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“Tudo isso me fez acreditar no futuro”

mar 11th, 2010 | por Jornal Vanguarda | Categoria: Especial

imagem-005“Não importa onde você parou, em que momento da vida você cansou, o que importa é que sempre é possível e necessário Recomeçar”. A frase do poeta Carlos Drummond de Andrade resume em poucas palavras o que foi a vida de Moacir Bergmann Teixeira. Uma pessoa que tinha uma vida estável, casado, com uma filha de três anos e que em 1991 encontrou um obstáculo que mudaria completamente o rumo de sua história. Para algumas pessoas seria o fim, mas para Moacir serviu como um trampolim para conquistar novos objetivos, buscar oportunidades e servir de exemplo para todos os urussanguenses que conhecem a sua história.

Tudo ocorreu há 19 anos atrás quando um acidente entre um ônibus e Moacir, que guiava uma motocicleta, mudou os planos do jovem. “Foi em 1991 que tudo aconteceu. Depois do acidente, quando choquei com o ônibus, passei por várias fases difíceis. Fiquei 90 dias no Hospital Universitário (HU), em Florianópolis. O problema maior foi com as minhas pernas que tiveram várias fraturas e se não bastasse tudo isso, contraí infecção hospitalar. Foram feitos vários procedimentos, entre eles o enxerto de pele para tentar recuperar os membros. No entanto, não foi possível a melhora. A única solução para o problema seria a amputação”, relata Moacir.

 No HU, antes do procedimento o psicológico foi muito trabalhado. “Eu sabia de tudo o que iria ocorrer, mas os calmantes e a medicação me deixavam fora da realidade. Posso dizer que somente depois de uma semana da cirurgia foi que a ficha realmente caiu. Nesse momento que percebi o tamanho da dificuldade que viria pela frente”.

De volta para casa após os 90 dias no hospital, a família foi o principal apoio para a recuperação. A filha pequena e a esposa foram fundamentais para aceitar a nova condição de vida. “Por diversas vezes eu desanimei e pensava no que eu seria de mim dali para a frente. Pensava que seria um estorvo para a sociedade. Mas aos poucos essa ideia foi mudando”, diz.

Após dois anos do acidente tudo começou a mudar. A adaptação do automóvel facilitou a locomoção e garantiu a independência. Moacir, que havia feito até o primeiro ano do ensino médio e era auxiliar de escritório, concluiu o segundo grau em Cocal do Sul. E a partir daí não parou mais de estudar. “Fui para a faculdade e iniciei o curso de Ciências da Computação, mas não cheguei a concluir. Mudei para Pedagogia e em 2006 estava formado. Entre esse período, por nove anos dei aula de informática no Lydio de Brida. Em 2007 terminei minha pós em interdisciplinaridade”.

Se não bastasse isso, Moacir fez concurso para o Estado e foi aprovado para a vaga de assistente técnico pedagógico. Hoje trabalha os três períodos do dia como assistente pedagógico no Caetano Bez Batti e na manutenção dos computadores de toda a rede de ensino municipal. Além de tudo isso, nas horas vagas faz aula de natação. Há oito meses praticando o esporte chega a percorrer 1900 metros em duas horas dentro da piscina.

Hoje ele chega a rir de algumas situações que ocorrem no dia a dia. “É engraçado que as pessoas esquecem que eu estou em uma cadeira de rodas. Tem gente que diz, Moacir, corre ali e faz isso, aí quando percebem o que falaram riem junto comigo”, sorri.

Além de todo o esforço para conseguir se reposicionar no mercado de trabalho, após cinco anos do acidente nasceu a segunda filha do casal. Priscila, a mais velha, que hoje tem 21 anos, Thainá com 14 e a esposa Mari foram as que mais auxiliaram durante toda a recuperação.

“Eu não me vejo diferente do que eu sou hoje. Nunca reclamei da minha situação. Acredito que tudo isso serviu para dar ainda mais valor à vida e as pequenas coisas. A gente começa a pensar diferente e a acreditar ainda mais no futuro”. Moacir e Drummond viveram em épocas totalmente diferentes, mas como citado no primeiro parágrafo desta matéria, os dois acreditam que sempre é possível e necessário RECOMEÇAR.

Um comentário
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  1. Nossa, fiquei feliz ao ler esta reportagem e saber que tem gente que luta para viver e que apesar das dificuldades não deixa de lutar para ter um espaço na sociedade! PARABÉNS MOACIR E FAMÍLIA (que foi o seu estímulo para continuar a viver).

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