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Mulheres e sexualidade: tire suas dúvidas

nov 5th, 2009 | por Jornal Vanguarda | Categoria: Saúde

brivaldoSexo continua sendo um tabu difícil de ser superado. Seja pelas crenças religiosas ou mesmo pelos ensinamentos recebidos dos pais, a realidade é que o ato sexual se torna traumatizante para muitas pessoas. Algumas delas acreditam que é um pecado imperdoável, outras pensam que o simples fato de falar sobre isso com os filhos é um incentivo à sexualidade. E é aí que o medo de perguntar se instala. As dúvidas são grandes, porém a falta de coragem em esclarecê-las são maiores ainda. “Hoje os jovens já estão bem mais em informados. Na internet, televisão ou escola, sempre arrumam um lugar que responda aos questionamentos que têm. Mesmo com todo este tabu ainda existente, a consciência das pessoas está mudando e a procura por orientações, aumentando”, explica o médico ginecologista Brivaldo Pereira.

Conforme o especialista, cada vez mais as adolescentes e jovens estão indo ao consultório para esclarecer algumas dúvidas. As perguntas mais comuns são sobre os métodos anticoncepcionais, prevenção de doenças e mudanças no organismo. “Nesta fase, elas estão muito interessadas em saber o que está acontecendo com o corpo. Todo o aspecto genital e problemas relacionados à menstruação são questionados frequentemente. Além disso, o bom é que estão se conscientizando que a prevenção é o melhor remédio e vão procurar orientações antes mesmo de algum problema surgir”, esclarece Pereira.

Na fase adulta, quando a mulher já tem os parceiros sexuais praticamente definidos, as dúvidas mais comuns relacionadas ao assunto são a frigidez (falta de apetite sexual), a dispareunia (dor durante a relação) e a falta de orgasmo. Em menor proporção, há aquelas que buscam respostas sobre corrimentos vaginais, anticoncepcionais e prevenção de doenças.

Segundo o ginecologista, uma das maiores queixas, a dor no decorrer do ato sexual, pode ser ocasionada por vários motivos. Eles podem ser tanto originados por fatores emocionais ou físicos. “Muitas mulheres têm a dispareunia em decorrência de algum tipo de infecção vaginal ou doenças virais, como HPV e herpes. Também pode ocorrer por algum problema no útero, mas isto só vai ser constatado com os exames adequados”, fala Pereira.

O estado emocional da mulher também influi de forma significativa no sexo. Muitas vezes este é um dos principais obstáculos encontrados pelos casais e que levam à dor. Se não estiver completamente à vontade com o parceiro, ela vai ter o vaginismo, que é a contração da musculatura em torno da vagina. Por este motivo, o organismo não lubrifica o órgão genital, causando incômodo e desconforto. “Algumas vezes a mulher sente dor na região genital durante a relação devido a um problema físico. Mesmo que a doença seja tratada e curada, o medo de passar pela mesma situação a faz sentir dores bem parecidas. É o lado emocional e próprio organismo juntos, causando ainda mais sofrimento”, salienta o médico.

Outro problema muito comum é a frigidez, ou seja, a falta de apetite sexual. As queixas são frequentes, e muitas pacientes alegam nunca ter chegado ao orgasmo com o parceiro. Diante desta reclamação, o profissional dá a seguinte orientação: “Deve-se saber que a mulher demora um pouco mais para começar a sentir prazer durante o sexo, diferente do homem. O processo de excitação é mais lento, por isso a importância das preliminares. O orgasmo muitas vezes tem que ser aprendido, para que ambos compartilhem daquele momento de prazer, e não só um deles. É importante lembrar que o casal deve estar junto na consulta, para que o resultado seja ainda mais satisfatório”, ressalta. Desta forma, a libido da mulher pode aumentar, melhorando muito a vida sexual do casal.

Conforme o ginecologista, na cidade de Urussanga o tabu com relação a este assunto ainda é grande. Muitos problemas fáceis de serem resolvidos transformam-se em sérias complicações pelo medo de perguntar e de procurar ajuda. “No consultório, várias vezes o profissional capta da paciente uma dúvida que para ela é muito importante, mas que deixa de perguntar por simples constrangimento. Às vezes, demoram algumas consultas para mulher se sentir à vontade com o médico e fazer as perguntas abertamente”, garante Brivaldo.

Deixar a vergonha de lado e criar coragem para buscar orientações são essenciais na vida de qualquer pessoa. Muitos fatores físicos e emocionais acarretam em problemas difíceis de serem curados, se não tratados precocemente. É de grande valia lembrar que a prevenção é o melhor remédio, e que procurar instruções a respeito do assunto pode evitar graves problemas futuros. “Daí vem a importância de procurar respostas para as dúvidas que se têm. Deve-se procurar ajuda antes mesmo de aparecer algum tipo de doença. O preventivo, por exemplo, é muito importante para toda mulher adulta. Mesmo que ela não tenha sintomas, deve fazer o exame para averiguar se está tudo bem, principalmente no útero e na mama. Ali se instalam os tipos de câncer mais frequentes na mulher, além de serem mais fáceis de detectar e que tem maiores chances de cura total. São coisas simples de fazer, gratuitas e que fazem um bem imenso, ajudando a manter em dia a saúde da mulher”, diz Pereira.

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