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Uma história de superação, fé e amor

jan 28th, 2010 | por Jornal Vanguarda | Categoria: Especial

foto-036A jovem Josiele Talamini é uma pessoa que sabe dar valor à vida. Movida pela fé e esperança de um amanhã ainda melhor, Josi é um exemplo a ser seguido.

Com o passar do tempo, aprendemos que viver é mais importante do que qualquer outra coisa existente. Percebemos, também, que sonhar e crer num amanhã melhor é indispensável a qualquer um de nós. Por mais que a situação seja difícil e exija esforço, a esperança torna-se imprescindível para superar tal adversidade. Apegar-se em Deus, na maioria das vezes, é a melhor saída para que isso ocorra. Nessas horas, não importa a religião ou crença que é seguida, mas sim a fé que move cada um de nós. É como diz parte de uma canção que tem uma letra perfeita, de autoria do músico Nelson Monteiro da Mota: “Se a jornada é pesada e te cansas da caminhada; Segura na mão de Deus e vai”.

Esta é a história de Josiele Talamini, 24 anos de idade, moradora do bairro De Villa. Uma jovem simpática, muito bem humorada e com uma enorme vontade de viver. Josi, como é carinhosamente chamada, sofreu um grave acidente no Dia dos Pais do ano de 1999. Enquanto atravessava a rua em frente à sua casa, na SC 446, foi atropelada por um automóvel. “Lembro do carro vindo na minha direção e logo em seguida senti uma dor de cabeça muito forte. Quando fui piscar os olhos, apaguei completamente”, lembra Josi.

O acidente foi gravíssimo. A adolescente quebrou praticamente todos os ossos do corpo, incluindo o crânio, que partiu-se em pedaços. Levada rapidamente ao Hospital, os médicos disseram aos pais da menina, Élia e Márcio, que ela não teria mais de poucos minutos de vida. Mas Josi passou por este obstáculo, não sabendo que seria somente o primeiro de muitos que ainda estariam por vir. Internada numa UTI em Criciúma, os dias passavam e a recuperação da adolescente se tornava ainda mais difícil. Sua melhora não tinha estabilidade. Quando parecia se recuperar, acontecia alguma coisa que piorava a situação.

“Ela ficou 68 dias na UTI em coma induzido. Durante esse período, teve três paradas cardíacas e uma infecção generalizada. Os médicos continuavam afirmando que ela não tinha chances de sobreviver, já que o caso era muito complicado. Então, eu fiquei responsável por receber as informações sobre a Josi. Geralmente eram notícias ruins, mas mesmo assim eu dizia para os outros que a saúde dela continuava estável, mesmo que não estivesse, só para tranquilizá-los”, explica Élia.

Passados os 68 dias, Josi foi levada para a casa. Ela continuava em coma induzido e estava em estado vegetativo. Usava fralda, sonda, não ria, não chorava, nem falava. “Disseram para nós que além de continuar vegetando, nossa filha estava cega já que um dos olhos saiu da órbita por causa do acidente. Mas eu duvidava disso, não desisti de vê-la sorrir novamente. Foi muito difícil para nós. Ficávamos em seis pessoas cuidando dela dia e noite para dar comida, banho, fazer nebulização, trocar ela de lugar. Eu e meu esposo paramos de trabalhar para dar atenção à Josi. Vendemos tudo o que tínhamos dentro de casa para continuar tratando dela, mas hoje vejo que isso valeu à pena”, relata a mãe.

Logo que recebeu alta, a adolescente começou a fazer fisioterapia com os enfermeiros Tadeu Ouriques Branco e Maria Pinheiro.Eles fizeram talas para não atrofiar os membros e iam até a casa de Élia diariamente. “Deus colocou dois anjos em nossas vidas, e estes anjos foram o Tadeu e a Maria. Nos ajudaram muito, e sempre que precisávamos estavam à disposição”, relata. Josi ainda continuava com o corpo mole, e nem o pescoço conseguia segurar. Mas a vontade de ver a filha voltar a ser o que era antes do atropelamento mantinha acesa a chama da esperança em toda a família, amigos e conhecidos.

“Cada pequena conquista era uma felicidade para todos nós. Depois de 20 dias da volta para a casa, ela conseguiu articular a primeira palavra com a boca. Josi ainda não estava falando, mas conseguíamos ler os seus lábios. Colocamos a música do padre Marcelo Rossi para ela ouvir, e quando o refrão acabou, ela repetiu a última palavra: “Senhor”. Não há como descrever o sentimento de felicidade e emoção que sentimos no momento. Foi aí que percebemos também que ela não estava cega como os médico haviam afirmado. Minha filha continuava enxergando, e com isso nossas esperanças aumentavam cada vez mais”, ressalta a mãe.

