reutilizadas, e nos dentistas os materiais não eram esterilizados. Por isso era fácil o contágio. Hoje em dia é preciso ficar atento a tudo isso, especialmente quando se vai à manicure. O ideal seria cada um levar o seu material para garantir que não ocorra a infecção”, diz.

Só em Urussanga, de acordo com Robertina, existem aproximadamente 80 casos de Hepatite C em monitoramento, quatro que estão sendo tratados e mais alguns à espera da medicação. O tratamento é fornecido gratuitamente pelo Ministério da Saúde. “Todo o processo se inicia com a comprovação da doença. A partir daí o paciente passa pela Vigilância Epidemiológica do município e com todos os exames em mãos é encaminhado para o médico em Criciúma. É ele quem define a necessidade ou não do tratamento que pode variar de seis meses a 1 ano. As aplicações da medicação são realizadas no posto de saúde da Estação. Além disso, os pacientes são acompanhados semanalmente durante o tratamento pela Vigilância”, afirma.

“Eu cheguei a perder 10 quilos com o tratamento que terminou agora em fevereiro. Foram 28 semanas aplicando três injeções semanalmente e tomando quatro comprimidos diários. O que mais senti foi com a queda de cabelo, dores no organismo, além da irritabilidade. Minha mulher precisou de muita força de vontade para me aguentar durante esse período”, brinca Oliveira.

O vírus da hepatite chega a durar até duas semanas no ambiente. Por isso a higiene e prevenção são as formas mais importantes para ajudar a diminuir o contágio. Se não tratada corretamente, a doença pode evoluir para uma cirrose hepática e depois para um adenocarcinoma de fígado (câncer), o que pode levar à morte. “O essencial é evitar bebidas alcoólicas, gorduras e principalmente as famosas garrafadas. Muitas pessoas têm o hábito de tomar este produto sem saber do que a garrafada é composta. Isso só prejudica o tratamento que só pode ser realizado através de medicação”, alerta Robertina.

“Eu sei que vou conviver o resto da minha vida com o vírus, a única solução é tomar os devidos cuidados, só assim para garantir que ele não volte”, diz Anselmo.

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