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Valorização

mar 11th, 2010 | por Jornal Vanguarda | Categoria: Colunistas, Eliana Maria Maccari

Sei que não sou a única urussanguense que gosta de onde mora. Porém, tive a comprovação de que pessoas de outras cidades enxergam Urussanga com olhos diferentes de alguns que habitam daqui. E estão muito enganados aqueles que pensam que são maus olhares.

Durante minhas férias de janeiro, tive o prazer de conhecer um ex-juiz que tem um programa cultural na televisão em nosso Estado. Logo fui apresentada como uma italiana legítima, falei un pò con lui in italiano e já fui defendendo, de boca cheia: venho da cidade mais italiana do sul de Santa Catarina.

Não é à toa que a conversa lhe interessou, e muito. Fui deixada totalmente à vontade para falar do assunto e percebi que minhas palavras estavam divulgando Urussanga. E não falei nenhuma mentira.

Disse que aqui tínhamos muitas casas históricas e que a maioria estava em estado lamentável, pois depende do governo para que suas devidas reformas sejam feitas e que, claro, isto não acontece só aqui. Contei também da reforma realizada na estação ferroviária e dos passeios de trem que estão sendo feitos em parceria com a Ferrovia Tereza Cristina. E não foi para menos que ele ficou admirado, pois há quanto tempo não se fala em passeios de trem em Santa Catarina?

E a cada descrição ele queria saber mais e mais, pois “já tinha ouvido falar dessa Urussanga, mas não assim, com tantos detalhes”. Contei a ele sobre a igreja no centro da cidade, a qual tem em seu interior uma estrutura sem igual, além de uma réplica da escultura La Pietà, doada pelo Papa há mais de trinta anos. Nossas vinícolas, nossas danças, nossos corais, nossa orquestra, nossa escola de Vitral e as aulas de italiano em parceria com o Consulado de Curitiba e com o governo da Itália.

Falei das tantas origens de onde vem este povo, das Associações que tentam fazer um trabalho de resgate e continuidade da cultura e infelizmente, tive que admitir: são poucos os jovens interessados em ajudar Urussanga a continuar crescendo culturalmente.

O interesse pelo conhecimento fez com que ficássemos conversando por muito tempo. E depois, só lhe restou dizer uma coisa: “Nossa, preciso fazer uma reportagem em Urussanga, vocês têm muito a mostrar. Mas, infelizmente não dá de fazer um programa. Acho que terá que ser uns três ou quatro. Você sabe me dizer como posso entrar em contato para ser autorizado e agendar encontros?”

Dessa forma descobri que o que falta em muitos moradores daqui é saber valorizar e fazer algo, por menor que seja, para ajudar a cidade.

E posso dizer: foi um prazer conhecer o senhor Moreira. É uma pena não ter uma foto dele para mostrar para vocês, queridos leitores, quem é este homem, que admirou como poucos esta pequena cidade, que não tem nada demais, mas tem muito conteúdo à disposição dos interessados.

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