Uma história de perdas e conquistas
nov 5th, 2009 | por Jornal Vanguarda | Categoria: CulturaSerenidade e muita simpatia são algumas das qualidades que a urussanguense Maria Adelaide Frol Mazzucco, de 89 anos, transmite ao relembrar com exatidão dos tempos da infância e juventude que passou na localidade de Rio Maior, onde reside até hoje.
Ela nasceu no dia 6 de junho de 1920 e ainda muito jovem recebeu o apelido de “Giata”. É filha de Basílio De Lorenzi Frol e Tereza Mazzucco e teve apenas um irmão. Quando tinha apenas 7 anos, perdeu o pai vítima de tuberculose, doença que na época, por falta de tratamentos adequados e atendimento médico, acabou se agravando até levá-lo ao óbito. Desde cedo ela percebeu que deveria ser forte e tentar superar a tristeza das perdas. Apesar da vida difícil, nunca se deixou abater, sempre foi muito ativa, adorava estudar e brincar com os amigos. Os anos foram passando, as responsabilidades aumentando e quando tinha 15 anos uma nova perda a abalou. Sua mãe, de apenas 40 anos, começou a ficar doente e sentir muita fraqueza. Como na época era difícil procurar ajuda profissional, o quadro se complicou e ela faleceu, deixando os dois filhos que então passaram a viver junto com a avó paterna, Maria Manarin Pimeo.
Giata conta que gostava muito de ir às domingueiras que aconteciam nas casas, geralmente durante a tarde.
De acordo com os costumes da época, as moças não podiam se divertir sozinhas, deveriam estar sempre acompanhadas pelos pais ou irmãos. Mas como ela havia perdido os pais, na maioria das vezes, ia sem acompanhante. “Quando íamos à domingueira, não me faltava par. Os rapazes sempre queriam dançar comigo. Seu eu não queria, dizia logo que já tinha um parceiro. Eu não podia ouvir uma melodia que lá estava eu pronta. Dançava valsas e as músicas daquele tempo”.
Foi em uma dessas domingueiras, aos 29 anos, que Giata começou a namorar Benjamim Mazzucco, que havia sido seu colega de escola. “Nós nos conhecíamos desde muito cedo, mas nunca imaginei namorar com ele, porque ele era dois anos mais novo que eu. Eu achava o fim namorar com alguém mais novo”, afirma.
Porém, após um ano de namoro, em 17 de setembro de 1949, o Padre Agenor Neves Marques realizou na Igreja de São Gervásio e Protásio a cerimônia de matrimônio. Da união, o casal teve seis filhos. A vida a dois deu certo, foram 40 anos de casamento que só terminou quando o marido faleceu, há 18 anos. Ela e sua família sempre moraram no Rio Maior. Mesmo depois de casada, Giata ficou morando próximo à casa onde cresceu.
Maria Adelaide acompanhou de perto as mudanças que a comunidade foi passando ao longo desses 89 anos de vida. “O Rio Maior de hoje não se parece mais com o que eu cresci. A água, nós pegávamos na nascente. No rio, lavávamos as roupas e ele tinha força para tocar o engenho de açúcar e cachaça. Não havia água encanada e muito menos energia elétrica. Usávamos lamparina de querosene. As pessoas se reuniam e se ajudavam, hoje as coisas mudaram muito”, lembra ela, com uma certa nostalgia no olhar.

