Maracujá: ótima fonte de renda aos agricultores
fev 25th, 2010 | por Jornal Vanguarda | Categoria: Rural
Apesar da cultura de maracujá ser relativamente de fácil manejo, em Urussanga não é comum o seu cultivo. A fruta gosta de clima tropical e subtropical e não é tolerante ao frio e a geadas fortes. Por essa razão, as regiões escolhidas para o plantio devem estar livres destes fenômenos climáticos.
Porém, há pelo menos 15 anos na Estação Experimental da Epagri o pesquisador de Fruticultura Tropical Ademar Brancher trabalha com duas variedades da fruta: o maracujá azedo e o doce. É cerca de um hectare da planta, que tem como principal finalidade ser utilizada em pesquisas voltadas ao melhoramento genético e ao fornecimento de sementes e mudas para serem comercializadas. O trabalho de pesquisa (pesquisa participativa) com a cultura também é executado em duas propriedades de agricultores do município de Sombrio que cultivam 20 hectares. “As sementes beneficiadas aqui na Estação Experimental são vendidas para os estados do Paraná, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Pará e Litoral Norte de Santa Catarina. Já as mudas são comercializadas nas regiões do Litoral Sul, Florianópolis, Itajaí e Torres, no RS”, explica Brancher.
De acordo com o pesquisador, o plantio tem início em agosto e se estende até setembro. Se a cultura for tratada de maneira adequada, em no máximo seis meses inicia-se a colheita. Os frutos maduros são normalmente colhidos no chão, mas ocasionalmente podem ser recolhidos em períodos intermediários de maturação, aproveitando preços mais elevados. O maracujazeiro pode ser plantado em parreiras ou em uma espécie de cerca ou espaldeira. Sua manutenção exige conhecimento dos métodos de controle de doenças e pragas e adubação mensal, que pode ser alternada com adubos químicos e orgânicos. “Há alguns anos atrás era comum os parreirais serem reaproveitados até por três anos consecutivos, mas com o passar do tempo foi sendo constatado que se houver a substituição das mudas anualmente os resultados serão bem melhores e a proliferação de doenças e pragas será menor”, ressalta o pesquisador.
O Brasil é o maior produtor mundial de maracujá. Em Santa Catarina as maiores áreas de produção estão concentradas em Sombrio, Jacinto Machado, Santa Rosa do Sul, Biguaçu, Tijucas e Araguari. Na safra de 1999/2000 o Estado chegou a possuir aproximadamente 1.800 hectares de área plantada com o maracujá. Em função do excesso da oferta a nível nacional, os preços despencaram, reduzindo drasticamente a área plantada com a cultura em SC. Atualmente o Estado possui uma área cultivada com a cultura de 700 hectares. Apesar de ser consideravelmente grande, ainda existe um déficit de produção, principalmente pela redução da área plantada nos outros Estados em função de uma doença - vírus do endurecimento do fruto, porém o mercado catarinense está em franco desenvolvimento. O pesquisador Brancher, por medida de prevenção, recomenda que não sejam adquiridas mudas de maracujá de outros Estados e também da região Norte de SC, onde a doença foi introduzida pela compra de mudas, proveniente inicialmente de SP.
O maracujá tem conquistado, além dos produtores, consumidores que cada vez mais procuram o fruto que é rico em vitaminas A, C, complexo B e sais minerais, como o ferro, sódio, cálcio e fósforo. Outro beneficio apresentado pela planta é a propriedade de funcionar como um calmante natural. Ele ainda pode ser utilizado na culinária no preparo de sucos, sorvetes e mousses.

