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Urussanga registra casos de Hanseníase

dez 3rd, 2009 | por Jornal Vanguarda | Categoria: Saúde

Preconceito, medo e falta de informação. Estes podem ser considerados os principais obstáculos enfrentados pelas pessoas que possuem a hanseníase. Uma doença milenar, que foi relatada até mesmo nas páginas da Bíblia e que até hoje é cercada de temores e muitas dúvidas.

“As pessoas imaginam que a Hanseníase não ocorre em Santa Catarina e isto não é verdade. O norte e nordeste do Brasil são as regiões com um número de casos mais elevados. No entanto, aqui em Urussanga também já foram diagnosticadas pessoas com o problema. Em 2007, foram três novos casos e em 2008, duas pessoas apresentaram os sintomas, além de outro caso suspeito que não foi confirmado”, relata a representante da vigilância epidemiológica de Urussanga, Robertina Goulart  Nunes.

A Hanseníase é uma doença infecto-contagiosa que se manifesta por meio de manchas na pele que provocam a diminuição da sensibilidade. “O local em que as lesões aparecem ficam dormentes e em algumas situações podem ocorrer queda de pelos da sobrancelha e áreas de anestesia isoladas pelo corpo. Além disso, pode atingir os nervos periféricos e ter uma evolução crônica, podendo acometer outros órgãos do corpo e ser responsável por graves problemas, caso o paciente não inicie o tratamento”, informa o dermatologista Adroaldo Apolinário. É muito comum as pessoas confundirem com algum tipo de micose ou pano.

Por ser uma das doenças mais antigas da humanidade, a hanseníase ainda é cercada de mitos e preconceitos. Antigamente tratada como “lepra”, foi responsável por vários casos de isolamento e afastamento de indivíduos da sociedade. “O Brasil ocupa o desconfortável primeiro lugar na incidência da doença. Até 1950, os doentes eram isolados em hospitais/ asilos, separados de suas famílias e de toda a comunidade”, explica Apolinário.

Segundo Adroaldo, foi a partir de 1986, com o uso de vários medicamentos em conjunto que foi possível obter a cura da doença e lutar a favor da sua erradicação. Os casos diagnosticados devem ser imediatamente comunicados a vigilância epidemiológica.
 “O procedimento começa com a análise do médico e depois os casos diagnosticados são encaminhados para a Central em Criciúma.
 O tratamento é totalmente gratuito e fornecido pelo SUS. Geralmente a medicação precisa ser tomada por 12 meses para que haja a cura da Hanseníase”, diz Robertina. Além do controle que precisa ser feito mensalmente, após o término do tratamento, o paciente precisa ser acompanhado por um tempo para garantir a eficácia da medicação. Em Urussanga, todos os casos diagnosticados foram curados.

A transmissão ocorre através do contato íntimo e prolongado. “O bacilo da hanseníase é eliminado através da via aérea superior por pacientes sem tratamento. A porta de entrada são as vias aéreas, aparelho gastrointestinal e por meio de ferimentos na pele”, fala o dermatologista.

A única forma de prevenir são as medidas básicas de higiene que podem auxiliar até mesmo no diagnóstico de novos casos. O importante é sempre que surgir a confirmação, informar a Vigilância epidemiológica e também ao programa de combate a doença o resultado. Só assim, o tratamento pode ser inicializado e as pessoas que convivem com o doente analisadas e com isso diagnosticados futuros casos de hanseníase.

O mais importante, além do tratamento é acabar com os mitos que envolvem a Hanseníase. Com as campanhas educativas, esses quadros vêm mudando, mas ainda é preciso informação e conhecimento. De acordo com Robertina, o mais importante é vencer a barreira do preconceito e lutar para a erradicação da doença.

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