Traumatismo Dentário
mar 11th, 2010 | por Jornal Vanguarda | Categoria: ArtigosTodos nós estamos sujeitos a traumas em quedas, acidentes de trânsito, prática de esportes, etc. Esses, quando localizados na região da face, podem levar a mobilidade dentária (mudança na posição), fratura (quebra), alteração na cor, sensibilidade na mastigação e, até mesmo, a perda total do dente (avulsão), comprometendo a estética e a saúde bucal.
O traumatismo dentário em crianças ocorre, geralmente, entre 2 e 3 anos de idade, uma vez que nesta faixa etária elas encontram-se em pleno desenvolvimento da coordenação motora e de reflexos. As crianças são as mais propensas ao traumatismo e os cuidados necessitam ser redobrados como, por exemplo, com escadas, pisos molhados, andadores, berços, lugares altos e quando o bebê começa a engatinhar e caminhar.
Os dentes mais acometidos são os incisivos superiores (dentes da frente), sendo que, normalmente, mais de um dente é afetado. Além disso, o dente pode sofrer traumas repetitivos, principalmente em crianças, causando mais danos.
O contato com o cirurgião-dentista é indispensável frente a um trauma dentário – independentemente de dentes permanentes ou dentes decíduos (de leite) – pois as consequências podem ser reduzidas quando o atendimento é imediato. O profissional determinará os procedimentos a serem tomados conforme a extensão e gravidade provocada aos tecidos bucais.
No traumatismo de dentes decíduos, a avaliação de repercussões na futura dentição permanente também deve ser considerada. Neste caso, é fundamental os pais serem alertados de possíveis sequelas na futura dentição como alteração de cor, formação e até mesmo irrupção (vinda do dente), sendo que o acompanhamento é importante até a vinda dos sucessores.
Diante de um trauma é importante manter a calma e proceder de forma adequada, para tanto é preciso conhecer quais procedimentos tomar.
O que fazer?
Em primeiro lugar, é importante, sempre que possível, encontrar e conservar o pedaço (em caso de quebra) ou o dente todo (em caso de avulsão) em leite, soro fisiológico, água ou saliva, a fim de evitar desidratação. Nos casos de avulsão, o dente deve ser sempre segurado pela coroa, nunca pela raiz, e qualquer tipo de limpeza (esfregar, por exemplo) deve ser evitada para não reduzir as chances de sucesso no tratamento.
Os procedimentos variam conforme a gravidade e extensão do trauma. De um modo geral tem-se:
• Luxação: comprometimento das estruturas que suportam (seguram) o dente. O tratamento é determinado conforme a severidade do caso, podendo necessitar de contenção (fixar o dente);
• Fratura: avalia-se a possibilidade de colagem ou, caso não seja viável, a restauração do dente quebrado;
• Fratura extensa: normalmente o tratamento endodôntico (canal) torna-se necessário. No entanto, mesmo em casos em que houve apenas a batida, o tratamento de canal também pode ser necessário.
• Avulsão: dente permanente, quando em razoável condição de higiene, deve ser reimplantado, imediatamente, mesmo que pela própria pessoa. O mesmo procedimento não é tomado para o decíduo, pois há risco de prejudicar o dente permanente, além do sucesso no tratamento ser reduzido. A contenção também é realizada.
Independente do dano sofrido, o cirurgião-dentista deve ser procurado o mais breve possível para efetuar o tratamento ou acompanhamento. Em todos os casos, o sucesso do tratamento diminui conforme aumenta o tempo transcorrido entre o acidente e a intervenção do profissional.
Bruna Maestrelli
Dentista e pós-graduanda em odontopediatria

