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Uma corrida de obstáculos

set 25th, 2009 | por Jornal Vanguarda | Categoria: Geral

cadeirantesBarreiras a serem ultrapassadas. Assim pode ser resumido o dia-a-dia de um portador de necessidades especiais, sejam elas mentais, físicas ou motoras. Como se não bastassem as dificuldades relacionadas ao estado de saúde, essas pessoas também esbarram no acesso a locais públicos. Para cadeirantes e deficientes visuais, o simples fato de trafegar pelas calçadas pode ser considerado uma aventura. São postes no passeio público, calçadas em má conservação, em declínio, com degraus, vasos decorativos, entre outros que acabam prejudicando a locomoção destas pessoas. 

No dia 24 de agosto, na Câmara Municipal de Urussanga foi apresentada uma indicação para a formação de um “Conselho Municipal dos direitos das pessoas portadoras de necessidades especiais”.

De acordo com o autor da indicação que foi aprovada por unanimidade, José Carlos José, o Zé Bis, este será o primeiro passo na busca por melhorias que possam contribuir para uma melhor qualidade de vida dos deficientes. No decorrer da implantação, outras medidas também deverão ser tomadas, como a construção de uma via de acessibilidade no Parque Municipal para que eles possam participar dos eventos realizados no local e a construção de rampas de acesso nos estabelecimentos comerciais, possibilitando uma maior independência no caso dos cadeirantes. “Com o conselho poderemos definir novas políticas públicas que venham beneficiar os portadores de necessidades especiais”, afirma Bis.

“O conselho já está em processo de implantação e provavelmente até o final deste ano deverá estar em pleno funcionamento”, diz Ernani Benicá Cardoso, fiscal de obras da Prefeitura, que fará parte do conselho.

Rosiane Lunardi Furlan, de 32 anos, que há nove ficou tetraplégica, sente na pele a dificuldade. Segundo seus irmãos Idvan e Joseane, o assunto é tratado com descaso por parte das autoridades, com relação às pessoas deficientes ou que tenham mobilidade reduzida. “Aqui na cidade temos poucos estabelecimentos que têm rampas de acesso. Quando minha irmã precisa ir até o centro enfrenta calçadas quebradas, tapumes de construção em cima da calçada, lixeiras que impedem a passagem da cadeira de rodas. Algumas rampas são feitas de maneira inadequadas, e ao invés de ajudar impedem a entrada do cadeirante. Mas não basta apenas a construção de rampas, também tem de haver um bom acesso para que ela possa chegar até elas. Em Urussanga, não temos no centro uma vaga de estacionamento para deficientes”, explica o irmão, Idvan.

Rosiane faz tratamento no Hospital Sarah Kubitschek, em Brasília, onde é trabalhado principalmente a reabilitação motora e a reintegração do paciente na sociedade. “Como minha irmã poderá colocar em prática o que aprende no Sarah, se não existe a mínima condição? Ela tem uma cadeira motorizada, mas pouco pode utilizar porque não há vias apropriadas ou porque até mesmo cachorros a impedem. Acredito que acima de tudo tem de haver uma conscientização da própria sociedade, porque muitas vezes atitudes simples podem ajudar. São pequenas coisas que acabam passando despercebidas, como a colocação de um vaso na calçada que serve para embelezar, um degrau ou até mesmo um declínio para melhor escoação da água, mas que para ela se transforma em uma barreira. São coisas que só a partir do momento que começamos a vivenciar a complexidade do dia-a-dia de um portador de deficiência é que damos importância”, ressalta a irmã Josiane.

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