Cultura Orgânica
fev 18th, 2010 | por Jornal Vanguarda | Categoria: ArtigosA sociedade brasileira e catarinense não admite mais a intensa contaminação do meio ambiente e da saúde do consumidor e agricultor pelo uso desenfreado de agrotóxicos. No mundo inteiro as pessoas estão cada vez mais preocupadas com a saúde e com o consumo de alimentos mais saudáveis. A sociedade, na busca de uma alimentação mais sadia e natural, mudou o conceito de qualidade e passou a exigir produtos cada vez mais “limpos”, isto é, livres de produtos químicos, principalmente resíduos de agrotóxicos. Por não utilizarem agrotóxicos e adubos químicos solúveis e, por serem produzidos com técnicas ambientalmente corretas, os alimentos orgânicos são os ideais para toda a família. Além disso, em comparação com os produtos obtidos no sistema de cultivo convencional, ou seja, que utilizam agroquímicos, os produtos orgânicos possuem maior teor de vitaminas e sais minerais, bem como maiores teores de proteínas, aminoácidos, carboidratos e matéria seca e, ainda melhor sabor e conservação. Além do maior custo, devido à dependência externa, os agroquímicos, especialmente quando aplicados incorretamente, contaminam o lençol freático e córregos, colocando em risco a saúde do agricultor, do consumidor e do meio ambiente.
O Centro de Informações Toxicológicas - CIT, situado no Hospital Universitário da UFSC, possui levantamentos bastante preocupantes. De 1990 até 2007, o CIT detectou 9.300 intoxicações de agricultores em Santa Catarina e 233 mortes (fonte: www.anvisa.gov.br). Segundo os técnicos do CIT, isto representa apenas uma pequena parte (aquilo que se conseguiu registrar) da realidade. Os números são, na verdade, bem maiores. Estima-se que para cada caso registrado existam mais 10 que não são registrados devido a dificuldade no diagnóstico correto.
Pesquisa da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA – em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz – FIOCRUZ – realizada com frutas e hortaliças nos maiores centros consumidores do Brasil revelou, que das 1.278 amostras coletadas em 2007, 81,2% exibiam resíduos de agrotóxicos. Deste total, cerca de 20% mostraram percentuais que excederam os limites máximos permitidos pela legislação. Morango, mamão e tomate foram as mais contaminadas (fonte: www.idec.gov.br).
Pesquisas realizadas na Epagri/Estação Experimental de Urussanga, comparando sistemas de produção, comprovaram que é possível produzir hortaliças orgânicas, ou seja, sem o uso de adubos químicos e agrotóxicos e que alguns mitos criados sobre a agricultura orgânica são falsos: é cara, produz menos e com pior qualidade quando comparados aos obtidos no sistema convencional. Os resultados obtidos evidenciaram que o cultivo orgânico de hortaliças é mais barato (reduz o custo com insumos em até 50%), produz tanto quanto no sistema convencional e, para algumas espécies a produtividade é superior e de melhor qualidade, a fertilidade do solo é maior e mais duradoura , além de tornar o produtor menos dependente de insumos (a maioria são importados e caros) pois pode prepará-los na própria propriedade e, o mais importante, sem riscos ao produtor, consumidor e meio ambiente.
A agricultura orgânica é o termo que se emprega para designar o sistema de produção agrícola ecológico e sustentável, baseado na preservação e respeito à terra, ao ambiente e ao homem. O sistema de cultivo orgânico é uma forma natural de produzir alimentos sem o uso de agrotóxicos, adubos químicos e outros produtos químicos prejudiciais á saúde humana e ao meio ambiente. A utilização deste sistema de cultivo significa fazer as pazes com a natureza, protegendo os recursos naturais (solo e água) e produzindo mais barato comida mais gostosa e com melhor nutrição e, o mais importante, protegendo as futuras gerações, restaurando a biodiversidade e preservando a diversidade biológica, que é a base de uma sociedade equilibrada.
Na agricultura orgânica o solo é tratado como um organismo vivo, os insetos-pragas e doenças são manejados, quando necessário, com produtos naturais e os inços errôneamente chamados de plantas “daninhas”,são considerados “amigos” das plantas cultivadas e denominados corretamente de plantas espontâneas ou indicadoras de algum problema no solo. Outras práticas tais como plantio direto, cultivo mínimo, adubação orgânica e verde, uso de cultivares resistentes às pragas e doenças, cobertura morta, rotação e consorciação de culturas, são essenciais para o sucesso do cultivo orgânico, pois conduzem à estabilidade do agroecossistema, ao uso equilibrado do solo, ao fornecimento ordenado de nutrientes e à manutenção de uma fertilidade real e duradoura no tempo.
Antônio Carlos Ferreira da Silva- Engenheiro Agrônomo


Excelentes os conceitos, escritos com uma linguagem acessível e concisa deixando claro a noção de cultivo orgânico.