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Tipicidade e Terroir

out 8th, 2009 | por Jornal Vanguarda | Categoria: Artigos

Nos últimos anos os consumidores de vinhos finos têm ouvido com freqüência os termos “vinho típico” e “vinho com terroir”, que são replicados a esmo por “especialistas”, comerciantes, marketeiros, enógrafos, enólogos, sommelieres, enfim pelos mais variados personagens do mundo do vinho.

Mas o que traz de bom para o consumidor um vinho ser típico ou de terroir?

Iniciemos pela tipicidade; segundo o dicionário da língua portuguesa, típico é aquilo que serve de tipo, que é característico, simbólico, alegórico e emblemático. Partindo da definição fornecida por Aurélio, podemos afirmar que quando escutamos que um vinho é típico de determinado lugar é porque este vinho é dali característico, ou seja, expressa em maior ou menor grau as qualidades e defeitos que ocorrem naquela região.

Só isso?

Não. Também é um símbolo, um motivo de orgulho para o povo desta região; uma alegoria que enfeita as vitrines, casas e principalmente as mesas mais bem servidas; sendo, além disso, um emblema, que está sempre pronto a abrir portas para seu portador.

Assim, as videiras do grupo das “vidure” (Cabernet´s, merlot, petit verdot, tannat, carmenère, etc) cresceram pela região de Bordeaux na França e conquistaram o gosto e o carinho de seus habitantes, tornando-se o emblema desta região.
As uvas autóctones portuguesas como Touriga Nacional, Tinta Barroca, Tinta Cão, Malvasia, Gouveio, etc., quando tiveram seu vinho adicionado de álcool vínico conquistaram o exigente mercado inglês do século XVIII e propiciaram o desenvolvimento da região vitícola do Alto Douro, tornando-se símbolo de todo um país.

Desta mesma forma e de também de outros modos é possível citar vários vinhos que se tornaram elementos da tipicidade de uma região o Chianti, Barolo, champagne, Bourgogna, Asti, Cava, Rioja, Tannat uruguaio, Malbec argentino, Pinotage sul-africano, o espumante da Serra Gaúcha, o Moscato de Farroupilha, etc…

Na região de Urussanga, a uva Goethe logo depois de introduzida foi conquistando os produtores locais, pois embora existam muitas outras de maior produtividade e com manejo muito mais facilitado; suas características de aroma e paladar atraíram legiões de apreciadores. O vinho Goethe de Urussanga teve em sua história uma época de ouro, onde foi aclamado nos principais centros do país, sendo servido a políticos e personalidades que visitavam a capital do país.

Hoje, após muitas crises nacionais do setor vitivinícola e da agricultura familiar; existem na região de Urussanga várias vinícolas de pequeno porte e produtores artesanais que seguem elaborando o histórico, afamado e típico Vinho Goethe. Temos então na nossa região um vinho típico; cujas características conquistaram seu espaço na história, tornando-o um símbolo engarrafado, uma alegoria líquida e um emblema de coloração amarela dourada, aroma intenso e sabor refrescante. Enfim, um motivo de orgulho para a região.

Quanto ao terroir, termo importado da enologia francesa, entre várias definições pode ser resumido ao conjunto de características climáticas, geográficas e culturais que formam a tipicidade do vinho de uma determinada região. Conclui-se que um vinho típico é aquele que expressa o terroir da região, e que todo local que produz vinhos tem seu próprio terroir, podendo este ser bom, ruim, médio, de acordo com a classificação que lhe é imposta.

Do ponto de vista prático, para o consumidor de vinhos, é interessante buscar vinhos típicos e conhecer os diferentes terroirs do mundo vitícola; sendo esta uma bela forma de ter o mundo a sua frente, dentro de uma taça. Estes vinhos podem agradar ou não, uns mais outros menos, e aí é que está toda a graça do assunto. Corra que a taça lhe espera…
Saúde!

* Stevan Grützmann Arcari (Enólogo)
stevan_arcari@hotmail.com

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