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Banda Municipal comemora 25 anos

nov 23rd, 2009 | por Jornal Vanguarda | Categoria: Especial

banda-emerson-4Cocal do Sul, 7 de setembro de 1984. É a primeira apresentação da Banda Municipal de Urussanga. Meninos entre sete e 13 anos estão a postos. Nervosos, seguram os instrumentos com força e, ao mesmo tempo, com muita segurança. São trompetes, cornetas e bumbos, acompanhados pelo conhecimento dos integrantes que, há poucos meses atrás, não entendiam nada de música. O maestro segue à frente, ditando o ritmo e o desenrolar das melodias. Seguindo-o, o conjunto de crianças caminha pelas ruas mostrando tudo o que aprendeu. A passos lentos vão deixando para trás os espectadores que, com calorosos aplausos, demonstram que a apresentação está sendo um sucesso. Os instantes passam, assim como o nervosismo dos meninos. Eles percebem, enfim, que tanta dedicação e horas de ensaios valeram à pena: a apresentação foi um verdadeiro um sucesso!

Quando Ado Cassetari Vieira assumiu o Executivo Municipal no início de 1984, sua esposa Ana Maria Mariot Vieira ficou responsável pela Secretaria de Educação e Cultura. Trabalhando em todas as esferas artísticas e culturais, pôde perceber que na parte musical, acima de todas as outras, a cidade estava bastante defasada. Como não haviam muito profissionais especializados na área, a secretária apostou na formação de novos músicos. Junto do marido, então, teve a ideia de compor uma banda marcial com jovens de Urussanga. Mas, como fazer isto se os integrantes não sabiam tocar, nem ao menos manusear os instrumentos?

O primeiro passo dado foi a aquisição da aparelhagem. “Através do Movimento Brasileiro de Alfabetização (Mobral) fui até Brasília buscar os instrumentos musicais. Consegui alguns e a partir daí começou a busca pelos integrantes da banda”, explica Ana. Enfim, as inscrições foram abertas. Anúncios no rádio e jornais da cidade chamavam a garotada para participar do conjunto. Data e hora estavam marcadas. A primeira reunião ocorreria no Paraíso da Criança e contaria com a presença do maestro Braz Cizeski.

O professor tinha aproximadamente 25 anos e era o primeiro emprego como músico em Urussanga. Pela frente, uma difícil tarefa: ensinar os meninos a tocarem os mais diversos instrumentos. “Alguns dos quais nem eu mesmo sabia”, lembra Braz. No primeiro encontro, cerca de 80 crianças compareceram. No entanto, somente cerca de 25 continuaram e se dedicaram à banda marcial da cidade.

“Eles tocavam o sax alto e tenor, barítono, bombardino, clarinete, trompas, tuba (contrabaixo), caixa, surdo, bumbo e prato. Eu não conhecia todos, e para poder passar aos novos músicos o que era necessário para que eles aprendessem, fiquei uma semana no Exército em Criciúma. Acompanhei a banda e estudei muito. Assim, senti-me preparado para instruir as crianças”, fala Braz.

Nenhum dos meninos havia tido sequer algum contato com instrumentos. O critério para decidir o que cada um tocaria foi o próprio biotipo. Dependendo se era mais alto, mais forte ou tinha a boca maior ou menor, os integrantes foram distribuídos entre os aparelhos de sopro ou percussão. “Eu aceitei a proposta do Ado e da dona Ana porque precisava de um emprego na cidade. Tivemos que iniciar do zero, do nada. No geral, foi muito difícil, mas as crianças que se firmaram na banda fizeram a parte delas, tornando o trabalho ainda mais gratificante. Aquele foi um momento de superação e de comprometimento”, explica o maestro.

Por vezes, segundo Ana, era necessário fazer um agrado aos músicos para que eles se sentissem valorizados pelo esforço que dedicavam ao conjunto. “Levávamos tortas e refrigerantes para deixá-los mais felizes. Eles ainda eram crianças, tinha que haver algum tipo de incentivo para continuarem ensaiando”, ressalta. Nas primeiras semanas os ensaios eram diários. Com o passar do tempo, passaram a ser semanais. Os uniformes, então, foram doados pela Prefeitura Municipal aos integrantes da banda.

