Il camposanto
out 29th, 2009 | por Jornal Vanguarda | Categoria: Bibiana Pignatel, ColunistasAproximam-se os dias dedicados a “Todos os Santos” e “Finados”, e o que trago à lembrança, nesta semana, são logicamente, alguns costumes de nossos italianos em terras brasileiras.
Antes de falar sobre o que era feito antigamente nos dias 01 e 02 de novembro, falo sobre o dia de ontem (28), dedicado a São Judas Tadeu.
O dia de São Judas Tadeu era tido como dia santo de guarda. Ninguém trabalhava neste dia. Por isso, os imigrantes e suas famílias tinham o costume de aproveitar a data para confeccionar coroas de flores, que levavam no dia 1º de novembro aos túmulos de seus entes queridos.
“Ghirlande” – eles chamavam as coroas compostas por flores artificiais, que eram moldadas em casa, mesmo, com papel crepom em diversas cores. Os trabalhos manuais imitavam rosas.
Uma senhora que se destacou no município através deste trabalho foi Dona Chechina (lê-se: Quequina): Francisca De Brida, mãe do saudoso ex-prefeito Lydio De Brida.
O dia 1º (dedicado a Todos os Santos) era marcado também como dia santo de guarda e à noite, sempre era feita a oração do terço, nos cemitérios. Em algumas localidades de Urussanga, ainda há quem leve adiante o costume de orar pelos mortos e acender velas durante o período de oito dias, nos cemitérios.
No dia 02 (dos Finados), eram os lírios e as margaridas, desta vez, naturais, que perfumavam o campo-santo. Na Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição, era celebrada a missa no período da manhã, e o “popolo” (povo) era numeroso. Ninguém vestia roupas de cor vermelha e as mulheres não usavam maquiagem. À tarde, o descanso era deixado de lado e muitos voltavam a trabalhar.
Nos dias de hoje, muitos costumes como estes foram deixados de lado. Aliás, a finalidade desta coluna é justamente relembrá-los. Mas porque não, nesta semana, reacender o respeito e o silêncio tão cultivados há um tempo que não está tão distante assim de nós?
Em todos os anos acontece a mesma coisa: inicia a missa no cemitério municipal e diversas pessoas continuam tagarelando, falando em voz alta, dando gargalhadas, andando para um lado e para o outro… E mesmo o ano todo, deixando seu rastro, com ritos de feitiçaria.
Não incentivo o sentimento de tristeza, afinal, “eles” partiram e nós ainda estamos aqui, de uma maneira ou de outra, procurando levar a vida e esquecer as aflições enfrentadas com a perda de nossos entes queridos.
Entretanto, bato na tecla sobre a falta de respeito: com os que foram e com os que ainda choram sua perda. Cemitério é lugar de silêncio, não de baderna.

