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A história contada por Arnaldo Escaravaco

abr 1st, 2010 | por Jornal Vanguarda | Categoria: Especial

Nem todas as pessoas são capazes de contar a história e preservar o passado, mesmo que ele não seja tão distante. Saber escrever, se expressar e usar bem as palavras são indispensáveis para narrar importantes acontecimentos, sejam eles de uma pequena comunidade, cidade, Estado ou nação. Estas características são fundamentais a qualquer escritor que queira, através de determinadas palavras, transmitir emoções e sentimentos ao leitor.

Estas peculiaridades são próprias do urussanguense Arnaldo Escaravaco. Autor dos três livros intitulados “Urussanga, as imagens da história”, morou praticamente a vida toda no município e é o responsável pela junção e publicação de centenas de fotos e informações sobre a colonização e emancipação da cidade. Escaravaco nasceu em 22 de novembro de 1935 em uma casa que ficava ao lado da Igreja Matriz. Estudou até o primeiro ano do ginásio na cidade de Tubarão e, por dificuldades financeiras, foi obrigado a deixar a escola para começar a trabalhar.

“Fui funcionário do Banco Inco por 30 anos, até me aposentar. Depois disso, como tinha tempo de sobra, resolvi juntar informações e retratos para o lançamento do primeiro livro”, diz o escritor. Na época, havia poucas publicações que tratavam sobre a história de Urussanga. “Eu lembro que o Padre Agenor tinha escrito um livro sobre o assunto, mas era mais voltado ao lado religioso. A minha intenção era fazer uma edição que contasse realmente o que aconteceu e quando aconteceu, a história das primeiras famílias, as dificuldades encontradas. Queria que as pessoas soubessem realmente como nasceu o município em que viviam”, fala. 

Foram necessários aproximadamente cinco anos para deixar a primeira publicação pronta. “A maior dificuldade que eu encontrei foi a financeira. Às vezes não tinha um centavo no bolso e precisava tirar cópia das fotografias e documentos. Sempre dava um jeito, mas era bem difícil. Quantas vezes dormi em Belvedere, Santana, São Pedro, enfim, em várias localidades da cidade em busca destas informações. Como não tinha carro, dependia da carona das outras pessoas. Eu já tinha uma ideia de onde ir, sabia quais as famílias procurar e o que pedir a elas”, explica o autor.

Cerca de mil unidades foram feitas em cada edição. A impressão foi realizada em uma gráfica na cidade de Criciúma e os exemplares distribuídos e comercializados na Benedetta. “Eu dava graças a Deus quando conseguia, com o valor das vendas, custear a gráfica. Eles eram vendidos bem baratos, equivalente a um real cada. Somente depois de dois anos consegui lançar o segundo livro, e passados mais dois anos, veio o terceiro”, lembra Escaravaco, que hoje reside no bairro São Pedro.

Foram anos de pesquisa para a preparação, organização do material, publicação e lançamento. Entre as décadas de 70 e 80, Escaravaco buscou incessantemente informações para deixar a edição ainda mais interessante e completa. “Depois de ficarem prontos, sempre surgiam novas informações a respeito de determinados assuntos. É por isso que ainda pretendo juntar tudo o que tenho em casa para publicar outro livro mais atualizado, desde que conte com a ajuda de alguém”, diz Escaravaco, que hoje tem 75 anos e foi acometido por um glaucoma, possuindo pouca porcentagem de visão. 

O urussanguense diz que todo o trabalho que passou durante a organização das edições valeu à pena. Hoje, muitas pessoas da cidade têm em sua residência os livros que o autor escreveu com tanto trabalho e esforço. Leitura obrigatória para pesquisas históricas e culturais, as três publicações fazem parte da rica literatura sobre Urussanga e seus moradores. Por causa deste belo trabalho, Escaravaco hoje faz parte da Academia Urussanguense de Letras. Nada mais justo para um homem que dedicou boa parte de seu tempo a um projeto que deu muito certo: Aumentar o conhecimento dos moradores da Benedetta, mostrando verdadeiramente o que aconteceu nos primeiros anos em que foi criada.

Um comentário
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  1. Escaravaco, sua história é comovente (particularmente pra mim). Gostaria de colaborar um pouquinho dentro de minhas possibilidades financeiras deste seu projeto (terceiro livro).

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