Estação Ferroviária
out 29th, 2009 | por Jornal Vanguarda | Categoria: Especial
Nas cores amarelo e laranja, como era originalmente, a antiga Estação Ferroviária foi um marco no desenvolvimento da cidade.
Tombada pelo município, a edificação agora está sob a guarda do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e é sede da Associação Pró-Goethe e da Central de Informações Turísticas de Urussanga.
DADOS TÉCNICOS
Estação Ferroviária
* Ano de Construção: 1925
* Endereço: Rua Lúcia Delfino da Rosa
* 1º Proprietário: Estação Ferroviária D. Tereza Cristina
* Características: edificação térrea composta por corpo único, marcado por uma parte com telhado em quatro águas, que avança na plataforma de acesso, e volume na lateral, abrigando os sanitários e caixa d’água. Edificação marcada por uma arquitetura de linhas simples, mas com aberturas imponentes, com vergas retas e esquadrias de madeira com folhas almofadadas. Frontão triangular marca seu acesso e seu perímetro é marcado com platibanda.
* Sistema Construtivo: alvenaria autoportante de tijolo maciço assentados com argamassa de argila e erguidas sobre alicerce de pedra.
* Uso Inicial: Estação Ferroviária
* Uso Atual: Central de Informações Turísticas
Edificação era local de embarque de passageiros
A Estação Ferroviária de Urussanga é um marco no desenvolvimento da cidade. Localizada no bairro da Estação e inaugurada em 1925, prestou serviços à comunidade através do transporte de passageiros e de carvão. Em 2002 foi desativada, e traz à tona as lembranças de um passado onde o trem era o principal responsável por levar as pessoas de um lugar a outro.
A casa construída de tijolos maciços e cimento possui detalhes devidamente pensados em todo o seu contorno. As grandes portas e janelas fazem da Estação um belo lugar para se conhecer, e não só pelo espaço físico e material, mas por toda a história desde a fundação. Os trens que por ali passavam, até o ano de 1965, faziam o transporte de passageiros de uma cidade a outra. Este era o meio mais rápido e eficaz de ir a outro lugar, já que os carros eram raros na época.
Segundo Rui Geraldo da Silva, 57 anos, que trabalhou entre os anos 1980 e 2000 na Estação, cerca de três trens passavam por ali diariamente. Eles vinham da cidade de Tubarão, tinham os vagões enchidos com carvão e partiam para o destino final. “A máquina tinha dois lugares para descarregar: a Eletrosul, atual Tractebel, em Capivari de Baixo; e o Porto de Imbituba. Lá, a carga era enviada para a CSN, do Rio de Janeiro; Cosipa, de São Paulo; ou à Usiminas, em Minas Gerais”, explica Silva.
Somente na Estação de Urussanga, diariamente passavam cerca de 3.500 toneladas do mineral. Também havia a ressalva de que conforme o modelo do vagão, o tamanho da locomotiva mudava para mais ou para menos. Havia três tipos deles, e cada um tinha uma capacidade diferente. “Um mesmo trem podia ter até 25 vagões. Se o compartimento fosse do modelo GHD, carregava 57 toneladas, se fosse um GHC poderia levar 45 toneladas, e se fosse do GHB, caberia dentro de si 33 toneladas de carvão.
Independente disso, as locomotivas podiam ser tracionadas, ou seja, duas acopladas em uma só. Neste caso, um mesmo trem poderia ter 50 vagões e levar 2.200 toneladas”, lembra o homem.
Rui trabalhou 13 anos como manobrador. Nesta função, ele fracionava a locomotiva e mudava a chave de desvio. Depois, passou em um concurso e empregou-se como agente ferroviário. Aí, as responsabilidades aumentaram já que era ele quem concedia a licença para o tráfego da máquina. “Tem que ter muita ciência para trabalhar com trens. É uma linha só, por isso a comunicação deve funcionar muito bem para que não haja nenhum problema grave”, fala.
A comunicação entre os agentes na Rede Ferroviária Federal era feita através de um telefone chamado Seletivo. Era como se fosse um telégrafo, no qual a linha era exclusiva da ferrovia. Na Estação trabalhavam quatro pessoas, que se dividiam nas tarefas a serem executadas, e nas locomotivas variava de dois a três a quantidade de funcionários. “No trem a vapor, chamado de Maria Fumaça, trabalhavam um maquinista e dois foguistas, responsáveis por abastecer a fornalha com o carvão ou lenha. Já no trem elétrico, que era movido a diesel, somente dois operadores atuavam, o maquinista e um auxiliar”, ressalta Silva.
Ele fala, ainda, que na época em que a Estação estava em funcionamento, os condutores das máquinas ultrapassavam a velocidade dos 70 quilômetros por hora sobre os trilhos. Hoje, porém, os maquinistas andam numa média de 30. “É bem mais tranquilo e tem menos riscos de ocasionar algum tipo de acidente. Quando a locomotiva freia, ela anda mais uns 300 metros até parar completamente. Em caso de emergência, há uma alternativa que faz a máquina parar de 100 a 150 metros à frente”, diz Silva.
Hoje, passados alguns anos após ser desativada, a Estação ganhou novas funções. Foi restaurada e tornou-se sede da Central de Informações Turísticas de Urussanga e da Associação Pro-Goethe. A reinauguração ocorreu em maio durante a Festa Ritorno Alle Origini e contou com a presença da Maria Fumaça. Para relembrar a época em que os meios de transportes eram precários, alguns passeios de trem estão sendo refeitos e trazem à tona as lembranças de um tempo que não volta mais.

