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Essa é do tempo das parteiras…

fev 12th, 2010 | por Jornal Vanguarda | Categoria: Bibiana Pignatel, Colunistas

Ah, se hoje fosse assim: mães com 15 filhos, todos nascidos em casa ou no caminho da roça, sem pré-natal e obstetra. Há uns 50, 40 anos ainda tinha disso em Urussanga.

As parteiras eram as mulheres preparadas para auxiliar na hora de dar à luz aos pequeninos. Entretanto, não podiam resolver tudo e ir ao hospital era algo raro, só em extrema necessidade quando havia um por perto. Devido à falta de recursos e da medicina ainda ter que passar por muitos avanços, diversas crianças ficavam pelo caminho: morriam logo ao nascer ou carregavam problemas durante a vida toda. Muitas mulheres também morriam no parto. Em Urussanga temos diversos casos de pessoas idosas que ficaram órfãs ao nascer.

Mas nem tudo parecia tão difícil. Afinal, ter 10, 15 ou até 20 filhos era algo absolutamente normal. O que trazia insegurança era a dor do parto. Uma parteira da região dizia às mães: “Ecco! Sborade! Par far-lo non’ave mia piandest, nò!”.

As mulheres grávidas de antigamente eram diferentes das de hoje. Enquanto se fazem books ou se caminha à beira-mar de biquíni, naquele tempo as gestantes se cobriam com muitas roupas e evitavam sair de casa. Era quase uma vergonha. Não havia acompanhamento médico e só sabia-se o sexo do bebê quando este nascia, mesmo que fizessem simpatias para descobrir. Falando em simpatias, uma superstição seguida na época era a de que mulher grávida não podia passar por baixo de escada, senão a criança nascia com o cordão enrolado no pescoço.

Entretanto, trabalhar era o lema. No interior, as grávidas iam para a lavoura até as crianças nascerem. Não havia moleza. E era a mudança da lua a indicadora do dia nascimento. Inclusive, até hoje algumas pessoas seguem este conhecimento ou crendice.

O mais absurdo (em minha opinião) é o que algumas famílias faziam com os bebês: por medo de ficarem atrofiados, tortinhos, durante três meses enfaixavam todo o corpo da criança deixando fora só a cabeça. Uma piedade!

O bebê e a mãe recebiam visitas apenas de mulheres, que eram recepcionadas com um bom prato de canja (brodo di galina) acompanhado de fatias de pão e queijo ralado por cima. Este era o costume.

Até o fim da quarentena (risguardo), mãe e filho permaneciam dentro de casa, longe do excesso de luz e do vento.
Por essa semana é só! Se você tiver alguma história interessante para contar, procure-nos! Até mais!

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