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Quem se lembra do “sonho de vinho”?

set 10th, 2009 | por Jornal Vanguarda | Categoria: Bibiana Pignatel, Colunistas

Ao contrário do que deve estar imaginando quem não conheceu o tal “sonho de vinho”, a expressão não se refere a nenhum “sonho” de vinho (bebida), se é que o leitor me entende.

Sonho de vinho é uma sobremesa típica italiana apreciada por poucos, porque não são muitos os que a conhecem.
Eu, que sou da “nova geração”, desde pequena já a conheço. A receita foi trazida por muitas nonninhas (assim mesmo, aportuguesado) da Itália.

Segundo conta minha fonte principal na coluna desta semana – minha mãe – a sobremesa era uma das mais esperadas nas festas de casamento e de santos padroeiros de antigamente. E era assim: nas festas dos santos, por exemplo, houve uma época em que não havia estes festejos tradicionais nos salões de festa. Na verdade, nem havia salão. Os salões surgiram lá pelos anos 60.
Então, as missas eram realizadas no próprio dia do santo padroeiro. Não como agora, aos sábados e domingos (apesar de algumas localidades ainda preservarem as celebrações na data do santo, que é o caso de Rio Caeté, São Pedro e Palmeira Baixa, entre outras).

Hoje, o costume é participar da missa e logo após, de almoços ou jantares seguidos de bailes. Antigamente era diferente: havia a missa no período da manhã e as famílias da comunidade, muitas vezes já começavam a receber seus parentes que vinham de longe, antes mesmo, na véspera. A festa, portanto, era realizada na casa de cada família da comunidade, cada qual, acolhendo seus familiares e amigos e era comumente chamada de “sagra” ou simplesmente, “banquete”. Por que era de fato, um verdadeiro banquete.

As bisavós e tataravós passavam a semana inteira fazendo doces e massas. O cardápio do dia tão esperado geralmente era composto por aperitivos como cachaça e licores, seguidos pelo almoço, onde a mesa era posta com pratos rasos e fundos. Os descendentes de italianos tomavam sopa e se fartavam com macarrão, almôndegas, arroz, galo ensopado, galinha assada e saladas. Por bebida principal, vinho: tinto e branco. A gasosa, essa era uma exclusividade da época dos salões.

E depois de tudo isso, vinha a sobremesa. Entre as diversas receitas de pudins e doces afins, a mais esperada era o tal “sonho de vinho” ou, “sonhos ao vinho”. Era uma espécie de bolinho embebido num molho feito basicamente, com vinho, e era apreciada por pessoas de todas as idades.

À tarde, a mesa do café era composta por diferentes bolos e doces, como cavaquinho, delícia, doce de goma e polvilho. E após o café, todos iam embora.

E a receita do “sonho de vinho”, sobre o qual fiz tanto suspense para falar, vocês terão que esperar, pois não caberia junto a todo este comentário na coluna. Na próxima semana este espaço vem com a receita! Até mais!

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