Passados seis meses do encontro no Paraíso da Criança ocorreu a primeira apresentação. A cidade de Cocal do Sul, então distrito de Urussanga, foi o local onde os pequenos músicos mostraram todo o talento que possuíam. A exibição foi um sucesso. Elogios vinham de todas as partes. “Algumas pessoas da comunidade chegaram até a me dar a ideia de cobrar uma mensalidade da população para manter a banda. Todos ficaram impressionados com o resultado”, salienta Ana.

Diversas apresentações foram realizadas nos anos subsequentes. As crianças cresceram e aperfeiçoaram-se cada vez mais na música. Aos poucos, o conjunto tornou-se uma verdadeira família. “Podemos dizer que a nossa banda é a base da Orquestra Municipal”, destaca Ana. Muitos profissionais foram formados, outros seguiram diferentes caminhos e fizeram da música, somente um bom passatempo.

Hoje, 25 anos após a primeira exibição pública, os integrantes sentem-se orgulhosos por terem feito parte desta linda história. Dedicação e vontade foram indispensáveis para eles que, na época, eram apenas crianças. “Este comprometimento todo valeu muito a pena, tenho certeza disso. Há 18 anos, quando Ado faleceu, no momento do sepultamento ouvi lá no meio do cemitério a música Toque do Silêncio, tocada com um instrumento de sopro. Era o nosso maestro Braz Cizeski, se despedindo daquele que lhe deu a primeira oportunidade de trabalho em Urussanga. Isso mexeu comigo, é uma daquelas marcas que ficam na gente. Jamais me esquecerei daquilo, jamais”, lembra Ana.

A banda dos meninos músicos está na memória de todos aqueles que vivenciaram o surgimento e desenvolvimento da ideia. “Dentro das possibilidades cumprimos nossa missão, e da melhor forma possível. Sinto-me muito feliz pela atividade realizada, pois hoje sou amigo dos integrantes do conjunto. Eles já são pais de família, excelentes profissionais, mas tenho certeza que não esqueceram da época dos ensaios e apresentações. De tudo aquilo que a gente faz, é importante ficar boas marcas. E deste trabalho, tenho certeza que muitas ficaram”, fala Braz.

Para comemorar as Bodas de Prata da Banda Municipal, os músicos Paulo Ricardo, Rodinei e Emerson Lima tiveram a ideia de fazer um encontro com os ex-integrantes do conjunto. O evento ocorrerá no dia 13 de dezembro na Vinícola Mazon, somente para músicos e convidados. “O objetivo desta festa é promover o encontro daqueles que passaram tantos anos juntos, ensaiando e se apresentando em várias cidades da região. Somos uma verdadeira família, mesmo que cada uma tenha seguido um caminho diferente”, explica Emerson.

Os integrantes têm como apoiadores do evento Rosangela Cabeleireira, Doce Mania, Mecânica GS, Construtora Folchini, Drogaria Estação, Esaf, Agropecuária Urussanguense,  DS Travel Tur, Cinderela Calçados, Tubozan, Supermercado São Pedro, Despachante Benincá, Rei Despachante, Faquin Escapamentos e Acessórios Urussanga.

Músicos que integraram a Banda Municipal:

Emerson Fernandes de Lima, Gilson dos Passos Medeiros, Rodnei Rosseti, Paulo Ricardo Júlio Batista,Adroalado Echamendi de Brida, Agenor Ramos, Fabrício Maximiliano, Jucinei Cancelier, Ademir  de Brida Junior ( Totinho), Juliano Cesconetto, Henrique Trombim, Eduardo Adolfo Custódio, Oclésio Bez Fontana, Élson Roberto Ramos, Emerson Luiz Ramos, Osvaldir Junior Tavares, Jeferson Custódio, Jeferson Librelato, Edson Rômulo Cancelier, Edinho, Justiniano  Silvino, Marcio Bianchini, Erotides Borges Filho, Jacioni José Cataneo, Julio Leopoldo, Leandro da Rosa, Jair de Ávila ( Bicudo), Eloir Fernandes, Binha, Itamar Mazzucco (Padre), Sandro Luiz Brognoli, Warner Pereira, André Ricardo, Alessandro dos Santos, Jaison Delan, Peter Frank Concer, Sérgio Barbosa, Sérgio Andrigo, Marivaldo, Valério Sartor, Délio Sólon, Suele Tibis da Silva, Frank Aguiar (in memórian ).

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