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E o Idoso, como vai?

set 25th, 2009 | por Jornal Vanguarda | Categoria: Bibiana Pignatel, Colunistas

No próximo domingo, 27 de setembro, é celebrado o Dia Internacional do Idoso. No dia 1º de outubro a mesma data é comemorada, mas a nível nacional. E então surgem algumas questões: O que se pode celebrar nesta data ou falar sobre ela? Como está o nosso idoso? O avô, o tio-avô, o pai do vizinho, o ancião que está no asilo ou aquele velho abandonado num canto qualquer?
Pode-se dizer que antigamente, os idosos eram mais respeitados do que hoje, por uma série de fatores. Grande parte da população ainda os marginaliza ou os ignora: no ônibus, na rua, na fila do banco, dentro da própria casa. Apesar de todas estas situações, os idosos, no Brasil, tem uma série de direitos, pelo menos no papel.

O Estatuto do Idoso estabelece em seu Artigo 3º que “é obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária”.

E diz ainda, em seu Artigo 4º que “nenhum idoso será objeto de qualquer tipo de negligência, discriminação, violência, crueldade ou opressão, e todo atentado aos seus direitos, por ação ou omissão, será punido na forma da lei”.
Lendo isto, não seria um caso a se pensar e repensar quantas vezes necessárias o modo como o idoso é tratado em nossa sociedade?

Sei que cabelos brancos não são sinônimos de santidade. Mas há que se refletir que a idade traz uma série de dificuldades no que diz respeito ao relacionamento humano. Quando somos jovens, é fácil moldar-se: ao chefe rude, ao pai ou mãe enérgicos, ao namorado ou marido ciumento demais, à irmão com quem se vive brigando, ao grupo de amigos, de pessoas com quem divide a mesma casa ou convive no ambiente de trabalho, enfim… Quando se é jovem, mesmo “esperneando” um pouco, é muito mais fácil lidar com situações que fazem com que tenhamos que abrir, volta e meia, mão do que queremos.

Ser idoso nos dias de hoje não é tão fácil quanto parece. Muitos filhos perderam a paciência com seus pais, o diálogo, a harmonia. Os fins de semana viraram simplesmente almoços de domingo, e não mais um dia em que a família se reúne para se visitar e conversar. Na hora da doença, cada filho arruma uma desculpa. E lá fica o vovô atirado numa cama de hospital, num asilo (apesar de existirem instituições sérias, mas nada se compara ao aconchego do próprio lar) ou mesmo abandonado dentro de sua própria casa. Quantos velhinhos mal-tratados! Quantos crimes acontecem, diariamente, frente a nossos olhos, à pessoa humana!

Feliz daquele que chega à terceira idade e ainda pode contar com o companheirismo da família. Não há nada mais belo para um ser humano que chegar ao fim da vida (se é que se pode dizer que a velhice é o fim da vida: alguns dizem estar na flor da idade mas já estão com o pé na cova, em saúde e espírito) e receber o respeito (leia-se amor, carinho e compreensão) de seus filhos e netos numa fase que traz tantas limitações.

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