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Ainda sobre a doutrina católica…

nov 26th, 2009 | por Jornal Vanguarda | Categoria: Bibiana Pignatel, Colunistas

Depois do “Catecismo Maternal” é a vez de falar sobre o “Pequeno Catecismo”. Ah! Deste tenho certeza que muitos se lembram. Por algumas semanas ainda vou falar sobre ele.

O “Pequeno Catecismo” que visualizo enquanto escrevo estas linhas possui 32 páginas amareladas pelo tempo, mas muito manuseadas por pais e mães, antes mesmo das próprias crianças e dos catequistas.

Hoje ainda é compromisso da família e não só da criança o dever de aprender e aplicar a doutrina católica, os ensinamentos de Deus, em sua vida.

Mas antigamente, por a igreja ser um pouco mais severa (no bom sentido da palavra) que nos tempos atuais, certas coisas que hoje são um tanto deixadas de lado eram levadas à risca. E entre os mais velhos, não há dúvida desta afirmação.

Tal como o Catecismo Maternal, sobre o qual falei há duas semanas, o livrinho traz uma série de perguntas e respostas que os pais deveriam ensinar a seus filhos antes que estes frequentassem a catequese.

Em algumas comunidades do interior, a catequese (com o catequista) era ministrada por um período de mais ou menos 15 dias antes da Missa de Primeira Eucaristia. E não era chamada “catequese”, mas “doutrina”.

Os pais compravam o Pequeno Catecismo muito tempo antes, já que o compromisso que tinham com seus filhos era muito maior para ser concretizado em apenas duas semanas. Como você pode perceber pela última coluna, os preceitos da religião começavam a ser ensinados às crianças ainda quando bebês.

Era um verdadeiro compromisso: uma ex-vizinha de minha avó não sabia ler. Sua preocupação com a formação religiosa dos filhos era tão grande, que pediu que minha avó os ensinasse, uma vez que ela não poderia transmitir todos os ensinamentos presentes no livro, em função do analfabetismo. Minha avó dividiu o tempo que tinha para ensinar minha mãe e meu tio com os filhos da vizinha. 122 perguntas, além de mandamentos, recomendações e orações. Destas últimas, algumas aprendi quando criança com ela, porque na igreja nem se ouve mais.

Depois de “doutrinados” pelos pais, os filhos iam 15 dias seguidos ao encontro da catequista, que além de tomar os conhecimentos dos pequenos, ensinava orações e cantos, e como deveriam se confessar e comungar.

Antigamente, as crianças faziam a Primeira Eucaristia em jejum e acordavam muito cedo para ir à igreja, que geralmente se localizava a quilômetros e quilômetros de distância.

O dia da Primeira Comunhão, para alguns, era o primeiro dia de calçar um par de sapatos. Uma alegria para uns, um desconforto para outros.

Os meninos vestiam um terninho com calças acima dos joelhos e as meninas, como hoje, um vestidinho branco, mas com o diferencial do véu.

Na semana que vem, recordarei algumas peculiaridades do catecismo. Até mais.

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