2010 – Nota zero da economia limpa
mar 11th, 2010 | por Jornal Vanguarda | Categoria: Colunistas, Euclides MondardoSvante Arrhenius era um desconhecido físico sueco quando, em 1896, fez um alerta: se a humanidade continuasse a emitir dióxido de carbono na atmosfera no mesmo ritmo que fazia desde a alvorada da revolução industrial, em 1750, a temperatura média do planeta subiria de maneira dramática, em decorrência ao efeito estufa.
Pouca gente escutou o apelo de Arrhenius em seu tempo, um período sem carros, sem megalópoles, com apenas 1,2 bilhão de pessoas no mundo. Quase ninguém seguiu seu raciocínio na maior parte do século seguinte. Foi assim até que novas evidencias científicas, surgiram, além das catástrofes naturais. E nos anos 1960 brotou uma idéia romântica, utópica e alternativa de preservação da natureza. Ela hoje entrou na corrente principal do pensamento ocidental, ajudou a transformar os processos de produção industrial e moldou o perfil dos líderes empresariais que conduzem o capitalismo no século XXI. Há muito ainda a ser feito. Evidentemente, é um frágil equilíbrio, mas trata-se de agir já para pagar menos depois.
Um relatório produzido em 2006 pelo economista inglês Nicholas Stern, então do banco mundial, indica que investir imediatamente, a cada ano até 1% do PIB global pode evitar perdas de até 20% desse mesmo PIB até 2050. É informação que os líderes reunidos na COP 15, em Copenhague, neste mês, tinham com nitidez. Esses números não os fizeram avançar muito, numa cúpula que entrará para a história pelos tímidos resultados que ofereceu. Não há problema. Existe uma mensagem clara: os estados não se entendem, escorregam na burocracia e em interesses egoístas, porém a iniciativa privada sai na frente. As empresas e a sociedade já fazem mais e melhor que os governos no combate ao aquecimento global. Eles ainda patinam para entregar sua principal, se não única contribuição, a de definir um quadro institucional estável e favorável à livre iniciativa, à inovação e ao empreendedorismo.

