Há 55 quilômetros da destruição
out 2nd, 2009 | por Jornal Vanguarda | Categoria: Bibiana Pignatel, ColunistasAraranguá ainda contabiliza os estragos: o fim de semana se foi e o que ficou, foi um cenário de destruição. O bairro Cidade Alta foi o ponto mais atingido pelo forte vendaval da madrugada desta segunda-feira (28).
Terá sido um tornado? Tudo indica que sim. Como repórter da Rádio Eldorado, estive no local e pude ver com meus próprios olhos o que a força do vento é capaz de fazer.
Segundo relatos de vários moradores, por volta das 2h da madrugada a tempestade se abateu pela região. Dois minutos foram tempo bastante para o vento deixar seu “rastro”. Alguns dizem dois minutos, outros dois e meio, não importa. O fato é que em menos de cinco minutos o vento foi tão furioso a ponto de ser descrito por uma ouvinte no programa Eldorado Bom Dia, comandado pelo padre Samiro Meurer, como um “Mini-Catarina”.
O Ciram, Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia da Epagri, ainda não confirma o que, por enquanto, é tratado apenas como possibilidade/especulação.
Já o climatologista Ronaldo Coutinho, com toda sua bagagem de experiência, crê que realmente tenha sido um tornado e que possa ser classificado como “F1” (com ventos entre 130 km/h e 180 km/h). Segundo o “homem do tempo”, neste ano mais de 20 já ocorreram no país.
O coordenador da Defesa Civil de Araranguá, Ernani Palma Ribeiro Filho, fez um relato pessoal do momento em que o “vendaval” atingiu o bairro onde reside. Ernani diz ter acordado com o barulho do vento e das pedras de granizo batendo na janela de seu quarto. Em seguida, levantou-se e no decorrer do tempo que levou para se vestir e abrir a porta de casa para chegar até a rua, o vento parou e o silêncio foi absoluto. Olhou para o céu e viu as estrelas. O céu estava “limpo”, como se diz e, em seguida, o tempo “fechou” e começou a chover.
Um ponto de interrogação fica no ar. O tempo teve uma mudança muito brusca. Além disso, de acordo com o que vi pessoalmente, a força do vento foi capaz de estourar os vidros de oito portas de uma agência que abriga uma cooperativa de crédito e que se localiza na Avenida 7 de Setembro, principal que corta a cidade. E isso o fez, sem arremessar quaisquer objetos contra as vidraças. Alguns metros dali, já no bairro Cidade Alta, o cenário encontrado causou congestionamento durante toda a manhã e parte da tarde da segunda-feira na mesma avenida: poucos metros de muito estrago e centenas de curiosos que passavam pela via em frente aos locais afetados e fotografavam a destruição com seus celulares e câmeras digitais. Inacreditável.
Ainda no dia em que o fato ocorreu, o dono do posto de gasolina que ficou totalmente destruído (inclusive com duas bombas de combustível arrancadas) não conseguiu dar entrevista, tamanha a emoção. O filho do proprietário diz que cerca de 300 mil reais é o que deve custar o “prejuízo” que a natureza causou. O seguro paga só 100.
Um outro empresário, bem sucedido e do ramo da construção, disse-me não estar preocupado com a reconstrução. A preocupação é o que ainda pode acontecer na região, em termos de fenômenos naturais.
O esposo da administradora de uma galeria com 32 salas comerciais (20 delas comprometidas) ficou emocionado durante a entrevista. Alguns comerciantes encontraram seus documentos no segundo piso. Outros, o vento levou não se sabe para onde. Na manhã de segunda-feira, apesar da estrutura em condições duvidosas, muitos adentravam e saíam a todo minuto, retirando os pertences que haviam restado.
Outra moradora levou um susto durante a madrugada quando ouviu o estrondo que o telhado de um ginásio fez, quando caiu sobre a garagem com o carro 0 km e destruiu parte da casa.
Um outro senhor de meia idade teve que retirar no colo e, às pressas, a mãe que recém havia sofrido uma cirurgia e carregá-la até a casa do vizinho, quando o telhado todo da casa onde viviam simplesmente voou.
E tem mais: uma betoneira de 200kg também foi levada pelo vento. O telhado de um hotel ficou todo retorcido, assim como vários muros e estruturas de ferro que suportavam outdoors. Fora ainda, o que não se vê. Em cada cantinho, um problema.
Ontem, ainda, estive pela Eldorado novamente em Araranguá e aos poucos as coisas voltam ao seu lugar. Pelo menos até a tarde desta quarta-feira (30) a Defesa Civil do município contabilizou 117 estabelecimentos comerciais atingidos e destes, 45 destruídos. O governo municipal, em informação extra-oficial, pretende conseguir uma linha de créditos especial para os atingidos. Enquanto isso, mais de 450 famílias vão recebendo, até o fim da semana, as telhas para cobrirem suas casas antes que a chuva volte.
Rezem para que nunca tenhamos que passar por isso na Benedetta!

