In chiesa
nov 5th, 2009 | por Jornal Vanguarda | Categoria: Bibiana Pignatel, ColunistasÉ lógico que muitas coisas, antigamente, eram diferentes na “nostra Benedetta”. A começar pelos modos com que as pessoas se portavam dentro e fora das igrejas. E vou direto ao ponto.
Me contaram que nosso tão estimado Sr. Adão Bettiol, quando mais jovem percorria o interior da Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição (e por vezes também o pátio) antes das missas, recolhendo a criançada para ficar sentada em volta do altar durante a celebração eucarística.
Contaram também que naquele tempo, todos ficavam bem quietinhos. Nenhuma criança ficava correndo pelos cantos da igreja. Os que tinham vergonha de sentar-se à frente de tantas pessoas (porque a igreja ficava lotada), detinham-se à barra da saia de suas mães, avós ou tias. O Sr. Adão se compadecia dos rostinhos vermelhos e deixava os pequeninos assistirem à missa, sentadinhos ao lado dos familiares.
Para entrarem na igreja, as jovens solteiras vestiam um véu branco sobre a cabeça e as mulheres casadas, um véu negro, independente de serem viúvas, ou não. Os vestidos não podiam ser decotados, deviam ter mangas e um comprimento que fosse no mínimo até os joelhos. Vestido de alças, nem pensar! Aliás, nem existia. Mas eram sempre bem feitos e coloridos.
Maquiagem e cabelo? Impecáveis. Era o tempo do chamado “pó de arroz”, de tão branco que era o pó que usavam para cobrir a face. Um contraste na pele das moças que durante a semana trabalhavam na roça: a pele estava sempre queimada pelo sol. Mesmo assim, eram muito caprichosas, conta minha avó.
Os homens vestiam terno para ir à missa e usavam chapéu, que tiravam ao pisar na igreja em sinal de respeito.
Os trajes eram usados apenas para ir a uma missa ou festa, e quem tinha condições, mandava fazer uma roupa nova a cada festejo.
As sombrinhas eram as grandes companheiras daqueles muitos que se dirigiam a pé, sob sol forte de domingo, percorrendo distâncias de até 15 km, “semanal e religiosamente”, para comparecer à celebração da Santa Eucaristia. Quem não seguia o trajeto a pé, ia de aranha (charrete) ou de “auto” (carro): havia pouquíssimos veículos que circulavam na cidade na época.
Além da celebração dominical na Igreja Matriz, que tinha início às 9h da manhã, os descendentes de italianos participavam de muitas outras festas tradicionais nas localidades do interior: Belvedere, Rancho dos Bugres, Rio Maior, Palmeira (Baixa, Alta e do Meio), Rio Caeté…
Hoje alguns costumes ainda permanecem, como o de homens sentarem nos bancos do lado esquerdo das igrejas e mulheres, do lado direito. Às vezes acontece o contrário, dependendo da comunidade.
Mas há muita diferença noutros casos: para “não gastar os sapatos”, muitos descendentes de italianos iam às celebrações religiosas e festas com os sapatos na mão. E caminhavam descalços, mesmo. Quem não conhece a história deve se questionar: “o sapato limpo e o pé sujo?” Ah, mas para isso eles levavam um paninho, às vezes umedecido, dentro do sapato e quando chegavam próximo ao local da festa, limpavam os pés e colocavam os calçados. Alguns usavam chinelos até chegar ao trecho da estrada em que deveriam colocar o sapato. Para tanto, sempre existia um “matinho” onde escondiam os chinelos. Perto da Igreja Matriz, o ponto onde geralmente estes eram deixados dentro de uma sacola, era próximo ao armazém do “Beppi Franda” – José Feltrin – que ficava fechado aos domingos.
E por esta semana, é só. Semana que vem, trago mais alguma “storietta” para vocês. Até lá!