Aos poucos a adolescente foi aprendendo a viver novamente. As fraldas foram tiradas e quando queria ir ao banheiro batia as mãos. Poucos dias depois, começou a comer, mesmo utilizando a traqueostomia. As palavras articuladas com a boca tranformaram-se em frases longas, que reforçavam ainda mais a ideia de que mesmo com a pancada levada na cabeça durante o acidente, a memória e inteligência da garota continuavam iguais. Josi levava uma vida normal, mesmo com as dificuldades que lhe eram impostas.

Em novembro do mesmo ano formou-se na oitava série, sendo levada nos braços pelo tio, emocionando todos os presentes. No mês seguinte crismou-se na Igreja Matriz de Urussanga, e no colo foi levada para receber a benção do bispo. Em dezembro, na companhia da mãe e da enferemeira Maria Pinheiro foi até Brasília iniciar um tratamento na garganta, onde permaneceu por 48 dias seguidos. “Durante muito tempo continuamos indo regularmente para a capital do Brasil. Lá, Josi reaprendeu a sentar, a andar e segurar os próprios membros. O tratamento acabou cinco anos depois com uma cirurgia na garganta, que a deixou por mais 40 dias internada gravemente na UTI”, lembra Élia.

Mesmo com tamanhas dificuldades, a jovem voltou a estudar e formou-se no segundo grau. Sempre com o sorriso no rosto, continuou fazendo fisioterapia, e hoje também pratica hidroginástica e equoterapia. Josi ajuda nas tarefas de casa, arruma o quarto, limpa a cozinha. Se locomove com a ajuda do andador ou de uma bengala, e tem uma vida normal, como de qualquer outra pessoa. “Para mim foi tudo muito difícil. Eu acredito que isso seja uma lição de vida para aqueles que estão bem, mas costumam reclamar de tudo. Por causa do acidente, eu aprendi a ser mais humana, mais humilde, não ter rancor”, fala a jovem.

Élia afirma que tudo aquilo que a família enfrentou só serviu para ter ainda mais certeza que Deus existe. “A gente acha que a vida é só trabalho e se esquece de Deus. Mas aí, quando acontece alguma coisa como este acidente, percebemos que a gente para de trabalhar, mas não de viver. Muitas vezes acordamos e esquecemos de agradecer por mais um dia. Só o fato de respirar normalmente sem precisar da ajuda de qualquer aparelho já é uma grande motivo para ser grato a Deus”, diz Élia.

Mesmo com tantas dificuldades já enfrentadas, a jovem não deixa de sorrir. Josi é uma vencedora, uma guerreira, um exemplo a ser seguido. “A minha fé está sempre em primeiro lugar. Acredito que vou melhorar cada vez mais com a ajuda do pai e da mãe. Isso se eles tiverem paciência para me aturar”, fala a jovem, em meio a um delicioso e contagiante sorriso, que revigora as forças de qualquer pessoa que esteja ao seu redor.

7 comentários
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  1. Que Deus te abençoe muito…
    Você é uma vencedora e eu torço por você…
    Amo você anjiinho de Deus

  2. EXCELENTE MATÉRIA, LEVEI UMA HORA PARA LER, ,POR COUSA DA LÁGRIMAS, NÃO CONSEGUIA LER,GOSTARIA DE VISITA-LA COM MINHA ESPOSA E FILHOS, SERÁ QUE ELES ACEITARIAM.

    UM FORTE ABRAÇO E PARABÉNS

  3. Josi querida, eu sempre te disse que você conseguiria… E conseguiu! Você é uma menina inteligente e guerreira! E Élia e Marcio, não tem palavras para descrever o amor e fé que vocês tem. Parabéns!
    Torço todos os dia por vocês!
    Um grande beijo no coração!
    E PODE SEMPRE CONTAR COM ESSA VELHA AMIGA…

  4. Parabéns!!!
    Que sua vida seja repleta de felicidades!

  5. Parabéns pela fé e esperança que tiveram! Estou com um irmão no CTI há 30 dias e ver a história da Josi me deu uma grande injeção de ânimo. Deus abençoe vocês!

  6. Deus botou em sua vida anjos de luz!
    É por essas e outras hitórias que tenho certeza que Deus existe!
    Saúde para você e que recupere cada vez mais…

  7. Bom, vemos em seu depoimento que és um grande exemplo de vida e superação. Não só você, mas todos nós que lemos sua história acabamos tendo mais FÉ EM DEUS!

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